Considere o texto a seguir: “(...) a especialização do escr...
Considere o texto a seguir:
“(...) a especialização do escravo é determinada segundo as necessidades do mercado ou a boa vontade de seu senhor. Esta imensa possibilidade de transferência tem uma influência reguladora sobre o mercado, onde a demanda varia de acordo com a conjuntura e a concorrência. O escravo é, às vezes, simplesmente alugado (...). É possível alugá-lo ao dia, à semana, ao mês, ao ano ou por mais tempo.”
(MATTOSO, Kátia de Queirós. Ser escravo no Brasil. Trad. São Paulo: Brasiliense, 3.ed, 1990, p. 141)
A descrição acima sinaliza uma forma de trabalho escravo
Gabarito comentado
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A) O escravizados em regiões canavieiras passavam suas vidas no interior da propriedade saindo apenas sob escolta ou em caso de fugas.
B) A modalidade de trabalho descrita no texto era tipicamente restrita a áreas urbanas.
C) Em Salvador na segunda metade do século XIX era bem comum encontrar pessoas escravizadas sendo alugadas para serviços diversos.
D) Na região mineradora os escravizados eram vigiados e extremamente valorizados não sendo comum a prática de alugar seus serviços.
E) Uma vez especializados em alguma função, "escravos de ganho" significavam renda para seus proprietários através da possibilidade de alugar seus serviços. A propriedade de pessoas escravizadas era tão disseminada na segunda metade do século XIX que, mesmo para pessoas mais pobres, uma das poucas possibilidades de renda era alugar seus "escravo de ganho" havendo inclusive a possibilidade deste viver só pela cidade e pagar ao seu proprietário uma valor combinado periodicamente no que se chamava na época de "viver sobre si". Alternativa correta.
Gabarito do professor: E
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Escravos "de ganho" - Trabalhavam como vendedores e tinham uma pequena (muito pequena mesmo) parcela nos lucros. Vendiam frutas, doces, quitutes etc.
GAB-E
1- Escravo de campo ou de eito= que trabalhava nas roças de cana (Escravos de lida)
2- Escravos domésticos = trabalhavam em casa
3- Escravos de aluguel= eram os escravos de ganho alugados por seus senhores
4- Escravos de ganho = escravos com habilidades (alfaiates, sapateiros, carpinteiros, serralheiros, ourives por exemplo)
5- Escravos dos engenhos de cana
6- Escravo tigrado= que carregavam as fezes em baldes para descarte (e eram chamados de tigrados porque as fezes escorriam por sua cabeça e corpo)
AULA GRAN CURSOS
GABARITO: E
COMENTÁRIO:
A descrição corresponde ao trabalho dos escravizados de ganho, comum nas cidades brasileiras durante o período escravista.
Esses escravizados realizavam serviços para terceiros, como atividades comerciais, transporte de mercadorias e trabalhos especializados. Seus senhores podiam alugar sua força de trabalho por dia, semana, mês ou períodos maiores, obtendo renda com os serviços prestados.
A passagem destaca que a especialização do escravizado e sua transferência para diferentes atividades dependiam das necessidades do mercado e dos interesses do senhor.
Bizu: escravizado de ganho = trabalhava nas ruas ou prestava serviços a terceiros, entregando ao senhor parte ou a totalidade dos rendimentos. Isso não significava liberdade: permanecia submetido à condição de escravizado.
CFO PMBA Precede, guia e lidera Instagram: @alofdjesus
Gabarito: E
Alternativa E (Correta)
O trecho da historiadora Kátia de Queirós Mattoso aborda a dinâmica dos escravos de ganho e dos escravos de aluguel, uma modalidade de trabalho escravizado amplamente difundida no meio urbano (com enorme destaque para a cidade de Salvador durante os períodos colonial e imperial). Nas cidades, os proprietários que possuíam cativos com qualificações ou ofícios (como carregadores, alfaiates, sapateiros, pedreiros, vendedores ambulantes e barbeiros) costumavam alugá-los a terceiros ou enviá-los às ruas para prestarem serviços. O valor arrecadado (o "ganho") era repassado ao senhor, constituindo uma importante fonte de renda e permitindo grande flexibilidade econômica.
Análise das Alternativas Incorretas:
- Alternativa A (Incorreta): O aluguel e a prestação de serviços urbanos por escravizados não eram um evento "ocasional de entressafra" destinado ao aprendizado de ofícios, mas sim um sistema permanente e estruturado de exploração do trabalho nas cidades.
- Alternativa B (Incorreta): A prática do trabalho de ganho e aluguel referia-se prioritariamente à população escravizada de matriz africana e afro-descendente. Além disso, os indígenas não se submetiam voluntariamente ao cativeiro "em troca de subsistência e proteção da Igreja".
- Alternativa C (Incorreta): Afirma erroneamente que essa prática era "rara nas cidades baianas". Salvador foi justamente um dos maiores centros urbanos do país onde o trabalho de ganho e o aluguel de cativos mais se desenvolveram.
- Alternativa D (Incorreta): A alforria (liberdade) não era concedida pelos senhores de engenho ou mineradores simplesmente para "se livrarem de obrigações de sustento". Ademais, o texto trata do aluguel da força de trabalho do escravizado mantido em cativeiro, e não do processo de alforria em massa.
Ponto-chave / Dica de Prova:
Escravos de Ganho / Escravos de Aluguel no Meio Urbano:
- Espaço: Típico das cidades (Salvador, Rio de Janeiro, Recife).
- Dinâmica: O cativo prestava serviços diversos nas ruas ou era alugado por períodos (dias, meses, anos), gerando renda direta para o senhor.
- Consequência: Garantia maior mobilidade espacial aos escravizados nas ruas em comparação ao trabalho plantation rural, o que permitiu também a articulação de redes de solidariedade, irmandades e a compra da própria alforria por meio do acúmulo de pecúlio.
Youtube: atilap14
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