O texto sobre Anápolis expõe a seguinte perspectiva:

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Q4327644 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Não adianta. Eu sou da Anápolis de ontem. Não adianta, eu sou mesmo de ontem, do tempo de andar descalço, sem medo e em plena liberdade, dos banhos no poço do Cristóvão ou na piscina do Fanstone, do tempo de brincar de pique, de finca, de pião, das caçadas de estilingue, de catar gabiroba, de apanhar caju, de correr pela enxurrada, de tomar chuva sem gripar. Não, não adianta não, esta cidade não é mais minha, pois a minha cidade tinha o sabor do campo, da gabiroba, do caju, da manga, da jabuticaba, das cozinhas farturentas, das festas de Bom Jesus, do circo Bacioki, do Pirulito, do foguetório do Rogério, onde tudo era folguedo, mas a vida era levada a sério.


FERREIRA SOBRINHO, Olimpio. Personalidades. Anápolis, 2004, p. 91. Apud: GARCIA, Ledonias Franco. Anápolis: para viver e aprender. Goiânia: Cânone, 2006. p. 90. (Adaptado).

O texto sobre Anápolis expõe a seguinte perspectiva:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério é interpretar a oposição temporal sem acrescentar causalidade: “esta cidade não é mais minha” assinala a ruptura entre a cidade lembrada e a atual. Por isso, a síntese válida é D, que não especifica causas para as mudanças.

Tema central: Transformações no modo de vida
Análise das alternativas
A
Errada
Acrescenta uma relação causal não demonstrada: o crescimento urbano teria provocado a perda dos referenciais simbólicos. As festas, os lugares e os costumes possuem valor afetivo para o narrador, mas seu distanciamento da cidade atual não comprova que esses referenciais desapareceram nem que o crescimento causou essa perda.
B
Errada
Transforma lembranças ligadas à natureza em prova de destruição ambiental. As referências a frutas, banhos e atividades ao ar livre caracterizam a vida do passado; não demonstram que a paisagem natural foi destruída nem atribuem essa destruição ao desenvolvimento.
C
Errada
Confunde perda de identificação com isolamento social. A afirmação “esta cidade não é mais minha” expressa o sentimento individual de não pertencimento do narrador, não uma condição coletiva de isolamento dos moradores antigos. Além disso, o texto não aponta a modernização como causa desse sentimento.
D
Certa
A alternativa D integra o contraste temporal às experiências cotidianas recordadas. Em “do tempo de brincar de pique, de finca, de pião”, por exemplo, o passado é caracterizado por práticas dos habitantes, não apenas por aspectos físicos da cidade. Assim, a oposição entre a Anápolis lembrada e a atual permite inferir uma transformação na maneira de viver, embora a rotina presente não seja descrita em detalhes.
Pegadinha da questão
As alternativas A, B e C convertem o contraste afetivo entre passado e presente em relações causais específicas que o texto não estabelece. A lembrança da natureza não comprova destruição ambiental, assim como o não pertencimento do narrador não comprova isolamento social.
Dica para questões semelhantes
  • Relacione o contraste temporal ao conteúdo das enumerações: lembranças de brincadeiras, hábitos e festas sustentam uma leitura sobre modos de vida.
  • Verifique se a causa indicada pela alternativa está demonstrada no texto; não atribua automaticamente as mudanças ao crescimento, ao desenvolvimento ou à modernização.
  • Distinga o sentimento individual do narrador de afirmações sobre todos os moradores e não tome a ausência de descrição do presente como prova de desaparecimento das práticas antigas.

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