Analisando-se a conceituação de “nada”, conclui-se que o eu ...
Leia o poema de Manoel de Barros para responder à questão.
O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.
(Represente que o homem é um poço escuro.
Aqui de cima não se vê nada.
Mas quando se chega ao fundo do poço já se pode ver o nada.)
Perder o nada é um empobrecimento.
(Livro sobre nada, 2002.)
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Tema central: Interpretação de texto – com foco em significação contextual de palavras e abordagem semântica.
No poema de Manoel de Barros, o vocábulo “nada” é destacado em sentido poético, deslocando-se da acepção tradicional (ausência, vazio ou inutilidade) para adquirir significado positivo e inovador. Pela norma-padrão e pela orientação das principais gramáticas (Celso Cunha & Lindley Cintra, Evanildo Bechara), o contexto determina o sentido das palavras — no texto literário, prevalece o sentido conotativo, construído a partir da intenção do autor.
Observe os versos: "Perder o nada é um empobrecimento." e "Eu fiz o nada aparecer." Aqui, o “nada” é valorizado, indicando algo essencial ao eu lírico: sua ausência empobrece, sua presença enriquece. Essa ressignificação evidencia uma postura poética que foge do senso comum – lugar em que o “nada” seria tratado negativamente.
Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A afirma que a significação é positiva e distanciada do senso comum. O próprio poema apresenta isso ao atribuir valor e relevância à ideia de “nada”. Trata-se de uma resignificação poética, na qual o “nada” possui potencial criador, sendo, portanto, positivo.
Análise das alternativas incorretas:
B) Errada. Não há qualquer traço de pejoratividade; o “nada” é enaltecido.
C) Errada. O texto não apresenta ironia ou humor; é reflexivo e existencial.
D) Incorreta. Não há distorção ou ambiguidade forçada – o sentido é proposto com clareza pelo eu lírico.
E) Incorreta. A proposta não é contraditória nem literal, mas sim reflexiva e conotativa.
Estratégias para questões desse tipo:
Ao analisar versos poéticos, busque o sentido conotativo e evite limitar-se à leitura literal. Foque nos trechos que revelam a visão de mundo do eu lírico, palavras de valorização (“empobrecimento”, “aparecer”) e comparações inovadoras.
Dica Extra: Gramáticas de referência, como Bechara e Cunha & Cintra, reforçam que o contexto literário confere novo valor às palavras, e interpretar poesia exige abrir mão do senso comum para captar as inovações semânticas.
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Observe os versos: "Perder o nada é um empobrecimento." e "Eu fiz o nada aparecer." Aqui, o “nada” é valorizado, indicando algo essencial ao eu lírico: sua ausência empobrece, sua presença enriquece. Essa ressignificação evidencia uma postura poética que foge do senso comum – lugar em que o “nada” seria tratado negativamente.
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