Do ponto de vista do ecocardiográfico, nas miocardiopatias ...
Gabarito comentado
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Tema central: Ecocardiografia nas cardiomiopatias e a ordem em que surgem disfunção diastólica (relaxamento/enchimento) e disfunção sistólica (contração/FEVE).
Gabarito: C. A disfunção diastólica aparece precocemente na cardiomiopatia restritiva (CMR), enquanto a disfunção sistólica surge cedo na cardiomiopatia dilatada (CMD).
Justificativa e raciocínio:
- CM restritiva: há rigidez miocárdica e baixa complacência, com enchimento diastólico comprometido e FEVE preservada inicialmente. No eco, é típico: padrão restritivo (E/A ≥2), tempo de desaceleração curto, e’ reduzido e E/e’ elevado, além de importante dilatação atrial. A disfunção sistólica costuma ser tardia. (Harrison’s; UpToDate; Position statement ESC 2019/2023 sobre cardiomiopatias)
- CM dilatada: predomina disfunção contrátil com hipocinesia difusa, FEVE reduzida e dilatação ventricular precoce. O eco mostra aumento de volumes e queda do global longitudinal strain. A disfunção diastólica pode ocorrer, mas não é a alteração inicial típica. (Diretriz SBC/AMB de IC 2021; ACC/AHA/ESC Heart Failure Guidelines)
Análise das alternativas:
- A - “no início das diferentes formas de CMP”: generaliza incorretamente. A disfunção diastólica não surge em todas desde o início (ex.: CMD é sobretudo sistólica no começo), e a sistólica não aparece cedo em CMR.
- B - “na fase inicial da CMP dilatada”: sugere que ambas (diastólica e sistólica) são iniciais na CMD. Embora possa haver algum grau de disfunção diastólica, a marca inicial é a sistólica; logo, a correspondência “diastólica na CMD inicial” é inadequada.
- D - “no início da CMP restritiva”: daria a entender que as duas disfunções são precoces na CMR. Na realidade, a diastólica é precoce; a sistólica geralmente é tardia, com FEVE preservada inicialmente.
Dicas de prova (pegadinha): Atenção ao termo “respectivamente”. Associe: diastólica → CMR (início) e sistólica → CMD (início). Lembre também que na CM hipertrófica a alteração inicial é diastólica com FEVE normal ou aumentada – isso ajuda a não marcar alternativas que generalizam “todas as CMPs”.
Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. Cardiomiopatias); UpToDate (Evaluation of cardiomyopathies; Echocardiographic assessment of diastolic function); Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca 2021 (SBC); ESC position statement on cardiomyopathies.
Conclusão: A melhor correspondência ecocardiográfica é diastólica precoce na CMR e sistólica precoce na CMD — exatamente o que expressa a alternativa C.
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