Durante fiscalização, o agente do INCRA impõe restrições a ...

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Q3876343 Direito Administrativo
Durante fiscalização, o agente do INCRA impõe restrições a particular e determina obrigações adicionais não previstas no ato normativo aplicável, adotando medidas desproporcionais e excedendo limites legais. O administrado questiona a conduta, alegando que a atuação extrapolou o poder de polícia e comprometeu direitos. O setor competente analisa se houve exercício legítimo do poder ou abuso. Considerando poder de polícia e uso e abuso do poder, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Código Tributário Nacional, art. 78: "Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de intêrêsse público (...) Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder." Lei nº 9.784/1999, art. 2º, caput e parágrafo único, incisos I e VI: "A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;" No caso, a imposição de restrições e obrigações não previstas, com medidas desproporcionais, extrapola os limites legais do poder de polícia e caracteriza abuso por excesso, passível de controle.

Tema central: Excesso no poder de polícia
Análise das alternativas
A
Errada
Errada. A discricionariedade no poder de polícia não autoriza restrições ilimitadas. A Lei nº 9.784/1999 veda expressamente a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior à estritamente necessária ao atendimento do interesse público, além de exigir atuação conforme a lei, com motivação, razoabilidade e proporcionalidade.
B
Errada
Errada. A base afirma que atos administrativos praticados com ilegalidade ou abuso submetem-se a controle e que não há imunidade jurisdicional pelo simples fato de se alegar mérito administrativo. O Judiciário não substitui escolhas discricionárias legítimas, mas pode controlar legalidade, excesso, abuso, desvio e desproporcionalidade do ato de polícia.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve exatamente a consequência jurídica da extrapolação dos limites legais no exercício do poder de polícia. Pela base normativa indicada, o exercício regular desse poder exige atuação nos limites da lei aplicável, sem abuso, e com observância de legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Se o agente cria obrigações não previstas e impõe restrições além do necessário, o ato deixa de ser exercício legítimo de discricionariedade e passa a configurar abuso de poder na modalidade excesso de poder, submetido a controle administrativo e judicial.
D
Errada
Errada. O abuso de poder, para fins de validade do ato administrativo, não depende de prova de dolo específico. Segundo a base, basta a prática do ato com extrapolação da competência, desvio de finalidade ou violação aos limites legais e principiológicos. A invocação genérica de finalidade pública não sana o excesso de poder.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre discricionariedade e liberdade ilimitada para restringir direitos, além da falsa ideia de que ato de polícia não pode ser controlado quando o agente invoca interesse público.
Dica para questões semelhantes
  • Em poder de polícia, verifique sempre se o ato ficou nos limites da lei aplicável; saindo desses limites, o problema é de legalidade, não de mérito intocável.
  • Se houver imposição de obrigação ou restrição além do estritamente necessário, a própria base normativa aponta violação à proporcionalidade e à adequação entre meios e fins.
  • Quando o enunciado fala em extrapolação de competência ou de conteúdo autorizado pela norma, a chave costuma ser abuso de poder por excesso.
  • Finalidade pública genérica não basta para validar ato desproporcional ou sem base normativa.

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