Uma empresa, após ser submetida a procedimento fiscal para ...

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Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-PA Prova: FGV - 2026 - TJ-PA - Juiz Substituto |
Q3951783 Direito Tributário
Uma empresa, após ser submetida a procedimento fiscal para constituição de crédito tributário, é notificada para que proceda ao recolhimento do crédito tributário.
No curso do procedimento fiscal, a Fazenda identifica risco de dilapidação patrimonial, após a sociedade transferir bens a pessoa ligada sem contraprestação, bem como tentar alterar o domicílio fiscal de forma a dificultar a fiscalização.
Por tal motivo, a Fazenda, antes da constituição do crédito tributário, ajuíza medida cautelar fiscal e requer ao Judiciário a decretação urgente de indisponibilidade de bens da devedora.
À luz da Lei nº 8.397/1992 e demais normas em vigor, é correto afirmar, em relação à pretensão fazendária, que: 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Lei nº 8.397/1992, art. 1º, parágrafo único, c/c art. 2º, V, b: "Parágrafo único. O requerimento da medida cautelar, na hipótese dos incisos V, alínea "b", e VII, do art. 2°, independe da prévia constituição do crédito tributário." "Art. 2° A medida cautelar fiscal poderá ser requerida contra o sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário, quando o devedor: (...) V - aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública competente, quando exigível em virtude de lei; (...) b) tendo o devedor, o seu sócio ou terceiro em seu benefício, alienado, encetado ou tentado alienar bens ou direitos que possuía, com o propósito de frustrar a satisfação do crédito em fase de inscrição ou execução;"

Tema central: Cautelar fiscal pré-constituição
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. A base legal decisiva do caso não é a mera alteração de domicílio fiscal, mas a hipótese excepcional expressa do art. 1º, parágrafo único, c/c art. 2º, V, b, da Lei nº 8.397/1992. A dispensa da prévia constituição do crédito é exceção taxativa, e a alternativa desloca o fundamento para situação que não é a exceção literal invocável para sustentar o gabarito.
B
Errada
Incorreta. A Lei nº 8.397/1992 não exige, como condição geral, inscrição em dívida ativa e execução fiscal já proposta. O art. 1º, caput, diz: "Art. 1° O procedimento cautelar fiscal poderá ser instaurado após a constituição do crédito, inclusive no curso da execução judicial da Dívida Ativa..."; portanto, a execução é hipótese possível, não requisito necessário. E o parágrafo único ainda admite, excepcionalmente, o requerimento antes da própria constituição do crédito.
C
Errada
Incorreta. A lei não exige prova de insolvência atual da empresa nem irreversibilidade das alienações como pressupostos da cautelar fiscal. Ao contrário, o art. 3º dispõe que, para a concessão, exige-se prova literal da constituição do crédito e prova documental dos casos do art. 2º; e o parágrafo único estabelece que, na hipótese do art. 2º, V, b, "bastará prova documental da alienação ou sua tentativa de levá-la a efeito". O requisito probatório legal é esse, e não insolvência consumada.
D
Certa
A alternativa D aplica a exceção legal prevista na Lei nº 8.397/1992. A regra geral do art. 1º, caput, é que o procedimento cautelar fiscal seja instaurado após a constituição do crédito. Porém, o próprio parágrafo único do art. 1º afasta essa exigência nas hipóteses do art. 2º, V, b, e VII. Como a narrativa descreve transferência de bens a pessoa ligada sem contraprestação, hipótese compatível com a alienação patrimonial voltada a frustrar a satisfação do crédito, o requerimento da cautelar independe de prévia constituição do crédito tributário. Além disso, o art. 3º, parágrafo único, confirma que, nessa hipótese, basta prova documental da alienação ou da tentativa.
E
Errada
Incorreta. A medida cautelar fiscal não se limita à arrolação de bens. O art. 4º da Lei nº 8.397/1992 é expresso: "Art. 4° A decretação da medida cautelar fiscal produzirá, de imediato, a indisponibilidade dos bens do requerido, até o limite da satisfação da obrigação." Logo, a indisponibilidade é efeito legal típico da cautelar fiscal.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre a regra geral de que a cautelar fiscal depende de crédito já constituído e a exceção legal expressa que dispensa essa constituição prévia nas hipóteses do art. 2º, V, b, e VII.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a regra geral temporal da cautelar fiscal no art. 1º; depois verifique se o caso caiu em alguma exceção expressa do parágrafo único.
  • Se o enunciado trouxer alienação ou tentativa de alienação patrimonial para frustrar a cobrança, confira imediatamente o art. 2º, V, b.
  • Não acrescente requisitos que a lei não trouxe: na hipótese do art. 2º, V, b, a base destaca que basta prova documental da alienação ou tentativa.
  • Não confunda cautelar fiscal com mero arrolamento: a lei prevê indisponibilidade imediata de bens até o limite da obrigação.

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Comentários

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Lei nº 8.397/1992 

  Art. 1° Parágrafo único. O requerimento da medida cautelar, na hipótese dos incisos V, alínea "b", e VII, do art. 2º, independe da prévia constituição do crédito tributário. 

 Art. 2º A medida cautelar fiscal poderá ser requerida contra o sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário, quando o devedor:    V - notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao recolhimento do crédito fiscal:       b) põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros;    VII - aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública competente, quando exigível em virtude de lei;   

Lei 8.397/1992 - Institui medida cautelar fiscal e dá outras providências.

Art. 1° O procedimento cautelar fiscal poderá ser instaurado após a constituição do crédito, inclusive no curso da execução judicial da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias.

Parágrafo único. O requerimento da medida cautelar, na hipótese dos incisos V, alínea "b", e VII, do art. 2º, independe da prévia constituição do crédito tributário.

Art. 2º A medida cautelar fiscal poderá ser requerida contra o sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário, quando o devedor:

V - notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao recolhimento do crédito fiscal:

a) deixa de pagá-lo no prazo legal, salvo se suspensa sua exigibilidade;

b) põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros;  

ADENDO

Cautelar Fiscal - Lei 8.397/92

0- Conceito: uma ação cautelar autônoma tomada pelo Fisco com o objetivo de garantir o recebimento de um tributo devido, no qual haverá bloqueio de bens, ativos ou direitos de um contribuinte quando o devedor pratique atos que dificultem ou impeçam a sua satisfação. 

  • Momento: podendo ser preparatória - assegurando a execução a ser ajuizada - ou incidental.

  • Lei 13.606/18: desde essa Lei, o Fisco está autorizado a promover, administrativamente, a indisponibilidade de bens do devedor que reste inerte à notificação para pagamento de crédito já inscrito em dívida ativa.

  • Procedimento cautelar x Lei 13.606/18: aqui, basta o lançamento, e também é otimizado de alcançar outros bens e direitos que, não sujeitos a registro.

1- Requisitos Gerais,   art. 1° - o procedimento cautelar fiscal poderá ser instaurado, desde que presente: 

I- Lançamento, em Regra: após a constituição do crédito, inclusive no curso da execução judicial da Dívida Ativa; (exceção -,V, "b", e VII, do art. 2º independe da prévia constituição)

  •  Prova literal da constituição do crédito fiscal (art. 3º).

II- Proporcionalidade: limite no valor do crédito ⇒ decretação da cautelar fiscal produzirá, de imediato, a indisponibilidade dos bens, até o limite da satisfação da obrigação.

III- Prova documental de algum dos Casos art. 2º - ações devedor;

IV- Reserva de Jurisdição:  requerida ao Juiz competente para a execução judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública (se a execução estiver em Tribunal = relator do recurso).

A Lei nº 8.397/1992 estabelece que a medida cautelar fiscal pode ser requerida contra o sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário em determinadas situações que indiquem risco à satisfação do crédito. Entre essas hipóteses, destaca-se o caso em que o devedor, após ser notificado pela Fazenda Pública para efetuar o recolhimento do crédito fiscal, coloca ou tenta colocar seus bens em nome de terceiros, bem como quando aliena bens ou direitos sem realizar a devida comunicação ao órgão fazendário competente, quando essa comunicação for exigida por lei.

Nessas situações específicas, previstas no art. 2º, inciso V, alínea “b”, e inciso VII, o requerimento da medida cautelar fiscal independe da prévia constituição do crédito tributário, conforme dispõe o parágrafo único do art. 1º da referida lei.

Art. 1° O procedimento cautelar fiscal poderá ser instaurado após a constituição do crédito, inclusive no curso da execução judicial da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias.

Parágrafo único. O requerimento da medida cautelar, na hipótese dos incisos V, alínea "b", e VII, do art. 2º, independe da prévia constituição do crédito tributário.

Art. 2º A medida cautelar fiscal poderá ser requerida contra o sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário, quando o devedor:

V - notificado pela Fazenda Pública para que proceda ao recolhimento do crédito fiscal:

a) deixa de pagá-lo no prazo legal, salvo se suspensa sua exigibilidade;

b) põe ou tenta por seus bens em nome de terceiros;  

VII - aliena bens ou direitos sem proceder à devida comunicação ao órgão da Fazenda Pública competente, quando exigível em virtude de lei;                         

Fonte: Lei de Medida Cautelar Fiscal

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