O terreno vizinho ao de Helvécio está desocupado há meses e ...
Nesse caso, Helvécio:
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (4)
- Comentários (26)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: D
Fundamento decisivo: Código Civil, arts. 1.214, caput; 1.216; 1.219; 1.220: “Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
Art. 1.216. O possuidor de boa-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis; quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, pode levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.” A notificação do proprietário é o marco de cessação da boa-fé; até então, os frutos percebidos pertencem a Helvécio, e a trilha de pedras, por ser benfeitoria útil, é indenizável.
- Primeiro localize o marco de cessação da boa-fé; aqui, ele é a notificação do proprietário.
- Separe os efeitos por matéria: frutos seguem os arts. 1.214 e 1.216; benfeitorias seguem os arts. 1.219 e 1.220.
- Se a intervenção melhora o uso do imóvel, a base pode tratá-la como benfeitoria útil, e não como mero custeio.
- Não retroaja automaticamente a má-fé para alcançar frutos percebidos antes da ciência da oposição.
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
Gabarito: D.
Considerando que o terreno estava "desocupado há meses e sem qualquer cerca", é possível afirmar que Helvécio era possuidor de boa-fé: Art. 1.201, CC. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.
Assim, em relação aos aspectos questionados na questão:
a) gastos com a trilha de pedras: Art. 1.219, CC. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
b) frutos colhidos até a notificação: Art. 1.214, CC. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
c) frutos colhidos após a notificação: após ser notificado pelo proprietário, Helvécio passou a ser considerado possuidor de má-fé: Art. 1.202, CC. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente; como decorrência disso, responde pelos frutos percebidos após a notificação: Art. 1.216, CC. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.
Gabarito: D
A questão aborda os Efeitos da Posse, especificamente no que tange à percepção de frutos e à indenização por benfeitorias, correlacionando-os com a mutação da posse de boa-fé para má-fé.
A transição do estado subjetivo do possuidor. Enquanto Helvécio ignorava o dono (terreno desocupado/sem cerca), sua posse era de boa-fé (Art. 1.201, CC). A partir da notificação, ele toma ciência da oposição do proprietário, transmudando sua posse para má-fé (Art. 1.202, CC).
Regras Aplicáveis:
- Frutos (Art. 1.214 e 1.216, CC): O possuidor de boa-fé faz seus os frutos colhidos (percebidos). O de má-fé deve restituir o que colheu após a ciência do vício.
- Benfeitorias (Art. 1.219, CC): A trilha de pedras, ao facilitar o uso do terreno, caracteriza-se como benfeitoria útil. O possuidor de boa-fé tem direito ao ressarcimento e à retenção. Como a obra foi feita antes da notificação (durante a boa-fé), o direito ao ressarcimento cristalizou-se.
Análise das Alternativas:
- A: Errada. Helvécio não pode reter frutos colhidos após a notificação (má-fé).
- B: Errada. Ele não precisa ressarcir os frutos colhidos na fase de boa-fé; estes pertencem a ele.
- C: Errada. Ele tem direito ao ressarcimento da trilha (benfeitoria útil feita na boa-fé).
- E: Errada. Inverte a lógica dos frutos de boa-fé e má-fé.
Pegadinha da FGV: A banca costuma testar se o candidato sabe o momento exato da mudança de "ânimo" do possuidor. A notificação extrajudicial é o gatilho. Outro ponto é a trilha de pedras: o candidato pode achar que é "voluptuária" (estética), mas se ela facilita a colheita, ganha contornos de "útil", gerando indenização.
Dica Estratégica: Em prova, desenhe uma linha do tempo.
- Até a notificação: Boa-fé (Leva frutos colhidos + Indenização por Úteis/Necessárias + Retenção).
- Após a notificação: Má-fé (Devolve frutos + Indenização apenas por Necessárias + Sem Retenção).
Resumo:
- Regra: Possuidor de boa-fé colhe frutos e é indenizado por benfeitorias úteis/necessárias (com retenção).
- Exceção/Limite: A notificação/citação interrompe a boa-fé. Frutos posteriores devem ser devolvidos.
- Distinção: Benfeitoria útil (aumenta uso) vs. Necessária (evita ruína). Na má-fé, apenas a necessária é ressarcida.
Errei na prova por considerar a trilha voluptuária, mas, nos termos do art 96§2 do cc são úteis as benfeitorias que aumentam ou FACILITAM o uso do bem.
A) pode exigir o ressarcimento dos gastos com a trilha de pedras e pode reter todos os frutos colhidos até agora; (ERRADO)
A assertiva relata que o terreno “está desocupado há meses e sem qualquer cerca”. Portanto, presume-se que Helvécio desconhecia qualquer obstáculo para utilizá-lo.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.
Segundo o CC, a posse deixa de ser de boa-fé a partir do momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui a coisa indevidamente.
Portanto, a partir da notificação do proprietário, presume-se que a posse deixou de ser de boa-fé e passou a ser de má-fé.
Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
Portanto, como Helvécio fez o caminho de pedras enquanto a posse ainda era de boa-fé, ou seja, antes da notificação do proprietário, ele terá direito à indenização pelas benfeitorias úteis (como o caminho de pedras).
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Quanto aos frutos, Helvécio só tem direito àqueles colhidos enquanto a posse era de boa-fé. Os frutos colhidos após, ele deverá responder por eles.
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.
B) pode exigir o ressarcimento dos gastos com a trilha de pedras, mas deve ressarcir o proprietário por todos os frutos colhidos até agora; (ERRADO) Vide resposta da alternativa A
C) não pode exigir o ressarcimento dos gastos com a trilha de pedras e deve ressarcir o proprietário por todos os frutos colhidos até agora; (ERRADO) Vide resposta da alternativa A
D) pode exigir o ressarcimento dos gastos com a trilha de pedras e reter os frutos colhidos até a notificação, mas deve ressarcir o proprietário pelos frutos colhidos depois disso; (CERTO) Vide resposta da alternativa A
E) não pode exigir o ressarcimento dos gastos com a trilha de pedras e deve ressarcir o proprietário pelos frutos colhidos após a notificação, mas pode reter os frutos colhidos até então. (ERRADO) Vide resposta da alternativa A
Gabarito D) pode exigir o ressarcimento dos gastos com a trilha de pedras e reter os frutos colhidos até a notificação, mas deve ressarcir o proprietário pelos frutos colhidos depois disso;
1. Classificação da Posse e Boa-fé
Inicialmente, Helvécio exerce uma posse de boa-fé, pois o terreno estava desocupado e sem cercas, e ele não tinha ciência de obstáculos que impedissem o uso (Art. 1.201 do CC). No entanto, a partir do momento em que o proprietário o notifica, a posse de Helvécio torna-se de má-fé, pois ele passa a ter conhecimento inequívoco de que sua permanência no local é ilegítima.
2. Direito aos Frutos (Carambolas)
O regime jurídico dos frutos varia conforme o estado anímico do possuidor:
- Enquanto de boa-fé (até a notificação): Helvécio tem direito aos frutos percebidos (colhidos). Ele não precisa ressarcir o dono por essas carambolas (Art. 1.214 do CC).
- Após a má-fé (após a notificação): Ele responde por todos os frutos colhidos e percebidos, devendo ressarcir o proprietário pelos prejuízos (Art. 1.216 do CC).
3. Benfeitorias (Trilha de Pedras)
A trilha de pedras para facilitar a colheita é classificada como uma benfeitoria útil, pois aumenta ou facilita o uso do bem (Art. 96, § 2º, do CC).
- Como Helvécio era um possuidor de boa-fé no momento em que realizou a obra, ele tem direito ao ressarcimento do valor gasto e, inclusive, o direito de retenção do imóvel até que seja pago (Art. 1.219 do CC).
- Nota de Prova: Se ele fosse de má-fé desde o início, só teria direito ao ressarcimento de benfeitorias necessárias, perdendo o direito às úteis.
Helvécio:
- Pode exigir o ressarcimento pela trilha de pedras (benfeitoria útil feita de boa-fé).
- Pode reter os frutos colhidos até a notificação (direito do possuidor de boa-fé).
- Deve ressarcir os frutos colhidos depois disso (responsabilidade do possuidor de má-fé).
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo