Considere a seguinte passagem do texto: “O que isso signifi...
Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
FSADU
Órgão:
Prefeitura de Alcântara - MA
Prova:
FSADU - 2026 - Prefeitura de Alcântara - MA - Advogado |
Q4422082
Português
Texto associado
Leia o texto para responder a questão a seguir.
A armadilha das cotas identitárias
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
acaba de criar um sistema de cotas para ingresso de
pessoas que se autodeclaram trans, travestis ou não
binárias em seus cursos de graduação. [...]
Ainda segundo a Unicamp, poderão ingressar na
graduação por meio dessa “política de ação afirmativa”
os alunos das redes pública e privada que prestarem o
Exame Nacional do Ensino Médio e apresentarem um
“relato de vida”,[...]. O que isso significa e segundo
quais critérios um dado “relato de vida” haverá de
preponderar sobre os demais, só os doutos membros
das comissões avaliadoras da Unicamp hão de saber
– o que autoriza a suspeita de que a seleção não está
imune, ora vejam, ao arbítrio e ao preconceito.
Por mais problemática que seja, a vagueza de
critérios ainda é o erro mais banal de um sistema de
cotas que já nasce eivado de vícios. Para começar,
trata-se de uma inequívoca violação do princípio
republicano elementar, consagrado no caput do artigo
5.º da Constituição: a igualdade de todos perante a lei,
sem distinção de qualquer natureza. O respeito aos
direitos e a atenção aos interesses de minorias se
impõem para qualquer sociedade civilizada. Mas isso
não significa, por óbvio, sacrificar a ordem
constitucional vigente no altar das boas intenções.
Ninguém sensato, minimamente cioso da realidade
do país em que vive, haverá de negar que a
população LGBTQIA+ tem direitos de toda ordem
violados em um país tão desigual como o Brasil. As
adversidades enfrentadas por pessoas trans, travestis
e não binárias, em particular, têm impactos diretos em
sua integridade física e emocional. Decerto também
contribuem para que esses brasileiros tenham, em
geral, menos acesso a empregos qualificados que lhes
permitam auferir uma renda capaz de custear uma
formação educacional mais sólida.
Dito isso, se é no campo das reparações sociais
que estamos transitando, por que fixar um sistema de
cotas para ingresso no ensino superior para pessoas
trans, travestis ou não binárias e não para mães
adolescentes e solteiras, para citar apenas um
exemplo de grupo vulnerável presente em todo este
vastíssimo país? E daí em diante. O céu é o limite
para os que se arvoram em reparadores sociais, no
cenário mais benevolente, ou justiceiros morais, no
pior.
Como a própria Unicamp reconhece, no Brasil não
se tem a exata dimensão da população composta por
trans, travestis e não binários. Portanto, a criação de
cotas para esse segmento é, ao fim e ao cabo, uma
decisão arbitrária que privilegia um determinado grupo
em detrimento de tantos outros.
[..]
Por fim, essa discussão seria absolutamente ociosa
se o Brasil tratasse como prioridade inegociável o
desenvolvimento da educação básica para todos. Mas,
enquanto isso não passar de um desejo, o sistema de
cotas seguirá necessário por tempo indeterminado e,
consequentemente, dará azo a cada vez mais
distorções, além de estimular discursos extremistas
que interditam o debate racional e honesto sobre essa
ou qualquer outra questão de interesse público.
https://www.estadao.com.br (adaptado). Acesso em 04 jan. 2026.
Considere a seguinte passagem do texto:
“O que isso significa e segundo quais critérios um dado “relato de vida” haverá de preponderar sobre os demais, só os doutos membros das comissões avaliadoras da Unicamp hão de saber”.
Na tecitura do sentido desse trecho, o segmento em destaque tem como propósito
“O que isso significa e segundo quais critérios um dado “relato de vida” haverá de preponderar sobre os demais, só os doutos membros das comissões avaliadoras da Unicamp hão de saber”.
Na tecitura do sentido desse trecho, o segmento em destaque tem como propósito