Durante fiscalização, o agente do INCRA impõe restrições a ...

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Q3875811 Direito Administrativo
Durante fiscalização, o agente do INCRA impõe restrições a particular e determina obrigações adicionais não previstas no ato normativo aplicável, adotando medidas desproporcionais e excedendo limites legais. O administrado questiona a conduta, alegando que a atuação extrapolou o poder de polícia e comprometeu direitos. O setor competente analisa se houve exercício legítimo do poder ou abuso. Considerando poder de polícia e uso e abuso do poder, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Lei nº 9.784/1999, art. 2º, caput e parágrafo único, incisos I, VI e XIII: "A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." Código Tributário Nacional, art. 78, parágrafo único: "Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder." No caso, a imposição de restrições e obrigações além do ato normativo aplicável e de forma desproporcional caracteriza extrapolação dos limites legais, configurando abuso de poder por excesso.

Tema central: Abuso de poder no poder de polícia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, segundo a base, o abuso de poder não depende de prova de dolo específico para sua configuração administrativa. O critério jurídico decisivo é a atuação fora dos limites legais, com excesso ou desvio. Também é incorreta a ideia de que a alegação de finalidade pública genérica inviabiliza o reconhecimento do abuso, pois a finalidade pública não autoriza impor obrigações ou restrições além das permitidas em lei.
B
Errada
Está errada porque a legalidade do ato de polícia admite controle judicial. A base afirma que, mesmo em competência discricionária, subsiste controle quanto à legalidade, proporcionalidade, finalidade, motivo e adequação. Portanto, discricionariedade não torna o ato imune ao controle quando há abuso ou ilegalidade.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a base legal do exercício regular do poder de polícia exige atuação nos limites da lei aplicável, com observância da proporcionalidade e sem abuso de poder. O próprio enunciado informa que o agente criou obrigações adicionais não previstas e adotou medidas desproporcionais. Isso se encaixa exatamente na hipótese de excesso de poder: o agente ultrapassa os limites jurídicos do agir administrativo. Por isso, a conduta não é exercício legítimo do poder de polícia, mas abuso controlável administrativa e judicialmente.
D
Errada
Está errada porque a discricionariedade no poder de polícia não é ilimitada. A Lei nº 9.784/1999 veda a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior à estritamente necessária ao interesse público. Além disso, a atuação administrativa deve observar legalidade, motivação, razoabilidade e proporcionalidade. Logo, não se pode sustentar restrição ilimitada independentemente de proporcionalidade ou motivação.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre discricionariedade e liberdade irrestrita no poder de polícia, além da falsa ideia de que só haveria abuso com dolo específico ou de que o ato discricionário escaparia ao controle.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a restrição imposta está prevista na lei ou no ato normativo aplicável; se o agente cria obrigação nova, há forte sinal de excesso de poder.
  • No poder de polícia, teste sempre legalidade e proporcionalidade: medida superior ao estritamente necessário afasta a regularidade do ato.
  • Discricionariedade não exclui controle de legalidade; abuso, excesso e desvio continuam passíveis de controle.

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