Sobre os benefícios fiscais é correto afirmar que:

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Q1636126 Direito Constitucional
Sobre os benefícios fiscais é correto afirmar que:
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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A Constituição Federal, art. 155, § 2º, XII, g, estabelece: "g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados." O art. 170, IV, dispõe: "IV - livre concorrência;" Assim, a concessão de incentivo de ICMS à margem de convênio contraria a exigência de deliberação interestadual, e seus efeitos devem ser avaliados à luz da livre concorrência, dando suporte à alternativa D.

Tema central: Guerra fiscal e livre concorrência
Análise das alternativas
A
Errada
Confunde lei específica com lei complementar. A Constituição Federal, art. 150, § 6º, dispõe: "§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g." Lei específica não significa necessariamente lei complementar. No ICMS, a lei complementar disciplina a forma da deliberação interestadual; isso não cria uma exigência universal de lei complementar para cada concessão ou revogação de benefício.
B
Errada
Inverte o conteúdo da Súmula 615 do STF: o enunciado sumular afirma que a anualidade não se aplica à revogação de isenção do ICM, enquanto a alternativa lhe atribui a afirmação contrária. Esse erro de atribuição basta para eliminá-la. Separadamente, o entendimento atual do STF no Tema 1383, RE 1.473.645, exige anterioridade geral e nonagesimal na redução ou supressão de benefícios que provoque majoração indireta, respeitadas as determinações e exceções constitucionais de cada tributo. A orientação atual não corrige a referência equivocada à Súmula 615.
C
Errada
A exclusão dos créditos presumidos contraria a Lei Complementar nº 24/1975, art. 1º, parágrafo único, III, que estende o regime de convênios: "III - à concessão de créditos presumidos;" Portanto, esse regime não se limita às isenções e à redução da base de cálculo. A inclusão expressa dos créditos presumidos já elimina a alternativa, sem necessidade de demonstrar convênios concretos relativos a anistias.
D
Certa
D está correta porque a avaliação concorrencial atribuída ao CADE na Consulta nº 0038/99 reconhece que a guerra fiscal protege empresas incentivadas da concorrência e prejudica empresas não favorecidas, comprometendo os estímulos à eficiência e à inovação. A irregularidade da concessão sem convênio tem fundamento distinto: a Lei Complementar nº 24/1975, art. 1º, caput, dispõe: "Art. 1º - As isenções do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias serão concedidas ou revogadas nos termos de convênios celebrados e ratificados pelos Estados e pelo Distrito Federal, segundo esta Lei." Assim, a alternativa associa corretamente a concessão irregular ao favorecimento concorrencial. Trata-se de entendimento administrativo, confirmado indiretamente pela publicação institucional indicada na base, não de precedente judicial vinculante. A expressão 'favorecimento indevido' é uma síntese desse entendimento, e não uma transcrição literal comprovada da consulta.
E
Errada
Nega uma previsão legal expressa. A Lei Complementar nº 24/1975, art. 8º, caput e I, estabelece: "Art. 8º - A inobservância dos dispositivos desta Lei acarretará, cumulativamente:
I - a nulidade do ato e a ineficácia do crédito fiscal atribuído ao estabelecimento recebedor da mercadoria;" Logo, o desrespeito ao regime de convênios possui consequência legal sobre o crédito do destinatário, contrariando a afirmação de ausência de previsão para a glosa. Isso não significa autorização automática para glosa integral em qualquer situação, independentemente do alcance do benefício e das particularidades jurídicas.
Pegadinha da questão
A banca confunde lei específica com lei complementar, inverte a negativa da Súmula 615, exclui créditos presumidos expressamente abrangidos pelo regime de convênios e nega a previsão legal de ineficácia do crédito do destinatário.
Dica para questões semelhantes
  • Separe três exigências: lei específica para conceder os benefícios enumerados na Constituição, lei complementar para disciplinar a deliberação interestadual e observância do regime de convênios no ICMS.
  • Quando a alternativa citar uma súmula, confira o sentido do enunciado indicado; não substitua seu conteúdo histórico pela orientação jurisprudencial atual.
  • No regime da LC nº 24/1975, verifique a inclusão dos créditos presumidos e a consequência legal de ineficácia do crédito do destinatário.
  • Distinga a irregularidade tributária da concessão sem convênio da avaliação administrativa de seus efeitos sobre a livre concorrência.

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Comentários

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A) Lei específica (art. 150, §6º CF)

B) Súmula nº 615 STF. O princípio constitucional da anualidade não se aplica à revogação de isenção do ICMS.

C) Enquanto, pelo regramento do art. 150, § 6º da CF/88, exige-se, como regra geral, apenas a edição de lei específica para concessão das referidas benesses, no caso do ICMS o mesmo dispositivo remete para o art. 155, §2.º, XII, g, o qual demanda a celebração de convênio entre Estados e Distrito Federal. São concedidos os mais diversos tipos de benefícios: isenções, reduções de base de cálculo, créditos presumidos, reduções de alíquotas, diferimentos, concessão de prazos para pagamento, financiamento do valor do imposto devido etc. Essa conduta configura o que se chama “guerra fiscal''.

D) Em que pese o órgão ter concluído pela nocividade à livre concorrência, como efeito da guerra fiscal, este não possui competência para cominar sanções aos entes políticos e tampouco declarar a aplicação indevida de um instrumento autorizado na CF.

PLUS! A proposta da reforma tributária traz alterações que condicionam e limitam a concessão desses benefícios por intermédio de convênios, possibilitando maior efetividade na atuação de órgãos administrativos como o CADE.

GABARITO: D – ATUALIZAÇÃO: B TAMBÉM CERTA

A) ERRADA. À lei complementar cabe estabelecer normas gerais em legislação tributária. Em seu art. 150, § 6°, CF:

§ 6°. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.

B) ERRADA (desatualizada). ATUALMENTE CORRETA! A alternativa trazia exatamente o oposto à Súmula nº 615 STF. O princípio constitucional da anualidade não se aplica à revogação de isenção do ICMS.

É importantíssimo frisar que, mais recentemente, o STF alterou seu entendimento, em decisão publicada no Informativo número 757, de setembro de 2014:

Configura aumento indireto de tributo e, portanto, está sujeita ao princípio da anterioridade tributária, a norma que implica revogação de benefício fiscal anteriormente concedido. (DJU de 6.10.2006).

C) ERRADA. O art. 1° da lei 24/75 lista de maneira não exaustiva os benefícios fiscais que serão concedidos mediante convênio entre os estados e DF:

Art. 1° As isenções do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias serão concedidas ou revogadas nos termos de convênios celebrados e ratificados pelos Estados e pelo Distrito Federal, segundo esta Lei.

Parágrafo Único – O disposto neste artigo também se aplica:

I – à redução da base de cálculo;

II - à devolução total ou parcial, direta ou indireta, condicionada ou não, do tributo, ao contribuinte, a responsável ou a terceiros;

III - à concessão de créditos presumidos;

IV - à quaisquer outros incentivos ou favores fiscais ou financeiro-fiscais, concedidos com base no Imposto de Circulação de Mercadorias, dos quais resulte redução ou eliminação, direta ou indireta, do respectivo ônus;

V - às prorrogações e às extensões das isenções vigentes nesta data.

D) CERTA. De fato, em resposta à consulta 38/99 realizada pelo Pensamento Nacional das Bases Empresariais - PNBE, o CADE concluiu que “É mais do que evidente (...) que a guerra fiscal tem efeito altamente prejudicial à concorrência e danoso ao bem estar da coletividade”.

E) ERRADA. A Lei complementar 24/75, que regula a concessão de benefícios fiscais do ICMS por meio de convênios entre estados e DF, prevê a nulidade do crédito tributário concedido de maneira irregular, não aprovado por meio de convênio:

Art. 8° - A inobservância dos dispositivos desta Lei acarretará, cumulativamente:

I - a nulidade do ato e a ineficácia do crédito fiscal atribuído ao estabelecimento recebedor da mercadoria;

II - a exigibilidade do imposto não pago ou devolvido e a ineficácia da lei ou ato que conceda remissão do débito correspondente.

 Portanto, a glosa do crédito tributário fruto de benefícios fiscais irregulares tem base legal na LC 24/75.

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