Analise as afirmativas a seguir: I. Na Arteriosclerose (AT)...
I. Na Arteriosclerose (AT) as moléculas de adesão têm emergido como particulares candidatas para adesão precoce de leucócitos no endotélio arterial em sítios de ateromas iniciais.
II. Muitos indivíduos desenvolvem doença cardiovascular na ausência de anormalidades no perfil de lipoproteínas.
III. Múltiplas interações entre plaquetas, linfócitos T, macrófagos, células do músculo liso, moléculas de adesão e componentes genéticos têm sido documentadas e provavelmente promovem o ambiente de inflamação e crescimento necessários para provocar injúria endotelial no processo da AT.
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Tema central: Fisiopatologia da aterosclerose (AT) como processo inflamatório crônico da parede arterial, iniciado por disfunção endotelial e recrutamento de leucócitos, com participação de lipídios, células imunes e fatores genéticos. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Pathogenesis of atherosclerosis); Diretrizes AHA/ACC e ESC sobre prevenção e dislipidemias.
Alternativa correta: A – Todas as afirmativas estão corretas.
Justificativa resumida:
I) Moléculas de adesão e fase inicial: Em lesões iniciais, o endotélio expresso VCAM-1, ICAM-1, E/P-selectinas, que promovem rolamento, adesão firme e migração de monócitos/linfócitos para a íntima. Esse é um passo-chave para formar células espumosas e estrias gordurosas. Evidência robusta em modelos experimentais e humanos (Harrison’s; UpToDate).
II) Doença cardiovascular com “lipídios normais”: Muitos pacientes têm eventos mesmo com LDL-C em faixas não elevadas. Explicações: risco residual, Lp(a) elevada, partículas LDL pequenas e densas, inflamação sistêmica (p.ex., hs-CRP alta), hipertensão, tabagismo, diabetes e genética. Diretrizes AHA/ACC 2018 e ESC 2021 enfatizam avaliação global de risco além do perfil lipídico tradicional.
III) Interações celulares e inflamação: Plaquetas (via P-selectina e mediadores), linfócitos T (citocinas pró-inflamatórias), macrófagos (ingestão de LDL oxidada; metaloproteinases), células musculares lisas (migração/proliferação e síntese de matriz) e moléculas de adesão sustentam o microambiente inflamatório e o crescimento da placa. Fatores genéticos modulam suscetibilidade. Esses mecanismos explicam a progressão e instabilidade de placas (Harrison’s; ESC).
Por que as demais alternativas estão erradas:
B) Nenhuma correta: Contraria abundantemente a evidência sobre moléculas de adesão, risco residual e inflamação na AT.
C) Apenas uma correta: Há sólida fundamentação para as três proposições; não há ponto isolado.
D) Apenas duas corretas: Não procede, pois os três itens descrevem etapas complementares do mesmo processo patogênico.
Estratégia de prova:
- Associe “moléculas de adesão” a fase precoce da AT (VCAM-1, ICAM-1, selectinas).
- Lembre-se de risco residual: evento cardiovascular pode ocorrer com “lipídios normais”. Pense em Lp(a), inflamação, HTA, DM, tabagismo.
- Reconheça a AT como doença inflamatória multicelular, não apenas “acúmulo de gordura”.
Aplicação clínica: A avaliação de risco deve integrar perfil lipídico, fatores clínicos e, quando indicado, marcadores como hs-CRP e Lp(a); o tratamento alvo- LDL (estatinas, ezetimiba, iPCSK9) e controle de fatores de risco diminuem a inflamação e eventos (AHA/ACC; ESC).
Gabarito: A
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