Paciente vítima de acidente de moto, admitido na Emergência,...
Está sonolento, FC 120 bpm, pulso filiforme, PA 84 x 40 mmHg, FR 24 irpm e extremidades frias. Ausculta cardíaca e respiratória normais. Abdome indolor à palpação difusa e sem irritação peritoneal. Realizado o exame de ultrassonografia focado para trauma (e-FAST) que não evidenciou a causa.
Deve-se atentar, nesse momento, como causa mais provável de choque do paciente,
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Tema central: Esta questão aborda o diagnóstico diferencial das principais causas de choque em paciente vítima de trauma, focando em situações nas quais os exames complementares, como o FAST, podem ser insuficientes e em que o raciocínio clínico deve prevalecer.
Justificativa da alternativa correta (C - hemoperitôneo):
O paciente apresenta sinais inequívocos de choque hipovolêmico: hipotensão (84x40 mmHg), taquicardia (FC 120 bpm), pulso filiforme, extremidades frias e sonolência. Mesmo sem sangramento externo evidente e com exame FAST negativo, não se pode descartar hemorragia interna. É fundamental lembrar que, segundo o Advanced Trauma Life Support (ATLS), a ausência de sinais ultrassonográficos não exclui hemoperitônio, especialmente em fases iniciais ou em pequenas quantidades de sangramento. A diretriz recomenda: “O diagnóstico de hemoperitônio no paciente instável deve priorizar os achados clínicos sobre o resultado do FAST quando este for negativo, diante de forte suspeita de choque hipovolêmico” (ATLS 10ª edição).
Portanto, diante do quadro clínico sugestivo e da limitação do exame, hemoperitônio permanece como a principal hipótese.
Análise das alternativas incorretas:
A) Tamponamento cardíaco: Espera-se sinais de congestão venosa, bulhas abafadas, hipotensão e dissociação pulso-pressórica (Tríade de Beck). Ausculta cardíaca normal e ausência de turgência jugular tornam a hipótese improvável.
B) Pneumotórax: Normalmente cursa com dispneia, diminuição do murmúrio vesicular e/ou hiperressonância. O exame pulmonar e cardíaco normais descartam esta complicação.
D) Fratura de quadril: Geralmente causa deformidade, limitação de movimento ou sangramento visível quando grave. O paciente não apresenta esses achados, nem sangramento externo significativo.
E) Choque neurogênico: Caracteriza-se por hipotensão com bradicardia, devido à perda do tônus simpático após lesão medular. Aqui, temos taquicardia, o que afasta essa hipótese.
Dicas para provas:
Priorize o quadro clínico sobre exames em contextos de instabilidade. Fique atento às pegadinhas como testes falso-negativos e lembre-se das causas clássicas de choque no trauma — a hemorragia interna é a mais frequente na maioria das situações (ATLS, Manual de Trauma do Ministério da Saúde).
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Comentários
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A ALTERNATIVA CORRETA É
C: hemoperitôneo.
ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS
A: tamponamento cardíaco.
Incorreta, pois o e-FAST não indicou líquido pericárdico, e a ausência de bulhas hipofonéticas e pressão arterial paradoxal também sugerem que esta não é a causa do choque.
B: pneumotórax.
Incorreta, já que a ausculta pulmonar está normal, o que não é compatível com um pneumotórax significativo, que normalmente causaria diminuição ou ausência de sons respiratórios.
D: fratura de quadril.
Incorreta, porque, embora uma fratura pélvica possa causar hemorragia, o quadro do paciente não apresenta sinais claros de instabilidade hemodinâmica que indicariam uma hemorragia significativa a partir dessa fratura.
E: choque neurogênico.
Incorreta, pois, apesar do estado de sonolência e pulso filiforme, o quadro apresentado não sugere lesão medular significativa que causaria choque neurogênico. O choque neurogênico tipicamente se apresenta com bradicardia e hipotensão, mas outros fatores precisam ser considerados aqui.
EM RESUMO
O quadro do paciente sugere a presença de hemoperitôneo, que é compatível com a hipotensão e a taquicardia observadas, especialmente após um acidente de moto, mesmo com o exame de ultrassom não apresentando líquido. O abdômen indolor à palpação não exclui a possibilidade de hemorragia interna, especialmente com lesões ocultas.
PONTOS CHAVE:
- O hemoperitôneo é uma causa comum de choque hipovolêmico em traumas abdominais.
- A avaliação física e os exames de imagem são cruciais, mas a ausência de líquido visível não descarta hemorragias internas.
- A história do trauma (acidente de moto) sugere a possibilidade de lesões intra-abdominais.
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