Sobre o choque hemorrágico, assinale a afirmativa correta.
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Tema central: O choque hemorrágico é uma síndrome clínica resultante de perda sanguínea aguda e significativa, levando à redução da perfusão tecidual e à disfunção de múltiplos órgãos. É fundamental reconhecer rapidamente seu tipo e grau para direcionar o melhor manejo intra-hospitalar, especialmente em contextos de trauma.
Justificativa da alternativa correta (C): “A reposição volêmica no trauma abdominal penetrante pode ser menos agressiva, permitindo estados de hipotensão controlada.” Essa conduta denomina-se hipotensão permissiva. De acordo com as diretrizes europeias atualizadas e consensos de trauma, recomenda-se manter PAS entre 80-90 mmHg até o controle definitivo do sangramento, salvo em situações de lesão cerebral associada (“Reposição volêmica objetivando a meta de PAS: 80-90 mmHg até controle do sangramento na ausência de lesão cerebral” — Guideline Europeu). Isto evita deslocamento de coágulos, diminui o risco de exacerbação do sangramento e reduz mortalidade (rmmg.org, 2017).
Análise das alternativas incorretas:
A) Inadequada. No choque classe II, já pode haver diminuição da pressão de pulso devido à vasoconstrição compensatória, não apenas taquicardia. Pegadinha comum: atenção à expressão “sem queda”.
B) Incorreta. A acidose metabólica nos choques é manejada fundamentalmente com restauração da perfusão e controle da causa subjacente (fluidoterapia e hemotransfusão), não com bicarbonato de sódio rotineiramente, que só é indicado em acidose refratária grave (pH < 7,0).
D) Equivocada. O débito urinário é um dos melhores marcadores de perfusão renal e resposta à reposição volêmica (≥ 0,5 mL/kg/h), sendo até mais sensível em algumas circunstâncias do que sinais hemodinâmicos.
E) Errada. Embora a hemotransfusão possa ser indicada em choque grau III, o controle da fonte hemorrágica sempre é prioridade. Transfundir sem conter a perda gera desperdício e risco de agravamento do quadro.
Dicas para provas: Identifique palavras-chave como controle da hemorragia e “prioridade”, e sempre associe práticas à fisiopatologia do choque.
Referências: Novo Guideline Europeu para Hemorragia Grave no Trauma; American College of Surgeons (ATLS), 10ª ed.; Sabiston Tratado de Cirurgia.
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A alternativa correta é: C. A reposição volêmica no trauma abdominal penetrante pode ser menos agressiva, permitindo estados de hipotensão controlada.
Justificativa: No manejo do choque hemorrágico, particularmente em traumas abdominais penetrantes, a estratégia de "hipotensão permissiva" ou "hipotensão controlada" pode ser utilizada para evitar o aumento excessivo da pressão arterial, o que poderia intensificar o sangramento antes do controle definitivo da hemorragia. Isso implica uma reposição volêmica menos agressiva, mantendo a pressão arterial em um nível suficiente para perfusão sem exacerbar o sangramento.
ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS
A - Incorreta. No choque hemorrágico classe II, ocorre um aumento da frequência cardíaca, e também uma leve queda na pressão de pulso, podendo ocorrer uma leve queda na pressão arterial sistólica em alguns casos. Assim, a afirmação de que não há queda nas pressões de pulso e arterial está incorreta.
B - Incorreta. A acidose metabólica no choque persistente é tratada principalmente com reposição volêmica e sangue para corrigir a hipovolemia e a perfusão tecidual inadequada. O bicarbonato de sódio não é de uso rotineiro para correção de acidose metabólica, a não ser que ela seja muito grave e refratária à reposição volêmica adequada.
D - Incorreta. O débito urinário é, de fato, um indicador sensível da resposta à reposição volêmica, refletindo o fluxo sanguíneo renal e a perfusão tecidual geral. Ele é frequentemente monitorado junto com outros sinais, como pressão arterial e frequência cardíaca, para avaliar a resposta ao tratamento no choque hemorrágico.
E - Incorreta. No choque grau III, é necessário o controle imediato da hemorragia antes da hemotransfusão prioritária. A prioridade no choque hemorrágico grave é controlar a fonte do sangramento, uma vez que a transfusão sem controle da hemorragia contínua pode ser ineficaz e até perigosa.
EM RESUMO: A alternativa C está correta, pois a estratégia de reposição volêmica menos agressiva com hipotensão permissiva é adequada no trauma abdominal penetrante para minimizar o risco de aumento do sangramento até que haja controle definitivo da hemorragia.
PONTOS CHAVE
- Hipotensão permissiva é uma abordagem útil em traumas penetrantes para evitar aumento do sangramento.
- Choque classe II envolve aumento da frequência cardíaca e pode ter uma leve queda na pressão de pulso.
- Débito urinário é um indicador sensível de perfusão tecidual e resposta à reposição volêmica.
- Controle de hemorragia é prioritário sobre a transfusão em choques graves.
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