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Q3615487 Português

Uma velhinha é uma velhinha


    Não sei se os outros pensam assim, mas, quando vejo uma velhinha e procuro imaginar que ela já tenha sido jovem, e tido um namorado, e feito todas as coisas a que o amor obriga, por mais que eu queira, não acredito. Ou, se acredito, não entendo. Porque uma velhinha é uma velhinha, tal qual uma rosa, que é uma rosa. Dá-me uma ideia do ser humano eterno, que sempre houve e não deixará de haver, com sua golinha de rendas, seu chapéu com aplicação de jasmins, seu guarda-chuva, seus sapatos de fivelas. As de Paris passeiam, de manhã, em Auteuil, comprando carne para os gatos, queijos e legumes para si. Passeiam seus cães, à tardinha, no bois e, enquanto dão-lhes folga, discutem, umas com as outras, sobre a última e a próxima guerra. Queixam-se do frio, da bruma constante e, se um sinal de luz aponta para os lados de Versailles, dizem todas, ao mesmo tempo, numa felicíssima esperança: “Il va faire beau!” Adoram o sol. Que engraçado vê-las ao sol! Ficam mexeriqueiras, rigorosas e bisbilhotam a vida de todas as velhinhas ausentes. Voltam à humildade de antes, quando o sol se cobre e a praça esfria outra vez, mandando-as para casa. Passava horas vendo as velhinhas de Paris. Na Ferme d'Auteuil, entre cinco e seis da tarde, tomavam seu chá, lentamente, e era uma delícia ouvi-las conversar. Mas nunca me consenti acreditar que houvessem sido mocinhas, ou que houvessem tirado aquela espécie de farda, um dia sequer, em suas vidas.

    Há pouco tempo, em um café de Friburgo, sentou-se uma velhinha para conversar. Precisava de um dinheiro, para caiar a casa e ajudar no casamento de uma neta. Aceitou uma xícara, beliscou de uns doces, e foram tantas as perguntas, que acabou contando sua vida. Tivera um namorado, andara fazendo suas facilidades com ele. Depois, casou com outro. Por fim, morreu-lhe o marido e, na campanha por um novo casamento, dera-se a duas ou três fantasias pouco recomendáveis, em senhoras viúvas. Isso representou para mim um choque muito grande. De repente, as velhinhas de Auteuil deixaram de ser os seres eternos que eu, sabiamente, imaginara. Todas se transformaram, violentamente, em gente igual a mim, que comete dos meus erros e, como eu, de felicidade em felicidade, de abraço em abraço, de ilusão em ilusão, inebriadamente, envelhece...


(MARIA, Antônio. Benditas sejam as moças: as crônicas de Antônio Maria. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.) 

Considerando os trechos a seguir, assinale a alternativa correta em relação ao significado correspondente.  
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de texto – relações de sentido (sinonímia e antonímia).

A questão exige identificar o significado equivalente (sinônimo) das palavras destacadas nos trechos do texto, testando sua habilidade para compreender relações de sentido no contexto textual. Segundo Evanildo Bechara, na “Gramática Escolar da Língua Portuguesa”, compreender sinonímia e antonímia é fundamental para interpretar corretamente textos e afirmar relações entre palavras.

Análise da alternativa correta:

Alternativa B: “Queixam-se do frio, da bruma constante e, […]”incessante
No texto, “constante” significa algo que é contínuo, que não se altera ou interrompe. O termo “incessante” também indica aquilo que não para, ou seja, sem cessar, contínuo.
Portanto, são sinônimos.

Análise das alternativas incorretas:

Alternativa A: “Dá-me uma ideia do ser humano eterno [...]” – efêmero.
Erro: “Eterno” significa duradouro para sempre, enquanto “efêmero” é algo passageiro. Os termos são antônimos, e não sinônimos.

Alternativa C: “[…] inebriadamente, envelhece...” – rejuvenesce.
Erro: “Envelhecer” é tornar-se velho e “rejuvenescer” é tornar-se jovem. Também formam uma relação de antonímia.

Alternativa D: “[…] fantasias pouco recomendáveis [...]” – desaconselhável.
Erro: “Recomendável” e “desaconselhável” também têm sentidos opostos, formando antônimos.

Estratégia para evitar pegadinhas: Sempre observe o sentido original da palavra e o contexto; comparar com o vocabulário utilizado no texto ajuda a evitar confusões entre sinônimos e antônimos.

Referências:
Gramática de Bechara e Dicionário Houaiss, para consulta de sentido e relações semânticas entre palavras.

GABARITO: B

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

a) “Dá-me uma ideia do ser humano eterno, […]” (1º§) – efêmero. 

-> efêmero significa algo que tem pouca duração, algo temporário

b) “Queixam-se do frio, da bruma constante e, […]” (1º§) – incessante.

-> incessante é algo contínuo, que não para

c)“[…] de ilusão em ilusão, inebriadamente, envelhece...” (2º§) – rejuvenesce.

-> rejuvenescer, voltar a juventude

d)“[…] duas ou três fantasias pouco recomendáveis, em senhoras viúvas.” (2º§) – desaconselhável.

-> acho que esse é bem óbvio

Gabarito: B

não , segundo a banca o gabarito é a C, o que não tem nada de óbvio, pois pede o significado correto , ou seja sinônimo.

significado correto = sinônimo. aí a banca me mete uma resposta correta sendo o Antônimo. temos que adivinhar o que ela quer

Gab: B

“Queixam-se do frio, da bruma constante e, […]” (1º§) – incessante.

  • Por que está correta: O termo "constante" refere-se a algo que não para, que é contínuo ou frequente. "Incessante" é um sinônimo direto, significando aquilo que não cessa.

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