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Ano: 2026 Banca: IDCAP Órgão: IASES Prova: IDCAP - 2026 - IASES - Agente Socioeducativo |
Q3952560 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
As Regras de Beijing (1985) enfatizam a importância de buscar alternativas à judicialização formal dos conflitos envolvendo adolescentes. Qual é o princípio que orienta a "derivação" (diversion) ou desvio do processo? 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Regras de Beijing, Regra 11.1: "Examinar-se-á a possibilidade, quando apropriada, de atender os jovens infratores sem recorrer às autoridades competentes, mencionadas na regra 14.1 adiante, para que os julguem oficialmente." Regras de Beijing, Regra 11.2: "A polícia, o ministério público e outros organismos que se ocupem de jovens infratores terão a faculdade de arrolar tais casos sob sua jurisdição, sem necessidade de procedimentos formais, de acordo com critérios estabelecidos com esse propósito nos respectivos sistemas jurídicos e também em harmonia com os princípios contidos nas presentes regras."

Tema central: Diversion nas Regras de Beijing
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inverte a lógica da Regra 11.1 e da Regra 11.2. As Regras de Beijing mandam examinar a possibilidade de resolver o caso sem julgamento oficial e admitem atuação sem procedimento formal; portanto, não existe submissão obrigatória do adolescente a processo judicial formal sempre que houver indícios de autoria.
B
Errada
Está errada porque transforma a privação cautelar de liberdade em regra automática. A base indica a Regra 13.1 das Regras de Beijing, segundo a qual a detenção preventiva deve ser usada unicamente como último recurso e pelo mais breve prazo possível. Isso exclui a ideia de internação provisória obrigatória em todos os casos.
C
Errada
Está errada porque as Regras de Beijing não preveem transferência automática da responsabilidade do adolescente para os pais. O que a base admite é, em certos encaminhamentos, consentimento do jovem ou de seus pais/tutores; isso não equivale a substituição jurídica do adolescente pelos pais na responsabilização pelo ato infracional.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao núcleo da Regra 11 das Regras de Beijing: tratar o caso sem julgamento formal, permitindo que polícia, Ministério Público e outros órgãos competentes disponham dele sem procedimentos formais, dentro dos critérios do sistema jurídico. A referência a medidas extrajudiciais também é compatível com a lógica da remissão/desvio do processo e com o incentivo a programas comunitários. Há uma ressalva de base: a exigência de o adolescente admitir responsabilidade não aparece literalmente na Regra 11; o texto da base aponta como requisito expresso, quando houver encaminhamento, o consentimento do jovem ou de seus pais/tutores. Ainda assim, D é a única alternativa alinhada ao fundamento jurídico decisivo da diversion.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre diversion e judicialização obrigatória, além de tentar fazer o candidato confundir participação dos pais ou internação provisória com o conteúdo da remissão/desvio do processo.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão mencionar diversion ou remissão nas Regras de Beijing, procure a ideia de solução sem procedimento formal.
  • Discricionariedade, nesse tema, não é arbitrariedade: a atuação das autoridades depende de critérios do sistema jurídico e dos princípios das Regras.
  • Privação cautelar de liberdade não é etapa automática; nas Regras de Beijing, ela é excepcional e último recurso.
  • Consentimento dos pais ou tutores em encaminhamentos não significa transferência da responsabilidade jurídica pelo ato.

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As Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça de Menores (Regras de Beijing, 1985) estabelecem, em seu Capítulo II (Princípios Gerais), o princípio da diversão (diversion ou desvio), que busca evitar, sempre que possível, a judicialização formal de adolescentes em conflito com a lei, especialmente nos casos de menor gravidade.

Especificamente, a Regra 11 trata da diversão e orienta que:

As autoridades competentes (polícia, Ministério Público etc.) devem ter discricionariedade para decidir pela arquivamento do caso ou pela aplicação de medidas extrajudiciais (advertência, mediação, prestação de serviços à comunidade etc.).

Essa possibilidade deve ser considerada especialmente quando o ato infracional for de pouca gravidade e o adolescente admitir a responsabilidade.

Essa abordagem visa evitar os efeitos estigmatizantes e negativos do processo judicial formal, priorizando soluções mais educativas e restaurativas.

Por que as outras alternativas estão erradas?

A) Contraria frontalmente o espírito das Regras de Beijing, que buscam justamente reduzir a judicialização formal.

B) A internação provisória deve ser medida excepcional (última ratio), conforme as Regras de Beijing e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

C) Não existe transferência automática de responsabilidade para os pais no sistema de justiça juvenil.

A alternativa D reflete corretamente o princípio da diversão previsto nas Regras de Beijing.

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