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Q4323062 Legislação Federal
Leia o estudo de caso a seguir:
Durante o acompanhamento de sua microárea, um Agente Comunitário de Saúde (ACS) toma conhecimento, em visita domiciliar, do diagnóstico de uma doença estigmatizante em um morador. Dias depois, um vizinho aborda o agente na rua e solicita informações sobre o estado de saúde desse morador, alegando preocupação com a vizinhança e com o risco de transmissão no bairro.
Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A Lei nº 13.709/2018, art. 46, caput, exige “proteger os dados pessoais de acessos não autorizados”. No caso, a preocupação do vizinho não autoriza acesso ao diagnóstico conhecido pelo ACS no exercício da função; por isso, deve ser preservado o sigilo perante esse terceiro, como determina a alternativa A.

Tema central: Sigilo funcional de dados de saúde
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A combina proteção dos dados de saúde perante terceiros com comunicação funcional à equipe de referência. A Portaria GM/MS nº 2.436/2017, Anexo, item 4.2.6, b, III, determina, no registro das doenças, “garantido o sigilo ético;”. Já a Lei nº 13.709/2018, art. 11, II, f, ao disciplinar o tratamento para tutela da saúde, delimita: “exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária;”. Portanto, comunicação necessária ao cuidado não equivale à divulgação ao vizinho. A comunicação à equipe deve ser entendida como providência funcional pertinente, e não como obrigação textual específica de relatar toda pergunta de terceiro.
B
Errada
O erro está em dispensar genericamente o registro e a comunicação assistencial pertinentes. A autonomia do morador para compartilhar seu diagnóstico não elimina as atribuições funcionais do ACS. A Lei nº 11.350/2006, art. 3º, § 3º, II, prevê coleta e registro de dados para controle e planejamento das ações de saúde. Isso não significa obrigação de registrar toda abordagem de vizinho, mas impede afastar de antemão os registros e encaminhamentos funcionais cabíveis.
C
Errada
A alegação de risco de transmissão não constitui autorização automática para divulgar o diagnóstico à comunidade. Nas circunstâncias apresentadas, não foi demonstrada hipótese que permita fornecer o dado de saúde ao vizinho; permanece a proteção contra acesso não autorizado prevista no art. 46 da Lei nº 13.709/2018.
D
Errada
Omitir o nome da doença não preserva o sigilo quando se confirma informação de saúde de um morador identificado. A confirmação genérica também comunica dado protegido a terceiro não autorizado, contrariando a proteção exigida pelo art. 46 da Lei nº 13.709/2018.
Pegadinha da questão
Confundir preocupação com a saúde coletiva com autorização para expor informação individual, ou imaginar que o sigilo perante o vizinho impede a comunicação necessária à equipe de saúde.
Dica para questões semelhantes
  • Distinga divulgação a terceiros de comunicação institucional necessária ao cuidado.
  • Verifique se a resposta confirma informação de saúde de pessoa identificada: omitir o nome da doença não basta para preservar o sigilo.
  • Não presuma notificação compulsória quando a doença não foi especificada, nem obrigação de registrar toda pergunta de terceiro.

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