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Q3916756 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor" e "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

   O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "Ilustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
Em nova redação, a frase do texto que mantém adequada correlação entre os tempos e modos verbais é:
Alternativas

Comentários

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Gabarito: LETRA B

✔ A correlação verbal está adequada:

  • “não haverá de ser aplicado” → futuro do presente com ideia de suposição/possibilidade.
  • “venha a lidar” → presente do subjuntivo, usado corretamente após “a quem”, indicando hipótese ou possibilidade.

Essa combinação mantém coerência entre tempo e modo verbal

Pq nao a C?

A - A literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida.

A literatura criaria, à medida que tivesse sido escrita........

B - O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.

CORRETO - haverá de ser aplicado a quem venha a lidar - FUTURO

C - "Profissionais do texto" que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos.

"Profissionais do texto" que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderiam se sentir plenos.

D - É provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar.

É provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botaria o motor para rodar. aqui fica melhor o verbo colocar = colocaria

D - Qualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse

Qualquer que seja o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse

A alternativa correta é:

B) O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.

✅ Por quê?

Essa alternativa mantém uma correlação adequada entre tempos e modos verbais:

  • “haverá de ser aplicado” → futuro do presente (ideia de projeção/possibilidade)
  • “venha a lidar” → presente do subjuntivo (valor hipotético/geral)

Essa combinação é gramaticalmente correta e coerente.

❌ Por que as outras estão erradas?

A)

“criaria... à medida que tenha sido escrita... exigira”

❌ Mistura inadequada de tempos:

  • “criaria” (futuro do pretérito)
  • “tenha sido” (pretérito perfeito do subjuntivo)
  • “exigira” (pretérito mais-que-perfeito)

Sequência incoerente.

C)

“mirariam... poderão se sentir”

❌ Combinação problemática:

  • “mirariam” (futuro do pretérito → hipótese)
  • “poderão” (futuro do presente → certeza)

Falta paralelismo lógico.

D)

“tivesse existido... botará”

❌ Incoerência:

  • “tivesse existido” (passado hipotético)
  • “botará” (futuro)

Quebra da linha temporal.

E)

“fosse... virá a levar”

❌ Problema semelhante:

  • “fosse” (passado hipotético)
  • “virá” (futuro)

Incompatibilidade de tempos.

GAB B

Para não errar mais as "combinações" da FCC, salve estas fórmulas:

  1. Futuro do Subjuntivo + Futuro do Presente: Se você estudar (futuro subj.), passará (futuro pres.).
  2. Presente do Subjuntivo + Futuro do Presente: É provável que ele venha (pres. subj.) e ajude (futuro/pres.). [Padrão da Letra B]
  3. Imperfeito do Subjuntivo + Futuro do Pretérito: Se você estudasse (imp. subj.), passaria (fut. pret.).

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