O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Nômades digitais e aluguel em dólar: moradores
estão sendo expulsos de seus bairros na América
Latina
Segundo a plataforma AllTheRooms, que cataloga dados
de habitações e aluguéis de temporada em todo mundo,
houve um aumento expressivo de estadas na
modalidade Airbnb na América Latina nos últimos anos.
Na América do Sul, o Brasil aparece em primeiro lugar
no número de diárias contratadas, seguido por Colômbia
e Argentina. México, Costa Rica e Guatemala são outros
países com taxas altas.
Mesmo com o fim da pandemia de covid-19, muitos
estrangeiros continuaram seu trabalho remotamente ou
investiram no modo de vida nômade.
Muitos deles são remunerados em moeda valorizada e
procuram cidades mais baratas, com qualidade de vida
para morar ou passar longas temporadas, de acordo com
Diana Quintas, sócia da Fragomen no Brasil, empresa
especializada em imigração e líder na área de
mobilidade internacional de pessoas físicas e empresas.
"Falando de nomadismo digital na América Latina, nossa
região é escolhida por muitos profissionais porque
juntamos qualidade de vida a um custo atrativo para os
mais bem colocados no mercado", diz a especialista.
Porém, isso afeta diretamente o aumento dos aluguéis
para quem reside naquele lugar, aponta Isadora
Guerreiro, coordenadora do Lab Cidade da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
(FAU-USP). Esse processo, conhecido como
gentrificação, dá-se pela transformação da população
local substituída por outros perfis de renda mais alta,
contribuindo para a supervalorização de um bairro ou
cidade e, consequentemente, para a expulsão de antigos
moradores.
Segundo Guerreiro, esse movimento aprofunda a
desigualdade urbana. "Na América Latina, esses
proprietários corporativos, que são empresas ou fundos
de investimento internacional, passam a ser donos de
unidades e passam a definir os preços baseados no
setor internacional. É totalmente contraditório em relação
a quanto as pessoas podem pagar. Isso redefine o
bairro", diz Guerreiro.
Atrelado a isso, a América Latina também acompanha a
onda de inflação global, intensificando o aumento dos
aluguéis. Segundo dados do site de locação Quinto
Andar, de maio de 2022 a maio de 2023, o custo médio
do aluguel de um apartamento subiu 136% em Buenos
Aires (Argentina); 13% na Cidade do México (México);
11% em São Paulo (Brasil), 11% em Quito (Equador),
11% na Cidade do Panamá (Panamá) e 6% em Lima
(Peru).
A gerente de comunicação brasileira Daniela De Caprio
vive na cidade do México há três anos e meio. Ela se
mudou para o país devido a uma oferta de trabalho.
Mesmo o México tendo uma moeda desvalorizada frente
ao real, segundo ela, alugar ou comprar um imóvel no
país é muito caro. Desde que chegou ao país, De
Caprio, de 33 anos, acompanha o aumento nos preços
dos aluguéis e mudou de bairro três vezes. Ela conta
que, em alguns bairros, o aluguel de um apartamento
pequeno sai por US$ 5 mil (R$ 24,5 mil). "Eu sabia que
era caro, mas não tanto assim. Tem muitas empresas
que vendem apartamentos já em dólar", diz.
Maria Siqueira, dona da Imobiliária Ousía na Cidade do
México, aponta que o aumento está ligado à chegada de
nômades digitais e expatriados. Em outubro de 2022, o
governo da Cidade do México anunciou uma parceria
com o Airbnb e a Unesco (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para
promover a cidade com um centro global para
trabalhadores remotos e para se tornar a capital do
turismo criativo.
Segundo Vinicius Oike, economista do QuintoAndar, o
fenômeno no México é até mais prevalente do que no
restante da América Latina. "Esse processo é um
fenômeno localizado, dentro de certos bairros e de
certas cidades onde esse público se foca. Isso acontece
até por questão geográfica de estar perto dos Estados
Unidos, que adotou bastante o trabalho 100% remoto,
mesmo depois da pandemia", diz o especialista.
Siqueira confirma a dolarização nos aluguéis e aumento
na procura dos imóveis por estrangeiros. "Para muitos
proprietários, é conveniente cobrar em dólar. Eles
aceitam a transferência já que tem muita burocracia para
abrir uma conta. Às vezes, muitos vêm para cá
temporariamente. O México é um dos países mais
econômicos e tem uma boa qualidade de vida", diz. No
caso dos nômades digitais, Siqueira diz que esse público
não tem muitas exigências, são jovens e prolongam a
estada por mais tempo.
Essa onda de trabalhadores remotos internacionais
também foi sentida pela brasileira Mayara Pinheiro, de
36 anos, consultora de operações em negócios na
Cidade do México. Morando no local há dois anos e
meio, ela diz que os preços de vários produtos e serviços
começaram a mudar drasticamente. "Os estrangeiros
mudam para cá e pagam aluguéis em moeda valorizada
e os locais não podem. Daí, o aumento atinge não só os
mexicanos, mas os latinos que já vivem aqui, como eu,
que ganha em peso", opina. Ela conta que tem uma
amiga mexicana que precisou deixar o apartamento atual
e ir para um bairro mais distante, devido a um aumento
de 20% no valor do aluguel.
Depois da pandemia houve várias mudanças. Algumas
pessoas voltaram a morar com os pais ou saíram para
cidades mais afastadas que ficam a uma hora de carro
daqui. Os preços dos imóveis aumentaram muito. O
modo de trabalho remoto, que começou em muitas
empresas e segue até hoje, possibilitou a vinda dos
nômades para o país.
Na América Latina, esses proprietários corporativos, que
são empresas ou fundos de investimento internacional,
passam a ser donos de unidades e passam a definir os
preços baseados no setor internacional.
De acordo com o texto, dados recolhidos durante um ano
chegaram à seguinte conclusão:
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