“Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no p...

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Q3955014 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

O que é ser feliz?

 

Se você pensa que serei capaz de dar essa resposta, não se iluda. Mas, deve estar se perguntando: por que o título, então? Simples! Acordei e encontrei a crônica da Danuza Leão na Folha de S. Paulo falando sobre o tema. Fiquei alguns minutos pensando sobre isso e decidi me jogar no assunto, mesmo que ninguém, muito menos eu, seja capaz de esgotar tal questão.

Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos. Quando estamos em “o momento de felicidade” nossa preocupação é viver e ao voltarmos os olhos para trás pensamos ou concluímos: como fomos felizes ou infelizes ali. Naquele amor correspondido, no nascimento do filho, na brincadeira da infância, no livro lido, no sorriso dado...

Hoje, por exemplo, estou com aquela sensação de felicidade. Acordei, folheei o jornal – um dos maiores prazeres que tenho aos domingos –, li de cabo a rabo, em seguida tomei um ótimo café da manhã preparado às escondidas, com carinho, e com pão de queijo quente. E para tudo ficar mais perfeito, deu aquela preguiça e cochilei antes que pensasse no almoço. Foi o dia de descanso perfeito. Foi: terceira pessoa do pretérito perfeito.

Por outro lado, alguns autores afirmam que não existe a felicidade e sim momentos de alegria. Logo, não discordando de Danuza, é uma outra forma de vê-la. Mesmo que seja no passado, é feita de início, meio e fim. Acaba! Não é um estado de espírito. Ninguém é feliz o tempo todo, apenas existem momentos assim.

Daí fico pensando, enquanto escrevo aqui, não estou feliz? Após tantos momentos anteriores de prazer? Talvez, daqui a meia hora conclua: sim, enquanto escrevia eu era! Já que ninguém é feliz, foi! (...)

 

FARIA, Celso. O que é ser feliz? Blog e-urbanidade. Disponível em <https://eurbanidade.com.br/o-que-e-ser-feliz-cronica-blog-e-urbanidade/>.

“Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos.”
No trecho acima, a palavra destacada substitui corretamente o termo:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela coesão referencial no período "nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos.": o pronome oblíquo átono "o" retoma anaforicamente a oração "se somos felizes", que funciona como complemento de "saber"; por isso, a alternativa correta é a A.

Tema central: retomada pronominal anafórica
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica o conteúdo retomado por "o" na sequência imediata do período. No enunciado, primeiro aparece o que não se sabe no presente: "se somos felizes"; depois, esse mesmo conteúdo é retomado por "o" em "Sempre o saberemos". O pronome não substitui um termo solto nem uma circunstância de tempo, mas o complemento semântico do verbo "saber".
B
Errada
"Nunca saberemos" não é o referente de "o". Essa expressão traz a forma verbal da oração anterior, mas o pronome não retoma a ação de saber; retoma aquilo que será sabido. O complemento de "saber" no trecho é "se somos felizes".
C
Errada
"Ser feliz é um verbo" não é o conteúdo retomado em "Sempre o saberemos". Essa ideia aparece antes no texto, mas não ocupa, nesse ponto, a função de complemento retomado do verbo "saber". No contexto, o que se saberá depois é se somos felizes.
D
Errada
"Horas, meses ou anos" não é referente do pronome, mas parte da circunstância temporal expressa em "depois de algumas horas, meses ou anos". Esse trecho indica quando algo será sabido, não o conteúdo retomado por "o".
E
Errada
"No momento presente" é uma locução adverbial que delimita o tempo em que não se sabe se se é feliz. Não é o objeto retomado por "o". O pronome retoma a oração completiva ligada a "saber", e não um adjunto adverbial isolado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o complemento retomado por "o" e outros segmentos próximos do período, especialmente o verbo da oração anterior ("nunca saberemos") e expressões adverbiais como "no momento presente" e "horas, meses ou anos".
Dica para questões semelhantes
  • Localize o pronome e pergunte qual conteúdo ele evita repetir na frase seguinte.
  • Com verbos como "saber", separe o verbo do conteúdo sabido: o pronome costuma retomar esse complemento, não a ação verbal.
  • Não escolha por proximidade linear; confirme se o termo apontado tem função de complemento ou apenas de circunstância.
  • Quando houver oração introduzida por "se" ligada ao verbo anterior, verifique se ela é o conteúdo retomado na sequência.

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