Trata-se de paciente com insuficiência cardíaca congestiva, ...

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Q65077 Medicina
Considere o caso de um paciente do sexo masculino,
com 40 anos de idade e com epidemiologia e sorologia positiva
para doença de Chagas. Queixou-se de dispneia aos esforços
maiores que os habituais, há cinco anos, e, há seis meses,
evoluindo para dispneia aos médios e pequenos esforços,
quando iniciou terapêutica com beta-bloqueador, diurético
e inibidor da enzima de conversão da angiotensina
(IECA). Há um mês, suspendeu o uso do IECA devido a quadro
de tosse. Atualmente, apresenta ortopneia e edema bilateral
de membros inferiores. Nega dor precordial. Ao exame
físico, constataram-se extremidades quentes, normocorado,
FC = 108 bpm, PA = 90 mmHg × 70 mmHg, turgência jugular a
30º, ictus cordis propulsivo no 6.º EICE linha axilar anterior,
ritmo cardíaco em tempos ( B3), sopro holossistólico em foco
mitral com irradiação para axila esquerda 3+/6+, edema de
membros inferiores 3+/6+. Na ausculta pulmonar constataram-se
estertores creptantes bibasais.

Acerca do caso clínico descrito acima, julgue os itens
subsequentes.
Trata-se de paciente com insuficiência cardíaca congestiva, débito cardíaco adequado em repouso e classe funcional IV da New York Heart Association.
Alternativas

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Gabarito: C (Certo)

Tema central: Esta questão aborda o reconhecimento e classificação funcional da insuficiência cardíaca (IC) segundo a NYHA, além da avaliação clínica do débito cardíaco em repouso.

Justificativa da alternativa correta: O caso descreve um paciente com sintomas clássicos de insuficiência cardíaca congestiva (dispneia progressiva, ortopneia, estertores creptantes, turgência jugular, edema de MMII, sopro mitral, B3) e limitação extremamente significativa: atualmente apresenta sintomas mesmo com pequenos esforços e ortopneia, sinal de maior gravidade. O quadro é compatível com Classe IV da NYHA, definida por “limitação para toda e qualquer atividade física, com sintomas até mesmo em repouso” (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas—PCDT, Insuficiência Cardíaca, Ministério da Saúde).

O paciente está com PA limítrofe (90/70 mmHg) e FC aumentada (108 bpm), mas mantém extremidades quentes e está normocorado. Isso indica perfusão tecidual preservada em repouso—ou seja, débito cardíaco adequado em repouso. Em estado de má perfusão, esperam-se extremidades frias, palidez ou sudorese fria (que não aparecem no caso).

Estratégia de raciocínio: Procure palavras-chave como dispneia em repouso, ortopneia e edema importante, e avalie sinais de má perfusão (ausentes aqui). Atenção para possíveis pegadinhas: sintomas como dispneia apenas aos grandes esforços seriam classes funcionais menores (I ou II).

Por que as demais alternativas estão incorretas? A alternativa "errado" seria incoerente, porque:

  • Não é classe II ou III: O paciente tem sintomas com quaisquer esforços e ortopneia, típico de classe IV.
  • Não há choque ou hipoperfusão aguda: Se o débito cardíaco estivesse inadequado, apareceria sudorese, extremidades frias ou sinais claros de choque, o que não foi relatado.

Diretriz aplicada: Conforme o PCDT de Insuficiência Cardíaca (Ministério da Saúde): “Classe IV: sintomas de IC presentes em repouso. Qualquer atividade física aumenta o desconforto.”

Resumo: Paciente com doença de Chagas, IC descompensada, classe funcional IV (NYHA) e débito cardíaco suficiente em repouso.

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