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Q869042 Português

                        A velhice na sociedade industrial


      Durante a velhice deveríamos estar ainda engajados em causas que nos transcendem, que não envelhecem, e que dão significado a nossos gestos cotidianos. Talvez seja esse um remédio contra os danos do tempo. Mas, pondera Simone de Beauvoir, se o trabalhador aposentado se desespera com a falta de sentido da vida presente, é porque em todo o tempo o sentido de sua vida lhe foi roubado. Esgotada a sua força de trabalho, sente-se um pária, e é comum que o escutemos agradecendo sua aposentadoria como uma esmola.

      A degradação senil começa prematuramente com a degradação da pessoa que trabalha. Esta sociedade pragmática não desvaloriza somente o operário, mas todo trabalhador: o médico, o professor, o esportista, o ator, o jornalista.

      Como reparar a destruição sistemática que os homens sofrem desde o nascimento, na sociedade da competição e do lucro a qualquer preço? Cuidados geriátricos não devolvem a saúde física nem mental. A abolição dos asilos e a construção de casas decentes para a velhice, não segregadas do mundo ativo, seria um passo à frente. Mas haveria que sedimentar uma cultura para os velhos com interesses, trabalhos, responsabilidades que tornem digna sua sobrevivência. Como deveria ser uma sociedade para que, na velhice, o homem permaneça um homem? A resposta é radical para Simone de Beauvoir: “seria preciso que ele sempre tivesse sido tratado como homem”.

      Para que nenhuma forma de humanidade seja excluída da Humanidade é que as minorias têm lutado, que os grupos discriminados têm reagido. A mulher, o negro, combatem pelos seus direitos, mas o velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele.

(Adaptado de: BOSI, Ecléa. Lembranças de velhos. S. Paulo: T. A. Queiroz, 1983, p. 38-39) 

De acordo com as posições da autora, seria de fundamental importância que, na velhice, as pessoas
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Tema central da questão: Interpretação de Texto

Esta questão avalia a compreensão crítica do texto, focalizando a análise da tese defendida pela autora sobre o envelhecimento digno na sociedade moderna.

Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C afirma que, na velhice, as pessoas não percam a condição de operar em favor de causas que dignificam a atividade de quem luta. O texto destaca que o engajamento em causas maiores do que o próprio indivíduo — ou seja, viver para além do “eu”, por algo que “não envelhece” — é um caminho para se combater o vazio e a exclusão social no envelhecer. Observe o trecho: “Durante a velhice deveríamos estar ainda engajados em causas que nos transcendem, que não envelhecem, e que dão significado a nossos gestos cotidianos.”

Pela interpretação textual e semântica (Cunha & Cintra), a alternativa C condensa a mensagem central da autora: a dignidade na velhice depende do contínuo envolvimento com tarefas que dão sentido à existência, em vez de se relegar o idoso à passividade.

Análise das alternativas incorretas:

A) Foca no “repouso e reflexão” sobre o passado, contrariamente ao texto, que critica a passividade e defende a ação presente e significativa.
B) Sugere “reaver armas” antigas de resistência, mas o texto não propõe reviver lutas passadas, e sim novas formas de engajamento.
D) Fala em cultivar nostalgicamente o passado, indo na contramão do enredo textual, pois nostalgia não gera transformação social nem sentido.
E) Propõe resgatar experiências para atuar afetivamente em favor do passado, mas o foco do texto é a ação atual, não meramente o testemunho das experiências vividas.

Estratégia para provas:
Fique atento a expressões que induzem à passividade, saudosismo ou estagnação; o texto valoriza precisamente o oposto, isto é, engajamento, atuação e causa durante a velhice.

De acordo com Celso Cunha e Lindley Cintra, uma boa interpretação exige que o candidato identifique não só a ideia principal explicitada, mas os valores e propostas subjacentes ao texto, buscando coerência entre o recorte apresentado e a alternativa escolhida.

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GABARITO LETRA C

 

TRECHO CORROBORATIVO:  Durante a velhice deveríamos estar ainda engajados em causas que nos transcendem, que não envelhecem, e que dão significado a nossos gestos cotidianos. Talvez seja esse um remédio contra os danos do tempo.

 

"Não tenho medo da pessoa que treina 1000 chutes. Tenho medo da pessoa que treina 1000 vezes o mesmo chute" - BRUCE LEE

GABARITO LETRA C

 

 

 

c) não perdessem a condição de quem opera em favor das causas que dignificam a atividade de quem luta. 

 

Conforme a autora o ideal seria que os velhos lutassem pelos seus direitos, no entanto, eles não tem armas.

Para que nenhuma forma de humanidade seja excluída da Humanidade é que as minorias têm lutado, que os grupos discriminados têm reagido. A mulher, o negro, combatem pelos seus direitos, mas o velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele.

O examinador estava noiado nessa questão.

Letra (c)

 

Como deveria ser uma sociedade para que, na velhice, o homem permaneça um homem? A resposta é radical para Simone de Beauvoir: “seria preciso que ele sempre tivesse sido tratado como homem”.

 

Para que nenhuma forma de humanidade seja excluída da Humanidade é que as minorias têm lutado, que os grupos discriminados têm reagido. A mulher, o negro, combatem pelos seus direitos, mas o velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele.

GAB C

 

seria de fundamental importância que, na velhice, as pessoas

 

 c) não perdessem a condição de quem opera em favor das causas que dignificam a atividade de quem luta

 

Durante a velhice deveríamos estar ainda engajados em causas que nos transcendem, que não envelhecem, e que dão significado a nossos gestos cotidianos.

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