No enunciado “Existe, de fato, uma poesia popular dedicada a...
Leia o Texto a seguir, de modo a responder às questões de 6 a 9.
Texto 02 - O efeito e o defeito
- Um amigo me convidou para apresentarmos juntos algo da cultura nordestina na escola israelita onde a filha dele estuda.
- Falamos sobre cordel, culinária, artesanato. Recitei, cantei e acompanhei ao violão, com certa surpresa, umas 50 crianças cariocas
- na faixa dos 6 anos cantando, bem ensaiadinhas, “Último pau de Arara” e “Lamento Sertanejo”. Na saída, eu e ele recebemos
- plaquetas com versinhos carinhosos feitos pelas crianças agradecendo nossa presença: “Ó seu moço cantador/ com a sua
- “sabilidade”/ veio aqui cantar pra gente/ e mostrar suas qualidade”.
- A maioria das pessoas pensa que poesia popular tem que ser cheia de “erros de português”. Existe, de fato, uma poesia
- popular dedicada a explorar o linguajar do matuto, do beradeiro, do brocoió. É um linguajar engraçado, cheio de termos
- arrevesados, e que mantém com a gramática a mesma relação que a maioria dos zagueiros brasileiros mantém com a bola. [...]
Fonte: TAVARES, B. In: A Nuvem de Hoje. Campina Grande: EDUEPB, 2011, p. 47.
No enunciado “Existe, de fato, uma poesia popular dedicada a explorar o linguajar do matuto, do beradeiro, do brocoió” (linha 6 e 7), a sequência de constituintes revela
Gabarito comentado
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Gabarito comentado | Questão de Interpretação de Texto – Cirurgião-dentista
Tema central: A questão exige interpretação de texto com foco em coesão, repetição de constituintes preposicionados (estrutura sintática) e cadeia semântica.
Análise da alternativa correta (C):
A sequência “do matuto, do beradeiro, do brocoió” demonstra a repetição de constituintes preposicionados (todas iniciando por “do”). Esse recurso linguístico produz coesão e encadeamento semântico, reunindo termos que, embora regionais, apontam para um mesmo perfil social e cultural ligado à poesia popular.
Segundo a norma-padrão e obras como Moderna Gramática Portuguesa (Bechara) e Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra), tal repetição tem valor estilístico e constrói coerência interna ao texto ao destacar o alvo da poesia: a linguagem do homem simples. Isso está claramente vinculado ao tema da questão: relação entre estrutura sintática e construção do sentido.
Por que as alternativas estão erradas?
A) Não se observa persuasão implícita nem criação de sentido metafórico para “matuto”. A construção é literal e descritiva.
B) Os termos não seguem a linguagem formal (“matuto”, “beradeiro”, “brocoió”). São variantes regionais e seu uso é consistente com o tema.
D) Não há eufemismo nem sinônimos utilizados para suavizar o termo. Os vocábulos reforçam a ideia de rusticidade, não a atenuam.
E) Não há conflito entre o que se diz e o que se quer dizer. O sentido é direto e explícito.
Dica para concursos: Ao interpretar listas ou enumerações no texto, observe padrões recorrentes (ex: repetição de “do”, “à”, “com”) e relacione com o contexto temático. Isso costuma indicar intenção de coesão ou reforço do significado, como orienta Bechara (figuras de construção do período).
Resumo: A repetição de constituintes com o uso do mesmo conectivo (“do”) constrói cadeia semântica, reforça o tema central e garante a coesão textual.
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