Joana, servidora efetiva de determinada autarquia federal, f...

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Q4320511 Direito Administrativo
Joana, servidora efetiva de determinada autarquia federal, foi submetida a processo administrativo disciplinar para apurar supostas irregularidades na fiscalização de contratos administrativos. Ao término da instrução, a Comissão Processante concluiu que não havia provas suficientes para a aplicação de penalidade e recomendou o arquivamento do processo. Ao analisar os autos, a autoridade competente entendeu que as provas eram suficientes para demonstrar a prática da infração disciplinar e aplicou a pena de suspensão, apresentando fundamentação própria e diversa daquela constante do relatório da Comissão. Considerando as disposições aplicáveis ao processo administrativo disciplinar no âmbito federal, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A Lei nº 8.112/1990, art. 168, caput, dispõe: "O julgamento acatará o relatório da comissão, salvo quando contrário às provas dos autos." O art. 167, § 4º, da mesma lei estabelece: "Reconhecida pela comissão a inocência do servidor, a autoridade instauradora do processo determinará o seu arquivamento, salvo se flagrantemente contrária à prova dos autos." No caso, a recomendação de arquivamento pode ser afastada no próprio PAD se houver a contrariedade probatória exigida; por isso, a possibilidade de divergência afirmada em D é juridicamente correta.

Tema central: Divergência no julgamento disciplinar
Análise das alternativas
A
Errada
O art. 168 permite que a autoridade profira julgamento divergente no próprio processo quando o relatório contrariar as provas dos autos. A instauração de novo PAD não é requisito para afastar motivadamente a recomendação de arquivamento.
B
Errada
O art. 167, § 4º, admite expressamente afastar a conclusão de inocência quando ela for flagrantemente contrária à prova dos autos. Logo, nem mesmo essa conclusão produz vinculação absoluta, como afirma a alternativa.
C
Errada
A vinculação integral é incompatível com a ressalva expressa do art. 168, caput: o relatório deve ser acolhido, salvo quando contrário às provas dos autos. A recomendação de arquivamento, portanto, não impede necessariamente a aplicação de penalidade.
D
Certa
A alternativa D não afirma que a autoridade possa punir com base em mera discordância: exige fundamentação apoiada nos autos e respeito às garantias do devido processo legal, incluindo contraditório e ampla defesa, assegurados pelo art. 153. O enunciado não permite verificar concretamente a suficiência das provas nem a adequação da suspensão; a correção de D limita-se à possibilidade jurídica de divergência sob essas condições.
Pegadinha da questão
Confundir a regra de acolhimento do relatório com vinculação absoluta à recomendação de arquivamento. O erro oposto também deve ser evitado: a possibilidade de divergência não significa que qualquer fundamentação própria autorize punir.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique se a divergência demonstra contrariedade entre o relatório e as provas: mera discordância da autoridade não satisfaz o art. 168.
  • Se a comissão reconhecer a inocência, observe o requisito específico de flagrante contrariedade à prova, previsto no art. 167, § 4º.
  • Separe a possibilidade jurídica de julgamento divergente da comprovação concreta da infração e da adequação da penalidade.
  • Verifique a preservação do contraditório e da ampla defesa, mesmo quando a divergência estiver motivada.

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Comentários

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Gabarito: D

Lei 8.112/90, art. 168: A autoridade julgadora não fica vinculada ao relatório da Comissão. Pode:

  • concordar com a Comissão;
  • divergir e aplicar penalidade;
  • agravar, atenuar ou absolver;

➡️ desde que a decisão seja motivada e baseada nas provas dos autos.

Atenção cabeção: se a conclusão da Comissão estiver contrária às provas dos autos, a autoridade pode afastá-la expressamente.

PAD → Comissão = relatório → NÃO VINCULA o julgador. Autoridade pode divergir? ✅ SIM, com fundamentação + provas dos autos.

BIZU:“RELATÓRIO OPINA; AUTORIDADE JULGA.”

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