Questões de Concurso Público Prefeitura de Maravilha - SC 2026 para Professor Língua Portuguesa
Foram encontradas 40 questões
"Todos nós já conhecemos o princípio segundo o qual todo texto remete sempre a outro ou a outros, constituindo-se como uma 'resposta' ao que foi dito ou, em termos de potencialidade, ao que ainda será dito", sendo um fenômeno que se encontra "na base de constituição de todo e qualquer dizer. Em sentido restrito, todo texto faz remissão a outro(s) efetivamente produzido(s) e que faz(em) parte da memória social dos leitores".
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2012. p. 101 (Adaptado).
O excerto apresenta a definição de:
I.O gênero se define como certas formas ou tipos relativamente estáveis de enunciados/discursos que têm uma lógica própria, de caráter concreto e recorrem a certos tipos estáveis de textualização, mas não necessariamente a textualizações estáveis.
II.Ao longo do tempo, há certa cristalização dos gêneros em termos de certas formas de textualização, mas isso ocorre sem fixidez, porque os gêneros se acham em constante mudança — em diferentes ritmos, a depender do gênero. Nesse sentido, um memorando é mais estável do que um blog.
III.O gênero traz o novo (a singularidade, a impermanência) articulado ao mesmo (a generalidade, a permanência), porque não é uma abstração normativa, mas um vir-a-ser concreto cujas regras supõem uma dada regularidade e não uma imutabilidade.
É correto o que se afirma em:
"[...] numa sociedade como a brasileira, tradicionalmente excludente e discriminadora, é fundamental que a escola possibilite a seus aprendizes o acesso ao espectro mais amplo possível de modos de expressão, a começar pelo domínio da escrita e da leitura, direito alienável de qualquer pessoa que viva num país republicano e democrático. A leitura e a escrita, o letramento enfim, abrem as portas de incontáveis mundos discursivos, aos quais os aprendizes só vão ter acesso por meio da escolarização institucionalizada.
Por conseguinte, não basta ter o que dizer. É preciso saber dizer o que se tem a dizer: ____________________. E isso é função imprescindível da escola: ensinar a dizer."
BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. p. 76.
Considerando o que defende o autor a respeito do ensino de língua e os conhecimentos prévios que você construiu, assinale a alternativa que completa correta e coerentemente a lacuna no excerto:
A informação contida em um texto é distribuída e organizada em seu interior graças ao emprego de certos recursos léxicos e gramaticais. À articulação desses recursos em benefício da expressão do sentido e de sua compreensão dá-se o nome de:
Hubert Alquéres
Uma escola militar do Distrito Federal decidiu retirar de circulação A bolsa amarela, de Lygia Bojunga, após reclamações de pais que enxergaram na obra referências inadequadas a questões de gênero. A notícia chama atenção por transformar um dos maiores clássicos da literatura infantil brasileira em objeto de suspeita ideológica.
Publicado em 1976, em pleno regime militar, A bolsa amarela ajudou a transformar a literatura infantil no Brasil. Lygia Bojunga pertence a uma geração de autores, como Ana Maria Machado e Ruth Rocha, que rompeu com a ideia de que livros destinados a crianças deveriam ser apenas moralizantes ou pedagógicos. Sua literatura introduziu densidade emocional, imaginação, medo, inadequação, desejo de liberdade e conflitos interiores como elementos legítimos da experiência infantil. Não por acaso, tornou-se a primeira autora brasileira a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante reconhecimento internacional da literatura infantil e juvenil.
É justamente aí que reside a principal contradição do episódio. O problema não parece estar no livro, mas na forma como ele passou a ser lido. Literatura não é cartilha ideológica. Personagens não são panfletos. Conflitos narrativos não equivalem automaticamente à defesa de comportamentos ou agendas políticas. Quando uma obra literária passa a ser examinada apenas como instrumento de vigilância moral, perde-se a capacidade de compreender o que distingue literatura de propaganda.
A questão ultrapassa, portanto, o debate específico sobre gênero. O que está em jogo é algo mais amplo: a dificuldade crescente de lidar com ambiguidades, metáforas, e conflitos próprios da literatura. Em vez de formar leitores capazes de interpretar criticamente textos complexos, cria-se uma cultura de leitura policialesca, na qual livros passam a ser investigados em busca de desvios ideológicos.
O paradoxo histórico é inevitável. A bolsa amarela surgiu em pleno regime militar, nunca foi censurada e logo consolidou-se como um clássico da literatura infantil brasileira. Décadas depois, passa a ser alvo de suspeita não por crítica política explícita, mas porque parte da sociedade passou a enxergar ameaças ideológicas até mesmo em narrativas voltadas à imaginação infantil.
Naturalmente, escolas e famílias têm o direito, e até o dever, de discutir adequação etária, mediação pedagógica e critérios de escolha de obras literárias. Esse debate é legítimo. O problema começa quando a reação abandona o terreno pedagógico e passa a tratar a literatura como objeto de interdição moral ou suspeita política.
Não é a primeira vez que obras literárias se transformam em objetos de suspeita. Isso quase nunca fortaleceu a educação ou a cultura. A literatura infantil séria nunca tratou apenas de histórias leves ou edificantes. Ela também aborda medos, frustrações, inadequações e descobertas.
Proteção excessiva pode produzir exatamente o oposto do que pretende: jovens menos preparados para lidar com complexidade, diferença e pensamento crítico.
Talvez o aspecto mais preocupante do episódio seja outro. Uma sociedade começa a empobrecer culturalmente quando perde a capacidade de distinguir livros de panfletos. Quando clássicos da imaginação infantil passam a ser tratados como ameaça ideológica, talvez o problema já não esteja nos livros.
Hubert Alquéres é presidente da Academia Paulista de Educação e vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro.
(Disponível em: https://www.publishnews.com.br/materias/2026/05/27/o-dia-em-que-lygia-bojunga-virou-ameaca. Acesso em: 06 set. 2026. Adaptado.)
Após a leitura do artigo e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir:
I.A literatura infantil e juvenil é um agente de conhecimento, propiciando o questionamento dos valores em circulação na sociedade. Porém, por a sala de aula ser o principal reduto dessa literatura, o(a) professor(a) deve ter cautela ao escolher o que será lido, banindo das leituras e discussões obras que contrariem a vontade dos pais e de quaisquer outras pessoas externas à escola que sejam responsáveis diretas pelas crianças.
II.Com a literatura infantil e juvenil, o jovem leitor e cidadão, dentro ou fora da escola, pode ser introduzido, através da ficção e do discurso poético, à abordagem dos temas humanos da vida concreta não idealizada, portanto necessariamente relacional, diversificada e complexa.
III.Através da ficção e da linguagem poética, assuntos subjetivos, assuntos que não implicam nem são passíveis de lições, sistemas de controle e soluções unívocas, mas sim de opiniões pessoais, emoções, conflitos, discussões e controvérsias, podem vir à tona. São temas que não supõem "uma" verdade mas, sim, a pluralidade da verdade pois, diante deles, opiniões opostas e excludentes podem ser igualmente válidas.
É correto o que se afirma em:
(__)No processo de formação de leitores, o literário não se limita apenas a um conjunto de textos, com características pré-determinadas, mas a todo um repertório cultural constituído por uma grande variedade de textos e atividades que proporcionam ao leitor a construção de sentidos.
(__)O letramento literário deve se restringir ao campo escolar, uma vez que é este o espaço central na manutenção e reprodução de protocolos de leitura, sendo responsável pelo desenvolvimento sistemático da competência literária.
(__)A escrita, no processo de letramento literário, é apenas um meio, ainda que com peso considerável pela força da tradição, pelo qual a linguagem se presentifica, o que leva tanto à verificação do letramento literário em novos meios e mecanismos de expressão e interação social quanto à recuperação da palavra falada como veículo igualmente legítimo da literatura.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I.Identificar e refletir a respeito das diferentes perspectivas ou vozes presentes no texto, assim como a respeito dos efeitos de sentido do uso do discurso direto, indireto, citações etc.
II.Estabelecer relações de intertextualidade e interdiscursividade que permitam a identificação e compreensão dos diferentes posicionamentos e/ou perspectivas em jogo dentro do texto, assim como do papel da paráfrase, da paródia, das estilizações.
III.Selecionar e hierarquizar informações, tendo em vista as condições de produção e recepção dos textos.
IV.Refletir criticamente sobre a fidedignidade das informações, as temáticas, os fatos, os acontecimentos, as questões controversas presentes nos textos lidos, posicionando-se.
É objetivo a ser alcançado na formação do estudante como leitor o que se apresenta em:
Todo ato de _________ praticado por seres humanos pressupõe — ou projeta — uma situação __________. Assim, as palavras não significam sozinhas; sua capacidade de exprimir um significado comum aos interlocutores não depende só delas, mas também das combinações que as envolvem e do contexto situacional em que são utilizadas.
Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas no excerto:
(__)São pertinentes, tanto no ensino Fundamental quanto no Médio reflexões sobre os fenômenos da mudança linguística e da variação linguística, os quais são inerentes a qualquer sistema linguístico e podem ser observados em quaisquer níveis de análise.
(__)As variedades linguísticas devem ser objeto de reflexão no ensino de Língua Portuguesa e o valor social atribuído às variedades de prestígio deve ser tematizado com o objetivo principal de que o estudante saiba usá-las em sua vida cotidiana, em todas as situações sociocomunicativas.
(__)O respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos é construído no ensino de Língua Portuguesa a partir da compreensão do fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.), ampliando o entendimento de que a língua tem natureza viva e dinâmica.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I.Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo.
II.Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de comunicação, posicionando-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos humanos e ambientais.
III.Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e projetos pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).
IV.Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.
É correto o que se afirma em: