Questões de Concurso
Sobre transtornos relacionados a substâncias em psiquiatria
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I.A abstinência alcoólica pode evoluir para o delirium tremens, com rebaixamento flutuante da consciência, agitação e instabilidade autonômica.
II.A intoxicação por opioides cursa com midríase acentuada, taquipneia e agitação psicomotora intensa no indivíduo acometido.
III.A abstinência de opioides manifesta-se por midríase, sudorese, mialgia, rinorreia e piloereção no paciente.
Está correto o que se afirma em:
I. A profilaxia com haloperidol reduz de forma consistente a incidência de delirium em idosos no pós-operatório e é recomendada rotineiramente para prevenção.
II. Em UTI, esquemas de sedação baseados em dexmedetomidina, quando clinicamente apropriados, reduzem a incidência e a duração do delirium em comparação com benzodiazepínicos.
III. A correção da perda auditiva com aparelhos auditivos em idosos de alto risco está associada à redução do declínio cognitivo, contribuindo para a prevenção de demência.
IV. Anticorpos monoclonais anti-β-amiloide (como lecanemabe e donanemabe) revertem déficits cognitivos e restauram o desempenho funcional em demência de Alzheimer moderada a avançada.
V. No transtorno por uso de álcool, a naltrexona reduz dias de consumo pesado e risco de recaída, enquanto o acamprosato é útil para manutenção da abstinência após a desintoxicação.
VI. Para transtornos por uso de estimulantes (por exemplo, metanfetamina ou cocaína), os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são o tratamento farmacológico de primeira linha com eficácia comprovada para abstinência sustentada.
VII. Em transtorno de ansiedade generalizada, benzodiazepínicos são recomendados como tratamento de primeira linha para uso crônico devido ao perfil de segurança e baixo risco de dependência.
O risco de dependência está diretamente relacionado à rapidez com a qual a substância produz seu pico de ação. Poucos segundos após a tragada, a nicotina atinge o sistema de recompensa estimulando a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, que são responsáveis pela sensação de prazer, pela melhora da cognição, pela promoção de maior controle de estímulos e emoções negativas e pela redução de ansiedade e do apetite.
Essas características de ação da nicotina levaram a OMS a incluir o tabagismo no grupo de transtornos mentais e de comportamentos decorrentes do uso de substâncias
Sobre os critérios para diagnóstico de dependência química da nicotina, analise as afirmativas a seguir.
I. A persistência no uso apesar das evidentes consequências, como câncer pelo uso do tabaco, humor deprimido ou perturbações das funções cognitivas relacionadas com a substância.
II. O aumento do tempo empregado para conseguir ou consumir a substância ou recuperar-se de seus efeitos.
III. A evidência de tolerância, ou seja, necessidade de doses decrescentes da substância para obter os efeitos produzidos anteriormente com doses maiores.
Está correto o que se afirma em
Texto para a questão
Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.
Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.
Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.
Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.
Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.
• Gasometria arterial:
pH: 7,5
pO2: 80 mmHg
pCO2: 32 mmHg
HCO3-: 21 mEq/L
BE: -1
SpO2: 96%
Na+: 154 mEq/L
Restante dos exames laboratoriais normais, dextro de 90 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico e tratamento indicado.