Questões de Concurso
Sobre papéis sociais e relações de gênero em psicologia
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Consideremos a discussão de Gênero e Psicologia (2009) que expõe a proposição de Teresa de Laurentis (1994) de pensar o gênero como produto de tecnologias sociais, discursos, epistemologias e práticas institucionalizadas que o sustentam dentro de um aparato social e representacional absorvido subjetivamente por cada pessoa. A autora também traz quatro proposições sobre o gênero:
I. O gênero é uma representação;
II. A representação do gênero é a sua construção;
III. A construção do gênero vem se efetuando hoje nos aparelhos ideológicos do Estado;
IV. A construção do gênero se faz por meio de sua reprodução.
Assinale a alternativa correta:
As políticas públicas dirigidas a diferentes segmentos populacionais, tais como LGBT, pessoas com deficiência e negros, fundamentam-se em conceitos operativos que embasam planos de ações específicas. A esse respeito, considere:
I. Identidade de gênero é definida como a junção do sexo biológico com o sexo social.
II. Equidade no contexto da saúde da população está relacionada a práticas que contemplem as diferentes necessidades de cuidado.
III. Discriminação social tem como base a desigualdade entre pessoas ou grupos, onde um se considera superior ao outro.
IV. Reintegração e inclusão social são conceitos semelhantes que focam no trabalho de reinserção social de alguém após seu retorno à sociedade.
Está correto o que se afirma APENAS em
Embora as justificativas para a criação da Lei da Alienação Parental (Lei nº 12.318/10) mencionem aspectos ligados à Psicologia, o assunto parece não ter sido motivo de análise detalhada pelos profissionais da área na ocasião em que foi sancionada. Em sendo assim, foi deixada de lado uma discussão mais aprofundada sobre gênero.
Sobre essa questão, por meio de uma perspectiva sócio-histórica, assinale a afirmativa correta.
A identidade de gênero e as expressões da sexualidade consistem em elementos das demandas contemporâneas da gestão de pessoas. Essas relações, tais como as demais, evidenciam conflitos grupais e a manifestação do que se denomina poder e violência simbólicos nos mais diversos ambientes de trabalho. Analise as afirmativas sobre esse tema no contexto da gestão de pessoas.
I. Em contexto de trabalho a violência simbólica também é expressa na forma de exclusão daqueles que se distanciam de um “padrão de normalidade” social, inclusive para expressões de sexualidade, tal como a homossexualidade.
II. Os conceitos de poder e violência simbólicos foram desenvolvidos por Pierre Bourdieu, por meio dos quais evidenciou que o real, quando intermediado por tais conceitos, constrói e legitima percepções distorcidas de um dado contexto, sobretudo de trabalho.
III. No contexto organizacional, também marcado pela intolerância às diferenças, a pessoa não heterossexual é estigmatizada, sobre discriminações e atos preconceituosos velados ou explícitos ao tentar se inserir no mercado de trabalho ou mesmo quando já se encontra nele.
IV. A violência simbólica é uma violência invisível às próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento ou, mais precisamente, do desconhecimento, do reconhecimento ou, em última instância, do sentimento.
V. A implementação de políticas de diversidade nas empresas públicas e privadas também indica um caminho para a inclusão no âmbito organizacional, já que não preterir indivíduos em decorrência de sua sexualidade é uma pauta da política de diversidade sexual, uma das esferas dos programas de responsabilidade social amplamente difundidos e valorizados no mercado global.
Estão corretas as afirmativas
É conhecida a polêmica ocorrida há alguns anos que envolveu o posicionamento ético do Conselho Federal de Psicologia e psicólogos que pretendiam curar pacientes da orientação homossexual, caso se queixassem da mesma. No centro da discussão, encontrava-se a Resolução CFP nº 001/1999. Considerando essa resolução, analise as afirmativas a seguir.
I. O psicólogo é um profissional da saúde, sendo frequentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade.
II. A homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão, fazendo parte da identidade do sujeito a forma como cada um vive sua sexualidade.
III. Os psicólogos não se pronunciarão nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar preconceitos sociais em relação a homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
De acordo com a resolução citada, está correto o que se afirma em:
Pesquisas recentes identificaram que indivíduos desempregados têm, invariavelmente, relações mais distantes com os membros de sua família, e ficam mais expostos a um enfraquecimento dos vínculos sociais. O enfraquecimento dos vínculos sociais está relacionado às duas primeiras fases da desqualificação social, que são: a
“O termo ‘condição feminina’ remete-nos à indagação: o que é ser mulher e que implicações decorrem desse fato. O que se pretende problematizar quando falamos de condição feminina é a complexidade do ser mulher em diversos contextos sócio-históricos, em distintas culturas, em que a apropriação de diferentes significados identitários e de papéis sociais parece invalidar a existência de uma única vivência feminina.”
(Almeida, 2006, p. 215.)
De acordo com a afirmativa anterior, pensar em “diversidade” neste contexto significa:
Considerando-se que “ao trabalho na educação estão associados indicadores de sofrimento, adoecimentos e riscos” (BOTECHIA; ATHAYDE; In: BARROS, HECKERT; MARGOTTO, 2008, p. 43), faz-se necessário conhecer as condições e as dinâmicas desse trabalho, com o intuito de transformá-lo no sentido da produção de formas mais saudáveis. Tendo isso em vista, analise as afirmativas elencadas abaixo.
I) Um dos entraves existentes atualmente na luta por melhores condições de saúde dos trabalhadores da educação é a dificuldade de se efetuarem momentos de reunião nos quais é possível compartilhar as experiências de trabalho e empreender análises coletivas do mesmo.
II) Partindo do que preconiza a Clínica da Atividade, a experiência sensível é ponto fundamental para a compreensão da relação trabalho-saúde; desta forma, transformar e conhecer o meio de trabalho devem ser ações constituídas em um espaço dialógico entre os saberes acadêmicos e os saberes oriundos da experiência de trabalho nas escolas.
II). O conceito de gênero é uma ferramenta política e pedagógica fundamental quando se pretende elaborar e implementar projetos que problematizem as formas de organização social vigentes e as hierarquias e desigualdades delas decorrentes, que marcam, entre outras coisas, as relações de trabalho e os processos de saúde e doença.
Assinale a alternativa CORRETA:
Com relação à noção de gênero, no que se refere à clínica psicológica (CFP, 2011), marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas e assinale a alternativa em que se apresenta a sequência CORRETA.
( ) São frequentes as expressões de sofrimento na fala de pacientes homossexuais quanto a uma sensação de inadequação entre anatomia, gênero, desejo e prática sexual, que resulta de uma predominância da heterossexualidade, única forma em que necessariamente ocorre concordância entre esses quatro itens, sendo coerente com a visão de mundo da sociedade.
( ) As práticas psi devem considerar os estudos de gênero de Judith Butler para diferenciar sexo no sentido anatômico da identidade no social ou psíquico, noção de gênero que se baseia estritamente na percepção de atributos culturais que vão constituir categorias para compreensão dos casos clínicos.
( ) A prática psicanalítica, bem como as demais práticas psi, devem buscar contribuições de outras áreas, como Antropologia, Sociologia e História, para lidar com o campo do gênero e da sexualidade, compreendendo as transformações que estão acontecendo na sociedade.
( ) Desde as investigações antropológicas de Margaret Mead, na década de 30, a categoria de gênero como divisão de papel sexual foi acompanhada da questão sobre a relação entre natureza e cultura. Desse modo, apenas as concepções construtivistas sobre gênero foram desenvolvidas, enquanto posições essencialistas e universalistas limitaram-se à distinção biológica entre os sexos masculino e feminino.
( ) Em consonância aos referenciais de Butler, toda atuação psi que envolve concepções de gênero deve colocar em prática a postura ética e o propósito de transformação da sociedade em relação à aceitação das pessoas que sofrem por questões de gênero, convergindo suas práticas ao direito de existência legítima dessas pessoas e, portanto, à crítica às normalizações que acarretam o seu sofrimento por conta de uma inadequação instituída.
( ) Para Butler, a Psicanálise é importante porque se trata de uma teoria capaz de promover forte crítica à normalização e às regulações sociais. No entanto, restringe-se à escuta clínica, sendo incompatível com os estudos culturais e as políticas culturais que, na prática, podem contribuir para transformações sociais. A questão é se a inadequação quanto ao gênero e sexualidade acarretam sofrimento por conta das normas de uma realidade instituída, é preciso instituir novas realidades.

“As charges remetem visivelmente às situações de preconceito étnico-raciais e de gênero historicamente relativos aos
negros no Brasil, inclusive em evidência nos relatos de pesquisa sobre violência no Brasil nos últimos dois anos. De
acordo com esse relato, jovens negros com idades em torno dos 15 e 35 anos são as principais vítimas e/ou os que mais
estejam envolvidos em crimes contra a vida, tais como lesão corporal e homicídios. Nesse mesmo relato, as mulheres
negras são mais vítimas de violência doméstica e/ou de gênero, sobretudo na modalidade de violência sexual.”
No que se refere à variável gênero nos estudos em psicologia social, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O foco em atitudes facilita a determinação da subordinação gênero, posto que quando expressas são relativamente estáveis, embora também sejam sensíveis às mudanças no clima político. ( ) As variações de gênero através da cultura podem ser tais que no gênero adulto há variantes em que a preferência cultural pode criar outros papéis ou as pessoas podem trocar o gênero ou mesmo adotar os papéis procriativos de outro gênero. ( ) A subordinação de gênero é evidenciada quando as mulheres são destituídas e/ou não possuem acesso ao controle de instituições determinantes das políticas que afetam as mulheres, tais como os direitos reprodutivos ou a paridade nas práticas de emprego. ( ) O foco do estudo da subordinação de gênero deve ser, principalmente nas relações políticas e econômicas e não na atitude, levando em consideração seu caráter simbólico e de expressão em relações de complementariedade e mesmo que na psicologia isso não seja comum visto as teorias que centralizam seus estudos no indivíduo.A sequência está correta em
“A sociedade pode ser entendida como um conjunto de posições sociais (como a posição de médico, de professor, de aluno, de filho, de pai); todas as expectativas de comportamentos estabelecidas pelo conjunto social para os ocupantes das diferentes posições sociais determinam o chamado papel prescrito. Assim, sabemos o que esperar de alguém que ocupa determinada posição.”
(Bock, 2008 p. 178.)
Em relação aos papéis sociais, é correto afirmar que
De acordo com Strey (1998), dentro da psicologia social científica, os temas de gênero tinham pouca expressão e, no máximo, apareciam como sexo, indicando as diferenças encontradas entre homens e mulheres em experimentos de laboratórios ou de campo. Considerando os aspectos de gênero para a psicologia social, analise as afirmativas.
I. Para reverter o quadro de que gênero não são apenas as diferenças encontradas entre homens e mulheres em experimentos de laboratórios ou de campo foi necessário o acontecimento da crise da psicologia social, e as pressões dos crescentes movimentos feministas, que iniciaram antes do século XX, mas que tiveram seu apogeu há poucas décadas.
II. Os estudos transculturais demonstram dois aspectos universais sobre o gênero: gênero não é idêntico a sexo e gênero fornece a base para a divisão sexual do trabalho em algumas sociedades. Contudo, existe um conteúdo universal para os papéis de sociedades. A maneira como homens e mulheres são conceitualizados estão estritamente ligados aos papéis da sociedade.
III. Os estudos de gênero nos mostram uma tremenda variedade de culturas no mundo. Em algumas sociedades, a divisão do trabalho por gênero é uma das maneiras-chave sobre as quais a atividade econômica está organizada. As diferenças entre sociedades onde o gênero é central à produção econômica e aquelas onde é secundário se reflete nas igualdades em todas as estruturas de autoridades.
IV. A visão do gênero como construção cultural e histórica implica tratar com categorias simbólicas, cujas características principais são dar prioridade à interpretação construída em uma dialética entre o dado concreto e o esquema explicativo; na centralidade dos símbolos e dos diversos fatores que podem influir em sua leitura, como, por exemplo, o lugar e o momento, se é uma leitura individual ou se é coletiva.
Estão corretas as afirmativas
“A senhora Paula procura o CAM e pede assessoria jurídica para processar a escola em que estuda seu filho de sete anos, dizendo que ela não está cumprindo seu papel na educação das crianças e quer desvirtuar e desmoralizar tudo com uma conversa de que meninos e meninas são iguais, que meninos podem brincar de boneca, pois, se continuar assim, eles vão virar gays; diz que está até com medo que o ex-marido queira tomar a guarda do filho. Acrescenta que está ciente de que tem direito à escola pública de qualidade e sabe bem que a escola não pode infiltrar essas ideias na cabeça das crianças como se elas não tivessem família.”
Diante da hipotética situação relatada,
A identidade de gênero está diretamente relacionada à construção da identidade social, uma vez que se compreende o homem como um ser sócio-histórico e cultural que caracteriza as mútuas influências que constroem a identidade masculina e feminina.
Desde a ascensão do nazi-fascismo, no período entre as duas guerras mundiais, a psicologia social vem produzindo estudos sobre a exclusão, interrogando-se sobre os motivos pelos quais, em sociedades aparentemente democráticas e igualitárias, sejam aceitas práticas injustas e discriminatórias frente aos considerados “diferentes”. Essas pesquisas indicam que a exclusão se relaciona: