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De acordo com a perspectiva pedagógica de Paulo Freire, a construção dos conteúdos programáticos caracteriza-se por ser um processo:
( ) Na etapa de investigação, identifica-se o universo vocabular, as palavras e os temas geradores da vida cotidiana nos educandos.
( ) Na etapa de tematização, são codificados e decodificados os temas levantados, favorecendo sua compreensão em uma perspectiva crítica e social.
( ) Na etapa de problematização, analisam-se os limites, as possibilidades e as contradições das situações existenciais concretas, com vistas à práxis transformadora.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?
Assinale a alternativa INCORRETA.
As ações de Extensão em Participação Social, destinam-se prioritariamente a:
()I- Freire denomina de "educação bancária" o modelo em que o educador deposita conteúdos nos educandos, tratados como receptores passivos.
() II- A proposta pedagógica de Freire é fundada no diálogo e na conscientização crítica como instrumentos de libertação.
( ) III - Para Freire, a manutenção da hierarquia rígida entre professor e aluno é condição necessária para uma educação eficaz.
() IV-A conscientização, no pensamento freiriano, é um processo de reflexão crítica sobre a realidade social e histórica dos sujeitos.
Considere o seguinte excerto:
“Que podem pensar alunos sérios de um professor que, há dois semestres, falava com quase ardor sobre a necessidade da luta pela autonomia das classes populares e hoje, dizendo que não mudou, faz o discurso pragmático contra os sonhos e pratica a transferência de saber do professor para o aluno?! Que dizer da professora que, de esquerda ontem, defendia a formação da classe trabalhadora e que, pragmática hoje, se satisfaz, curvada ao fatalismo neoliberal, com o puro treinamento do operário, insistindo, porém, que é progressista?” (Freire, 2018, p. 35-36).
Em relação ao saber abordado por Paulo Freire nesse excerto, assinale a alternativa correta.
À luz de Paulo Freire, a respeito da responsabilidade ética no exercício da atividade docente, é correto afirmar que se deve partir de uma ética
De acordo com a perspectiva de Paulo Freire a respeito do ato educativo, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. Não haveria exercício étlco-democrático, nem sequer se poderia falar em respeito do educador ao pensamento diferente do educando, se a educação fosse neutra.
PORQUE
II. A prática educativa é, em sua essência, uma forma de intervenção no mundo que implica escolhas políticas e éticas por parte do educador, seja para a manutenção das estruturas existentes, seja para a sua transformação.
A respeito dessas asserções, pode-se afirmar que:
Considere as caracterizações a seguir:
I. O que os alunos e o professor já sabem sobre o conteúdo.
II. Explicitação dos principais problemas da prática social.
III. Ações didático-pedagógicas para a aprendizagem.
IV. Expressão elaborada da nova forma de entender a prática social.
V. Nova proposta de ação a partir do conteúdo aprendido.
Neste contexto, a sequência correta dos momentos didáticos descritos é:
De acordo com Libâneo (2003), sobre a pedagogia progressista, analise as características abaixo:
• Valoriza o diálogo, a conscientização e a transformação social por meio da educação, sendo associada às ideias de Paulo Freire.
• Defende a autogestão pedagógica, com participação ativa dos alunos nas decisões do processo educativo.
• Destaca a importância dos conteúdos escolares no confronto com as realidades sociais.
As características acima definem, correta e respectivamente, as tendências da pedagogia progressista denominadas:
Texto I
A importância do ato de ler
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.