Questões de Concurso Sobre a educação como processo de construção histórica em pedagogia

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Q4333196 Pedagogia
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
Ao mesmo tempo que se mostra um romance de grande relevância da Literatura brasileira, pertencente ao estilo do Realismo-Naturalismo, “O Ateneu”, de Raul Pompéia, figura como registro histórico de um período da Educação que, em oposição ao contexto atual, referente às leis e prerrogativas vigentes, ilustra bem uma concepção temporal de como este setor era concebido pela sociedade daquela época. Com isso, pode-se afirmar que o enredo apresentado na obra exemplifica, na História da Educação do Brasil, o fato de que:
Alternativas
Q4331403 Pedagogia
A respeito dos marcos e inflexões da história da educação brasileira, especialmente entre o século XX e a Constituição de 1988, assinale a alternativa correta.
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Q4331402 Pedagogia
Ao se examinar a trajetória histórica da educação brasileira, verifica-se que determinadas reformas, embora apresentadas como instrumentos de modernização do ensino, atenderam também a interesses políticos, econômicos e sociais específicos de cada período. Nesse sentido, assinale a alternativa que melhor traduz uma interpretação historicamente consistente sobre a evolução da educação no Brasil.
Alternativas
Q4316001 Pedagogia
Ao longo da história da educação brasileira, diferentes projetos educacionais expressaram concepções distintas acerca do papel do Estado, da escola e da formação do cidadão. Na década de 1930, o debate educacional ganhou destaque com a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932) e, posteriormente, com a consolidação das políticas educacionais implementadas durante o Estado Novo (1937-1945). Embora ambos atribuíssem relevância estratégica à educação para o desenvolvimento do país, fundamentavam-se em pressupostos distintos quanto à organização do ensino e às finalidades da ação educativa. Considerando esse contexto histórico, analise as afirmativas a seguir.

I. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova defendia a educação pública, gratuita, laica, obrigatória e organizada como responsabilidade do Estado, compreendendo a escola como instrumento de democratização da sociedade.
II. As políticas educacionais do Estado Novo caracterizaram-se pelo fortalecimento da centralização administrativa do ensino e pela utilização da educação como instrumento de integração nacional e de formação da identidade cívica.
III. Apesar das diferenças de orientação política, tanto o Manifesto dos Pioneiros quanto as políticas educacionais do Estado Novo defendiam a ampliação da autonomia administrativa dos sistemas estaduais como princípio estruturante da organização da educação nacional.
IV. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova atribuía à educação função social ampla e propunha reformas estruturais do sistema de ensino; as políticas do Estado Novo incorporaram objetivos relacionados à formação de quadros técnicos e administrativos necessários ao projeto de modernização conduzido pelo Estado.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4306528 Pedagogia
A constituição das identidades do matemático profissional e do educador matemático está relacionada a diferentes contextos históricos e sociais. Nessa perspectiva, categorias profissionais não devem ser tomadas como universais e imutáveis, mas compreendidas a partir de práticas e condições que possibilitaram sua constituição. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os conceitos às respectivas caracterizações.

Coluna 1

1. Matemático profissional.
2. Educador matemático.
3. Historicidade das identidades profissionais.
4. Profissionalização da atividade matemática. 

Coluna 2

( ) Implica reconhecer que os critérios utilizados para caracterizar determinada atuação profissional são construídos socialmente e podem se modificar ao longo do tempo.
( ) Em sua configuração contemporânea, tem sua identidade fortemente associada à atividade de pesquisa e à produção de resultados matemáticos.
( ) Não pode ser caracterizado simplesmente pela negação da identidade do matemático profissional, constituindo-se a partir de práticas e referências próprias relacionadas à Educação Matemática.
( ) Teve, historicamente, entre seus elementos constitutivos, a atividade de ensinar Matemática, especialmente no processo de consolidação dessa atividade profissional na Europa.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Q4302066 Pedagogia
A trajetória do Ensino Religioso (ER) no Brasil é marcada por oscilações entre o caráter confessional, a laicidade e o pluralismo. Os pesquisadores Salviano e Busanello (2023), ao analisarem a legislação educacional, apontam que essa disciplina reflete a correlação de forças políticas de cada época. Ressaltam ainda que o Ensino Religioso no Brasil nasceu atrelado ao projeto de colonização e, posteriormente, à manutenção de uma ordem social conservadora. A hegemonia católica foi a tônica por séculos, o que resultou na marginalização dos saberes e das espiritualidades que não se encaixavam na visão eurocêntrica e cristã.

Considerando o percurso histórico e as mudanças paradigmáticas, marque a alternativa correta. 
Alternativas
Q4301934 Pedagogia
As Aulas Régias, instituídas no Brasil a partir das reformas promovidas pelo Marquês de Pombal, visavam substituir o modelo educacional anteriormente conduzido pelos jesuítas e caracterizaram-se por: 
Alternativas
Q4290110 Pedagogia
A supervisão escolar passou por transformações históricas significativas: de uma função originalmente fiscalizadora e burocrática, associada ao controle externo do trabalho docente, evoluiu para uma concepção pedagógica de natureza colaborativa e formativa. Essa reconfiguração do papel do supervisor reflete mudanças nas concepções de escola, de gestão e de profissionalidade docente. Nessa perspectiva teórica, é correto afirmar que:  
Alternativas
Q4290108 Pedagogia
A história da educação ocidental revela que as concepções pedagógicas não surgem de forma autônoma, mas refletem as condições sociais, econômicas e filosóficas de cada época. A compreensão dessas matrizes históricas é indispensável para a análise crítica das tendências pedagógicas contemporâneas. Considerando a perspectiva histórica da educação e da pedagogia, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4277684 Pedagogia
No contexto das reformas educacionais, implementadas pela Administração Pombalina no Brasil, as aulas régias foram instituídas para substituir o Sistema de Ensino Jesuítico. Enquanto os jesuítas organizavam o ensino, através de cursos integrados e sequenciais, o novo sistema adotou uma estrutura diferente, visando preparar as elites para estudos superiores, na Europa.
Nesse sentido, é correto afirmar que a metodologia das aulas régias: 
Alternativas
Q4277683 Pedagogia
A respeito da História da Educação Brasileira, analise a descrição e indique a alternativa que preencha, corretamente, a lacuna.
A aula jesuíta caracterizava-se por seu caráter ______________, ou seja, o docente se dirigia diretamente a cada aluno e o procedimento predominante era o interrogatório, momento em que eram trabalhados conteúdos de memorização para reprodução. Estabelecia-se uma relação entre a repetição do texto diante do jesuíta, a prática da disciplina espiritual e do autoexame. A competição era estimulada através de disputas que poderiam ser públicas ou realizadas na presença de membros da ordem, com o propósito de incentivar o aprendizado. 
Alternativas
Q4261389 Pedagogia
A Pedagogia consolidou-se historicamente como um campo científico voltado ao estudo dos processos educativos. As diferentes correntes pedagógicas contribuíram para ampliar a compreensão sobre a formação humana, atribuindo ao pedagogo funções que extrapolam o ambiente escolar e alcançam diferentes espaços institucionais e comunitários. Nesse contexto, compreender os fundamentos históricos da Pedagogia permite analisar criticamente sua identidade profissional e sua contribuição para a organização das práticas educativas.
Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa CORRETA que apresenta a característica da Pedagogia como campo de conhecimento.
Alternativas
Q4253262 Pedagogia

Em relação à evolução histórica da Educação Infantil no Brasil, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) As primeiras instituições destinadas ao atendimento de crianças pequenas possuíam, predominantemente, caráter assistencial. 


( ) Ao longo de sua evolução histórica, a Educação Infantil passou a integrar a Educação Básica. 


( ) A consolidação da Educação Infantil como etapa da Educação Básica desvinculou as ações de cuidado das práticas educativas desenvolvidas com as crianças.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 

Alternativas
Q4253121 Pedagogia
 Sobre a história da Educação Infantil no Brasil, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. As primeiras instituições de atendimento à criança pequena no Brasil tinham caráter assistencialista, estando vinculadas à caridade e ao controle social das famílias pobres, funcionando como depósitos de crianças enquanto os pais trabalhavam.

II. A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) representaram marcos fundamentais ao reconhecerem a Educação Infantil como um direito da criança e como primeira etapa da Educação Básica.

III. A história da Educação Infantil no Brasil revela que a superação do modelo assistencialista ocorreu de forma linear e contínua, sem a persistência de tensões entre as dimensões do cuidar e do educar.

IV. A Educação Infantil no Brasil, desde suas origens até os dias atuais, manteve-se inalterada em sua concepção e em suas práticas, sem que houvesse qualquer influência de movimentos sociais ou de marcos legais na redefinição de sua identidade. 
Alternativas
Q4245238 Pedagogia
Considerando a alfabetização nos diferentes momentos históricos, analise as alternativas a seguir e aponte a opção correta.
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Q4245237 Pedagogia
Considerando a alfabetização nos diferentes momentos históricos, especialmente no que se refere às transformações nas práticas pedagógicas, nos métodos de ensino e nas relações entre linguagem, sociedade e cultura, analise as alternativas a seguir e assinale a opção correta.
Alternativas
Q4242091 Pedagogia
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, publicado em 1932, é considerado um dos documentos mais importantes da História da Educação Brasileira. Sobre seus princípios, autores e impactos históricos, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4232939 Pedagogia
TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise da questão)

CONTO DE ESCOLA

Machado de Assis

    A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.
    Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro. Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
    Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
    - Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o filho do mestre. 
   Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.
    - O que é que você quer?
    - Logo, respondeu ele com voz trêmula.
   Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.
    - Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.

Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/ 
Apesar de ser um texto literário, este faz um importante registro de como era a metodologia pedagógica do período mencionado. Diante disso, a partir da leitura do texto I e dos conhecimentos sobre a História da Educação no Brasil, fica evidente que no período abordado
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Q4230793 Pedagogia
Na trajetória da educação das pessoas com deficiência, algumas instituições funcionaram separadamente da escola comum e estabeleceram critérios próprios de ingresso e permanência. Embora limitassem a convivência com os demais estudantes, algumas dessas instituições ofereciam alfabetização, oficinas e recursos pedagógicos indisponíveis nas escolas da região. Assinale a alternativa correta quanto aos elementos que devem integrar a análise dessa configuração histórica. 
Alternativas
Q4230782 Pedagogia
Na trajetória da educação especial brasileira, algumas formas de atendimento foram organizadas a partir de critérios de incapacidade, elegibilidade para auxílios públicos, preparação ocupacional e encaminhamento a serviços específicos. As ações educativas funcionavam como um dos instrumentos de adaptação do indivíduo, sem se estruturarem prioritariamente pelo currículo da escola comum. A orientação atribuída à educação nesse modelo caracteriza-se como: 
Alternativas
Respostas
21: C
22: E
23: A
24: D
25: B
26: E
27: D
28: B
29: B
30: A
31: C
32: D
33: A
34: C
35: B
36: B
37: A
38: C
39: B
40: D