Questões de Concurso
Sobre clínica médica veterinária em veterinária
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Durante o mapeamento dos casos secundários, um médico veterinário atendeu uma fêmea da raça Poodle, de 3 anos de idade. O tutor relatou que a cadela apresentava um histórico de infertilidade, no qual "nunca conseguia segurar as crias”, ocorrendo abortamentos recorrentes entre 45 e 50 dias de gestação, seguidos por um corrimento vaginal persistente de aspecto mucoide e coloração marrom-acinzentada. O proprietário destacou que utilizou coberturas sucessivas com diferentes parceiros de canis distintos da regido, todos sem sucesso. Diante do risco iminente à saúde dos criadores, dos tutores e dos próprios veterinários assistenciais, o caso foi notificado aos órgãos de saúde pública, visto que a principal suspeita recai sobre um agente de caráter zoonótico, demandando uma abordagem integrada sob a ótica da Saúde Única (One Health).
Considerando o cenário epidemiológico urbano, a principal suspeita etiológica, a dinâmica de transmissão e as implicações na interface saúde animal-humana-ambiental, assinale a alternativa com a afirmação correta:
Sabendo que essa afecção decorre de uma anomalia do desenvolvimento embrionário dos arcos aéreos fetais, que resulta no aprisionamento extrínseco do esôfago, assinale a alternativa que indica, respectivamente, o diagnóstico nosológico correto e as estruturas anatômicas que delimitam diretamente o anel de constrição esofágica:
Um furdo (Mustela putorius furo), macho, castrado, de 4 anos, 900 g, foi recebido para avaliação clínica de rotina. O tutor relatou evolução de aproximadamente dois meses de hipoatividade discreta e episódios de fraqueza em membros pélvicos (paresia/ataxia transitória), episódios de ausência (olhar fixo/estupor) com duração de poucos segundos, predominantemente no período matutino, e ocorrência de episódios de sialorreia. O tutor reportou que a sialorreia cessava espontaneamente após a oferta de petiscos caseiros à base de mel e frutas.
Ao exame físico, o paciente apresentava-se alerta, ativo, com escore de condição corporal (ECC) 4/5, parâmetros cardiorrespiratórios normais e temperatura retal de 38,2 °C. Não foram observadas alterações de pelagem (ausência de alopecia), infadenomegalia ou massas à palpação abdominal. Aproveitando o período de jejum voluntário de 4 horas pré-consulta, realizou-se a mensuração da glicemia por meio de glicosímetro portátil calibrado para a espécie, obtendo-se o valor de 58 mg/dL (referência: 70 a 110 mg/dL). Diante do achado de hipoglicemia, foi solicitada ultrassonografia abdominal com transdutor linear de alta frequência. O exame demonstrou parênquima hepático e esplênico homogêneos, além de glândulas adrenais dentro dos limites para a espécie (adrenal direita medindo 3,2 mm e esquerda medindo 3,9 mm de diâmetro), com arquitetura e ecogenicidade preservadas. Todavia identificou-se uma diminuta estrutura nodular, arredondada, hipoecoica e bem circunscrita, medindo 2,17 mm de diâmetro, localizada na extremidade do lobo esquerdo do pâncreas.
Diante do cenário clínico de evolução sutil e dos achados complementares, assinale a alternativa que estabelece o diagnóstico presuntivo correto e a conduta terapêutica inicial recomendada para o manejo do paciente:
Um felino, macho, sem raça definida (SRD), de aproximadamente 2 anos de idade e pesando 4,2 kg, foi atendido com histórico de apatia severa e anorexia nas últimas 12 horas. O tutor relatou episódios de vômitos que cessaram espontaneamente há aproximadamente dois dias. Como dado epidemiológico, o tutor destacou que cultiva e coleciona diversos tipos de plantas e flores, como espécimes ornamentais bulbosos da família das liliáceas, exemplares de Araceae (como comigo-ninguém-pode) e Euphorbiaceae (como coroa-de-cristo) em vasos pela casa. Relatou que o felino frequentemente transitava próximo aos vasos; e, embora afirme que o paciente não possui o hábito de mastigar as plantas, notou sujidades de pólen amarelado na pelagem do animal dias antes.
Ao exame físico inicial, o paciente apresentava estado mental de estupor, desidratação severa (estimada em 10%), mucosas pálidas e secas, além de hipotermia (37,1 °C). À palpação abdominal, constatou-se nefromegalia bilateral com intensa resposta álgica na região lombar. A bexiga encontrava-se vazia.
Os exames laboratoriais e de imagem iniciais revelaram: hemograma com hematócrito de 56% (referência: 24-45%), proteínas plasmáticas totais (PPT) 9,2 g/dL (referência: 6,0-8,0 g/dL), leucocitose moderada por neutrofilia segmentada e linfopenia acentuada. Perfil bioquímico: creatinina de 14,5 mg/dL (referência: até 1,6 mg/dL) e ureia >300 mg/dL (referência: até 60 mg/dL). Ultrassonografia abdominal: rins aumentados de tamanho, com perda da definição e da relação corticomedular, associados a acentuado edema perirrenal.
Evolução: Poucas horas após a admissão e instituição de fluidoterapia de emergência, o paciente manifestou o início súbito de ataxia generalizada e perda de equilíbrio, evoluindo rapidamente para decúbito lateral. No exame neurológico sequencial, observou-se a presença de fasciculações musculares contínuas na hemiface, regiões perioculares e pavilhões auriculares. O exame dos pares de nervos cranianos revelou midríase bilateral simétrica com reflexo fotomotor direto e consensual presentes, porém lentificados (reflexo de ameaça ausente com manutenção das estruturas anatômicas oculares). Na sequência, o paciente manifestou crise convulsiva tônico-clônica generalizada, caracterizada por opistótono, movimentos de pedalada, sialorreia intensa e relaxamento de esfíncter anal. A crise foi controlada com protocolo de diazepam e propofol, porém, diante do quadro de anúria persistente refratária e falência múltipla de órgãos, o paciente evoluiu para óbito.
Diante do histórico clínico fornecido, assinale a alternativa que estabelece o diagnóstico presuntivo correto, integrando o nexo causal epidemiológico e as manifestações multissistêmicas observadas:
l. O prolapso retal em vacas é uma emergência cirúrgica que resulta em perda significativa de fluidos corporais através da superfície mucosa edemaciada e necrótica do reto prolapsado. A hemoconcentração observada (hematócrito 48%, proteína plasmática total 8,2 g/dL) indica perda de fluidos corporais com retenção relativa de células sanguíneas e proteínas, resultando em choque hipovolêmico. A fluidoterapia deve ser iniciada imediatamente com cristaloides (solução de Ringer lactato) em bolus de 20-40 mL/kg IV durante 15-30 minutos, seguida de manutenção contínua, com objetivo de restaurar perfusão tecidual e normalizar parâmetros hemodinâmicos.
II. Em caso de choque hipovolêmico severo como o apresentado, o uso de coloides (albumina, dextrana, gelatina, plasma) é contraindicado em grandes animais, pois estes medicamentos aumentam significativamente a pressão oncótica intravascular, causando extravasamento de fluido para o interstício e piora do edema. Portanto a fluidoterapia deve ser baseada exclusivamente em cristaloides, evitando completamente o uso de qualquer coloide em vacas com choque hipovolêmico.
III. A monitorização hemodinâmica durante fluidoterapia em prolapso retal deve incluir avaliação contínua de frequência cardíaca, frequência respiratória, tempo de preenchimento capilar, coloração de mucosas, temperatura de extremidades e possível mensuração de pressão venosa central (PVC) através de cateter em veia jugular. A normalização destes parâmetros indica resposta apropriada à fluidoterapia. Porém, em grandes animais, a interpretação de PVC deve levar em conta que valores normais são diferentes de pequenos animais (referência em vacas: 5-15 cm H,O), e elevação de PVC pode indicar sobrecarga de volume ou falha cardíaca.
IV. A velocidade de infusão de cristaloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser agressiva na fase inicial (bolus rápido), mas deve ser reduzida significativamente após restauração de perfusão tecidual básica, pois infusão contínua agressiva de cristaloides em grandes animais pode resultar em edema pulmonar, edema subcutâneo severo e possível falha cardíaca. Além disso, em casos de prolapso retal com edema severo, infusão excessiva de cristaloides pode piorar o edema do tecido prolapsado, dificultando a redução e aumentando risco de necrose tecidual.
V. A escolha entre cristaloides e coloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser baseada exclusivamente no tipo de fluido disponível no momento, sem consideração de fatores clínicos como severidade do choque, tempo de evolução ou presença de edema. Portanto, se apenas houver cristaloides, deve-se usar cristaloides; se houver apenas coloides à disposição, deve-se usar coloides, independentemente de qualquer outra consideração clínica.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
l. A uveíte em equinos é uma inflamação do trato uveal, que compreende a íris, o corpo ciliar e a coroide. A forma mais comum em equinos é a uveíte anterior, que se apresenta com sinais clássicos como fotofobia, lacrimejamento, blefaroespasmo, miose e edema de cérnea. A uveíte em equinos pode ser de origem infecciosa (leptospirose, toxoplasmose, tuberculose) ou não infecciosa (trauma, cirurgia oftalmológica prévia, síndrome do olho sensível), sendo a forma idiopática a mais frequente, representando aproximadamente 60-70% dos casos.
II. A redução da pressão intraocular em casos de uveíte anterior aguda ocorre devido à inflamação do corpo ciliar, que reduz a produção de humor aquoso. Este achado é típico de uveíte anterior e diferencia esta de outras condições oftalmológicas, como glaucoma primário, em que a pressão intraocular está elevada. A presença de hipópio (acúmulo de células inflamatórias na câmara anterior) é um sinal de inflamação severa e requer tratamento agressivo para evitar complicações como sinéquia posterior, catarata e perda de visão.
III. O tratamento da uveíte anterior em equinos deve incluir anti-inflamatórios tópicos potentes (como dexametasona ou betametasona), aplicados frequentemente (a cada 2-4 horas), associados a midriáticos (como atropina 1%) para manter a pupila dilatada e prevenir sinéquia. Além disso, anti-inflamatórios sistêmicos (AINEs como fenilbutazona 4 mg/kg a cada 12 horas) são essenciais para controlar a inflamação sistêmica. O uso de corticoides sistêmicos (como dexametasona 0,1 mg/kg a cada 12 horas) pode ser indicado em alguns casos de uveíte, pois estes medicamentos diminuem significativamente a inflamação intraocular.
IV. A uveíte recorrente equina (ERU), também conhecida como oftalmia periódica, é uma forma crônica de uveíte que afeta aproximadamente 5-15% dos equinos. Caracteriza-se por episódios recorrentes de inflamação intraocular, que podem levar à cegueira permanente se não tratados adequadamente. Fatores predisponentes incluem genética, raça (cavalos árabes têm incidência aumentada), possível etiologia infecciosa (leptospirose, Lyme) e possível autoimunidade. O tratamento inclui controle agressivo de cada episódio agudo e possível uso de medicações preventivas como ciclosporina tópica ou sistêmica.
V. A avaliação diagnóstica de uveíte em equinos deve incluir exame oftalmológico completo com lâmpada de fenda, tonometria e possível ultrassonografia ocular para avaliar estruturas posteriores. Testes laboratoriais como sorologia para leptospirose, toxoplasmose e tuberculose devem ser realizados rotineiramente em todos os casos de uveíte, pois identificam a causa em 100% dos casos. Além disso, radiografia de crânio deve ser realizada em todos os casos para descartar osteomielite ou sinusite que possam estar causando a uveíte.
Pode-se afirmar que:
I. Na fase aguda/desenvolvimental, a crioterapia digital contínua (< 5 °C) por 48-72 horas reduz comprovadamente a incidência e a gravidade da falha lamelar.
II. O exercício controlado em piso macio é recomendado nessa fase para estimular a circulação digital e acelerar a recuperação.
Ill. O bloqueio perineural digital palmar deve ser realizado para aliviar a dor e permitir a deambulação precoce do animal.
IV. O suporte mecânico do casco, o uso de AINE e a restrição de movimento integram o manejo adequado da fase aguda.
V. O escore de Obel é utilizado para graduar a intensidade da dor e da claudicação na laminite.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
l. O ceftiofur cristalino livre, cefalosporina de 3.ª geração, possui espectro adequado aos principais patógenos uterinos puerperais e período de carência zero no leite, conforme registro no MAPA.
II. O cloranfenicol constitui alternativa aceitável neste caso, desde que respeitado o período de carência no leite.
Ill. A enrofloxacina apresenta restrição de uso em vacas em lactação e período de carência prolongado, não sendo a opção mais racional.
IV. A penicilina G procaína pode ser empregada sem qualquer necessidade de descarte do leite.
V. O sulfametoxazol-trimetoprim não exige período de carência no leite.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
l. O quadro clínico é compatível com hipocalcemia puerperal em estágio Il, com calcemia esperada entre 5,0 e 7,5 mg/dL.
II. A taquicardia com hipofonese de bulhas e a atonia gastrintestinal resultam da menor contratilidade das musculaturas cardíaca e lisa decorrente da hipocalcemia.
IIl. O tratamento de eleição é o borogluconato de cálcio 23% por via intravenosa lenta (10-20 minutos), sob aus- cultação cardíaca, pelo risco de arritmias fatais.
IV. A hipomagnesemia é o principal diagnóstico diferencial e cursa, caracteristicamente, com depressão profunda do sensório e flacidez muscular generalizada.
V. A administração intravenosa rápida de cálcio é segura nos bovinos e dispensa qualquer monitoração cardíaca.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
As doenças dos animais compreendem agentes infecciosos e distúrbios metabólicos com repercussões produtivas e sanitárias. Considerando o exposto, analise as afirmativas a seguir.
I.A cetose das vacas leiteiras de alta produção decorre de balanço energético negativo no pós-parto, com aumento dos corpos cetônicos.
II.A febre aftosa é doença viral vesicular dos animais biungulados, de elevada transmissibilidade e importância sanitária.
III.A raiva dos herbívoros transmite-se de forma predominante por carrapatos e cursa com quadro clínico puramente digestivo.
Está correto o que se afirma em: