Questões de Concurso Sobre travessão em português

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Q3761772 Português
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete e andava arrecadando opiniões. Suspeitei que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando minha defesa. Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Verissimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática). A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas.

Claro que eu não disse tudo isso para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato‑as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas.

VERISSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras. In: Luís Fernando Verissimo. Para gostar de ler; Luís Fernando Verissimo: o nariz e outras crônicas. 10a . ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 77 (com adaptações).

Com base nos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item seguinte. 
No trecho “Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo”, o papel do duplo travessão é o de delimitar uma oração que funciona como aposto. 
Alternativas
Q3751405 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como o equilíbrio nutricional influencia nossas emoções?


O que colocamos no prato tem impacto direto sobre nosso bem-estar. Entenda como a falta de nutrientes pode gerar ansiedade, irritação e o que fazer para recuperar a harmonia entre corpo e mente


Mariana Suzuki


Acordar cansado mesmo depois de uma boa noite de sono, sentir irritação sem motivo aparente ou perceber que a concentração simplesmente desapareceu no meio do dia. Talvez a resposta esteja no que você colocou no prato. Descobrir como o equilíbrio nutricional influencia no emocional mostra que a alimentação vai muito além da saciedade: ela impacta diretamente o humor, a disposição e a clareza mental. Pequenas escolhas − o que comer, como comer e até em que ritmo − podem transformar a maneira como sentimos e encaramos cada momento do dia.


O corpo e a mente em desequilíbrio


Quando a alimentação está desregulada, o emocional também sofre. "Quando o corpo não recebe os nutrientes de que precisa, entra em 'modo de economia', afetando diretamente a produção de energia e de substâncias relacionadas ao bem-estar, como serotonina e dopamina. O resultado é mais irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração", explica Brenda Arita, nutricionista da Fundação Conecta ABA.


Segundo a psicóloga clínica Eliana Gonçalves, da INSELF Neuropsicologia Avançada, é comum que carências nutricionais intensifiquem sintomas de ansiedade, irritabilidade ou tristeza. "A deficiência desses nutrientes pode levar à diminuição na produção de serotonina e dopamina, resultando em mau humor, tristeza, ansiedade e irritabilidade."


Entre os nutrientes essenciais estão vitaminas do complexo B, ômega-3, magnésio, zinco e aminoácidos provenientes das proteínas, como o triptofano, que participam da produção de serotonina, o chamado "hormônio do bem-estar", segundo Brenda.


A nutricionista também ressalta a importância do intestino nesse equilíbrio entre corpo-mente. "O intestino e o cérebro se comunicam constantemente por meio do chamado eixo intestino-cérebro. Mais de 90% da serotonina é produzida no intestino. Quando a microbiota intestinal está equilibrada, o emocional tende a estar mais estável. Por outro lado, o desequilíbrio intestinal − causado por estresse ou alimentação pobre em fibras − pode gerar sintomas como ansiedade, irritabilidade e digestão difícil."


(Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-o-equilibrio-nutricional-influencia-nossas-emocoes/. Acesso em: 21 out. 2025. Adaptado.)
Considere os excertos a seguir para análise:

I.Pequenas escolhas − o que comer, como comer e até em que ritmo − podem transformar a maneira como sentimos e encaramos cada momento do dia.
II.Por outro lado, o desequilíbrio intestinal − causado por estresse ou alimentação pobre em fibras − pode gerar sintomas como ansiedade, irritabilidade e digestão difícil.

O uso dos travessões nos dois excertos está correto e se justifica por delimitar um adendo, um comentário ou uma ponderação que se intercala no discurso (por causa da intercalação, há duas ocorrências do travessão dentro de cada período a fim de demarcá-la). Eles podem ser substituídos por outros sinais de pontuação, sem causar prejuízo no sentido do texto, mas essa escolha não é aleatória, ela depende do contexto. Tendo isso em consideração, assinale a alternativa que apresenta corretamente os sinais que podem ser usados em cada um dos excertos, substituindo os travessões (nas duas ocorrências dentro de cada exemplo dado):
Alternativas
Q3706830 Português

Inteligência Artificial: entre o bem e o mal 


Por Vitor Magnani


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(Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/forum-opiniao/inteligencia-artificial-entre-o-bem-e-o-mal/ - texto adaptado especialmente para esta prova).



Analise o uso dos sinais de pontuação nos trechos a seguir, extraídos do texto:

Trecho 1: "O mais recente movimento nesse sentido reuniu 350 executivos - entre eles o CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT - para manifestar as suas preocupações sobre o avanço da IA no mundo".
Trecho 2: "No Brasil, o desenvolvimento de IA ainda é incipiente, mas já existem empresas brasileiras promissoras com potencial para colocar nosso país no ranking mundial".

Sobre os trechos acima e considerando a pontuação empregada, suas funções gramaticais e implicações de sentido, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3610580 Português
Na metade do século passado, as recomendações de atividade física para melhorar o condicionamento físico e ter benefícios à saúde foram embasadas em comparações sistemáticas dos efeitos de diferentes protocolos de exercícios.

        Em 1978, foi publicado o posicionamento do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM, na sigla em inglês) intitulado “A quantidade e a qualidade dos exercícios para o desenvolvimento e a manutenção do condicionamento em adultos saudáveis”, que estabelecia os exercícios necessários para que os adultos saudáveis mantivessem ou melhorassem a aptidão cardiorrespiratória e a composição corporal. Eram recomendadas atividades aeróbicas, como caminhadas, corridas, ciclismo, realizadas na frequência de 3 a 5 dias por semana, e duração de 15 a 60 minutos.

        Apesar de essas recomendações terem sido reformuladas em 1990, com a inclusão dos exercícios de força e resistência muscular, com o passar do tempo, o interesse em melhorar o estado geral de saúde – e não apenas a aptidão cardiorrespiratória, muscular e(ou) a composição corporal das pessoas – despertou maior atenção dos pesquisadores para o fato de que o volume de atividades, e não necessariamente a intensidade dos esforços, seria mais importante na promoção da saúde. 

        Assim, em 1995, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o ACMS criaram uma recomendação populacional que preconizava que todos os indivíduos deveriam realizar atividades físicas de moderada intensidade, contínuas ou acumuladas, em todos ou na maioria dos dias da semana, totalizando, aproximadamente, 150 minutos por semana ou 200 Kcal por sessão. Tal recomendação, apoiada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS) do Brasil, é preconizada atualmente para a prevenção de algumas doenças crônicas, e foi criada na tentativa de aumentar o reconhecimento tanto profissional quanto público dos benefícios à saúde, associados às atividades físicas moderadas, e de chamar a atenção para a quantidade e a intensidade mínima de atividade física necessária para atingir esses benefícios e encorajar as pessoas a se tornar mais ativas, e não necessariamente mais condicionadas, permitindo a inclusão de programas mais flexíveis em suas vidas cotidianas.

Internet:<www.scielo.br>  (com adaptações).

A respeito da estruturação linguístico‑gramatical do texto, julgue o item seguinte. 


No trecho “o interesse em melhorar o estado geral de saúde – e não apenas a aptidão cardiorrespiratória, muscular e(ou) a composição corporal das pessoas – despertou maior atenção dos pesquisadores”, a supressão dos travessões mantém a correção gramatical do período.

Alternativas
Q3502923 Português

Texto CG2A1

        O termo “soluções baseadas na natureza” foi cunhado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A ideia é ele ser um conceito guarda-chuva: um único termo que consegue abranger uma grande gama de estratégias, técnicas, ações e atividades que envolvem a natureza para resolver problemas sociais, econômicos e ambientais do mundo atual.

        Quando falamos especificamente de acesso à água, as florestas aparecem como uma das principais soluções baseadas na natureza para dar segurança aos nossos sistemas de abastecimento. Elas podem trazer benefícios para a sociedade ao mesmo tempo que se apresentam como investimentos economicamente viáveis, a ponto de uma série de pesquisas começar a abordar a vegetação nativa como uma forma de infraestrutura — a infraestrutura natural. Chamamos de “Infraestrutura natural” investimentos e intervenções em conservação, manejo e restauração da vegetação nativa e de florestas. Essas ações não substituem investimentos em infraestrutura convencional, mas se complementam, aumentando os benefícios e gerando maior resiliência onde são implantadas.

        Atualmente, a maior parte dos investimentos em infraestruturas para o abastecimento de água das cidades é feita em infraestruturas convencionais, como reservatórios, represas e estações de tratamento. Essas obras podem ganhar muito se forem planejadas em sintonia com a infraestrutura natural. Em uma paisagem degradada, ou com solo que sofre processos severos de erosão, uma grande carga de sedimentos — terra e sujeira, por exemplo — acaba indo para os rios e reservatórios, o que aumenta os custos de dragagem e acarreta maior uso de produtos químicos no tratamento da água, além de diminuir a vida útil dos reservatórios. Com a restauração de florestas em paisagens degradadas e em áreas prioritárias para o abastecimento de água, como no entorno de reservatórios, as árvores evitam que grande parte dos sedimentos chegue aos cursos d’água, funcionando como barreiras naturais e gerando economia no uso de produtos químicos e nos custos de energia das estações de tratamento.

        Isso sem contar os benefícios mais amplos, como recuperação do solo, captura de gases de efeito estufa, que ajuda a mitigar as mudanças climáticas, formação de corredores ecológicos para espécies ameaçadas e aumento da resiliência a impactos de eventos climáticos extremos, como secas ou inundações. Dessa forma, a infraestrutura natural é um investimento inteligente do ponto de vista socioeconômico, que traz retornos no longo prazo e produz bons resultados para toda a sociedade. As empresas de saneamento no país todo só têm a ganhar ao investir na restauração florestal.

V. Tornello; L. Caccia; M. Oliveira; Bruno Calixto. Florestas para água: uma solução baseada na natureza para enfrentar crises hídricas. Internet: (com adaptações). 

Considerando a estruturação linguística do texto CG2A1, julgue o item subsecutivo.

Os sinais de travessão no terceiro período do penúltimo parágrafo poderiam ser substituídos, sem prejuízo da correção gramatical e da coerência do texto, por sinais de parênteses. 

Alternativas
Q3469142 Português

        A inteligência artificial (IA) generativa cresce exponencialmente, promovendo benefícios que vão da automatização de processos à geração de insights estratégicos. No entanto, essa expansão também amplia os desafios da segurança cibernética, de modo que se torna essencial a adoção de medidas preventivas.


        A Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) aponta que os crimes cibernéticos aumentaram 45% no Brasil em 2024. Isso significa que uma em cada quatro pessoas é alvo de golpes. Hackers estão se adaptando e usando IA para criar ataques mais sofisticados e difíceis de identificar.


         Um exemplo de ataque mais sofisticado e difícil de identificar é o que ocorre por meio do uso das deepfakes, tecnologia que se vale da IA para criar imagens e áudios falsos que parecem reais. Segundo a Sumsub, plataforma de verificação de identidade, essa prática cresceu 830% no Brasil entre 2022 e 2023. Trata-se de uma tática para manipular informações, explorar a credibilidade de figuras públicas e induzir fraudes. Não à toa, as imagens de pessoas famosas e celebridades são muito utilizadas por criminosos nessa abordagem.


         Os ataques de phishing também se tornaram mais sofisticados. A consultoria de cibersegurança Redbelt Security estima que mais de 3,5 milhões de brasileiros tenham sido vítimas desse tipo de golpe em 2023. O crescimento de dispositivos conectados e da coleta constante de dados sensíveis aponta, mais do que nunca, para a necessidade de uma proteção digital reforçada.


Internet: <olhardigital.com.br> (com adaptações).

Julgue o item que se segue, referente às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado. 


O emprego de travessão no lugar da vírgula após “deepfakes” (primeiro período do terceiro parágrafo) manteria a correção gramatical do texto sem prejuízo de seu sentido original.

Alternativas
Q3464274 Português
Texto CB1A1

        Falar de acesso à Internet no Brasil é, ainda, falar de desigualdade. Embora a digitalização tenha avançado em diversos segmentos — da educação à economia —, cerca de 20% da população brasileira permanece desconectada ou sem condições de usufruir dos recursos digitais. A democratização da Internet é, portanto, um imperativo de inclusão social, desenvolvimento econômico e cidadania.

        Apesar de o Brasil ter ultrapassado a marca de 80% da população com algum tipo de acesso à Internet, o país ainda apresenta um cenário de profundas desigualdades regionais e sociais no que se refere à qualidade, velocidade e estabilidade da conexão. Os dados da pesquisa TIC Domicílios 2023, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, revelam que 88% da população urbana está conectada, mas esse índice cai para 60% nas áreas rurais. As regiões Norte e Nordeste apresentam baixos indicadores de infraestrutura de conectividade, sendo ainda dependentes de redes móveis instáveis, enquanto o Sudeste concentra a maior parte dos investimentos em fibra óptica e banda larga de alta velocidade.

        A disparidade segue a lógica de expansão do setor de telecomunicações no país — fortemente orientada pela rentabilidade —, que privilegia centros urbanos e regiões com maior poder aquisitivo. Segundo dados do IBGE de 2022, enquanto quase 90% dos domicílios localizados no Sudeste têm acesso à Internet, os números caem para cerca de 70% no Norte e no Nordeste, com situação mais grave nas áreas rurais.

        O Brasil enfrenta também um déficit preocupante de letramento digital. Segundo levantamento feito pela ANATEL em 2024, apenas 30% da população brasileira possui habilidades digitais básicas, e menos de 20% atinge um nível intermediário de proficiência em letramento digital. A carência tecnológica forma uma barreira à inserção dessa população no mercado de trabalho e no sistema educacional, além de reforçar a exclusão social. Um ponto preocupante também é que a falta de letramento digital aumenta a vulnerabilidade à desinformação e a fraudes.

        Em um país marcado por desigualdades históricas, a exclusão digital se soma a outras formas de marginalização.

Internet:<https://esginside.com.br>  (com adaptações)

Julgue o item seguinte, relativo ao vocabulário e a outros aspectos linguísticos do texto CB1A1.  


No segundo período do primeiro parágrafo, a supressão do segundo travessão não prejudicaria a correção gramatical do texto nem as relações sintáticas estabelecidas entre os termos da primeira oração. 

Alternativas
Q3384759 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Burnout: equilíbrio entre vida profissional e pessoal é essencial contra esgotamento

Especialistas destacam como encontrar o equilíbrio no mundo atual é fundamental para evitar o esgotamento mental


Victória Anhesini


    A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu e classificou a síndrome do burnout como uma doença ocupacional em 2022, mas, antes disso, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 2021, já mostrava que um a cada quatro brasileiros estava sofrendo dessa condição. [...]


    Não conseguir ter equilíbrio entre vida pessoal e profissional é uma das principais causas que levam ao burnout. Segundo Larissa Fonseca, psicóloga clínica e especialista na doença, é mais complexo alcançar esse patamar quando todos estão hiperconectados, sempre prontos para atender às necessidades de colegas, líderes e clientes. [...]


     No Panorama do Bem-Estar Corporativo 2025, estudo desenvolvido pela Wellhub, 47% dos colaboradores que responderam a pesquisa afirmam que o estresse no trabalho impacta negativamente seu bem-estar mental, e 96% dos trabalhadores relatam algum nível de estresse durante o expediente. Luciana Benedetto, psicóloga especialista em neuropsicologia e bem-estar da BurnUp, reforça que o desequilíbrio decorre de pressões como metas inatingíveis e longas jornadas. [...]


    Larissa explica que, quando não há limites claros que delimitam o pessoal e o profissional, “ocorre uma sobrecarga emocional e física, que mantém o corpo em estado constante de alerta, elevando níveis de cortisol. Isso leva ao esgotamento característico do burnout”. [...]


Estratégias de prevenção


    Criar limites saudáveis entre trabalho e vida pessoal é imprescindível para evitar o burnout, apesar de que a prática tende a ser mais difícil que a teoria. [...] Outra parte importante é desenvolver práticas de autocuidado, como atividade física, meditação e hobbies. “Criar rituais de desconexão ao final do dia e evitar responder mensagens fora do expediente são passos simples, mas poderosos”, destacou Luciana. [...] 


O papel das empresas no equilíbrio


    As empresas possuem um grande papel para que haja esse equilíbrio. Afinal, segundo os dados da Wellhub, 82% dos colaboradores brasileiros acreditam que a empresa tem a responsabilidade de ajudar a cuidar do bem-estar. Além disso, 92% dos entrevistados disseram que o bem-estar no trabalho é tão importante quanto o salário, ou seja, não existe mais espaço para sacrificar o bem-estar.


    “As empresas devem criar uma cultura que valorize a saúde mental, ofertando ações afirmativas como respeito aos limites de horários e suporte psicológico”, afirmou Larissa.


   Luciana acrescenta que ter políticas como trabalho remoto e jornadas flexíveis permitem maior autonomia dos colaboradores, e que “ajudam os profissionais a equilibrar melhor suas responsabilidades pessoais e profissionais”. Ela ressalta, porém, que é necessário garantir que não haja sobrecarga ou invasão de espaço pessoal.


  “Essas práticas ajudam os profissionais a equilibrar melhor suas responsabilidades pessoais e profissionais, desde que acompanhadas por orientações claras para evitar excessos”.


   A neuropsicóloga acredita que ter um aliado corporativo [...] ajuda a desenvolver um plano que melhore o bem-estar dos colaboradores, já que toda a estratégia é baseada em conteúdo qualificado e pesquisas.    



Quando buscar ajuda profissional


   Reconhecer a hora de procurar apoio é um passo essencial na prevenção e tratamento do burnout. “Quando a sensação de exaustão não melhora, mesmo após tentativas de descanso, é hora de buscar um psicólogo ou outro profissional de saúde mental”, recomendou Larissa.[...]


Conscientização


   A pandemia trouxe à tona a importância da saúde mental no trabalho, e as duas especialistas enxergam que existe um movimento crescente de conscientização.


  Segundo os dados da Wellhub, os níveis globais de saúde mental caíram drasticamente durante a pandemia de Covid-19 e ainda não se recuperaram. [...]


   Por isso, a conscientização se torna um passo tão importante para evitar a síndrome do burnout ou outras condições psicológicas, assim como os planos de ação, sejam eles por meio de benefícios aos colaboradores ou por outros meios. [...]


Adaptado de: https://www.infomoney.com.br/saude/burnoutequilibrio-entre-vida-profissional-e-pessoal-e-essencial-contraesgotamento/. Acesso em: 15 mar. 2025.
Considerando a análise de determinados elementos linguísticos do texto, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.

I. No título, o travessão poderia substituir, sem prejuízo gramatical ou de sentido, os dois-pontos: “Burnout – equilíbrio entre vida profissional e pessoal é essencial contra esgotamento”.
II. Em “Segundo Larissa Fonseca, psicóloga clínica e especialista na doença, é mais complexo alcançar esse patamar quando todos estão hiperconectados [...]”, os termos grifados desempenham a mesma função sintática.
III. Em “[...] 47% dos colaboradores que responderam a pesquisa afirmam que o estresse no trabalho impacta negativamente seu bem-estar mental [...]”, o pronome “seu” faz referência ao sujeito das duas primeiras orações desse trecho.
IV. No trecho “[...] 96% dos trabalhadores relatam algum nível de estresse [...]”, caso o trecho destacado fosse substituído por “da população”, o verbo se manteria no plural para concordar com a expressão numérica “96%”. 
V. Nos trechos “[...] ajudam os profissionais a equilibrar melhor suas responsabilidades [...]” e “A pandemia trouxe à tona a importância da saúde mental [...]”, as expressões destacadas correspondem a modificadores verbais de modo, ainda que “à tona” traga uma imagem metafórica de “superfície”.
Alternativas
Q3302751 Português

Leia e responda a questão abaixo:


O TESOURO DO MENDIGO


    Era uma vez um andarilho muito sábio que vagava de vila em vila pedindo esmolas e compartilhando os seus conhecimentos nas praças e nos mercados.

    Ele estava em uma praça em Akbar quando um homem chegou perto dele e disse:

    – Ontem, um mago muito poderoso me disse que aqui nesta praça eu encontraria um mendigo, que apesar de sua miserável aparência me daria um tesouro de valor inestimável e que isto mudaria completamente a minha vida. Quando vi você, percebi de imediato que era o homem que eu procurava. Por favor, me dê o seu tesouro.

    O mendigo olhou para ele sem falar nada, enfiou a mão em um alforje de couro bem desgastado e em seguida estendeu a mão para o homem, dizendo:

    – Deve ser isto então! Entregando-lhe um diamante enorme.

    O outro levou um grande susto e exclamou:

    – Mas esta pedra deve ter um valor enorme!

    – É mesmo? Pode ser. Eu a encontrei no bosque. Disse o mendigo.

    – Muito bem, quanto devo dar por ela?

    – Nada! Para mim ela não serve. Não preciso dela. Se ela lhe serve, leve-a. Não foi isto que o mago lhe disse? Perguntou o mendigo.

    – Sim, foi isto que ele me disse. Obrigado.

    Muito confuso, o homem guardou a pedra e foi embora.

    Meia hora mais tarde ele voltou. Procura o mendigo na praça e encontrando-o diz:

    – Tome sua pedra e me dê o tesouro.

    – Não tenho nada para lhe dar. Disse o mendigo.

    – Tem sim! Quero que me ensine como pôde abrir mão dela sem que isso o incomodasse.

    O homem então passou anos ao lado do mendigo até que aprendeu o que era o desapego.


(https://www.tudosaladeaula.com/) 

Quais os sinais de pontuação presentes no trecho abaixo?


“– Mas esta pedra deve ter um valor enorme!


– É mesmo? Pode ser. Eu a encontrei no bosque. Disse o mendigo.”

Alternativas
Q3285752 Português

Texto para à questão.



                                      Marcia Tiburi. O aprendizado da angústia.

   Internet: <https://revistacult.uol.com.br/home/>(com adaptações).

Cada uma das alternativas a seguir apresenta uma proposta de alteração da pontuação no trecho “Ele diz respeito a um conceito filosófico fundamental, a angústia.” (linhas 9-10). Assinale a alternativa em que a proposta apresentada está gramaticalmente correta e preserva as relações de sentido do texto original. 
Alternativas
Q3277849 Português
De acordo com as regras de pontuação, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente.
(1) Vírgula. (2) Aspas. (3) Travessão.
( ) Paulo perguntou: __ Onde é o ponto de ônibus? ( ) O gato __o mais rebelde de todos__ saiu correndo. ( ) Segundo Fernando Pessoa: __Navegar é preciso, viver não é preciso__. 
Alternativas
Q3275943 Português

Como as bets afetam a saúde mental dos brasileiros


Por Revista Pesquisa Fapesp







(Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/como-as-bets-afetam-a-saude-mental-dos-brasileiros/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

O uso dos travessões destacado na linha 19 serve para:
Alternativas
Q3275423 Português

Leia o texto I a seguir para responder à questão.


TEXTO I


Na era digital, as redes sociais tornaram‑se o palco onde muitos de nós encenam nossas vidas, dançando ao ritmo das curtidas e validações virtuais. Contudo, por trás da fachada de felicidade e sucesso, a roda da escravidão moderna está em pleno movimento, aprisionando muitos em uma busca incessante por uma validação que muitas vezes é ilusória.


Ao explorar as vidas aparentemente perfeitas que permeiam nossos feeds, é fácil cair na armadilha da comparação. A tirania dos valores “exibidos” nas redes sociais impõe padrões inatingíveis, criando uma ilusão de felicidade que obscurece a realidade complexa e multifacetada da experiência humana.


A busca incessante pela validação virtual cria uma dinâmica paradoxal. A roda da escravidão digital gira, e indivíduos se encontram cada vez mais distantes de suas próprias verdades, submersos na ilusão de que a aceitação on‑line equivale à validação pessoal. O preço pago por essa busca desenfreada é a perda da percepção de individualidade; à medida que nos moldamos para atender a padrões externos, muitas vezes em detrimento de nossa autenticidade, perdemos nossa verdadeira essência.


A sociedade contemporânea — marcada pela constante exposição nas redes sociais — propaga essa narrativa de sucesso e felicidade que muitas vezes é desconectada da realidade. A pressão para “parecer feliz, parecer bem‑sucedido” alimenta essa roda da ilusão, levando à exaustão emocional e à deterioração da saúde mental.


A reinvenção necessária não reside na perpetuação dessa farsa digital, mas na redescoberta da verdadeira autenticidade. É hora de desconectar‑se da tirania da validação virtual e reconectar‑se consigo mesmo. Ao invés de se perder nas imagens retocadas e narrativas cuidadosamente construídas, busque a essência de sua própria jornada.


Reverter esse ciclo demanda consciência, aceitação, ações conscientes para cultivar uma presença digital que reflita a verdadeira complexidade e autenticidade da experiência humana, promovendo a valorização do indivíduo para além das métricas virtuais.


Para se libertar é necessário buscar o autoconhecimento. Ao explorar as dinâmicas familiares, sociais e culturais que moldam nossas crenças e comportamentos, é possível desatar as correntes invisíveis desta roda da escravidão digital. Através do autodesenvolvimento é possível reconectar‑se consigo mesmo.


Nas palavras de Carl Jung, “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”. A jornada interior nos desperta para a verdadeira essência, permitindo‑nos desafiar padrões prejudiciais e construir uma narrativa pessoal mais autêntica, tornando‑nos livres e felizes. 


ARAGÃO, Alessandra. A roda da escravidão da felicidade virtual. Estado de Minas, 21 dez. 2023 (adaptado).

Releia o trecho do texto I a seguir:


“A sociedade contemporânea — marcada pela constante exposição nas redes sociais — propaga essa narrativa de sucesso e felicidade que, muitas vezes, é desconectada da realidade. A pressão para “parecer feliz, parecer bem‑sucedido” alimenta essa roda da ilusão, levando à exaustão emocional e à deterioração da saúde mental.”


Acerca dos sinais de pontuação nesse trecho, analise as afirmativas a seguir:


I. Os travessões, se substituídos por vírgulas, prejudicam o sentido pretendido.

II. As aspas em “parecer feliz, parecer bem‑sucedido” sugerem breve hesitação.

III. As vírgulas em “muitas vezes”, caso retiradas, mantêm a continuidade da frase.


Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

Alternativas
Q3273221 Português
Um convite para se reencontrar


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/2025/02/umconvite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).


Considerando o emprego correto dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir:

I. Nas linhas 15-16, o emprego das aspas se deve à marcação da citação de frases que são popularmente ditas.
II. Na linha 19, os dois pontos são empregados para introduzir o que a autora se pergunta.
III. Na linha 24, os travessões são empregados para introduzir uma fala em discurso direto.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q3271285 Português
Leia atentamente o texto abaixo para responder à questão:

Proposta de redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1 gera debates no Plenário da Câmara

Por Tiago Miranda
(Texto adaptado)

    O fim da jornada de seis dias de trabalho para um dia de descanso (6x1) foi defendido em Plenário por deputados da base do governo, mas criticada por parlamentares da oposição, que defenderam a negociação diretaentre empregado e empregador.
    Atualmente, a Constituição estabelece que a jornada deva ser de até 8 horas diárias e até 44 horas semanais,o que viabiliza o trabalho por seis dias com um dia de descanso.
    O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) afirmou que a escala 6x1, no século 21, é muito pesada, injusta e explorativa. "A vida não é só o exercício pesado, cotidiano e necessário do trabalho — que tem que ser remunerado condignamente —, mas também o lazer, a cultura, o descanso”, disse.
    O deputado Mauricio Marcon (Pode-RS) defendeu que cada pessoa tenha liberdade para trabalhar o quanto quiser e não ficar presa em um sistema de 1940, ao citar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
    Já o deputado General Girão (PL-RN) afirmou que a solução não deve vir por alteração legal, mas por negociação entre empregador e empregado.


Fonte: Agência Câmara de Notícias. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/.Acesso em: 20 jan. 2025.
No trecho "A vida não é só o exercício pesado, cotidiano e necessário do trabalho — que tem que ser remunerado condignamente —, mas também o lazer, a cultura, o descanso”, os travessões são utilizados para
Alternativas
Q3259112 Português
“É justamente em família que mais se briga, no ringue da sala, no tatame do quarto, entre as cordas invisíveis e sempre esticadas da cozinha, do banheiro, dos corredores, e é em família que – aparente paradoxo – mais se ama, pois a família é feita exatamente disso, do fervilhar constante de sentimentos que a toda hora, por sua própria força, explodem.” (Marina Colasanti)

O uso do travessão no trecho acima justifica-se por:
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Q3259081 Português
O país dos não leitores


    São números terríveis, deprimentes, divulgados há pouco. Segundo a nova edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, concluída em 2024, 53% das pessoas ouvidas admitiram que, nos três meses anteriores, não tinham lido um só livro, nem mesmo em parte. E isso em qualquer mídia, física ou digital, e gênero. Não apenas a frágil área de literatura, biografia, história, infantil ou ensaio fora desprezada — nem os didáticos e religiosos, incluindo a Bíblia, mereceram uma vista d’olhos. A pesquisa revelou que, pela primeira vez, desde 2007, quando ela começou, o Brasil tem mais não leitores do que leitores.

    Ao perguntarem aos 47% de leitores se haviam lido o livro inteiro, o número caiu para 27%. Ou seja, em 2024, 73% dos brasileiros não leram um livro até o fim nem para saber se o assassino era o mordomo. Comparada à pesquisa anterior, em 2019, sete milhões de pessoas tinham abandonado os livros, em todos os graus de escolaridade, classe social e faixa etária. Significa que o Brasil perdeu cerca de 1 milhão de leitores por ano. A pesquisa ouviu 5.500 pessoas em 208 municípios.

    Cerca de 75% dos entrevistados admitiram que passam mais tempo diante de uma tela do que de uma página impressa. Se isso é consolo, o sujeito fica mais tempo com os olhos a 10 centímetros da tela do que fazendo qualquer outra coisa, como trabalhar, namorar, admirar a paisagem ou não fazer nada. Eu arriscaria que 90% desse tempo diante da tela também não resultam em nada de útil ou objetivo. Não se olha necessariamente para a tela em busca de um dado, uma notícia ou uma informação. Olha-se para a tela, só isso.

    O desinteresse pela leitura aumenta à medida que a pessoa cresce e conclui a escola ou a deixa pelo meio. Somente 17% entre os acima de 40 anos disseram que gostam de ler. É terrível, porque quem tem hoje 40 anos nasceu em 1985 e viveu os últimos anos de um mundo em que a leitura ainda não fora esmagada pelas mídias audiovisuais. O que aconteceu a ele para abandonar um hábito que ainda lhe foi incutido na infância?

     Não sei. Só sei que fracassamos.

Ruy Castro

(Folha de São Paulo, 17 de janeiro 2025)
No primeiro parágrafo, o uso do travessão contribui com a argumentação, com o objetivo de:
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Q3248137 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A onça vegana e o galo machista

Imagino que, daqui a milhares de anos, quando a Terra for um deserto, exploradores de outras galáxias estudarão nossa história. Descobrirão que, entre os séculos XX e XXI, o planeta foi inundado por desinformação e conceitos fantasiosos. A mídia da época propagou equívocos e a estupidez tomou conta de lares, escolas e discursos políticos. Essa avalanche afetou a inteligência e o discernimento, marcando o declínio da civilização terráquea. Um triste registro de nossa decadência. 

Vivemos sob uma onda de ingenuidade e arrogância. Exemplo disso é a reação a uma cena natural no Pantanal: uma onça devorando uma anta. Algo comum, já que onças estão no topo da cadeia alimentar, gerou censura e revolta online. Outro caso inusitado foi um vídeo de adolescentes portuguesas denunciando o comportamento de um galo como machista e opressor ao bicar e copular com as galinhas. Alegavam que o ato configurava "estupros machistas" e exigiam reação humana.

Surpreendentemente, as reações eram sérias, o que me levou a refletir sobre o afastamento da realidade. Muitos escolhem viver em uma bolha idealizada, onde o mal não existe e tudo é fofinho. Essa visão ignora a complexidade do mundo natural, onde conflitos e relações predador-presa são essenciais e deveriam ser estudados, não censurados.

O planeta, a natureza e suas configurações originais existem há 4,5 bilhões de anos. Já nós, humanos, chegamos aqui há apenas 300 mil. Se a nossa lamentável sina se resume a interferir na ordem natural com arrepios e arrogâncias intempestivas disfarçadas de "ações para o bem do planeta e da humanidade", já vamos indo bem, esculhambando tudo com pretensas boas intenções.

Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepotência dessa espécie insolente chamada Homo sapiens?

Fernando Fabbrini - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/a-onca-vegana-eo-galo-machista-1.2848837 
No trecho "Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepotência dessa espécie insolente chamada Homo sapiens", o uso do travessão tem a função de:
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Q3242315 Português
A onça vegana e o galo machista

Imagino que, daqui a milhares de anos, quando a Terra for um deserto, exploradores de outras galáxias estudarão nossa história. Descobrirão que, entre os séculos XX e XXI, o planeta foi inundado por desinformação e conceitos fantasiosos. A mídia da época propagou equívocos e a estupidez tomou conta de lares, escolas e discursos políticos. Essa avalanche afetou a inteligência e o discernimento, marcando o declínio da civilização terráquea. Um triste registro de nossa decadência.

Vivemos sob uma onda de ingenuidade e arrogância. Exemplo disso é a reação a uma cena natural no Pantanal: uma onça devorando uma anta. Algo comum, já que onças estão no topo da cadeia alimentar, gerou censura e revolta online. Outro caso inusitado foi um vídeo de adolescentes portuguesas denunciando o comportamento de um galo como machista e opressor ao bicar e copular com as galinhas. Alegavam que o ato configurava "estupros machistas" e exigiam reação humana.

Surpreendentemente, as reações eram sérias, o que me levou a refletir sobre o afastamento da realidade. Muitos escolhem viver em uma bolha idealizada, onde o mal não existe e tudo é fofinho. Essa visão ignora a complexidade do mundo natural, onde conflitos e relações predador-presa são essenciais e deveriam ser estudados, não censurados.

O planeta, a natureza e suas configurações originais existem há 4,5 bilhões de anos. Já nós, humanos, chegamos aqui há apenas 300 mil. Se a nossa lamentável sina se resume a interferir na ordem natural com arrepios e arrogâncias intempestivas disfarçadas de "ações para o bem do planeta e da humanidade", já vamos indo bem, esculhambando tudo com pretensas boas intenções.

Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepotência dessa espécie insolente chamada Homo sapiens?

Fernando Fabbrini - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/a-onca-vegana-eo-galo-machista-1.2848837 
No trecho "Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepotência dessa espécie insolente chamada Homo sapiens", o uso do travessão tem a função de: 
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Q3228808 Português

A questão se refere ao texto abaixo.


Protejam as crianças da literatura


Wilson Gomes


    "Eu sou a favor da suspensão, porque não é certo o ensinamento desse livro", afirmou uma jovem mãe mineira, ao ser indagada sobre o que achava de o "Menino Marrom", de Ziraldo, ter tido o seu uso didático temporariamente suspenso em Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais. Essa convicção se repete na voz de um jovem pai, que acrescenta que é preciso estar alerta aos livros escolares, sim, e já tinha até planejado ir à Secretaria de Educação "com relação a alguns livros" de leitura obrigatória. Notem o plural.


    Fatos dessa natureza têm recebido enorme cobertura da mídia e inundado o debate público nacional a partir dos ambientes digitais. Não é claro para mim se foi a cobertura que aumentou ou se realmente houve um incremento nas ações de pais e autoridades para restringir o acesso de crianças e jovens a determinados livros. De todo modo, é notável como esses episódios continuam a se repetir.


    Há quem salte para grandes conclusões, atribuindo ao avanço da extrema direita uma onda de moralismo inquisitorial e uma temporada de caça a livros e a outras bruxarias artísticas e literárias no país. E há quem diga claramente que a paixão por censurar se restringe a obras antirracistas ou com temáticas relacionadas à cultura africana no Brasil. As evidências, contudo, não autorizam saltos tão grandes.


    Primeiro, se é verdade que a ultradireita acredita que o mal pode residir em livros e representações artísticas, identitários de esquerda compartilham o mesmo temor e idêntica vontade de proibir, cancelar e punir. A única diferença real entre as duas posições reside na definição do que exatamente constitui o mal. Para identitários, livros ofendem minorias, oferecem "gatilhos" que acionam sofrimentos em certas pessoas, induzem ao racismo, à misoginia, à homofobia e à transfobia e colonizam o pensamento. Para os ultraconservadores, a literatura ensina ideias religiosas falsas, induz à homossexualidade, faz doutrinação ideológica, promove a ideologia de gênero e o comunismo, além de expor crianças à violência e ao sexo.


    Em ambos os casos, há a convicção comum de que as crianças, quando não todas as pessoas, precisam ser protegidas dos livros. E, se possível, que se deem alguns passos mais, que variam desde a reescrita "politicamente correta" — alô, Lobato — ou "de acordo com a sã doutrina" de obras literárias, até a criação de listas de livros e de autores proibidos e a emissão de condenações públicas contra autores, eventualmente, até enquadrando-os em algum tipo penal.


    A rapidez com que se passa do julgamento moral de alguém que se sente ofendido — e o "sentir-se ofendido" é considerado motivo suficiente para a decisão de que um livro não presta — até o pedido de censura e punição ao autor é a mesma nos dois grupos. O identitário grita "racismo religioso" ou "transfobia" com a mesma celeridade com que o conservador conclui que "não é certo o ensinamento desse livro".


    Em segundo lugar, ao examinar as razões enunciadas por quem considera que a obra faz mal, notamos que a censura é invariavelmente vista como um ato de amor e zelo, pois o censor está sempre protegendo alguém vulnerável — crianças, jovens, membros de minorias, pessoas ignorantes, a massa ingênua. Na bibliografia sobre o tema, já se constatou, há anos, que três variáveis são importantes — o quão protetora é a pessoa que pede por censura, o quão vulnerável ela julga ser a pessoa ou grupo que quer proteger e a magnitude do mal que ela julga ver no objeto que deseja censurar.


    A estimativa do nível do mal depende de muitos fatores, inclusive do grau de conhecimento da obra julgada. Grandes leitores raramente têm medo de livros. Quem joga games eletrônicos não vê os danos que os não jogadores imaginam. Os extremamente protetores tendem a querer censurar tudo — celulares, games, televisão, YouTube, livros —, enquanto os que acham que todo mundo sabe se virar no mundo não querem censurar nada. Quem considera os outros muito ingênuos, estúpidos ou influenciáveis fica aflito com o que eles leem ou veem. Quem acha que todo mundo é mais ou menos como ele acredita que todos são suficientemente sagazes para driblar manipulações.


    Curiosamente, as mesmas pessoas que consideram patéticas e absurdas as alegações de que o livro de Ziraldo incentivaria a violência, que é um fato, consideram altamente sofisticado acreditar que smartphones e plataformas digitais vão tornar seus filhos estúpidos, que games os tornarão violentos, que a televisão... Ah, desculpem, as crianças não veem mais televisão. Deve ser, por isso, que estamos melhores.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: 07 nov. 2024. [Adaptado]

Leia o período abaixo.
Quem joga games eletrônicos não vê os danos que os não jogadores imaginam. Os extremamente protetores tendem a querer censurar tudo — celulares, games, televisão, YouTube, livros —, enquanto os que acham que todo mundo sabe se virar no mundo não querem censurar nada.
De acordo com o padrão escrito da língua portuguesa, o uso da vírgula, após o travessão,
Alternativas
Respostas
41: E
42: E
43: B
44: E
45: C
46: C
47: E
48: B
49: A
50: A
51: D
52: E
53: B
54: C
55: D
56: C
57: B
58: C
59: A
60: A