No trecho “Depois, descíamos daquela parenta – é assim que ...

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Q4068676 Português
Tempo de infância

        Quando se é criança, o mundo é apenas um grande parque de diversões. E são essas as primeiras lembranças que trago em mim.

        Lembro que, ainda bem pequeno, gostava de sair correndo atrás de meus irmãos e primos maiores. Era uma corrida sem finalidade. Corria-se para repetir os gestos dos calangos que dividiam com a gente o espaço da aldeia.

        Meus irmãos e eu andávamos sem paradeiro e sem destino. Íamos a todos os cantos que nos eram permitidos pelos adultos. O igarapé era nosso principal objetivo, mas também tínhamos as árvores, enormes mangueiras que cresciam por toda a aldeia. Os maiores subiam com destreza e depois me ajudavam a subir também. Passávamos horas ali, brincando de navegar nos galhos da velha árvore, comendo mangas com farinha de mandioca.

        Depois, descíamos daquela parenta – é assim que tratamos a natureza – para procurar outras aventuras e brincadeiras. Arcos e flechas em punho, descia parte do igarapé à procura de peixes. Pés descalços, corpo nu, pintado apenas com motivos de clã, percorria grande distância numa solitária busca por alimento. É claro que isso não durava muito tempo, pois logo meus olhos avistavam frutas ao alcance das mãos.

        Assim passava de uma atividade à outra sempre exercitando a minha curiosidade pueril e a minha destreza.

(Daniel Munduruku. Antologia de contos indígenas de ensinamento. São Paulo. 2005. Adaptado.)
No trecho “Depois, descíamos daquela parenta – é assim que tratamos a natureza – para procurar outras aventuras e brincadeiras.” (4º§), o duplo travessão tem como objetivo:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho “Depois, descíamos daquela parenta – é assim que tratamos a natureza – para procurar outras aventuras e brincadeiras.”, o critério decisivo é a função contextual do duplo travessão: destacar uma intervenção explicativa, o que sustenta a alternativa C.

Tema central: Travessões e comentário explicativo
Análise das alternativas
A
Errada
O trecho entre travessões explica a designação “parenta”, em vez de manifestar emoção. O destaque gráfico, neste contexto, tem valor explicativo, não emotivo.
B
Errada
A forma verbal “tratamos” identifica o narrador como responsável pelo comentário. Trata-se de uma explicação oferecida ao leitor, não de uma opinião emitida por ele.
C
Certa
Em C, o comentário destacado é “é assim que tratamos a natureza”. Ele esclarece o emprego de “parenta” e constitui uma intervenção explicativa do narrador no relato. Os travessões delimitam e realçam essa intervenção; o comentário não precisa ser um julgamento subjetivo para exercer essa função.
D
Errada
A retirada da intercalação preservaria a estrutura sintática da oração principal, mas eliminaria a explicação de que “parenta” designa a natureza. Portanto, ser sintaticamente removível não torna essa informação desnecessária.
Pegadinha da questão
Confundir a possibilidade de retirar o comentário sem comprometer a estrutura da oração com ausência de relevância textual: a intercalação é removível, mas esclarece o sentido de “parenta”.
Dica para questões semelhantes
  • Relacione o trecho entre travessões à expressão que ele esclarece para identificar a função da intercalação.
  • Observe as marcas de pessoa verbal para reconhecer de quem é a voz responsável pelo comentário.
  • Distinga preservação da estrutura sintática de preservação da informação: retirar uma intercalação pode eliminar uma explicação relevante.

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