Questões de Concurso
Sobre tipologia textual em português
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FILHO, O. F. O que é falso sobre fake news. Revista USP, São Paulo, n. 116, p. 39-44, jan./fev./mar. 2018 (adaptado).
A fim de oferecer mais detalhamento sobre o conceito de fake news e, consequentemente, sobre sua identificação, um professor de Língua Portuguesa de uma turma do Ensino Médio refletiu, com seus alunos, sobre as características desse tipo de notícia. Em sua análise, o docente explorou o fato de que, além de consistirem em informações falsas, as fake news apresentam outros importantes aspectos a serem considerados. Na sequência, o docente apresentou aos alunos as charges a seguir e perguntou a eles o seguinte: “Qual dessas charges explora a capacidade das fake news de trazerem prejuízo a terceiros, utilizando-se da literalidade como recurso de humor?”.
FIGURA 1
Disponível em: https://www.oliberal.com/
charges/. Acesso em: 04 jun. 2024. FIGURA 2
Disponível em: https://br.ifunny.co/picture/.
Acesso em: 4 jun. 2024. FIGURA 3
Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/chargefake-news-3/. Acesso em: 4 jun. 2024. FIGURA 4
Disponível em: https://concursos.estrategia.com/public/. Acesso em: 4 jun. 2024.
Nessa situação, a charge que responde à pergunta do professor é a indicada na Figura
“Entregue-o aos barcos”. De acordo com o livro A Vida de Artaxerxes, escrito pelo biógrafo grego e filósofo platônico Plutarco de Queroneia, essa frase seria atribuída a um suposto tipo de sentença de morte criada pelo Império Persa no século V a.C. para punir, da pior maneira possível, aquele que cometesse crimes bárbaros, como assassinato ou traição. O método chamado de “escafismo”, mais conhecido como “os barcos”, começava com o criminoso tendo suas mãos e pernas amarradas. O carrasco fazia a pessoa beber uma mistura de mel e leite até que ela não aguentasse mais, depois a encharcava com o líquido antes de forçá-la a se deitar em um pequeno barco que ficaria à deriva em um pântano.
ARAÚJO, J. C. Escafismo: o suposto método de tortura dos persas. Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/. Acesso em: 13 maio 2024 (adaptado).
A partir de uma análise do excerto apresentado, percebe-se a predominância de características da tipologia expositiva, pois o texto
O Cafezinho: Uma Ode à Simplicidade
Ah, o cafezinho... Mais do que uma bebida, um ritual, uma filosofia de vida. Presente em xícaras fumegantes desde as primeiras horas do dia até o cair da tarde, ele embala conversas, aquece corações e tempera momentos.
No Brasil, o cafezinho é um caso de amor nacional. Não importa a classe social, a profissão ou a idade, todos se unem em torno dessa bebida mágica. É no cafezinho que a gente se encontra com os amigos para colocar a conversa em dia, com a família para compartilhar as alegrias e tristezas do cotidiano, ou simplesmente para ter um momento de paz consigo mesmo.
Mais do que um simples gole, o cafezinho é um convite à pausa, à reflexão. É a oportunidade de desacelerar um pouco em meio à correria do dia a dia e apreciar as pequenas coisas da vida. É a chance de saborear o aroma reconfortante, sentir o calor da xícara nas mãos e se deixar levar pelo sabor marcante.
O cafezinho também é um símbolo da nossa cultura, da nossa brasilidade. É a bebida que está presente nas mesas dos barzinhos, nas rodas de samba, nas casas simples e nos restaurantes mais sofisticados. É a bebida que nos une, que nos faz sentir em casa.
Mas o cafezinho não é apenas sobre o ato de beber. É também sobre os momentos que ele cria, as pessoas que ele reúne e as histórias que ele conta. É sobre a família reunida na mesa do café da manhã, os amigos dividindo um cafezinho depois do trabalho, o casal tomando um cafezinho à noite para relaxar.
Então, da próxima vez que você for tomar um cafezinho, lembre-se: você não está apenas bebendo uma bebida. Você está participando de um ritual, celebrando a vida e se conectando com as pessoas que você ama. Porque o cafezinho, na verdade, é muito mais do que café.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Calor humano
Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.
Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.
Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito.
Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.
E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.
Analise os trechos abaixo:
I. Certo dia, entrei em sala e me deparei com uma cena bem interessante. Vi um grupo de alunos motivados a fazer o bem a todas as pessoas. Eles, naquele momento, decidiram que o nome “empatia” seria o lema deles e que nunca mais iriam maltratar ninguém.
II. Marcos é moreno, tem os cabelos escuros, possui quase dois metros de altura e é muito competente em sua profissão. Sua mãe, uma senhora já idosa e muito amável, sente bastante medo quando ele sai para trabalhar, pois é militar. Porém ela sabe que seu filho amado está protegido por Deus.
III. O mundo pós-pandemia não é mais o mesmo. Muitas pessoas resolveram não mais voltar ao convívio social e se isolaram mais e mais. Com isso, acabaram adoecendo emocionalmente. E sozinhas, não conseguem sair da situação em que se encontram.
Podemos concluir que, quanto à tipologia textual, os trechos acima se enquadram, respectivamente, em:
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Voltou muito cansado. Os campos o levaram para longe. O caroço de tucumã o levara também, aquele caroço que soubera escolher entre muitos no tanque embaixo do chalé. Quando voltou já era bem tarde. A tarde sem chuva em Cachoeira lhe dá um desejo de se embrulhar na rede e ficar sossegado como quem está feliz por esperar a morte. Os campos não voltaram com ele, nem as nuvens nem os passarinhos e os desejos de Alfredo caíram pelo campo como borboletas mortas. Mais para longe já eram os campos queimados, a terra preta do fogo e os gaviões caçavam no ar os passarinhos tontos. E a tarde parecia inocente, diluída num sossego humilde e descia sobre os campos queimados como se os consolasse. Voltava donde começavam os campos escuros. Indagava por que os campos de Cachoeira não eram campos cheios de flores, como aqueles campos de uma fotografia de revista que seu pai guardava. Ouvira Major Alberto dizer à D. Amélia: campos da Holanda. Chama-se a isso prados.
Alfredo estava cansado, mais cansado ainda talvez porque perdera o caroço de tucumã no princípio dos campos queimados. O caroço saltara da mão e se escondeu num buraco de terra. Então não podia compreender, nem mesmo fazia grande esforço para isso, porque era que voltava mais fatigado, como que trazendo nos ombros a própria noite para o chalé.
(JURANDIR, Dalcídio. Chove nos Campos de Cachoeira. Ciclo do Extremo-Norte, Romance I. 8 ed. Bragança: Pará.grafo Editora, 2019, p. 23)
