Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3341544 Português

Coisa linda. (Tiago Iorc). 




https://www.google.com.br/


Linda do jeito que é

Da cabeça ao pé

Do jeitinho que for

É, e só de pensar

Sei que já vou estar

Morrendo de amor

De amor.


Coisa linda

Vou pra onde você está

Não precisa nem chamar

Coisa linda

Vou pra onde você está.


Linda feito manhã

Feito chá de hortelã

Feito ir para o mar.


Linda assim, deitada

Com a cara amassada

Enrolando o acordar

O acordar.


Coisa linda

Vou pra onde você está

Não precisa nem chamar

Coisa linda

Vou pra onde você está.


Ah, se a beleza mora no olhar

No meu você chegou e resolveu ficar

Pra fazer teu lar

Pra fazer teu lar.


Coisa linda

Vou pra onde você está

Vou pra onde você está. 


No período do texto “É, e só de pensar / Sei que já vou estar / Morrendo de amor”. A oração grifada é:
Alternativas
Q3341495 Português
Assinale a alternativa, onde temos uma frase afirmativa. 
Alternativas
Q3339287 Português

Esta circulação não é necessária após o nascimento do bebê.


Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase:

Alternativas
Q3336729 Português
Analise a seguinte manchete: 

Q33.png (333×64)
Disponível em: GOV.BR

A respeito da manchete, analise as afirmações a seguir:

I. Podemos afirmar que há um desvio de concordância na manchete.
II. Podemos afirmar que há um desvio de regência na manchete.
III. O fenômeno linguístico apresentado na manchete tem se tornado cada vez mais comum e pode ser nomeado como queísmo.
IV. O fenômeno linguístico apresentado na manchete tem se tornado cada vez mais comum e pode ser nomeado como dequeísmo.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3336727 Português
Quando abordamos a regência verbal, percebemos que alguns verbos têm sentidos diferentes de acordo com o tipo de complemento que é ou não a eles atribuído, como é o caso do verbo assistir que, quando transitivo direto, significa prestar assistência e, quando transitivo indireto, regido por uma preposição, significa prestar atenção, ver, ouvir alguma coisa. Neste contexto, analise atentamente as proposições a seguir: 

I. Após a corrida, ele aspirava profundamente o ar fresco da manhã.
II. Eles assistem em um bairro tranquilo há muitos anos.
III. As crianças em geral preferem doce do que salgado.
IV. É importante obedecer as regras de trânsito para garantir a segurança de todos.
V. Eles precisam visar ao contrato até o final desta semana.
VI. Ele sempre visou à excelência acadêmica desde o início dos seus estudos.

Está correta, de acordo com o sentido passado, a regência verbal em: 
Alternativas
Q3336506 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

Qual das opções poderia substituir o segmento destacado no trecho abaixo sem alteração de seu valor adversativo?


“A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer.” 3º§

Alternativas
Q3336502 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

“Eu vos amo, pessoas.”. 3º§


A palavra “pessoas”, no fragmento acima, exerce a função sintática de:

Alternativas
Q3336501 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

“era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça.” 2º§” e “Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar.” 5º§


Sobre as palavras sublinhadas nessa frase, pode-se afirmar corretamente: 

Alternativas
Q3336499 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

“[...]via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável.” 1º§


O segmento sublinhado no trecho transmite ideia de: 

Alternativas
Q3334959 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende discussão


      A sonda chinesa Chang'e-6 retornou à Terra na terça-feira (25), trazendo as primeiras amostras da história do lado oculto da Lua. Esta missão é um marco significativo na exploração lunar e levanta questões importantes sobre a propriedade e o uso da Lua.
    O interesse renovado pela Lua é impulsionado por uma combinação de fatores científicos, econômicos e estratégicos. Do ponto de vista científico, a Lua oferece uma oportunidade única para a pesquisa e a descoberta. Missões recentes, como essa da Chang'e-6, fornecem informações valiosas sobre a composição e a história geológica do satélite, ajudando a entender melhor a formação do sistema Terra-Lua e outros processos planetários.
    A Lua tem depósitos de Hélio-3, um isótopo raro que não é abundante na Terra. O Hélio-3 é considerado uma potencial fonte de combustível para futuras reações de fusão nuclear, que poderiam fornecer uma forma limpa e quase ilimitada de energia. Dominar a tecnologia de fusão nuclear com Hélio-3 poderia revolucionar a produção de energia no planeta, oferecendo uma alternativa limpa às atuais fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis. Esse interesse é um dos fatores que impulsionam a nova corrida espacial para a Lua, com implicações tanto científicas quanto econômicas de uma importância revolucionária.
    Economicamente, a Lua possui recursos valiosos, como água congelada nos polos, que podem ser usados para sustentar futuras bases lunares e missões espaciais de longa duração. A água pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio, fornecendo combustível para foguetes. Estrategicamente, a presença na Lua permite que as nações afirmem sua liderança no espaço, desenvolvam novas tecnologias e estabeleçam a infraestrutura necessária para a próxima era da exploração espacial. 
    Atualmente, ninguém pode reivindicar a propriedade da Lua por soberania, ocupação ou qualquer outra razão. Esta posição é formalizada principalmente pelo Tratado do Espaço Exterior de 1967, assinado por mais de 100 países, incluindo as principais nações com capacidade espacial como EUA, Rússia e China.
    O Tratado do Espaço Exterior estabelece que a Lua e outros corpos celestes não são passíveis de apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, ou por qualquer outro meio. Este tratado também proíbe a colocação de armas nucleares ou qualquer outro tipo de armas de destruição em massa no espaço exterior, e declara que a Lua deve ser usada exclusivamente para fins pacíficos. Recentemente, os Artemis Accords, liderados pelos EUA, representam um conjunto de princípios para a cooperação internacional na exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Esses acordos, que complementam o Tratado do Espaço Exterior, visam promover a exploração pacífica e coordenada, incluindo a gestão de recursos lunares.
    Embora o Tratado do Espaço Exterior proíba a apropriação de território, ele permite a extração e uso de recursos. Isso abre a possibilidade de mineração lunar, onde os materiais extraídos podem ser usados para sustentar bases lunares ou como combustível para missões espaciais mais distantes. Empresas privadas, em cooperação com agências espaciais, estão explorando tecnologias e métodos para viabilizar essas atividades.
    A crescente atividade espacial também levanta preocupações sobre a governança e a gestão de possíveis conflitos no espaço. A cooperação entre nações e a diplomacia contínua serão essenciais para garantir que a Lua continue sendo um patrimônio comum da humanidade. As recentes explorações exemplificam os avanços e desafios que enfrentamos na exploração espacial, destacando a necessidade de uma abordagem internacional pacífica. Que assim seja.


LAPOLA, M. Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende discussão. Revista Galileu: Quânticas. Adaptado. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/colunistas/quanticas/blog/2024/07/quem-e-o-dono-da-lua.ghtml>
Analise a voz verbal no excerto dado a seguir e assinale a alternativa que o reescreve corretamente na voz passiva analítica, com o agente da passiva:

“A Lua tem depósitos de Hélio-3, um isótopo raro que não é abundante na Terra.” 
Alternativas
Q3334443 Português
As concordâncias verbal e nominal estão corretas apenas em:
Alternativas
Q3334436 Português
Leia a charge a seguir para responder a questão.


Captura_de tela 2025-05-05 173846.png (501×587)

 WATTERSON, B. Calvin e Haroldo.
Em “Este livro é todo cheio de coisas que têm que ser aceitas pela fé!”, no terceiro quadrinho, o particípio “aceitas” concorda em gênero e número com:
Alternativas
Q3334433 Português
Leia a charge a seguir para responder a questão.


Captura_de tela 2025-05-05 173846.png (501×587)

 WATTERSON, B. Calvin e Haroldo.
No terceiro quadrinho da charge, a palavra “portanto” introduz uma: 
Alternativas
Q3333559 Português
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 10.

Doping corporativo': a venda ilegal de remédio para TDAH que invadiu a Faria Lima

Marta lutava contra o cansaço no dia a dia. Sem foco para enfrentar atividades do trabalho, numa grande empresa em São Paulo, e ganhando peso, ela achou uma boa ideia quando recomendaram um endocrinologista famoso que poderia ajudá-la.

"A consulta custou R$1.200 e durou apenas 5 minutos. Eu e meu marido saímos com a mesma receita: Ozempic para emagrecer e Venvanse para ter foco — uma combinação que ele aparentemente prescreve para todos."

Ela conta que tentou argumentar se aquele caminho, medicamentoso, seria o único possível para resolver suas queixas. Mas acabou seguindo a receita.

"A experiência com o Venvanse foi a mais impactante. De amor e ódio, eu diria. No primeiro dia, senti um hiperfoco e bem-estar incríveis, fui mais produtiva e motivada, mas sabia que isso era efeito do remédio."

Os comprimidos, prescritos para TDAH e compulsão alimentar, aumentam a liberação dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina nas sinapses, que são as conexões entre os neurônios.

Essas substâncias, deficientes em quem tem os quadros citados, são cruciais para a regulação do humor, atenção e comportamento impulsivo.

"Mas em organismos onde os níveis já são adequados, o aumento pode causar efeitos indesejáveis, como insônia, ansiedade, irritabilidade, impaciência e até agressividade. Casos mais graves incluem convulsões e problemas cardiovasculares", diz Marcos Gebara, psiquiatra e professor convidado do curso de Pós-Graduação de Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

"Em pessoas predispostas a problemas psíquicos, esses efeitos podem piorar significativamente."

Gebara e outros médicos consultados pela reportagem afirmam que o uso dos comprimidos por pessoas sem diagnósticos que o justifique tem sido cada vez mais comum, e que muitos usuários não sabem ou ignoram que o Venvanse contém anfetamina, uma substância que pode causar dependência.

"O uso requer um acompanhamento médico, sempre. A dependência é um risco, especialmente se a pessoa aumentar as doses sem indicação."

Com medo justamente de que pudesse ficar dependente da 'sensação de superpoder', Marta expressou suas preocupações, mas o médico insistiu que o uso era seguro.

"Foi aí que busquei outro profissional, que me ajudou a parar com o remédio, entendendo minha preocupação com os efeitos a longo prazo. Foi difícil aceitar a vida sem Venvanse. Me senti deprimida por algumas semanas."

Amanda também teve acesso ao remédio por prescrição médica e sem ter nenhum dos diagnósticos para os quais a droga é indicada.

Foi ela que, se sentindo esgotada e incapaz de dar conta dos dois empregos que levava, pediu a uma nutróloga que receitasse Venvanse. Ela conta que a médica pediu exames, e com os resultados em dia, forneceu a receita.

"Eu usava os comprimidos esporadicamente, apenas nos dias em que precisava de um desempenho melhor no trabalho. Percebi que me dava um foco e energia extras, mas no dia seguinte estava extremamente cansada e precisava dormir mais para compensar."

Depois que as últimas caixas acabaram, Amanda cogitou pular a fase da consulta médica e comprar os comprimidos direto no mercado ilegal.

"Tinha colegas que me indicaram os caminhos: por grupos nas redes sociais e até com esquemas diretamente com farmácias de rua", conta.

Mas por fim, assim como Marta, ela também relata ter parado de usar o remédio por medo de uma dependência da qual não conseguisse mais voltar atrás.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9786n92z37ofragmentoadaptado 
Marta lutava contra o cansaço no dia a dia. Sem foco para enfrentar atividades do trabalho.
e a segunda oração for a conclusão para o cansaço de Marta, qual oração abaixo apresenta o conectivo apropriado para unir as duas frases:
Alternativas
Q3333517 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
Na oração “Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas [...]” (11º parágrafo), as expressões sublinhadas exercem a função sintática de:
Alternativas
Q3333515 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Silvio Santos: o dono do auditório

Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial. Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira
Artigo de Cláudio Ferreira, jornalista e estudioso de televisão*

    Todas as reverências são poucas para homenagear Silvio Santos. Mesmo quem o considerava brega, ultrapassado, muitas vezes inconveniente tem que reconhecer: ele foi um empreendedor nato, desafiou vários padrões da televisão brasileira e pode ser considerado, sem medo, sinônimo do gênero programa de auditório.

    Como apresentador, passou por todas as fases da TV brasileira: em preto e branco ou em cores, ao vivo ou gravado, com poucos ou muitos recursos tecnológicos. Ele era sempre a atração principal, dividindo os holofotes seja com artistas conhecidos, seja com os calouros anônimos ou as “colegas de trabalho”. Paletós com padronagens estranhas, o microfone pendurado no peito, o cacoete da língua nos lábios. Nosso amigo íntimo.

    Como empresário de TV, não descansou até conseguir montar sua rede de emissoras e lutou pela liderança de audiência — na maior parte do tempo, ficou com a vice ou o terceiro lugar. Era conhecido pela interferência direta na programação, o que provocava uma inconstância de horários de exibição e a retirada repentina de programas do ar. Mas deixava claro: quem mandava era ele.

    Consolidou o programa de auditório como atração televisiva. A fórmula certeira — carisma do apresentador + atrações variadas + plateia animada — foi exaustivamente copiada e assimilada. Chegou a ficar 12 horas no ar aos domingos, tornando-se, junto com a missa e a macarronada, parte do cardápio do fim de semana.

    Quem era criança a partir dos anos 1960 com certeza tem lembranças dos vários programas que Silvio Santos apresentou ao longo da carreira gigantesca. A narração sempre exagerada, o desfile de artistas populares, o jeito espontâneo — muitas vezes, até demais —, são muitas as características da presença do apresentador na TV. Tanto que o Rei dos Domingos povoa a internet com memes, que já existiam antes de serem batizados com essa expressão.

    Mesmo antes da TV fechada e dos streamings, muita gente já torcia o nariz para os exageros da TV aberta. E Silvio Santos era sinônimo de exagero: a cobertura jornalística da morte dele, que ocupou a programação de várias emissoras [...], destacou cenas hilárias, com o apresentador montando um burro no palco, caindo n’água ou escorregando num tapete.

    Era essa a mágica. O mesmo homem de bilhões de reais parecia o tiozão do pavê, aquele que dá vexame no fim da festa de casamento. Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.

    Arriscou-se na política, sempre foi alinhado aos governos conservadores, colocou no ar, durante alguns anos, a Semana do Presidente, programete que resumia os feitos dos presidentes da República. Por outro lado, sempre abriu espaço para os artistas LGBTQIA + nos seus programas, o que só veio a acontecer em outras emissoras muito tempo depois. Incoerente total.

    Sei que muita gente agora vai dizer que “nunca assistiu Silvio Santos”. Humm. Desconfie. Que atire a primeira pedra quem não tentou adivinhar as melodias ocultas do Qual é a Música. Ou os mais jovens, que, no fim do domingo, completaram mentalmente alguma palavra do Roda a Roda Jequiti. Fora os da minha geração, que se lembram, com certeza, do Boa Noite, Cinderela, da infância, ou da Porta da Esperança, da juventude.

    Silvio Santos vai ser sempre lembrado como referência na história da TV mundial: o dono de emissora que cultivou no brasileiro o gosto por novelas mexicanas mesmo diante de uma produção nacional de qualidade reconhecida ou o multiempresário que, a partir da TV, fez negócios de sucesso, como a Telessena e os perfumes da Jequiti, que arrebatam até os artistas das concorrentes.

    Eu tenho um arsenal de lembranças, outro de críticas, mas, como estudioso de televisão, seria injusto deixar de reconhecer o valor de SS. Os acadêmicos já se debruçaram sobre essa história, há livros publicados sobre o fenômeno, registrando a grande herança de Silvio Santos: a capacidade de se comunicar com o público. Que me perdoem os influenciadores do presente, mas, nisso, ele era o mestre maior.

FERREIRA, Cláudio. Silvio Santos: o dono do auditório. Correio Braziliense, 18 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6922583-odono-do-auditorio.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
Releia o excerto a seguir.
“Ao mesmo tempo em que exaltava o tamanho dos estúdios do SBT às margens da Via Anhanguera, em São Paulo, ele falava com o público como se estivesse dentro da casa das pessoas.” (7º parágrafo)
É possível afirmar que, nesse trecho, há uma ideia de:
Alternativas
Q3331550 Português
A única sentença em que não ocorre verbo impessoal é:
Alternativas
Q3331543 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende discussão


        A sonda chinesa Chang’e-6 retornou à Terra na terça-feira (25), trazendo as primeiras amostras da história do lado oculto da Lua. Esta missão é um marco significativo na exploração lunar e levanta questões importantes sobre a propriedade e o uso da Lua.

        O interesse renovado pela Lua é impulsionado por uma combinação de fatores científicos, econômicos e estratégicos. Do ponto de vista científico, a Lua oferece uma oportunidade única para a pesquisa e a descoberta. Missões recentes, como essa da Chang’e-6, fornecem informações valiosas sobre a composição e a história geológica do satélite, ajudando a entender melhor a formação do sistema Terra-Lua e outros processos planetários.

       A Lua tem depósitos de Hélio-3, um isótopo raro que não é abundante na Terra. O Hélio-3 é considerado uma potencial fonte de combustível para futuras reações de fusão nuclear, que poderiam fornecer uma forma limpa e quase ilimitada de energia. Dominar a tecnologia de fusão nuclear com Hélio-3 poderia revolucionar a produção de energia no planeta, oferecendo uma alternativa limpa às atuais fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis. Esse interesse é um dos fatores que impulsionam a nova corrida espacial para a Lua, com implicações tanto científicas quanto econômicas de uma importância revolucionária.

     Economicamente, a Lua possui recursos valiosos, como água congelada nos polos, que podem ser usados para sustentar futuras bases lunares e missões espaciais de longa duração. A água pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio, fornecendo combustível para foguetes. Estrategicamente, a presença na Lua permite que as nações afirmem sua liderança no espaço, desenvolvam novas tecnologias e estabeleçam a infraestrutura necessária para a próxima era da exploração espacial.

      Atualmente, ninguém pode reivindicar a propriedade da Lua por soberania, ocupação ou qualquer outra razão. Esta posição é formalizada principalmente pelo Tratado do Espaço Exterior de 1967, assinado por mais de 100 países, incluindo as principais nações com capacidade espacial como EUA, Rússia e China.

     O Tratado do Espaço Exterior estabelece que a Lua e outros corpos celestes não são passíveis de apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, ou por qualquer outro meio. Este tratado também proíbe a colocação de armas nucleares ou qualquer outro tipo de armas de destruição em massa no espaço exterior, e declara que a Lua deve ser usada exclusivamente para fins pacíficos. Recentemente, os Artemis Accords, liderados pelos EUA, representam um conjunto de princípios para a cooperação internacional na exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Esses acordos, que complementam o Tratado do Espaço Exterior, visam promover a exploração pacífica e coordenada, incluindo a gestão de recursos lunares. O Tratado do Espaço Exterior estabelece que a Lua e outros corpos celestes não são passíveis de apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, ou por qualquer outro meio. Este tratado também proíbe a colocação de armas nucleares ou qualquer outro tipo de armas de destruição em massa no espaço exterior, e declara que a Lua deve ser usada exclusivamente para fins pacíficos. Recentemente, os Artemis Accords, liderados pelos EUA, representam um conjunto de princípios para a cooperação internacional na exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Esses acordos, que complementam o Tratado do Espaço Exterior, visam promover a exploração pacífica e coordenada, incluindo a gestão de recursos lunares.

      Embora o Tratado do Espaço Exterior proíba a apropriação de território, ele permite a extração e uso de recursos. Isso abre a possibilidade de mineração lunar, onde os materiais extraídos podem ser usados para sustentar bases lunares ou como combustível para missões espaciais mais distantes. Empresas privadas, em cooperação com agências espaciais, estão explorando tecnologias e métodos para viabilizar essas atividades.

     A crescente atividade espacial também levanta preocupações sobre a governança e a gestão de possíveis conflitos no espaço. A cooperação entre nações e a diplomacia contínua serão essenciais para garantir que a Lua continue sendo um patrimônio comum da humanidade. As recentes explorações exemplificam os avanços e desafios que enfrentamos na exploração espacial, destacando a necessidade de uma abordagem internacional pacífica. Que assim seja.


LAPOLA, M. Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende
discussão. Revista Galileu: Quânticas. Adaptado. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/colunistas/quanticas/blog/2024/07/quem-e-o-dono-da-lua.ghtml>
Analise a voz verbal no excerto dado a seguir e assinale a alternativa que o reescreve corretamente na voz passiva analítica, com o agente da passiva:

A Lua temdepósitos deHélio-3, um isótopo raro que não é abundante na Terra.
Alternativas
Q3331542 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende discussão


        A sonda chinesa Chang’e-6 retornou à Terra na terça-feira (25), trazendo as primeiras amostras da história do lado oculto da Lua. Esta missão é um marco significativo na exploração lunar e levanta questões importantes sobre a propriedade e o uso da Lua.

        O interesse renovado pela Lua é impulsionado por uma combinação de fatores científicos, econômicos e estratégicos. Do ponto de vista científico, a Lua oferece uma oportunidade única para a pesquisa e a descoberta. Missões recentes, como essa da Chang’e-6, fornecem informações valiosas sobre a composição e a história geológica do satélite, ajudando a entender melhor a formação do sistema Terra-Lua e outros processos planetários.

       A Lua tem depósitos de Hélio-3, um isótopo raro que não é abundante na Terra. O Hélio-3 é considerado uma potencial fonte de combustível para futuras reações de fusão nuclear, que poderiam fornecer uma forma limpa e quase ilimitada de energia. Dominar a tecnologia de fusão nuclear com Hélio-3 poderia revolucionar a produção de energia no planeta, oferecendo uma alternativa limpa às atuais fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis. Esse interesse é um dos fatores que impulsionam a nova corrida espacial para a Lua, com implicações tanto científicas quanto econômicas de uma importância revolucionária.

     Economicamente, a Lua possui recursos valiosos, como água congelada nos polos, que podem ser usados para sustentar futuras bases lunares e missões espaciais de longa duração. A água pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio, fornecendo combustível para foguetes. Estrategicamente, a presença na Lua permite que as nações afirmem sua liderança no espaço, desenvolvam novas tecnologias e estabeleçam a infraestrutura necessária para a próxima era da exploração espacial.

      Atualmente, ninguém pode reivindicar a propriedade da Lua por soberania, ocupação ou qualquer outra razão. Esta posição é formalizada principalmente pelo Tratado do Espaço Exterior de 1967, assinado por mais de 100 países, incluindo as principais nações com capacidade espacial como EUA, Rússia e China.

     O Tratado do Espaço Exterior estabelece que a Lua e outros corpos celestes não são passíveis de apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, ou por qualquer outro meio. Este tratado também proíbe a colocação de armas nucleares ou qualquer outro tipo de armas de destruição em massa no espaço exterior, e declara que a Lua deve ser usada exclusivamente para fins pacíficos. Recentemente, os Artemis Accords, liderados pelos EUA, representam um conjunto de princípios para a cooperação internacional na exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Esses acordos, que complementam o Tratado do Espaço Exterior, visam promover a exploração pacífica e coordenada, incluindo a gestão de recursos lunares. O Tratado do Espaço Exterior estabelece que a Lua e outros corpos celestes não são passíveis de apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, ou por qualquer outro meio. Este tratado também proíbe a colocação de armas nucleares ou qualquer outro tipo de armas de destruição em massa no espaço exterior, e declara que a Lua deve ser usada exclusivamente para fins pacíficos. Recentemente, os Artemis Accords, liderados pelos EUA, representam um conjunto de princípios para a cooperação internacional na exploração da Lua, Marte e outros corpos celestes. Esses acordos, que complementam o Tratado do Espaço Exterior, visam promover a exploração pacífica e coordenada, incluindo a gestão de recursos lunares.

      Embora o Tratado do Espaço Exterior proíba a apropriação de território, ele permite a extração e uso de recursos. Isso abre a possibilidade de mineração lunar, onde os materiais extraídos podem ser usados para sustentar bases lunares ou como combustível para missões espaciais mais distantes. Empresas privadas, em cooperação com agências espaciais, estão explorando tecnologias e métodos para viabilizar essas atividades.

     A crescente atividade espacial também levanta preocupações sobre a governança e a gestão de possíveis conflitos no espaço. A cooperação entre nações e a diplomacia contínua serão essenciais para garantir que a Lua continue sendo um patrimônio comum da humanidade. As recentes explorações exemplificam os avanços e desafios que enfrentamos na exploração espacial, destacando a necessidade de uma abordagem internacional pacífica. Que assim seja.


LAPOLA, M. Quem é o dono da Lua? Interesse crescente na exploração do satélite reacende
discussão. Revista Galileu: Quânticas. Adaptado. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/colunistas/quanticas/blog/2024/07/quem-e-o-dono-da-lua.ghtml>
A expressão “tanto… quanto”, que ocorre no trecho “[...]com implicações tanto científicas quanto econômicas de uma importância revolucionária.”, exprime no contexto dado:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: Avança SP Órgão: Prefeitura de Pedreira - SP Provas: Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Nutricionista I | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Ginecologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Nefrologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Neurologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Neurologista Infantil) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Oftalmologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Ortopedista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Pediatra) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Pneumologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Proctologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Psiquiatra Infantil) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Cardiologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Dermatologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Endocrinologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico de Família e Comunidade | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Controlador Interno | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Fonoaudiólogo I | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Professor Titular de Educação Básica I | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Cirurgião Vascular) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Gastroenterologista) | Avança SP - 2024 - Prefeitura de Pedreira - SP - Médico I (Geriatra) |
Q3330569 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Gosta de tomar vinho? Agradeça à extinção dos dinossauros


      Quem é fã de uma tacinha de vinho (no almoço ou jantar) deve o hábito à extinção dos dinossauros. Pelo menos é o que sugere uma descoberta descrita esta semana em um artigo da revista científica Nature Plants. Pesquisadores do Museu Field de História Natural, dos Estados Unidos, encontraram os primeiros registros fósseis de uvas do Hemisfério Ocidental, que datam de 19 a 60 milhões de anos atrás – período que coincide com o fim da era dos grandes répteis. Os achados sugerem que o evento de extinção dos dinos criou as condições ideais para o surgimento desses frutos, que servem de base para a produção do vinho.

    É raro que tecidos moles como frutas sejam preservados como fósseis. Então, a compreensão dos cientistas sobre esses alimentos antigos geralmente vem de suas sementes, que são mais propensas a fossilizar. Os primeiros registros de uvas foram encontrados no território onde hoje está a Índia, e têm aproximadamente 66 milhões de anos. Sim, a mesma época em que o asteroide de Chicxulub despencou na Terra.

     Por sua vez, os exemplares identificados no novo estudo vêm de regiões da Colômbia, do Panamá e do Peru. Embora sejam um pouco mais novos que os fósseis indianos, também representam mais ou menos o mesmo período histórico pelo qual passava o planeta.

    Estima-se que foi por volta desta época que um enorme asteroide atingiu a Terra, desencadeando uma extinção em massa. “Embora sempre pensemos nos animais – sobretudo, nos dinossauros, porque eles foram as maiores espécies a serem afetadas –, o evento da extinção teve um grande impacto também na flora do planeta”, lembra Fabiany Herrera, que liderou o estudo, em comunicado à imprensa. 
A equipe de pesquisadores levanta a hipótese de que o desaparecimento dos grandes répteis pode ter ajudado a alterar a composição das florestas. Isso porque animais de grande porte, como os dinossauros, acabam por derrubar árvores quando transitam pelas vegetações. Isso costuma impedir os espaços verdes de serem mais densos. A diversificação das espécies de aves e mamíferos, nos anos seguintes à extinção em massa, também pode estar associada à mudança da flora do planeta. Esses animais são conhecidos por comerem frutas e espalharem as suas sementes pelo terreno, contribuindo com o crescimento da espécie vegetal.
Inspirado por um estudo de 2013, que analisou o fóssil de semente de uva mais antigo conhecido, Herrera tomou como objetivo descobrir registros fósseis do alimento também no continente americano. Mas foi só em 2022, quando investigava os Andes colombianos, que a descoberta enfim veio. O fóssil estava em uma rocha de 60 milhões de anos. De volta ao laboratório, eles fizeram tomografias computadorizadas no fóssil, que confirmaram sua identidade a partir da estrutura interna da semente. A equipe nomeou a espécie fossilizada como Lithouva susmanii, em homenagem a Arthur Susman, um defensor da paleobotânica sul-americana no Museu Field.



Revista Galileu. Adaptado. Disponível
em <https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curi
osidade/noticia/2024/07/gosta-de-tomar-vinhoagradeca-
a-extincao-dos-dinossauros.ghtml>
Considere o seguinte excerto, introduzido por uma expressão de valor concessivo: “Embora sejam um pouco mais novos que os fósseis indianos, também representam mais ou menos o mesmo período histórico pelo qual passava o planeta.” A alternativa que o reescreve corretamente, introduzindo-o com outra expressão de valor correspondente, é:
Alternativas
Respostas
12421: C
12422: B
12423: C
12424: D
12425: C
12426: B
12427: D
12428: B
12429: D
12430: E
12431: B
12432: C
12433: A
12434: B
12435: B
12436: X
12437: C
12438: E
12439: A
12440: C