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Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

Foram encontradas 51.505 questões

Q4259069 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Os sintomas eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança.

Com base na análise sintática dos termos essenciais da oração, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4259067 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. "Ainda assim", observa que elas lembram abordagens contemporâneas.

Sobre a relação estabelecida no termo destacado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258711 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média.
Considerando as regras de emprego da vírgula, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258710 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner "estabelece" uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual.

Considerando a regência do verbo "estabelece", assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4258709 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, "Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval", que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

Com base na análise dos termos acessórios da oração, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4258708 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Os sintomas eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança.

Com base na análise sintática dos termos essenciais da oração, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258705 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. "Ainda assim", observa que elas lembram abordagens contemporâneas.

Sobre a relação estabelecida no termo destacado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258704 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.
Analise se as afirmativas a seguir, quanto à classificação das orações subordinadas presentes no texto, são falsas (F) ou verdadeiras (V).

(__)No primeiro período do texto, a oração "que os jebuseus eram um povo antigo" classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta.
(__)No trecho "que ocupou Jerusalém e não podia ser expulso", a oração "que ocupou Jerusalém" classifica-se como subordinada adverbial temporal.
(__)No trecho "A metáfora aconselha quem sofre de acídia", a oração "quem sofre de acídia" classifica-se como subordinada adjetiva restritiva.
(__)No trecho "a aprender a conviver com esses sentimentos", a sequência introduzida pelo infinitivo funciona como complemento verbal de "aconselha", exprimindo a ação aconselhada ao destinatário.

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258703 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes "às" atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.
Considerando o uso do acento indicativo de crase e a estrutura do período, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I.No trecho, o acento indicativo de crase em "às atuais" existe, pois ocorre a fusão da preposição "a", solicitada pelo termo "semelhantes", com o artigo definido "as" que precede o substantivo "experiências" subentendido.

PORQUE

II.Em construções comparativas com o adjetivo "semelhante", o termo subsequente solicita a preposição "a", e o artigo definido "as" é facultativo antes do pronome demonstrativo "atuais", razão pela qual a crase pode ser facultativa no contexto.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258702 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença.

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais. 

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Ele "conta" que deveria pesquisar, preparar aulas e "seguir" com a vida, mas simplesmente não "conseguia fazer" nada.
Analise as proposições a seguir sobre a regência dos verbos destacados na frase.

I.O verbo "conta" é transitivo direto, e a oração introduzida por "que" exerce função de objeto direto, classificando-se como subordinada substantiva objetiva direta.
II.O verbo "seguir" é transitivo direto, e a preposição "com" que o acompanha em "seguir com a vida" é um elemento expletivo, podendo ser suprimida sem prejuízo da regência verbal.
III.O verbo "fazer" é transitivo direto, e o pronome indefinido substantivo "nada" exerce função sintática de objeto direto.
IV.O verbo "conseguia" é transitivo indireto, regendo a preposição "de", e a oração reduzida de infinitivo "fazer nada" constitui seu objeto indireto.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258672 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada.

Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil.

No trecho apresentado, a expressão "das abelhas" exerce a função sintática de:
Alternativas
Q4258669 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada.

Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
Há 25 anos, "no 11 de setembro" de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. "Atônito", o mundo buscou informações na internet, "que" na época ainda não suportava um volume "tão" grande de acessos e praticamente parou.
Analise se as afirmativas a seguir sobre os termos destacados são falsas (F) ou verdadeiras (V).

(__)O trecho "no 11 de setembro" exerce a função de adjunto adverbial de tempo, situando o fato narrado no tempo ocorrido.
(__)O termo "Atônito" atribui um estado ao sujeito "o mundo", exercendo a função sintática de predicativo do sujeito.
(__)O pronome relativo "que" retoma o termo "informações", estabelecendo com ele uma relação de caracterização.
(__)O vocábulo "tão" exerce a função de pronome indefinido, indicando quantidade imprecisa relacionada ao substantivo "volume".

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258593 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada. Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
Há 25 anos, "no 11 de setembro" de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. "Atônito", o mundo buscou informações na internet, "que" na época ainda não suportava um volume "tão" grande de acessos e praticamente parou.
Analise se as afirmativas a seguir sobre os termos destacados são falsas (F) ou verdadeiras (V).

(__)O trecho "no 11 de setembro" exerce a função de adjunto adverbial de tempo, situando o fato narrado no tempo ocorrido.
(__)O termo "Atônito" atribui um estado ao sujeito "o mundo", exercendo a função sintática de predicativo do sujeito.
(__)O pronome relativo "que" retoma o termo "informações", estabelecendo com ele uma relação de caracterização.
(__)O vocábulo "tão" exerce a função de pronome indefinido, indicando quantidade imprecisa relacionada ao substantivo "volume".

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258587 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada. Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil.

No trecho apresentado, a expressão "das abelhas" exerce a função sintática de:
Alternativas
Q4258405 Português
Os vícios de linguagem constituem desvios capazes de comprometer a precisão, a clareza ou a expressividade do enunciado, sendo identificados a partir dos efeitos produzidos na construção linguística e não apenas pela nomenclatura atribuída a cada ocorrência (CUNHA; CINTRA, 2017).
Analise os vícios de linguagem apresentados na Coluna I e associe-os às respectivas características da Coluna II.

Coluna I

1.Ambiguidade
2.Eco
3.Barbarismo
4.Solecismo 5.Redundância

Coluna II

(__)Ocorrência em que a repetição de terminações ou de sequências sonoras semelhantes produz um efeito fonético indesejado, sem alterar a correção gramatical do enunciado.
(__)Desvio que incide sobre a forma da palavra, envolvendo aspectos como grafia, pronúncia, flexão ou formação vocabular em desacordo com a norma-padrão.
(__)Inadequação decorrente da organização sintática da frase, comprometendo relações estruturais exigidas pela norma culta, ainda que o sentido geral permaneça compreensível.
(__)Construção cuja organização permite mais de uma leitura compatível com o contexto, dificultando a determinação de um único sentido para o enunciado.
(__)Emprego de elementos linguísticos cujo conteúdo semântico já se encontra expresso por outros termos da mesma construção, sem acréscimo relevante de informação.

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258403 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada. Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
Há 25 anos, "no 11 de setembro" de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. "Atônito", o mundo buscou informações na internet, "que" na época ainda não suportava um volume "tão" grande de acessos e praticamente parou.
Analise se as afirmativas a seguir sobre os termos destacados são falsas (F) ou verdadeiras (V).

(__)O trecho "no 11 de setembro" exerce a função de adjunto adverbial de tempo, situando o fato narrado no tempo ocorrido.
(__)O termo "Atônito" atribui um estado ao sujeito "o mundo", exercendo a função sintática de predicativo do sujeito.
(__)O pronome relativo "que" retoma o termo "informações", estabelecendo com ele uma relação de caracterização.
(__)O vocábulo "tão" exerce a função de pronome indefinido, indicando quantidade imprecisa relacionada ao substantivo "volume".

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258401 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada. Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil.

No trecho apresentado, a expressão "das abelhas" exerce a função sintática de:
Alternativas
Q4258300 Português
Substituindo o conectivo na frase "Estudou muito, entretanto foi reprovado", mantendo o sentido, temos: 
Alternativas
Q4258299 Português
Assinalar a alternativa em que a concordância nominal foi feita incorretamente.
Alternativas
Q4257646 Português

A transformação digital tem exigido que profissionais de diferentes áreas desenvolvam novas competências. Nesse contexto, a capacidade de lidar com informações, adaptar-se às mudanças e atender às demandas da sociedade tornou-se fundamental para o desempenho das atividades profissionais.



Considere as frases elaboradas a partir do tema abordado no texto:



I - Os profissionais aspiram a melhores oportunidades no mercado de trabalho.


II - Muitos estudantes preferem cursos tecnológicos do que formações tradicionais.


III - As empresas visam ao aumento da produtividade por meio da inovação.


IV - Os gestores informaram os colaboradores das mudanças implementadas.



De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, está CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Respostas
21: D
22: B
23: B
24: A
25: A
26: A
27: D
28: B
29: C
30: D
31: A
32: C
33: D
34: D
35: C
36: B
37: A
38: A
39: C
40: C