Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q4427509 Português
SONETO DO MAIOR AMOR


Maior amor nem mais estranho existe

Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste

E se a ver descontente, dá risada


E que só fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mas da eterna aventura em que persiste

Que de uma vida mal- aventurada


Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere vibra, mas prefere

Ferir a fenecer - e vive a esmo


Fiel a sua lei de cada instante

Desassombrado, doido, delirante

Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinícius de Morais
Nos períodos: Não vendo o poste, colidiu com ele. Não veio por estar muito ocupado. Indique a circunstância expressa pela oração destacada:
Alternativas
Q4427507 Português
SONETO DO MAIOR AMOR


Maior amor nem mais estranho existe

Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste

E se a ver descontente, dá risada


E que só fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mas da eterna aventura em que persiste

Que de uma vida mal- aventurada


Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere vibra, mas prefere

Ferir a fenecer - e vive a esmo


Fiel a sua lei de cada instante

Desassombrado, doido, delirante

Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinícius de Morais
Em: “Na deserta rua tremem de medo os lampiões sombrios”. (Castro Alves)
Os termos em destaque são: 
Alternativas
Q4427506 Português
SONETO DO MAIOR AMOR


Maior amor nem mais estranho existe

Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste

E se a ver descontente, dá risada


E que só fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mas da eterna aventura em que persiste

Que de uma vida mal- aventurada


Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere vibra, mas prefere

Ferir a fenecer - e vive a esmo


Fiel a sua lei de cada instante

Desassombrado, doido, delirante

Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinícius de Morais
No primeiro terceto não ocorre a crase na locução a esmo, porque:
Alternativas
Q4427505 Português
SONETO DO MAIOR AMOR


Maior amor nem mais estranho existe

Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste

E se a ver descontente, dá risada


E que só fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mas da eterna aventura em que persiste

Que de uma vida mal- aventurada


Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere vibra, mas prefere

Ferir a fenecer - e vive a esmo


Fiel a sua lei de cada instante

Desassombrado, doido, delirante

Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinícius de Morais
 Nas orações a seguir, retiradas do texto, indique a função do a : 

• ”que não sossega a coisa amada”;
• “mas prefere ferir a fenecer”;
• “e vive a esmo”;
• “e quando a sente alegre, fica triste”.

Nessa ordem, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4427503 Português
“Quando chegamos ao pé de seu leito, ele tornava a si”. (Joaquim Manuel de Macedo). A conjunção da frase é classificada como:
Alternativas
Q4427502 Português
Das alternativas abaixo identifique aquela que apresenta um aposto:
Alternativas
Q4427499 Português

O FIM DE PALMARES


João Felício dos Santos



    ...Domingos Jorge Velho atravessou o pátio, pisando por sobre os mortos, vencedor mas exausto.


    Rasgado nas malhas fortes da véstia e no couro da carne, a barba grossa de suor e sangue, um pé descalço, negro pela fuligem do solo, o terrível paulista era a encarnação viva da vingança, da violência, da destruição.


    Junto do poste-rei, Dandara acompanhava com os olhos fixos o Bandeirante que se aproximava do precipício. O resto da tropa vinha em segundo plano: era como uma silhueta vaga no olhar da mulata.


    Foi então que a última e mais querida ialê de Zumbi-Rei adivinhou naquele gigante feroz surgido dos derrotados da aldeia finada o Chefe-Maior dos inimigos do seu povo: o Gana-Branco.


    Esfarrapada, também, pela refrega de dois dias, coberta de pó, queimada pelas fagulhas que se despendiam em haustos ardentes da aldeia carbonizada, pés chumbados no chão, pernas muito abertas, como troncos, as coxas grossas lanhadas de rijo nas roscas da pele mulata, os braços em chagas virilmente cruzados sob os peitos feridos, os talhos abertos em bocas imponentes de ódio e despeito, Dandara bambula, de costa voltadas para a trágica descida rochosa, de tal modo tesou o olhar posto no Bandeirante que Jorge Velho estacou, surpreso, a uma distância de doze passos.


    Antes tanta audácia, a prepotência petulante do guerreiro se amesquinhou por momentos. Mediramse os dois dos pés a cabeça. Jorge Velho sentiu a vontade de terminar. Falou:


    - Onde estão todos ... todos os que ...


    Mas a voz , arranhando o imponente silêncio do fim, só fez levantar um bando de urubus já pousado nas pontas restantes e sangrentas dos estrepes, no solo morto, nos galhos torados de bala ...


    - Onde estão? Eram cinco ou seis ... Eu os vi! Que rumo levaram?


    Dominando de novo o ambiente como senhor supremo de uma vitória evidente, Velho exigiu:


    - Vamos! Responda!


    Ouvindo a pergunta, a ordem depois, Dandara voltou-se sem pressa e cuspiu sua repulsa imensa no fundo do precipício:


    - Estão lá! - e tornou a encarar o paulista.


    - Onde está Zumbi? Mais demoradamente ainda, Dandara repetiu o gesto, escarrando com mais força, lá embaixo, no grotão sinistro.


    Com um aceno seco, Jorge Velho chamou seus ajudantes e se encaminhou para Dandara.


    Ainda sem nenhuma pressa, a mulata voltou-se pela terceira vez para o precipício. Então, cuspiu sobre aqueles homens rotos e imundos a última centelha de um ódio repleto de asco, resvalou as pernas na curva do terreno e se deixou cair pelo despenhadeiro.


    Debruçando-se, Jorge Velho ainda teve tempo de ver o corpo volteando no ar, as roscas da pele mulata lanhadas de cinza batendo nas crinas cruas da pedra, num dilaceramento de carnes, largando pedaços no ar, pintando mil raivas de rubro nos sangues ...


    Sobre o poste-rei, a caveira de boi de longos chifres parecia, alvinha do tempo, que se ria da vitória de Domingos Jorge Velho.


(Ganga-Zumba. Edição de Ouro, Rio de Janeiro, 1967) 

Nas frases a seguir assinale com V para vocativo e A para aposto:

( ) “Meu nobre perdigueiro, vem comigo!” ( Castro Alves)
( ) “O pastor, o guarda, o médico, todos olham e não dizem nada.” (Ricardo Ramos)
( ) “E isso exigiria estratagemas, coisas a que era avesso.” (José Geraldo Vieira)
( ) “Tem compaixão de nós, ó Cristo!”

Nessas condições, assinale a opção correta:
Alternativas
Q4427498 Português

O FIM DE PALMARES


João Felício dos Santos



    ...Domingos Jorge Velho atravessou o pátio, pisando por sobre os mortos, vencedor mas exausto.


    Rasgado nas malhas fortes da véstia e no couro da carne, a barba grossa de suor e sangue, um pé descalço, negro pela fuligem do solo, o terrível paulista era a encarnação viva da vingança, da violência, da destruição.


    Junto do poste-rei, Dandara acompanhava com os olhos fixos o Bandeirante que se aproximava do precipício. O resto da tropa vinha em segundo plano: era como uma silhueta vaga no olhar da mulata.


    Foi então que a última e mais querida ialê de Zumbi-Rei adivinhou naquele gigante feroz surgido dos derrotados da aldeia finada o Chefe-Maior dos inimigos do seu povo: o Gana-Branco.


    Esfarrapada, também, pela refrega de dois dias, coberta de pó, queimada pelas fagulhas que se despendiam em haustos ardentes da aldeia carbonizada, pés chumbados no chão, pernas muito abertas, como troncos, as coxas grossas lanhadas de rijo nas roscas da pele mulata, os braços em chagas virilmente cruzados sob os peitos feridos, os talhos abertos em bocas imponentes de ódio e despeito, Dandara bambula, de costa voltadas para a trágica descida rochosa, de tal modo tesou o olhar posto no Bandeirante que Jorge Velho estacou, surpreso, a uma distância de doze passos.


    Antes tanta audácia, a prepotência petulante do guerreiro se amesquinhou por momentos. Mediramse os dois dos pés a cabeça. Jorge Velho sentiu a vontade de terminar. Falou:


    - Onde estão todos ... todos os que ...


    Mas a voz , arranhando o imponente silêncio do fim, só fez levantar um bando de urubus já pousado nas pontas restantes e sangrentas dos estrepes, no solo morto, nos galhos torados de bala ...


    - Onde estão? Eram cinco ou seis ... Eu os vi! Que rumo levaram?


    Dominando de novo o ambiente como senhor supremo de uma vitória evidente, Velho exigiu:


    - Vamos! Responda!


    Ouvindo a pergunta, a ordem depois, Dandara voltou-se sem pressa e cuspiu sua repulsa imensa no fundo do precipício:


    - Estão lá! - e tornou a encarar o paulista.


    - Onde está Zumbi? Mais demoradamente ainda, Dandara repetiu o gesto, escarrando com mais força, lá embaixo, no grotão sinistro.


    Com um aceno seco, Jorge Velho chamou seus ajudantes e se encaminhou para Dandara.


    Ainda sem nenhuma pressa, a mulata voltou-se pela terceira vez para o precipício. Então, cuspiu sobre aqueles homens rotos e imundos a última centelha de um ódio repleto de asco, resvalou as pernas na curva do terreno e se deixou cair pelo despenhadeiro.


    Debruçando-se, Jorge Velho ainda teve tempo de ver o corpo volteando no ar, as roscas da pele mulata lanhadas de cinza batendo nas crinas cruas da pedra, num dilaceramento de carnes, largando pedaços no ar, pintando mil raivas de rubro nos sangues ...


    Sobre o poste-rei, a caveira de boi de longos chifres parecia, alvinha do tempo, que se ria da vitória de Domingos Jorge Velho.


(Ganga-Zumba. Edição de Ouro, Rio de Janeiro, 1967) 

Analise as orações a seguir e indique aquela em que a forma destacada está empregada na voz passiva analítica:
Alternativas
Q4427496 Português

O FIM DE PALMARES


João Felício dos Santos



    ...Domingos Jorge Velho atravessou o pátio, pisando por sobre os mortos, vencedor mas exausto.


    Rasgado nas malhas fortes da véstia e no couro da carne, a barba grossa de suor e sangue, um pé descalço, negro pela fuligem do solo, o terrível paulista era a encarnação viva da vingança, da violência, da destruição.


    Junto do poste-rei, Dandara acompanhava com os olhos fixos o Bandeirante que se aproximava do precipício. O resto da tropa vinha em segundo plano: era como uma silhueta vaga no olhar da mulata.


    Foi então que a última e mais querida ialê de Zumbi-Rei adivinhou naquele gigante feroz surgido dos derrotados da aldeia finada o Chefe-Maior dos inimigos do seu povo: o Gana-Branco.


    Esfarrapada, também, pela refrega de dois dias, coberta de pó, queimada pelas fagulhas que se despendiam em haustos ardentes da aldeia carbonizada, pés chumbados no chão, pernas muito abertas, como troncos, as coxas grossas lanhadas de rijo nas roscas da pele mulata, os braços em chagas virilmente cruzados sob os peitos feridos, os talhos abertos em bocas imponentes de ódio e despeito, Dandara bambula, de costa voltadas para a trágica descida rochosa, de tal modo tesou o olhar posto no Bandeirante que Jorge Velho estacou, surpreso, a uma distância de doze passos.


    Antes tanta audácia, a prepotência petulante do guerreiro se amesquinhou por momentos. Mediramse os dois dos pés a cabeça. Jorge Velho sentiu a vontade de terminar. Falou:


    - Onde estão todos ... todos os que ...


    Mas a voz , arranhando o imponente silêncio do fim, só fez levantar um bando de urubus já pousado nas pontas restantes e sangrentas dos estrepes, no solo morto, nos galhos torados de bala ...


    - Onde estão? Eram cinco ou seis ... Eu os vi! Que rumo levaram?


    Dominando de novo o ambiente como senhor supremo de uma vitória evidente, Velho exigiu:


    - Vamos! Responda!


    Ouvindo a pergunta, a ordem depois, Dandara voltou-se sem pressa e cuspiu sua repulsa imensa no fundo do precipício:


    - Estão lá! - e tornou a encarar o paulista.


    - Onde está Zumbi? Mais demoradamente ainda, Dandara repetiu o gesto, escarrando com mais força, lá embaixo, no grotão sinistro.


    Com um aceno seco, Jorge Velho chamou seus ajudantes e se encaminhou para Dandara.


    Ainda sem nenhuma pressa, a mulata voltou-se pela terceira vez para o precipício. Então, cuspiu sobre aqueles homens rotos e imundos a última centelha de um ódio repleto de asco, resvalou as pernas na curva do terreno e se deixou cair pelo despenhadeiro.


    Debruçando-se, Jorge Velho ainda teve tempo de ver o corpo volteando no ar, as roscas da pele mulata lanhadas de cinza batendo nas crinas cruas da pedra, num dilaceramento de carnes, largando pedaços no ar, pintando mil raivas de rubro nos sangues ...


    Sobre o poste-rei, a caveira de boi de longos chifres parecia, alvinha do tempo, que se ria da vitória de Domingos Jorge Velho.


(Ganga-Zumba. Edição de Ouro, Rio de Janeiro, 1967) 

Das orações abaixo, indique aquela em que o sujeito é indeterminado: 
Alternativas
Q4421105 Português

Leia a crônica.


A nuvem


– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.


Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.


E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.


(Rubem Braga)

Avalie as frases no que diz respeito à concordância nominal ou verbal.


1. Ou o cronista ou seu amigo ganharão a aposta.


2. Fui eu que resolvi o impasse sobre a crônica.


3. São 12 horas de carro, daqui a Caxambu do Sul.


4. Cria-se, na cidade de Caxambu do Sul, bois de corte.


5. As crônicas solicitadas seguem anexas à carta enviada.


Assinale a alternativa que indica todas as frases corretas.

Alternativas
Q4421103 Português

Leia a crônica.


A nuvem


– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.


Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.


E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.


(Rubem Braga)

Assinale a alternativa correta quanto à pontuação.
Alternativas
Q4421102 Português

Leia a crônica.


A nuvem


– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.


Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.


E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.


(Rubem Braga)

Avalie as frases abaixo quanto à regência verbal e o uso da crase.


1. Ele lembrou da moça jovem que lhe amava.


2. O cronista obedece aquilo que lhe vem a mente para agradar o público leitor.


3. O leitor que gosto escreve sobre acontecimentos bons também.


4. O amigo referia-se a necessidade de denunciar aos desmandos da administração pública.


5. O cronista começou a pensar se haveria a real necessidade de denunciar.


Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q4421101 Português

Leia a crônica.


A nuvem


– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.


Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.


E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.


(Rubem Braga)

Observe a frase retirada do texto:


“Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas….”


Assinale a expressão correta sobre a expressão “Além disso”.

Alternativas
Q4421100 Português

Leia a crônica.


A nuvem


– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.


Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.


E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.


(Rubem Braga)

Assinale a alternativa correta sobre a frase


“São caprichos de certa fase”, retirada do texto.

Alternativas
Q4421099 Português

Leia a crônica.


A nuvem


– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.


Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.


E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.


(Rubem Braga)

Observe a estrutura sintática da frase:


“Tome tenência, velho Braga”.


Assinale a alternativa correta quanto à função sintática da expressão “velho Braga”.

Alternativas
Q4420868 Português

Leia o texto.



O mistério da poesia.


Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos.


E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.


O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram, lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.


Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.


De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar en el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era bueno, Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.


Isso lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua: “A grande dor das coisas que passaram”.


Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a ideia de canoa é também motivo de emoção.


Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa “necessidade aborrecida” de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.


Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…


(Rubem Braga)

Avalie as frases.


1. Tive uma surpresa inesperada ao ganhar de graça aquele ingresso.


2. Nunca esqueça-te que a emoção comanda a razão.


3. Joana minha filha, que cara é essa? Você não ama nada, não é mesmo?


4. Fizeram um admirável trabalho, mas não foram embora premiados.


5. E fala, e reclama, e protesta, e chora de tristeza.


Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre as frases.

Alternativas
Q4420867 Português

Leia o texto.



O mistério da poesia.


Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos.


E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.


O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram, lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.


Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.


De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar en el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era bueno, Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.


Isso lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua: “A grande dor das coisas que passaram”.


Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a ideia de canoa é também motivo de emoção.


Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa “necessidade aborrecida” de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.


Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…


(Rubem Braga)

Considere a frase retirada do texto:


“… isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…”


Assinale a alternativa que descreve a função sintática de “profundas”.

Alternativas
Q4420866 Português

Leia o texto.



O mistério da poesia.


Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos.


E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.


O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram, lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.


Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.


De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar en el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era bueno, Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.


Isso lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua: “A grande dor das coisas que passaram”.


Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a ideia de canoa é também motivo de emoção.


Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa “necessidade aborrecida” de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.


Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…


(Rubem Braga)

Observe a frase retirada do texto:


“Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua”


Assinale a alternativa que apresenta a justificativa correta para o uso das vírgulas.

Alternativas
Q4420864 Português

Leia o texto.



O mistério da poesia.


Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos.


E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.


O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram, lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.


Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.


De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar en el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era bueno, Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.


Isso lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua: “A grande dor das coisas que passaram”.


Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a ideia de canoa é também motivo de emoção.


Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa “necessidade aborrecida” de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.


Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…


(Rubem Braga)

O verbo “lembrar” aparece nos parágrafos 3 e 6. A regência verbal construída para ele, nessas duas vezes, foi diferente.
Sobre regência verbal avalie as afirmativas.
1. Em ambas as vezes em que aparece (parágrafos 3 e 6), o sentido do verbo lembrar é de trazer à memória e, por isso, está em sua forma pronominal.
2. A frase: “Ela esqueceu-se disso” tem regência verbal correta e o verbo “esquecer” segue as mesmas normas do verbo “lembrar”.
3. A frase: “Custei entender o sentido do texto” está incorreta quanto à regência do verbo “custar”, no sentido de ser difícil.
4. O verbo “implicar” no sentido de “causar” é transitivo direto. Assim, estão corretas as seguintes construções: “A leitura daquele poema implicou críticas positivas.” e “Falta ao serviço implica desconto na folha.”
5. O verbo “informar” pode ser completado por objeto direto e objeto indireto ao mesmo tempo. Assim, está correta a seguinte frase: “O engenheiro informou o mestre de obras que o serviço deveria ser concluído”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q4420863 Português

Leia o texto.



O mistério da poesia.


Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos.


E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.


O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram, lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.


Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.


De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar en el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era bueno, Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.


Isso lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua: “A grande dor das coisas que passaram”.


Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a ideia de canoa é também motivo de emoção.


Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa “necessidade aborrecida” de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.


Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…


(Rubem Braga)

Assinale a alternativa correta, considerando o texto.
Alternativas
Respostas
27041: D
27042: D
27043: B
27044: D
27045: B
27046: D
27047: B
27048: E
27049: C
27050: E
27051: A
27052: E
27053: C
27054: D
27055: B
27056: D
27057: C
27058: E
27059: D
27060: C