Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q4001022 Português

Para responder à questão, analise o texto apresentado abaixo.



O filme Meu nome é Gal está previsto para estrear em março de 2023. Ele retratará uma parte da trajetória da cantora, ícone da MPB, que faleceu recentemente aos 77 anos. A obra focará a partir do momento que Gal decide deixar a Bahia, sua terra natal, aos 20 anos, para morar no Rio de Janeiro e, após, São Paulo, no fim dos anos 60 e início da década de 70. Também mostrará como ela tornou-se um símbolo de liberdade para as mulheres brasileiras. O longa-metragem será protagonizado por Sophie Charlotte, que interpretará a cantora. Também terá personagens importantes da vida da artista, como Caetano Veloso, interpretado por Rodrigo Lelis, Gilberto Gil, vivido por Dan Ferreira, e Dandara Ferreira no papel de Maria Bethânia. A produção é de Paris Filmes e a direção é de Dandara Ferreira e Lô Politi. O filme é uma adaptação da série ‘O nome dela é Gal’, exibida pelo HBO Max, e apresenta como a música acompanhou Gal desde a infância.



Adaptado de: https://notaterapia.com.br/2022/11/11/meunome-e-gal-filme-sobre-gal-costa-estreara-em-2023-noscinemas/

Observe a seguinte frase: O longa-metragem será protagonizado por Sophie Charlotte. Qual termo configura o sujeito da oração?  
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Q4000816 Português
TEXTO I

PREFEITURA MUNICIPAL DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS RELATÓRIO

Ao Governo do estado de Alagoas

Exmo.Sr. Governador:
Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. Não foram muitos, que os nossos recursos são exíguos. Assim minguados, entretanto, quase, insensíveis ao observador afastado, que desconheça as condições em que o Município se achava, muito me custaram.

COMEÇOS

O PRINCIPAL, [...] o de que dependiam todos os outros[...] foi estabelecer alguma ordem na administração. Havia em Palmeira dos Índios inúmeros prefeitos: os cobradores de impostos, o Comandante do Destacamento, os soldados. [...] Cada pedaço do Município tinha a sua administração particular, com Prefeitos coronéis e Prefeitos inspetores de quarteirões. Os fiscais, esses resolviam questões de polícia e advogavam. Para que semelhante anomalia desaparecesse, lutei com tenacidade e encontrei obstáculos dentro da Prefeitura e fora dela - dentro - , uma resistência mole; [...] fora, uma campanha carregada de bílis. [...] Dos funcionários que encontrei em janeiro do ano passado restam poucos. Saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais não se metem onde não são necessários, cumprem as suas obrigações e, sobretudo, não se enganam em contas. Devo muito a eles. [...]

CONCLUSÃO

Procurei sempre os caminhos mais curtos. Nas estradas que se abriram só há curvas onde as retas foram inteiramente impossíveis. [...] Certos indivíduos [...] imaginam que devem ser consultados;outros se julgam autoridade bastante para dizer aos contribuintes que não paguem impostos. [...] Fechei os ouvidos, deixei gritarem, arrecadei 1.325, 500 de multas. Não favoreci ninguém. [...] Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome. [...] Se minha estada na Prefeitura por estes dois anos dependesse de um plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos.

(RAMOS, Graciliano. Palmeira dos Índios, 10/01/1929. In: MARCURSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p.169-170. Texto adaptado).
Os textos apresentam recursos de coesão que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o conector sequenciador destacado que assegura a contiguidade do que ainda aparecerá na progressão textual é: 
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Q4000709 Português
Em qual das frases a seguir a regência do verbo é a mesma do verbo dar na sentença da linguagem verbal [...] “quis te dar um presente” [...]. Marque a alternativa correta:
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Q4000706 Português
TEXTO II

Leia este trecho de notícia de jornal:

        No início do ano haverá concursos para preenchimentos de todas as vagas ociosas na Unicamp, promovidos pelas unidades onde serão oferecidas. [...] Se não houverem candidatos aptos em número suficiente para preencher as vagas, elas serão oferecidas somente no ano seguinte.
    
        Mas nem tudo estaria perdido para esse hipotético leitor fracassado, porque ele teria sempre à sua disposição, na página, um considerável espaço em branco para tomar seus apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha... Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra “Ventania”. Serve?

(Folha de São Paulo, 11/02/1991). 
Nesse texto há duas passagens sintaticamente semelhantes que, se confrontadas, são contraditórias quanto à concordância verbal. Analise as afirmações a seguir.
I. “haverá concursos [...] para preenchimento de todas as vagas [...]”
II. “haverá concursos e [...] Se não houverem candidatos.”
III. “Se não houverem candidatos aptos [...], elas serão oferecidas no ano seguinte.”
Marque a alternativa na qual se encontram os itens que apresentam essas passagens contraditórias.
Alternativas
Q3999261 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.

A geração Covid: o impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças





Disponível em < https://saude.abril.com.br/familia/a-geracao-covid-o-impacto-da-pandemia-no-desenvolvimento-das-criancas/> (adaptado).
Analise o trecho a seguir:

“Com o isolamento social e uma rotina distante de outras crianças e da escola, boa parte dos pequenos teve experiências limitadas numa etapa da vida marcada por descobertas e a exploração do mundo.”

Ao trocarmos a expressão “boa parte dos pequenos” por “os pequenos”, quantas palavras sofreriam, obrigatoriamente, alteração para fins de concordância? 
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Q3999259 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.

A geração Covid: o impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças





Disponível em < https://saude.abril.com.br/familia/a-geracao-covid-o-impacto-da-pandemia-no-desenvolvimento-das-criancas/> (adaptado).
Analise as afirmativas abaixo.

I - Na linha 07, o termo “O universo”, no contexto em que se encontra, é o sujeito da oração.
II - Na linha 12, o termo “a”, no contexto em que se encontra, é adjunto adnominal.
III - Na linha 31, o termo “saúde”, no contexto em que se encontra, é o núcleo do sujeito composto.

Das afirmativas acima, qual(is) está(ão) correta(s)?
Alternativas
Q3999258 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.

A geração Covid: o impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças





Disponível em < https://saude.abril.com.br/familia/a-geracao-covid-o-impacto-da-pandemia-no-desenvolvimento-das-criancas/> (adaptado).
Na linha 01, o verbo “deixou”, no contexto em que se encontra, é 
Alternativas
Q3999003 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.


Manhã inútil


Drauzio Varella

Q_1_10.png (613×608)
Q1_10_.png (608×245)


Disponível em < https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/manha-inutil-artigo/> (adaptado).
Analise a frase abaixo:

“Olhei para o relógio, a manhã tinha ido embora.”

A expressão sublinhada exerce sintaticamente, dentro do contexto em que se encontra, a função de 
Alternativas
Q3999000 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.


Manhã inútil


Drauzio Varella

Q_1_10.png (613×608)
Q1_10_.png (608×245)


Disponível em < https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/manha-inutil-artigo/> (adaptado).
Observe a frase abaixo:

“Sozinho, em casa, o dia inteiro para me dedicar ao livro que não consigo terminar de escrever.”

O pronome sublinhado exerce a função de 
Alternativas
Q3998996 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.


Manhã inútil


Drauzio Varella

Q_1_10.png (613×608)
Q1_10_.png (608×245)


Disponível em < https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/manha-inutil-artigo/> (adaptado).
Analise as afirmativas abaixo em relação ao trecho “Arrumei a cama e abri a porta do quarto que dá para a sacada.”

I – O sujeito da primeira oração está implícito.
II – Na primeira oração, o objeto direto é “a cama”.
III – Em “a porta”, o “a” é adjunto adnominal.

Das afirmações acima, qual(is) está(ão) correta(s)?
Alternativas
Q3998285 Português
A obra de Carolina de Jesus, Quarto de Despejo: diário de uma favelada, é riquíssima em diversos aspectos, inclusive sociológicos, por registrar realisticamente as mazelas que havia em um ambiente violento e abandonado pelas políticas sociais. Esse livro, assim como outros da escritora, que poderia ser classificado como romance-diário ou autobiográfico, foi escrito na década de 1950, tendo sua primeira publicação em 1960, sem uma revisão gramatical completa, saindo ao público mais ou menos como ela apresentou nos seus originais. A autora havia estudado apenas as séries iniciais do antigo primário, portanto, a narrativa apresenta elementos marcados por forte oralidade, tanto que muitos pensaram que se tratava de golpe publicitário. Porém, o escritor Manuel Bandeira declarou que “(...) ninguém poderia inventar aquela linguagem, aquele dizer as coisas com extraordinária força criativa mas típico de quem ficou a meio do caminho da instrução primária” (JESUS, 2014, p. 9). 
Abaixo há três fragmentos retirados da obra de Carolina de Jesus nos quais ela narra sua história, apresentando alguns problemas quanto à norma culta, e que muitos deles se aproximam do linguajar oral. Identifique a opção que expressa esses trechos, mas de acordo com o que seria exigido pela norma padrão da língua portuguesa.
“Avisei as crianças que não tinha pão. Que tomassem café simples e comesse carne com farinha. (...) e os 13 cruzeiros não dava!” (JESUS, 2014, p. 10).
“Quando iniciei outro surgiu os filhos pedindo pão” (JESUS, 2014, p. 11).
“E lhe chinguei interiormente. Se estou gravida não é de sua conta. Tenho pavor destas mulheres da favela. Tudo quer saber!” (JESUS, 2014, p. 12).
Alternativas
Q3994478 Português
Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, a espera do adiante. Fogem da guerra que contaminara toda a sua terra. 
Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente desde que saíra do campo de refugiados. Se nota nele um leve coxear, uma perna demorando mais que o passo. Vestígio da doença que, ainda há pouco, o arrastara quase até a morte. 
(Mia Couto, Terra Sonâmbula) 
Assinale a opção incorreta em relação aos elementos do texto. 
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Q3994474 Português

Leia o texto a seguir:


VIBRAÇÕES


Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias. 


Sonoridade, colorido: eis o sentimento.

Dai o simbolismo popular das cores.


(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)  

Por qual preposição podemos trocar a palavra sublinhada sem alterar o sentido da frase: “Vibra o abismo etéreo à música das esferas. ” 
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Q3994177 Português

Texto CG3A2-I 


Gosto de morar em cidades pequenas precisamente porque, em sua maioria, elas costumam ser os lugares onde os princípios básicos que sustentam uma ética amorosa existem e são os padrões segundo os quais parte das pessoas tenta viver sua vida. Na cidade pequena onde vivo (atualmente, apenas parte do tempo), existe um espírito de vizinhança — de companheirismo, cuidado e respeito. Esses mesmos valores existiam nos bairros da cidade onde eu cresci. Embora eu passe a maior parte do tempo em Nova York, vivo num prédio que funciona como uma cooperativa, onde todos se conhecem. Nós nos protegemos e alimentamos o nosso bem-estar. Nós nos esforçamos para fazer de nossa casa um ambiente positivo para todos. Todos concordamos que a integridade e o cuidado melhoram a vida de todos nós. Tentamos viver pelos princípios da ética amorosa. 


Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021, p. 136-137. 

Exercem a mesma função sintática no texto CG3A2-I os termos  
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Q3993735 Português
Sobre a regência da Língua Portuguesa, assinale a única alternativa incorreta, de acordo com as normas gramaticais vigentes.
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Q3992802 Português
Texto 15A2-I
    Espero um tempo. Ela não diz nada. Parece olhar fixamente as minhas meias. Tiro devagar os cigarros do bolso esquerdo do paletó, apanho um com a ponta dos dedos, sem tirar o maço do bolso, e fico batendo o filtro no braço da poltrona enquanto procuro o isqueiro no bolso pequeno da calça. Antes de acendê-lo, penso mais uma vez que não deveria usar esses isqueiros plásticos descartáveis. Alguém me disse que não-sãodegradáveis-e-que-eu-deveria-ter-uma-atitude-um-pouco-maisecológica. Não consigo lembrar quem, quando, nem onde ou por quê. Rodo o isqueiro maligno entre os dedos, depois acendo o cigarro. Então ela diz:
    — Desculpe, mas acho que você está com as meias trocadas.
Caio Fernando de Abreu. Morangos mofados. 9.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 102. 
No trecho “Não consigo lembrar quem, quando, nem onde ou por quê” do texto 15A2-I, a forma “por quê” consiste em 
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Q3992288 Português
Tenho dez celulares e o sentimento do mundo

    O Dia das Mães veio e passou, com sua quantidade de anúncios, folhetinhos, encartes, promoções, outdoors, capas de revista e filas em restaurantes. Como todo mundo, eu também enjoei dessa overdose anual de exaltação à maternidade e às vendas. Mães são mães, filhos, filhos, e não há muito que uma data comercial possa acrescentar ou subtrair a fato tão simples, exceto pelo aspecto negativo de amplificar ausências, sublinhar carências e relembrar às famílias desconjuntadas a sua desconjuntação. De resto, menos um domingo no calendário.
    Mas será esse consumo desenfreado a única alternativa evolucionária do ser humano? Será que o nosso caminho natural, da aurora dos tempos ao fim da espécie, passa, necessariamente, pelas Casas Bahia? Há menos intenção crítica de minha parte do que curiosidade antropológica na questão. Criticar o consumismo é chover no molhado, e é, de certa maneira, rejeitar a própria condição humana, já que parte ponderável do nosso tempo e da nossa energia são gastos com o consumo. Isso não impede que eu considere uma das grandes tragédias da nossa época, a apresentação do consumismo como cura para todos os males; mas essa é outra história.
    O que me intriga é: o que faria o ser humano se não consumisse; e, onde ficam as fronteiras do consumo estritamente necessário para saber o que seria um hipotético humano não-consumista. E não, não adianta olhar para qualquer ponto de miséria extrema do planeta para obter a resposta, porque ela nunca está nos extremos. O que faria hoje um bípede médio em circunstâncias médias se, em algum momento ao longo dos últimos dois milhões de anos, nós não tivéssemos nos afastado dos demais animais inventando formas radicalmente novas de buscar comida, cobrir o corpo, fabricar utensílios e parcelar o pagamento?
    Ouço analistas econômicos discorrendo sobre a necessidade de se “aquecer as vendas”; observo o governo empurrando taxas de juros para aumentar ou conter o consumo. De tudo, fica a impressão de que o mundo só está de pé, se é que está, porque as pessoas vão às compras. Será que essa é mesmo a nossa maior finalidade existencial, aquela que garante a sobrevivência da espécie?
    Não estou descobrindo nenhuma novidade. Não falta quem estude o assunto, que já preocupava pensadores do século retrasado. Num nível mais simples, me basta uma única página do Aurélio, que traz tanto a definição de consumo, a “utilização de mercadorias e serviços para satisfação das necessidades humanas”, quanto a de consumismo, “sistema que favorece o consumo exagerado”. E o que é exagerado? Ah, aí preciso ir a outra página, onde, entre um verbete e outro, chego à conclusão de que não há definição possível para a essência da coisa, pelo simples motivo de que, embora qualquer um de nós saiba reconhecer um exagero quando o vê, o que é exagero para um pode ser necessidade básica para outro. E aí recomeçamos tudo do zero.

(Cora Rónai. O Globo. Segundo Caderno. Em: 15/05/2008. Adaptado.)
Considerando a norma culta da Língua Portuguesa, há ERRO de concordância em:
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Q3992283 Português
Tenho dez celulares e o sentimento do mundo

    O Dia das Mães veio e passou, com sua quantidade de anúncios, folhetinhos, encartes, promoções, outdoors, capas de revista e filas em restaurantes. Como todo mundo, eu também enjoei dessa overdose anual de exaltação à maternidade e às vendas. Mães são mães, filhos, filhos, e não há muito que uma data comercial possa acrescentar ou subtrair a fato tão simples, exceto pelo aspecto negativo de amplificar ausências, sublinhar carências e relembrar às famílias desconjuntadas a sua desconjuntação. De resto, menos um domingo no calendário.
    Mas será esse consumo desenfreado a única alternativa evolucionária do ser humano? Será que o nosso caminho natural, da aurora dos tempos ao fim da espécie, passa, necessariamente, pelas Casas Bahia? Há menos intenção crítica de minha parte do que curiosidade antropológica na questão. Criticar o consumismo é chover no molhado, e é, de certa maneira, rejeitar a própria condição humana, já que parte ponderável do nosso tempo e da nossa energia são gastos com o consumo. Isso não impede que eu considere uma das grandes tragédias da nossa época, a apresentação do consumismo como cura para todos os males; mas essa é outra história.
    O que me intriga é: o que faria o ser humano se não consumisse; e, onde ficam as fronteiras do consumo estritamente necessário para saber o que seria um hipotético humano não-consumista. E não, não adianta olhar para qualquer ponto de miséria extrema do planeta para obter a resposta, porque ela nunca está nos extremos. O que faria hoje um bípede médio em circunstâncias médias se, em algum momento ao longo dos últimos dois milhões de anos, nós não tivéssemos nos afastado dos demais animais inventando formas radicalmente novas de buscar comida, cobrir o corpo, fabricar utensílios e parcelar o pagamento?
    Ouço analistas econômicos discorrendo sobre a necessidade de se “aquecer as vendas”; observo o governo empurrando taxas de juros para aumentar ou conter o consumo. De tudo, fica a impressão de que o mundo só está de pé, se é que está, porque as pessoas vão às compras. Será que essa é mesmo a nossa maior finalidade existencial, aquela que garante a sobrevivência da espécie?
    Não estou descobrindo nenhuma novidade. Não falta quem estude o assunto, que já preocupava pensadores do século retrasado. Num nível mais simples, me basta uma única página do Aurélio, que traz tanto a definição de consumo, a “utilização de mercadorias e serviços para satisfação das necessidades humanas”, quanto a de consumismo, “sistema que favorece o consumo exagerado”. E o que é exagerado? Ah, aí preciso ir a outra página, onde, entre um verbete e outro, chego à conclusão de que não há definição possível para a essência da coisa, pelo simples motivo de que, embora qualquer um de nós saiba reconhecer um exagero quando o vê, o que é exagero para um pode ser necessidade básica para outro. E aí recomeçamos tudo do zero.

(Cora Rónai. O Globo. Segundo Caderno. Em: 15/05/2008. Adaptado.)
No trecho “Mas será esse consumo desenfreado a única alternativa evolucionária do ser humano?” (2º§), o termo evidenciado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por, EXCETO: 
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Q3992256 Português

Maneira de amar


O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
    Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
    O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.
    Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?” “Não”, respondeu. “Estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava.”


(Armazém de Textos. Em: 08/08/2019. Carlos Drummond de Andrade. Adaptado.)

Considerando que o sujeito é o termo essencial da oração sobre o qual se diz alguma coisa, trata-se de afirmativa que expressa sujeito oculto:
Alternativas
Q3992253 Português

Maneira de amar


O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
    Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
    O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.
    Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?” “Não”, respondeu. “Estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava.”


(Armazém de Textos. Em: 08/08/2019. Carlos Drummond de Andrade. Adaptado.)

No trecho “Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.” (2º§), o termo destacado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por:
Alternativas
Respostas
24561: C
24562: C
24563: D
24564: B
24565: A
24566: D
24567: B
24568: A
24569: B
24570: E
24571: C
24572: B
24573: B
24574: A
24575: B
24576: B
24577: B
24578: C
24579: C
24580: C