Questões de Concurso
Comentadas sobre sintaxe em português
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“Empregadas desde o Neolítico (10.000 a.C.-4500 a.C.) até a Idade Média, as ânforas eram as embalagens one-way (fabricadas para serem usadas uma única vez) da Antiguidade. Com capacidades de cinco a 80 litros, nelas transportava-se todo tipo de gêneros alimentícios: de azeite, vinho, mosto, mel, cereais e azeitonas, a vegetais em conserva e garo – um condimento de peixe tão apreciado na cozinha romana quanto hoje o molho de soja na asiática. [...]”
ÂNFORAS: de recipiente descartável a tesouro arqueológico. Planeta, 14 de agosto de 2023. Disponível em: https://revistaplaneta.com.br/anforas-derecipiente-descartavel-a-tesouro-arqueologico/. Acesso em: 28 set. 2023.
Nesse trecho, qual é o sujeito do verbo “transportar”?
Medo de ensinar
Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica
Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.
Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.
Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.
É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?
A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.
Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.
Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.
Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.
E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.
PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmativa correta a respeito da construção sintática “a minha inabalável crença no fracasso da raça humana” (6º parágrafo).
Medo de ensinar
Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica
Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.
Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.
Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.
É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?
A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.
Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.
Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.
Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.
E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.
PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.
1. Quando é que o chefe viaja?
2. Quando é que disse o que disse?
3. A palavra “ontem” é um advérbio de tempo?
4. Se a palavra “ontem” for deslocada para o início da frase, ela muda o sentido do que foi enunciado?
5. A palavra “ontem” funciona como adjunto adverbial?
Quais questões demonstram uma abordagem de análise linguística que ultrapassa a identificação morfológica ou sintática dos termos?
Leia o texto a seguir.
Amor proibido
Fernanda, bela, carismática, filha de uma família muito rica.
Ele, belo, sem nome, simples, de uma família pobre. Pobre não tem nome; tem apelido.
Conheceram-se na praça. Apaixonaram-se na praça.
Começaram a escrever uma história de amor. Todavia, foram vistos pelo irmão dela e, este ao contar para os pais, aquela história foi dada como ponto final. Para os dois, fez-se em reticências............
Reticências estas que denunciaram, em fuga, a continuação daquela história de amor.
Fabiana e Otávio – Alunos do Ensino Médio de uma escola pública.
I. Na frase Vi o homem com o telescópio, há um vício de linguagem denominado ambiguidade.
II. A frase A casa antiga sussurra histórias nas paredes de pedra possui sentido conotativo.
III. Há um verbo de ligação na frase Eles parecem felizes com a notícia.
Pode-se afirmar que:
Outro estudo realizado com oito adultos jovens só observou um aumento no gasto energético 'quando a água estava fria' − 'relatando um aumento muito modesto de 4% nas calorias queimadas'.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cw89e6n4487o. Adaptado
As orações destacadas na frase, são, respectivamente:
São necessárias mais pesquisas' para verificar se este efeito também é observado em outros grupos.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cw89e6n4487o.
Adaptado Sintaticamente, na oração destacada, o:
Um estudo mostrou 'que' adultos de meia-idade e mais velhos perderam 2 kg num período de 12 semanas 'quando' beberam água antes das refeições.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cw89e6n4487o. Adaptado
Conectivos são fundamentais para se identificar as orações. Os destacados na frase são, respectivamente:
I. O sujeito é oculto (“eu”, que não é mencionado, mas é implicitamente entendido).
II. esta carta é o objeto indireto da ação de entregar.
Pode-se afirmar que:
Leia o miniconto a seguir.
Meu pai não me ama
“Pai, você não me ama!”
“Como assim, meu filho! Falta-lhe comida?”
“Não.”
“Falta-lhe vestes para cobri-lo?”
“Não.”
“E você me diz que não o amo? Explique-me o porquê?”
“Meu estômago está alimentado, no entanto meu coração está faminto por falta de afeto. Meu corpo estácoberto pelas vestes, porém falta-me abraço, para que eu me aqueça e não sinta o frio da solidão.”
Antônio e Caio – Alunos do Ensino Médio de uma escola pública.
Leia o miniconto a seguir.
Meu pai não me ama
“Pai, você não me ama!”
“Como assim, meu filho! Falta-lhe comida?”
“Não.”
“Falta-lhe vestes para cobri-lo?”
“Não.”
“E você me diz que não o amo? Explique-me o porquê?”
“Meu estômago está alimentado, no entanto meu coração está faminto por falta de afeto. Meu corpo estácoberto pelas vestes, porém falta-me abraço, para que eu me aqueça e não sinta o frio da solidão.”
Antônio e Caio – Alunos do Ensino Médio de uma escola pública.
Leia o texto a seguir.
ESTIMAÇÃO
O apartamento era minúsculo.
− Mal cabe a nossa família − dizia a mãe. − Além disso, anda infestado de insetos, que não sei de onde vieram.
Guardando sua barata na caixinha, o menino resmunga: “Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”...
Sandra
Leia o texto a seguir.
ESTIMAÇÃO
O apartamento era minúsculo.
− Mal cabe a nossa família − dizia a mãe. − Além disso, anda infestado de insetos, que não sei de onde vieram.
Guardando sua barata na caixinha, o menino resmunga: “Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”...
Sandra