Após ler o Texto, um professor dos Anos Finais elaborou as ...

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Q3647125 Português
É um Adjunto, e daí?

Na prática escolar típica, tanto os ensinamentos quanto os exercícios e as avaliações param, frequentemente, na identificação de objetos e funções. É comum que se solicite a alunos ou vestibulandos que respondam se tal palavra é um adjetivo ou um substantivo, se um certo “que” é uma conjunção integrante ou um pronome etc. A minha pergunta, que tenho feito a professores em palestras, e que repito aqui, é a seguinte: depois que você achou um advérbio, o que é que você faz com ele? Pergunto sempre isso porque acho que o importante não é identificar, embora este possa ser o primeiro e necessário passo para depois poder dar outros. Mas, repito, em geral, para-se na identificação. Eu diria que o mais importante não é identificar, mas tentar explicitar o que é que tal palavra ou locução está fazendo aí. Especialmente, que importância tem para a significação. Com quais outras palavras ou expressões está relacionada? Se mudasse de lugar, provocaria uma mudança no sentido?

Tomemos um exemplo bastante simples (se é que há algum exemplo simples em alguma língua), a frase: “O chefe disse que ia viajar ontem.” Tenho certeza de que, se essa frase fizesse parte de um exame qualquer, e supondo que o examinador quisesse checar o conhecimento do candidato a propósito de “ontem” perguntaria pela função dessa palavra na frase ou por sua classificação segundo a gramática. [...]

POSSENTI, Sírio. A cor da língua e outras croniquinhas de linguista. Campinas: Mercado das Letras, 2009. p. 22-23
Após ler o Texto, um professor dos Anos Finais elaborou as seguintes questões para a frase “O chefe disse que ia viajar ontem”:
1. Quando é que o chefe viaja?
2. Quando é que disse o que disse?
3. A palavra “ontem” é um advérbio de tempo?
4. Se a palavra “ontem” for deslocada para o início da frase, ela muda o sentido do que foi enunciado?
5. A palavra “ontem” funciona como adjunto adverbial?
Quais questões demonstram uma abordagem de análise linguística que ultrapassa a identificação morfológica ou sintática dos termos?
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