Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

Foram encontradas 38.376 questões

Q3339313 Português
Texto CG1A1

    Há muito chegamos à convicção de que a ciência no Brasil, custeada quase exclusivamente pelos cofres públicos, requer, para o apoio que merece, a compreensão da comunidade. Mas esse entendimento não se consegue, ao contrário do que parecem imaginar os cientistas, pela mera exaltação dos méritos da ciência; atinge-se pela paciente educação do povo a respeito do que ela faz e das implicações de suas conquistas.
    Também julgamos útil esse conhecimento como meio de difundir e mesmo criar atitudes que, indispensáveis ao cientista, não podem deixar de favorecer a boa formação do cidadão comum. Citamos, entre elas, o interesse pela criatividade, o espírito crítico, a busca de isenção nas conclusões e de alternativas, a contínua vigilância para que o simplesmente emocional não nos falseie o raciocínio.
    Essas qualidades têm sentido cada vez maior na sociedade moderna, que tanta força procura na tecnologia, hoje, mais do que nunca, fundada na pesquisa científica. Elas são importantes não apenas para ajudar-nos na solução objetiva de muitos problemas, nas encruzilhadas da vida, mas também para aprimoramento de muitas instituições, entre as quais a educação.
     A necessidade de um ensino vivo, em que o “túnel pedagógico” não abafe as potencialidades naturais do educando, é condição que os que militam na ciência e compreendem o que seja essa atividade defendem com empenho, assim como a defendem todos os que procuram obter, pelo sistema educacional, indivíduos capazes de ampla realização pessoal e social. É indiscutível, ao menos em nosso meio, o relevante papel que os cientistas têm tido na adoção de melhores métodos de ensino das ciências e, por extensão, do ensino em geral.  

José Reis. Responsabilidade de cientistas e jornalistas científicos. In: Luisa Massarani e Eliane Dias (org.). José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica. Rio de Janeiro: Fiocruz; COC, 2018 [Originalmente publicado em: Ciência e Cultura, v. 26, n. 7, 1974] (com adaptações). 
Estariam preservados os sentidos e a correção gramatical do texto CG1A1 caso se substituísse a forma verbal  
Alternativas
Q3339312 Português
Texto CG1A1

    Há muito chegamos à convicção de que a ciência no Brasil, custeada quase exclusivamente pelos cofres públicos, requer, para o apoio que merece, a compreensão da comunidade. Mas esse entendimento não se consegue, ao contrário do que parecem imaginar os cientistas, pela mera exaltação dos méritos da ciência; atinge-se pela paciente educação do povo a respeito do que ela faz e das implicações de suas conquistas.
    Também julgamos útil esse conhecimento como meio de difundir e mesmo criar atitudes que, indispensáveis ao cientista, não podem deixar de favorecer a boa formação do cidadão comum. Citamos, entre elas, o interesse pela criatividade, o espírito crítico, a busca de isenção nas conclusões e de alternativas, a contínua vigilância para que o simplesmente emocional não nos falseie o raciocínio.
    Essas qualidades têm sentido cada vez maior na sociedade moderna, que tanta força procura na tecnologia, hoje, mais do que nunca, fundada na pesquisa científica. Elas são importantes não apenas para ajudar-nos na solução objetiva de muitos problemas, nas encruzilhadas da vida, mas também para aprimoramento de muitas instituições, entre as quais a educação.
     A necessidade de um ensino vivo, em que o “túnel pedagógico” não abafe as potencialidades naturais do educando, é condição que os que militam na ciência e compreendem o que seja essa atividade defendem com empenho, assim como a defendem todos os que procuram obter, pelo sistema educacional, indivíduos capazes de ampla realização pessoal e social. É indiscutível, ao menos em nosso meio, o relevante papel que os cientistas têm tido na adoção de melhores métodos de ensino das ciências e, por extensão, do ensino em geral.  

José Reis. Responsabilidade de cientistas e jornalistas científicos. In: Luisa Massarani e Eliane Dias (org.). José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica. Rio de Janeiro: Fiocruz; COC, 2018 [Originalmente publicado em: Ciência e Cultura, v. 26, n. 7, 1974] (com adaptações). 
A respeito das relações de concordância estabelecidas no texto CG1A1, julgue os itens a seguir.

I No segundo período do primeiro parágrafo, o termo “consegue” concorda com a expressão “esse entendimento”.
II No primeiro período do terceiro parágrafo, o termo “procura” concorda com a expressão “tanta força”.
III No primeiro período do terceiro parágrafo, a palavra “fundada” concorda com o termo “sociedade”.
IV No primeiro período do quarto parágrafo, a forma verbal “defendem”, em suas duas ocorrências, concorda com o segmento “os que militam na ciência e compreendem o que seja essa atividade”.

Assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3338355 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Limites aos supersalários

O pacote do governo inclui limites para os supersalários no serviço público, que......quando servidores e autoridades conseguem driblar o limite constitucional, atualmente fixado em R$ 44 mil.

Isso geralmente é feito como pagamento de benefícios enquadrados como indenizações, que...... de fora do teto remuneratório — algo especialmente comum no Poder Judiciário.

Uma proposta de emenda constitucional (PEC) aprovada na Câmara prevê que somente......ser pagos valores acima do limite quando forem indenizações previstas em lei ordinária,...... nacionalmente a todos os Poderes.

Isso visa impedir decisões administrativas criadas pelos órgãos de forma a beneficiar suas categorias.

O texto aprovado na Câmara, no entanto, sofreu mudança em relação à versão enviada originalmente pelo governo.

A proposta inicial falava em lei complementar em vez de lei ordinária — como a aprovada por deputados.

A diferença é que a lei complementar é mais difícil de ser aprovada. Além disso,...... que eventuais benefícios já previstos em leis ordinárias sejam mantidos.

As mudanças atenderam à pressão de categorias afetadas e foram...... por parlamentares que entenderam que elas enfraquecem a possibilidade de limitar os supersalários do funcionalismo público


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2l8rddd7mo adaptado)
Tendo em vista que a concordância verbal trata das relações de número e pessoa que se estabelecem entre o verbo e o sujeito a ele relacionado e a concordância nominal trata das relações de gênero e número que se estabelecem entre o substantivo e as palavras que a ele se referem, identifique a sequência de palavras que preenche adequadamente as lacunas do texto "Limites aos supersalários".
Alternativas
Q3336616 Português
Algumas palavras sofrem, ou não, alterações mediante a relação com o núcleo dos sintagmas a que se referem. Marque a alternativa em desacordo com tal afirmativa: 
Alternativas
Q3336613 Português
A expressão “que”, no segundo quadrinho, é um elemento de coesão textual e pode ser classificado como:
Alternativas
Q3336612 Português
Podemos dizer que a tirinha:

I. Retrata situações distintas de comunicação em que há uma sequência lógica entre os quadros, constituída a partir de vários elementos.
II. Pode-se ler um quadrinho isoladamente sem modificar o sentido global do texto.
III. A palavra “aí”, no segundo quadrinho, serve de elemento conector de condição por representar o uso coloquial da comunicação.
IV. “E”, no terceiro quadrinho, liga a segunda cena à terceira, estabelecendo uma relação de adição.
V. O pronome “ele”, na segunda cena, retoma o termo “genro” e o assunto da conversa. Tal estratégia enunciativa, entre outras, é responsável pela textualidade. 
Alternativas
Q3336607 Português
TEXTO V – APANHO TODOS OS DIAS DA GRAMÁTICA.
ELA NÃO É TÃO IMPORTANTE ASSIM

Conceição Freitas, Metrópoles, 03/09/2019


Verissimo, filho do Érico, tem uma crônica saborosa sobre a língua portuguesa. Que as feministas mais aguerridas não nos leiam, ele diz que a gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda. Eu apanho dela todos os dias.

Nunca consegui decorar regras gramaticais. Tudo que é muito explicadinho me confunde. Sorte minha é que a memória visual das boas leituras tem me ajudado desde sempre a não tropeçar nos erros mais grotescos. Sei que "paralisação" é com S, que "cônjuge" se escreve assim, que "cafta" é uma receita da culinária árabe e "Kafka" é o genial escritor austríaco.

O conhecimento da língua portuguesa não é um valor moral e nem mesmo distingue quem é inteligente de quem não é. O rigor na obediência às regras gramaticais é um divisor de classe – os cultos e os supostamente incultos; os inteligentes e os burros; os graduados e os sem graduação.

O Verissimo escreveu o que quero dizer de um jeito delicioso: “...a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar (e quando possível surpreender, iluminar, divertir, comover...). Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com a gramática). A gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí de interesse restrito de necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em gramática pura.”

Impura, sigo apanhando da gramática mesmo tendo de lidar com ela todos os dias, há tanto tempo que nem é bom contar.

Não consigo decorar, por exemplo, quando devo usar “senão” ou “se não”. (“Senão” significa “do contrário”. Como no exemplo: “Me escute, senão vou embora.” “Se não” quer dizer “caso não”. Assim: “Se não vier logo, perderá a vez.” Mas como a língua portuguesa não facilita pra ninguém, se for trocar o “se não” por “caso não”, muda a conjugação do verbo: “Caso não venha logo, perderá a vez.”) Nem adianta escrever uma crônica sobre o “senão”. Da próxima vez, terei de “googlar” de novo. Desconfio que há uma razão freudiana nessa minha dificuldade com o “se” e o “não”. Talvez porque não me dê bem com dubiedades.

Se for pra contar vantagem, posso dizer que tiro de letra o uso do “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”. Também sei de cor, desde criancinha, todas as preposições simples: “A, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sobre, sob, trás”. Talvez tenha sido a única lista que decorei no tempo da escola. Como ouvi há muito tempo de um psicanalista: “Não existe memória, existe desejória.” Por isso, só guardo o que é essencialmente importante.

Se não morri até agora, disso não morro mais. Será que acertei? (Se errei, senhor revisor, me diga, que incluo suas considerações. Grata.) Senão, posso perder os leitores que pacientemente venho tentando conquistar. (Acho que agora acertei!)
O texto apresenta e explica sobre o uso do “se não” e “senão”: “Senão” significa “do contrário”. Como no exemplo: “Me escute, senão vou embora.” “Se não” quer dizer “caso não.” Sobre essas singularidades da língua, marque a opção que se apresenta em desacordo com a norma:
Alternativas
Q3336604 Português
TEXTO IV – A menina e o pássaro encantado

(Rubem Alves, Ciranda Cultural – texto adaptado)


Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo. Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades...

As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como algodão...

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti...

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia e sonhava que voava nas asas do pássaro. Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre. (...)
Marque a opção que analisa corretamente os termos em destaque, de acordo com a função sintática:

I. Ele era um pássaro diferente de todos os demais. II. Convidei-a para ouvir as canções e as histórias daquele lugar. III. Gostaria de voar comigo? IV. Pássaro, tenho confiança em ti. V. Contou-me as mais belas histórias.
Alternativas
Q3336601 Português
TEXTO II – Poema tirado de uma notícia de jornal


(Manuel Bandeira; Libertinagem, 1930)


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro
da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


TEXTO III – Receita da felicidade

(Domínio público)


Ingredientes:
3 xícaras de bondade,
5 colheres de perdão,
1 xícara de alegria,
½ litro de sinceridade,
Esperança a gosto.


Modo de fazer:
Aqueça o forno em temperatura branda enquanto mistura com
cuidado e carinho todos os ingredientes. Lembre-se, diariamente,
de misturar os ingredientes para equilibrar a mistura. Sirva-se
bem!


O texto II, como se pode observar a partir do próprio título, apresenta sua estrutura de uma maneira específica, em que a adequação às regras gramaticais é substituída pela licença poética. Dentre esses recursos, podemos destacar:
Alternativas
Q3336249 Português
Texto 4


Analfabetos

Hoje considera-se que há dois tipos de analfabetos. O analfabeto específico que é o homem que não sabe ler nem escrever, e o analfabeto funcional, que é o homem que sabe ler e escrever, que pode até ter diversos graus de educação e que, do ponto de vista cultural, é tão analfabeto, ou mais do que o outro; mais, digo eu, porque perdeu a cultura popular, de experiência, de costume tradicional etc., que o analfabeto da aldeia possui, e não adquiriu outra. (Jorge de Sena)
“Hoje considera-se que há dois tipos de analfabetos” (texto 4); uma outra forma de voz passiva dessa mesma frase é:
Alternativas
Q3336246 Português
Texto 3


Método científico

Certamente a ciência se iniciou num tempo muito anterior ao registro histórico e ao das artes das cavernas. Talvez tenha nascido com o Homem, com as primeiras formas de magia tribal, resultantes das perplexidades dos primitivos diante dos fenômenos naturais e suas forças. Daí não só surgiram os embriões das religiões primitivas, como também as fontes dos conhecimentos, das experiências acumuladas pelo homem através dos séculos. Os detentores destes conhecimentos, os feiticeiros, poderiam ser comparados a sacerdotes e, mais ainda, a cientistas primitivos que, no seu empirismo, através de seus ritos mágicos, procuravam “recriar”, ou então, amenizar os fenômenos naturais.

No momento em que o homem se deu conta de que as mágicas não mereciam muita confiança, que ora davam certo, ora não, no momento em que percebeu que outros fatores, não mágicos, atuavam nos fenômenos, um importante passo foi dado. (Paulo Quintanilha Nobre de Mello) 
“Certamente a ciência se iniciou num tempo muito anterior ao registro histórico e ao das artes das cavernas.”
Sobre esse segmento inicial do texto 3, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3336189 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


A escrita criativa pode ser ensinada?


    É uma pergunta sensata, mas por mais vezes que me tenha sido feita, nunca sei realmente o que responder. Porque se o que as pessoas querem dizer é “pode o amor à linguagem ser ensinado?”, “pode o talento para a narração de histórias ser ensinado?”, então a resposta é não. Talvez seja esta a razão por que a pergunta é formulada tantas vezes num tom cético que sugere que, diferentemente da tabuada de multiplicar ou dos princípios da mecânica automobilística, a criatividade não pode ser transmitida de professor para aluno. Imagine Milton inscrevendo-se num programa de pós-graduação para obter ajuda com *Paraíso perdido*, ou Kafka suportando um seminário em que seus colegas o informam que, francamente, a passagem em que o sujeito acorda uma manhã pensando que é um inseto gigante não os convence. O que me confunde não é a sensatez da pergunta, mas o fato de que ela está sendo feita a uma escritora que ensinou escrita, intermitentemente, por quase 20 anos. Que impressão eu daria sobre mim, meus alunos e as horas que passamos na sala de aula se dissesse que qualquer tentativa de ensinar a escrita de ficção é uma completa perda de tempo? Provavelmente teria de ir em frente e admitir que andei cometendo uma fraude criminosa.



(Adaptado de: PROSE, Francine. Para ler como um escritor: um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los. São Paulo: Zahar, 2008. p. 8-9)
No trecho Talvez seja esta a razão por que a pergunta é formulada tantas vezes, o termo por que pode ser substituído, mantendo o sentido e a adequação gramatical, por: 
Alternativas
Q3336181 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo


        Durante muito tempo, Thalia pensou que o fato de nascer em uma família ou outra era um mero acidente circunstancial, não um aspecto decisivo que reverberava em cada mínimo detalhe de uma vida. Com o início de carreira no teatro, ela passou a conhecer cada vez mais pessoas – e diferentemente do que aconteceu no período escolar, os amigos se diversificaram, vindos de várias partes da cidade, com experiências diversas. Quase ninguém mencionava os pais, irmãos ou avós; as poucas ocasiões em que Thalia conheceu os parentes de um colega foram sempre momentos furtivos, quando, por exemplo, ia à casa de um deles para estudar um texto ou levar uma encomenda qualquer. As saudações eram feitas em voz baixa, a pessoa da família em geral desaparecia minutos depois e não era mais mencionada. Havia as noites de estreia, claro, e nelas surgiam muitos rostos levemente familiares, para os cumprimentos. Thalia reconhecia em uns e outros as feições dos amigos, sorria para esses rostos como estranhas variações de uma fisionomia, descobria espantada que a aparência única de alguém era na verdade um exemplar previsível dentro de uma série: quando via uma amiga ao lado das irmãs, da mãe, às vezes não conseguia conter um sorriso. Era estranho que fossem tão parecidas, que os olhos se repetissem, o formato da boca, até os gestos ou o timbre da voz. Por um instante, Thalia achava que não fossem exatamente pessoas, e sim reflexos num tipo de projeto teatral – mas logo se via tocando aquela gente, abraçando, reparando nas pequenas diferenças de estatura, marcas de idade, roupas que as distinguiam.


(Adaptado de: MONTENEGRO, Tércia. Um prego no espelho. São Paulo: Companhia das Letras, 2024)
No trecho Por um instante, Thalia achava que não fossem exatamente pessoas, e sim reflexos num tipo de projeto teatral, a expressão “e sim” tem como principal objetivo: 
Alternativas
Q3336177 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Desistir


Sempre será mais fácil desistir antes da partida. A tentação será por vezes incontrolável. As razões para ficar se multiplicarão. Haverá sempre apoiadores do abandono nas horas mais áridas. Daremos à desistência outro nome: engano, mudança, impossibilidade, amadurecimento, sensatez. Daremos à desistência outro dono: data, distância, orçamento, meteorologia, imprevisto, discórdia, traição. Antes de partir, podemos achar que a desistência é uma opção segura. Que os meses seguintes serão como os que passaram. Que a vida seguirá como até então seguiu. Contudo desistir é renunciar à chance de partir. A chance de descobrir que a vida pode ser muito diferente do que ela parece ser. Que nosso peito pode aguentar mais trancos, que nossas mãos podem ser mais precisas, que nossa garganta pode projetar mais vozes, que nossos olhos podem ver mais cores do que achávamos possível. Se soubéssemos o tamanho dos desafios da viagem, nunca partiríamos. E nunca descobriríamos que, de alguma forma, poderíamos vencê-los.


(Adaptado de: KLINK, Tamara. Nós: o Atlântico em solitário. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. p. 9-10)
Com base na análise dos conectivos, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q3336175 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Desistir


Sempre será mais fácil desistir antes da partida. A tentação será por vezes incontrolável. As razões para ficar se multiplicarão. Haverá sempre apoiadores do abandono nas horas mais áridas. Daremos à desistência outro nome: engano, mudança, impossibilidade, amadurecimento, sensatez. Daremos à desistência outro dono: data, distância, orçamento, meteorologia, imprevisto, discórdia, traição. Antes de partir, podemos achar que a desistência é uma opção segura. Que os meses seguintes serão como os que passaram. Que a vida seguirá como até então seguiu. Contudo desistir é renunciar à chance de partir. A chance de descobrir que a vida pode ser muito diferente do que ela parece ser. Que nosso peito pode aguentar mais trancos, que nossas mãos podem ser mais precisas, que nossa garganta pode projetar mais vozes, que nossos olhos podem ver mais cores do que achávamos possível. Se soubéssemos o tamanho dos desafios da viagem, nunca partiríamos. E nunca descobriríamos que, de alguma forma, poderíamos vencê-los.


(Adaptado de: KLINK, Tamara. Nós: o Atlântico em solitário. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. p. 9-10)
Nos segmentos abaixo, o termo “que” é pronome relativo em: 
Alternativas
Q3336014 Português
Texto 1


Etnias e culturas do Brasil

Diante de um mapa do Brasil as diversidades regionais, oriundas dos contrastes geográficos, são ainda enriquecidas pela variação da paisagem cultural. Torna-se possível, enfim, em face das variedades geográficas e culturais, fixar duas regiões bem definidas, uma em que ainda se mantém viva a predominância da base cultural lusitana, outra em que os traços culturais não lusitanos – os alemães, os italianos, os poloneses, os japoneses – vêm dando nova coloração à paisagem tanto física ou geográfica como social e cultural. (Manuel Diégues Jr.)
A preposição DE ora é empregada por exigência de um termo anterior, ora é empregada por necessidade semântica, não sendo exigida pela regência de um termo anterior.
O termo abaixo (texto 1), introduzido pela preposição DE, que é fruto de exigência anterior é:
Alternativas
Q3335910 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.


O fim do mundo


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

    Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

    Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

    Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

    Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

    Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

    O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos — além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

    Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

    Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus — dono de todos os mundos — que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos — segundo leio — que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

    Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total. 

    Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês.


(MEIRELES, Cecília. Quatro vozes. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998).
A partir dos trechos abaixo, retirados do texto, analise as alternativas a seguir sobre a estrutura das orações e marque a opção correta:

1º. “Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo.”
2º. “Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.”
3º. “Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.” 
Alternativas
Q3335907 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.


O fim do mundo


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

    Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

    Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

    Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

    Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

    Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

    O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos — além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

    Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

    Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus — dono de todos os mundos — que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos — segundo leio — que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

    Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total. 

    Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês.


(MEIRELES, Cecília. Quatro vozes. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998).
Na oração: “O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido.”, o sujeito do verbo “vai acabar” é:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: MPU Provas: FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Contabilidade | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Atuarial | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Florestal | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Mecânica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Economia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Arquivologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Sanitária | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Oftalmologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Junta Médica em Psiquiatria | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Clínica Médica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Comunicação Social | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Antropologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Enfermagem | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Arquitetura | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Agronômica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Geografia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Geologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Civil | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia de Segurança do Trabalho | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Biologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Medicina do Trabalho | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Ginecologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Elétrica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Oceanografia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Tecnologia da Informação e Comunicação | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Odontologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Psicologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Serviço Social | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Suporte e Infraestrutura | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Biblioteconomia |
Q3335571 Português
Observe a seguinte frase:
“Não cheguei a assistir o início do show no final de ano”.

A frase abaixo em que o verbo “assistir” é empregado no mesmo sentido que mostra na frase acima é:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: MPU Provas: FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Contabilidade | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Atuarial | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Florestal | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Mecânica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Economia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Arquivologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Sanitária | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Oftalmologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Junta Médica em Psiquiatria | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Clínica Médica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Comunicação Social | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Antropologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Enfermagem | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Arquitetura | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Agronômica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Geografia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Geologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Civil | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia de Segurança do Trabalho | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Biologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Medicina do Trabalho | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Ginecologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Elétrica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Oceanografia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Tecnologia da Informação e Comunicação | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Odontologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Psicologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Serviço Social | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Suporte e Infraestrutura | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Biblioteconomia |
Q3335566 Português
Observe a seguinte frase: “Dá-lhes o dinheiro necessário!”.
A única frase abaixo em que houve uma forma adequada de apassivação dessa frase é:
Alternativas
Respostas
7541: D
7542: A
7543: B
7544: D
7545: C
7546: C
7547: E
7548: B
7549: B
7550: C
7551: B
7552: C
7553: A
7554: E
7555: A
7556: B
7557: D
7558: C
7559: D
7560: B