Considere a passagem do texto 01: “O silêncio digital pode, ...

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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01



Silêncio digital 



    Acordamos e pegamos o celular logo de cara. Passamos pelas novidades no feed, nos emocionamos com uma postagem, damos risada com um vídeo de 15 segundos, mandamos um “olha isso” no grupo de amigos. Curtimos, salvamos para ver depois e às vezes compartilhamos no privado com alguém. Mas sem postar nada, nem um stories ou foto na linha do tempo. Esse comportamento tem nome: silêncio digital. É quando consumimos conteúdo nas redes sociais sem produzir, comentar ou nos expor. Uma espécie de presença invisível, que não é ausência, mas uma escolha que vai de cada um.

    Na lógica das redes, quem não se expõe parece não existir. Só que, para muitas pessoas, o silêncio é uma forma de cuidado. “Vivemos numa cultura em que compartilhar é quase compulsório. Existe uma expectativa de que todos exponham algo como uma conquista, uma dor, uma opinião. Mas há quem simplesmente não se sinta à vontade com isso, e está tudo bem”, explica a psicanalista Tássia Borges. Segundo ela, esse comportamento não é necessariamente um problema. “Existem pessoas que preferem observar. Elas estão presentes, mas de uma forma mais discreta e reflexiva. Isso pode ser uma forma de preservar a própria intimidade ou mesmo de evitar a angústia de algum tipo de julgamento. Em vez de se silenciar por medo, algumas pessoas escolhem o silêncio como um gesto de liberdade. É uma maneira de se proteger do ruído constante que as redes nos impõem”, complementa.

    Nos últimos anos, esse movimento ganhou contornos mais visíveis e até nome: o chamado low profile. É uma estética da contenção, marcada por poucas publicações, poucos seguidores, ausência de selfies e legendas mínimas ou quase inexistentes. “Muitos se decepcionam com o excesso de exposição. Quando um perfil vira um canal de publicidade, isso frustra. O low profile surge como contraponto: um desejo de autenticidade”, analisa Tássia. [...] Ela observa que o silêncio pode ter diferentes origens. “Pode vir de uma exaustão emocional, de um momento de recolhimento, ou até de uma fase de transformação interna. [...] “Quando nos afastamos das expectativas externas, ganhamos espaço para entender o que realmente importa para nós”, reflete. As redes sociais criaram uma lógica onde o extraordinário parece regra. “Todo mundo está vencendo, sendo feliz, produtivo. E quando você não está bem, isso machuca”. A comparação constante alimenta a angústia, e muitos buscam no silêncio uma pausa necessária, uma espécie de detox digital.

    Entre os fatores emocionais mais comuns estão o excesso de comparação, o medo de não corresponder a padrões idealizados e a sobrecarga mental provocada por tanta informação. “Muitas pessoas chegam à terapia se sentindo exaustas e sem saber exatamente por quê. Quando investigamos, percebemos que a fadiga vem do excesso de estímulo. É uma mente que nunca descansa”, diz Tássia.

    Por isso, o silêncio digital às vezes também é uma tentativa de se proteger da “infodemia” (excesso de informações, muitas vezes contraditórias, que confunde mais do que orienta) e também do chamado “doomscrolling”, o hábito de consumir compulsivamente notícias negativas, que alimenta a ansiedade e o medo. “A pessoa desliza o dedo sem parar, achando que está se informando, mas no fundo só se afunda mais num estado de alerta e preocupação constante”, observa. O silêncio digital pode, sim, ser uma escolha saudável, mas também pode ser um sinal de esgotamento emocional. O que diferencia essas duas situações, segundo Tássia, é o estado emocional que leva à decisão. “Quando a pessoa percebe que algo não está fazendo bem e decide se afastar das redes para cuidar da própria saúde mental, isso é uma escolha consciente e saudável. Mas quando esse afastamento acontece de forma impulsiva e sem reflexão, pode indicar uma tentativa de fuga.” Ela ressalta que muitas vezes o discurso vem disfarçado: “Ah, estou perdendo tempo aqui, podia fazer algo mais produtivo.” Mas por trás desse argumento pode existir algo mais profundo e ainda não elaborado. “O sinal de esgotamento aparece quando a decisão é tomada com pressa, sem consciência e movida por irritação ou culpa”.

    As redes nos ensinam a performar o tempo todo. O silêncio, por outro lado, nos convida a ser. Talvez quem está quieto esteja apenas vivendo e isso, por si só, já é muito”. Se recolher das redes não significa desaparecer do mundo. Manter os vínculos afetivos e sociais sem estar o tempo todo presente virtualmente, é possível. [...]



SUZUKI, Mariana. Silêncio digital. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/silencio-digital /. Acesso em: 28 jun. 2025. Adaptado. 


Considere a passagem do texto 01: “O silêncio digital pode, sim, ser uma escolha saudável, mas também pode ser um sinal de esgotamento emocional.” A locução conjuntiva “mas também” insere, nessa passagem do texto 01, uma ideia de
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central da questão: Coesão e Semântica – Locuções Conjuntivas Coordenativas. A questão explora o entendimento da função semântica da locução conjuntiva “mas também”. Saber analisar a função dessas locuções é essencial para interpretar corretamente relações de sentido em textos.

Explicação da regra:
Segundo a Norma-Padrão, locuções como “mas também”, “como também”, “bem como” desempenham função de adição, conectando duas ideias de forma cumulativa. Como destaca Celso Cunha & Lindley Cintra em Nova Gramática do Português Contemporâneo, essas expressões somam elementos ou possibilidades dentro do enunciado (“O silêncio digital pode, sim, ser uma escolha saudável, mas também pode ser um sinal de esgotamento emocional.”). Ou seja, não é oposição: a segunda oração acrescenta uma nova possibilidade à anterior.

Justificativa da alternativa correta:
A) adição. Correta. A locução “mas também” introduz uma ideia adicional, indicando que o silêncio digital não só pode ser uma escolha saudável, mas também pode ser sinal de esgotamento emocional. O efeito é de soma, não oposição.

Análise das alternativas incorretas:

B) concessão: Errada. “Mas também” não indica concessão (contraste com expectativa), diferente de “embora”, “ainda que”.

C) conclusão: Errada. Não se trata de conclusão, como em “logo”, “portanto”. Não há consequência, mas acréscimo.

D) contradição: Errada. A locução adversativa seria apenas “mas” ou “porém”, expressando oposição real, o que não ocorre aqui.

E) explicação: Errada. Falha, pois não introduz justificativa (“porque”, “pois”), mas sim uma ideia extra.

Dica de prova: Palavras como “mas também”, embora tragam o “mas” (que geralmente indica oposição), apresentam valor aditivo por conta do “também”. Fique atento a pegadinhas de conectivo! Examine sempre o período completo e a relação entre as duas partes conectadas.

Resumo:
A alternativa A) adição é a correta porque “mas também” acrescenta, e não opõe, duas possibilidades para o silêncio digital.
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Comentários

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adição?

Eu discordo desse gabarito, eis os motivos:

-Adversativo adiciona/introduz uma ideia contrária à oração principal.

-Mas também pode ser visto como: conjunção "mas" unida com o advérbio "também" indicando que outra coisa a mais, podendo ser entendido assim:

"mas, inclusive, pode ser um sinal de esgotamento emocional.”

-A oração com a conjunção mas também traz uma ideia contrária à anterior: escolha saudável; esgotamento emocional (escolha não saudável)

Pra mim é "D", mas a banca seguiu somente o rigor do termo, sem considerar o contexto.

O MAS, nem sempre será contradição..

Errei ;(

Passo a passo:

O mas em regra indica adversidade/contradição.

Só que aqui ele vem acompanhado de “também”, que é tipicamente aditivo.

O sentido, então, não é de oposição, mas de acréscimo: o silêncio digital pode significar uma coisa e outra coisa também.

✅ Resposta correta:

A) adição.

Dica: sempre que o mas vier seguido de advérbios como “também, ainda, até”, há grande chance de o valor ser aditivo, não adversativo.

Aditivas: (adição, soma) e, nem, mas também, além de..

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