Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q4198918 Português
Leia o texto para responder à questão:

Comércio global à margem da OMC

    A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Camarões terminou como tantas desde o colapso da Rodada Doha, em 2008: sem acordo. Negociações sobre o comércio digital fracassaram. Tentativas de reformas institucionais empacaram. Delegações voltaram para casa com declarações vagas. O representante comercial dos EUA anunciou que Washington buscaria acordos fora da OMC.
    O impasse não surpreende. A organização depende do consenso entre mais de 160 países. A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. Os EUA mantêm paralisado o órgão de apelação. A China resiste a mudanças que atinjam seus subsídios. A máquina roda formalmente, mas não produz resultados.
    Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. Cadeias produtivas continuam ligando fábricas na Ásia, centros tecnológicos na Europa e mercados consumidores nas Américas. Fluxos apenas mudam de caminho, deslocando fornecedores e rotas. Os governos não estão emulando o unilateralismo dos EUA, e não se materializou um protecionismo generalizado. Os países negociam, mesmo quando a OMC não decide.
    As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. Desfazer operações globais implicaria custos elevados, perda de escala e ruptura de contratos. Quando políticas comerciais avançam nessa direção, encontram resistência de empresas e mercados. A integração econômica sobrevive por inércia e interesse, mesmo quando a arquitetura institucional vacila.
    Grandes rodadas de liberalização são coisa do passado. Trata-se de preservar alguma previsibilidade num sistema mais fragmentado e modular. A alternativa não é entre uma OMC perfeita e o colapso, mas entre um sistema imperfeito e funcional ou o caos baseado na lei do mais forte. Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação para evitar que o comércio se transforme numa sucessão de pactos desconectados. Sem esse equilíbrio, o risco não é exatamente o fim da globalização, mas sua degradação. Até aqui, o comércio tem resistido mais do que as instituições que deveriam organizá-lo. A letra da OMC está morta. Seu espírito vive.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 09.04.2026. Adaptado)
Considere as passagens:

•  Delegações voltaram para casa com declarações vagas. (1º parágrafo)
•  A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. (2º parágrafo)
•  Sem esse equilíbrio, o risco não é exatamente o fim da globalização, mas sua degradação. (5º parágrafo)

Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q4198011 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


De volta ao lápis e papel: por que as escolas da Suécia estão reduzindo o ensino digital


O governo da Suécia retoma o uso de livros físicos, papel e lápis nas salas de aula como estratégia para enfrentar a queda nos níveis de compreensão de leitura observada no país. A mudança, porém, tem provocado críticas de empresas de tecnologia, educadores e especialistas da área digital, que consideram a medida potencialmente prejudicial às oportunidades profissionais dos estudantes e ao futuro econômico da nação.


Em uma escola de ensino médio próxima à capital sueca, alunos relatam que passaram a utilizar novamente livros, cadernos e materiais impressos com maior frequência. Professores voltaram a distribuir textos em papel e algumas plataformas digitais de ensino foram substituídas por livros didáticos tradicionais.


Essa transformação contrasta com a imagem da Suécia como uma das sociedades mais digitalizadas da Europa, reconhecida pelo elevado domínio tecnológico da população e pelo desenvolvimento de empresas inovadoras do setor digital.


O uso de computadores nas escolas suecas se consolidou entre o final dos anos 2000 e o início da década de 2010. Em 2015, a maior parte dos estudantes do ensino médio já possuía acesso individual a dispositivos eletrônicos. Posteriormente, o uso obrigatório de tablets também foi incorporado à educação infantil, com o objetivo de preparar as novas gerações para um mundo cada vez mais digital.


Entretanto, a atual coalizão governamental passou a defender uma direção oposta, reduzindo ao máximo o uso de telas, sobretudo entre crianças mais novas. O governo adotou o lema que propõe a passagem "da tela para o papel", defendendo que atividades analógicas favorecem a concentração e o desenvolvimento da leitura e da escrita.


Desde 2025, as pré-escolas deixaram de ser obrigadas a utilizar ferramentas digitais, e crianças pequenas não recebem mais tablets antes de determinada idade. Também foi aprovada a proibição do uso de celulares nas escolas, inclusive para fins pedagógicos.


Além disso, o governo destinou recursos significativos para aquisição de livros didáticos e materiais de apoio aos professores, enquanto um novo currículo voltado ao fortalecimento do ensino baseado em livros está previsto para os próximos anos.


Defensores da mudança argumentam que ler, escrever e realizar cálculos manualmente contribui para uma aprendizagem mais sólida. A decisão foi influenciada por consultas realizadas com pesquisadores, organizações educacionais e instituições públicas.


Especialistas apontam que o excesso de tecnologia em sala de aula compromete a atenção dos estudantes, além de dificultar o processamento das informações durante a leitura digital. Estudos também relatam que o uso intenso de telas afeta o desenvolvimento cerebral de crianças mais novas.


O governo espera que a adoção de métodos mais tradicionais contribua para melhorar o desempenho da Suécia em avaliações internacionais de educação. Após ocupar posições de destaque no passado, o país registrou queda significativa nos resultados de matemática e leitura nos últimos anos. Parte relevante dos estudantes não atingiu o nível básico de compreensão textual.


Embora pesquisas internacionais indiquem benefícios das ferramentas digitais no ensino, também revelam elevada incidência de distrações em sala de aula e relação entre uso excessivo de dispositivos e desempenho inferior em determinadas disciplinas.


Especialistas alertam, contudo, que não se deve atribuir automaticamente à tecnologia a responsabilidade pelos resultados negativos. Segundo essa visão, o problema estaria no uso excessivo de aparelhos sem objetivos pedagógicos claros.


Críticos, por outro lado, afirmam que o debate entre ensino digital e analógico desvia a atenção de problemas estruturais mais relevantes, como desigualdade na distribuição de recursos educacionais e diferenças na qualidade do ensino.


Entre os próprios estudantes, as opiniões também se dividem. Alguns consideram que o excesso de tecnologia prejudica a concentração e defendem menor presença de telas nas escolas. Outros acreditam que o uso de computadores deve permanecer central na educação, já que a sociedade atual depende cada vez mais das ferramentas digitais.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c05d2jpmnypo.adaptado.
Embora pesquisas internacionais indiquem benefícios das ferramentas digitais no ensino, também revelam elevada "incidência" de distrações em sala de aula.
Analise as proposições a seguir acerca do sentido contextual da palavra "incidência".

I.A substituição de "incidência" por "ocorrência" preserva o sentido estabelecido no trecho.
II.O vocábulo "incidência" foi empregado para indicar consequência produzida pelas distrações durante as atividades escolares.
III.A palavra "frequência" pode substituir "incidência" sem alteração relevante do sentido contextual da frase.
IV.O termo "incidência" expressa ideia de interferência direta das distrações sobre o rendimento escolar.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4197649 Português

Observe a Charge


4.png (325×241)


https://www.tribunaribeirao.com.br/charge-15-03-2025/



O efeito de humor presente na charge decorre, principalmente, 

Alternativas
Q4197397 Português
Analise o texto abaixo e responda à questão.


Texto - Ensaio - CAPÍTULO XI DA CRUELDADE – (Michel Eyquem de Montaigne)


“Parece-me que a virtude é coisa diferente, e mais nobre, do que as inclinações para a bondade, que nascem em nós. As almas bem-nascidas e naturalmente bem equilibradas seguem caminhos idênticos e apresentam em suas ações fisionomia igual à das virtuosas. Mas a virtude revela não sei que de maior, mais ativo, do que deixar-se, sob a influência de uma feliz compleição, serenamente conduzir pela razão. Quem, por doçura e inclinação natural, esquece as ofensas recebidas, comete uma bela ação, digna de louvores; mas quem, profundamente ferido e irritado, luta contra um terrível desejo de vingança e pela razão consegue se dominar, faz melhor sem dúvida. Aquele age certo; este virtuosamente. O ato do primeiro é de bondade, o do segundo de virtude. Dir-se-ia que a virtude pressupõe dificuldade e oposição e não pode existir sem luta (...)”.  (Montaigne)
Assinale a alternativa que traduz corretamente o sentido da expressão no texto.
Alternativas
Q4197207 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


As tempestades sempre passam


    As tempestades vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoram mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.

    As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho. 

    As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia, é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.

    Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.

    A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fôssemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento. (...)


MENDONÇA, Antônio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da cidade. Disponível em .<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/a
s-tempestades-sempre-passam/>.


"(...) se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho."


A expressão destacada no trecho acima tem o sentido de:

Alternativas
Q4195860 Português
Texto para a questão.


       Um estudo liderado por pesquisadores europeus revela que a expectativa de vida, embora ainda em crescimento, está desacelerando em países ricos. Segundo a pesquisa, publicada em agosto na revista PNAS, a longevidade está perto de estacionar — e nenhuma geração nascida entre 1939 e 2000 deverá atingir a média dos 100 anos, como se acreditava.

       Isso não significa uma redução da expectativa de vida, mas sim de seu crescimento. Os cientistas analisaram dados sobre mortalidade em 23 países de alta renda e empregaram seis métodos estatísticos para prever tendências de longevidade em coortes de gerações anuais ainda vivas.

       Como resultado, descobriram que o ganho de expectativa de vida é menor a cada ano: desde a década de 1990, não passa de dois meses em relação ao ano anterior, o que não chega a 30% do que era registrado a cada geração no início do século 20.

       "Este estudo foi muito ambicioso por pensar em estimativas para grupos contemporâneos e com um volume de dados grande. Isso nos oferece um direcionamento de onde olhar para intervir e investir como sociedade para conseguir prolongar a vida e o bem-estar", afirma a geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita.

       "Entretanto, temos que olhar para esses dados com cuidado, já que a pesquisa foi feita em populações de países muito desenvolvidos e que são distantes do contexto brasileiro."

       O trabalho mostra que, em 1900, uma pessoa podia esperar viver em média 62 anos, um recorde para aquele período que veio sendo progressivamente alongado até 1938, ano em que os nascidos já tinham previsões de chegar aos 80. Entretanto, o ritmo desse ganho de tempo de vida vem caindo desde então e está crescendo lentamente. A expectativa é de que se mantenha entre 85 e 90 anos.

       Seguindo o ritmo do início do século, os nascidos em 1980 em diante teriam uma expectativa de vida média de 100 anos. Na prática, porém, os modelos matemáticos revelam que não há indícios disso — mesmo as gerações mais recentes, do século 21, não devem chegar a essa idade.

       "Esse crescimento do início do século se deu principalmente pela melhora na mortalidade infantil, com mais acesso a saúde, novos medicamentos e saneamento básico. Em vários países, especialmente nos com alta renda como observado no estudo, já se chegou ao teto de acesso a esses serviços, por isso os impactos diminuíram. No Brasil, ainda temos onde melhorar", analisa Satomi.

       Embora a expectativa média não deva atingir os 100 anos, está se tornando mais comum que casos isolados cheguem a essa marca. "A expectativa é um dado populacional de referência, mas as realidades dos indivíduos são totalmente distintas. A maioria dos meus pacientes ultrapassaram a média da geração deles. É possível chegar lá, com saúde e independência, e esses são os focos de tratar o envelhecimento. Ninguém quer viver mais se não tiver qualidade de vida", observa a geriatra. (...)


(“Estudo indica que viver 100 anos vai continuar sendo exceção”. Bruno Pereira, 03/12/2025. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/12/03/estudo-indica-que-viver-100- anos-vai-continuar-sendo-excecao.htm) 
Observe o seguinte trecho: “A maioria dos meus pacientes ultrapassaram a média da geração deles”. A palavra “ultrapassaram” poderia ser substituída – sem prejuízo do significado para o texto – por: 
Alternativas
Q4195156 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Por que é melhor comer com inteligência do que contar calorias?

A sabedoria popular indica que a solução para manter o peso saudável é contar quantas calorias ingerimos e quantas nós gastamos.

Este cálculo faz sentido: a energia que entra em comparação com a que sai. Parece simples, não é mesmo?

Mas esta forma de pensar desconsidera uma verdade importante: nem todas as calorias da nossa alimentação são iguais.

Na verdade, existe uma complexa interação biológica ocorrendo no interior do nosso corpo, influenciada pelo tipo de alimento que ingerimos, pela rapidez com que o consumimos e pela sua interação com a agitada comunidade de micróbios que vive nos nossos intestinos.

"Esta é uma área de pesquisa em enorme expansão", afirma a professora de nutrição Sarah Berry, do King's College de Londres.

"Estamos realmente começando a ver como a nossa reação aos alimentos varia e que eu posso comer algo que irei metabolizar de forma muito diferente da sua, em relação ao mesmo alimento."

Quando comemos

O que comemos certamente ainda é importante. Uma alimentação rica em legumes e verduras frescas será melhor do que se for dominada por x-búrguers.

Mas esta consideração está longe de ser a única.

O horário da refeição, por exemplo, também influencia a qualidade da digestão e quais nutrientes serão absorvidos pelo nosso corpo.

Um estudo demonstrou que mulheres obesas e com excesso de peso perderam mais peso ao consumir a maior parte das suas calorias no horário do café da manhã, em comparação com aquelas que comiam mais à noite, mesmo que o total de calorias fosse o mesmo.

Outro pequeno estudo, realizado por pesquisadores do Reino Unido, concluiu que reduzir o período de tempo entre a primeira e a última refeição do dia pode fazer com que você, ao todo, coma menos calorias.

Quando adultos saudáveis, mas levemente acima do peso, postergaram sua primeira refeição do dia em uma hora e meia e comeram pela última vez 90 minutos mais cedo que o normal, sua ingestão de energia foi menor e eles sofreram redução da gordura corporal, em comparação com um grupo controle, mesmo tendo acesso à mesma quantidade de comida.

Os cientistas acreditam que isso pode ocorrer porque o nosso ritmo circadiano é conectado a como digerimos e metabolizamos os alimentos. Este é um campo emergente de pesquisa conhecido como crononutrição.

E comer mais cedo também pode ajudar. Pesquisadores da Espanha descobriram que as pessoas que almoçam mais cedo perderam peso ou mantiveram peso mais baixo com mais facilidade do que aquelas que comem após as 15 horas.

Também podemos reavaliar o horário dos nossos lanches, pois as pesquisas relacionaram os lanches após as 21 horas a altos níveis de colesterol ruim e açúcar no sangue, o que pode aumentar o risco de obesidade e doenças cardiovasculares.

Nos EUA e no Reino Unido, cerca de 25% da nossa energia diária vêm dos lanches. Por isso, repensar o que lanchamos e quando fazemos pode melhorar nossa saúde.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/czxr55plyk5o- fragmento
"Este é um campo emergente de pesquisa conhecido como crononutrição." O vocábulo 'emergente' é parônimo de 'imergente', pois apresentam semelhanças na pronúncia e na grafia, embora possuam significados distintos. Considerando o uso desse parônimo e de outros distintos, analise as frases a seguir:
I.Silvio Santos jamais iria imergir, pois possuía riqueza material e bons investimentos.
II.Minha funcionária é diligente na realização de suas funções.
III.O eminente leão marcha pela savana.
IV.A mercadoria é precedente da Europa.
Considerando o uso adequado de palavras parônimas, assinale a alternativa que apresenta exclusivamente as frases corretas.
Alternativas
Q4193399 Português
Texto para a questão


    Quase todo dia por volta das nove horas da noite a dona de casa Maria de Lourdes Antunes realiza uma espécie de ritual pré-novelístico. Momentos antes de começar o mais nobre dos folhetins televisivos da Rede Globo, Maria de Lourdes para o que estiver fazendo para ir ao quintal. Chega bem perto da cerca de madeira que marca os limites de sua acanhada propriedade, fica na ponta dos pés, estica a cabeça e busca no horizonte o sinal de que algum grande navio se aproxima. Se as luzes dos imensos cargueiros que levam as commodities brasileiras mundo afora estiverem à vista, é certeza de que não poderá se esbaldar de rir com a atuação do ator Marcelo Serrado na pele do mordomo Crô. “Não sei por que, mas quando os navios estão estacionando aqui na frente de casa a TV vira um chuvisco só, não dá pra ver nada, e eu perco o Crô, é embaçado”, conta ela.  

    Para Maria de Lourdes, navio estacionado na porta de casa está longe de ser uma figura de linguagem. É que para ela e outras quase 6 mil pessoas que moram numa favela encravada no meio do Porto de Santos, trata-se do que ocorre quando um imenso graneleiro atraca em um píer, distante menos de 50 metros de suas janelas. Obrigados a lidar com as particularidades de se viver dentro do maior terminal marítimo da América Latina, os moradores da favela Sítio Conceiçãozinha se acostumaram com uma série de exóticos eventos que só ocorrem por lá. Ter o sinal da televisão afetado pelos poderosos sistemas de navegação dos mais de 5,7 mil navios que atracam todos os anos no Porto de Santos é apenas um dos mais simples deles. 

    Vista do alto, mais especificamente pelas lentes do satélite que abastece o sistema de mapas do Google, é fácil entender porque a favela do Sítio Conceiçãozinha é uma aberração típica da mal ajambrada infraestrutura brasileira. Nascida como uma vila de pescadores e sitiantes na virada do século passado, a área começou a ser ocupada por migrantes ainda na década de 60. Nos anos 70, o Porto de Santos foi se expandindo para o outro lado da margem, no Guarujá – onde está a favela – sem que houvesse qualquer preocupação com aquela população. Terminais de carga foram construídos, píeres fincados a poucos metros de distância das casas, e empresas foram se estabelecendo. Logo, mais pessoas vieram e o que era uma vila bucólica transformou-se, a partir dos anos 80, num aglomerado de barracos, palafitas e vielas estreitas. 

    Muitos desses migrantes aproveitam o ambiente tão atípico para ganhar dinheiro. Com navios do mundo todo atracados a poucos metros da margem, um intenso e curioso comércio entre os moradores e os marinheiros floresceu. Por meio de baldinhos presos a cordas que descem do deque dos navios, uma gama variada de produtos é oferecida aos visitantes: galinhas – vivas – a US$ 5, bananas por latas de Coca-Cola e maconha e cocaína para navegantes em busca de diversão. Até cachorros, dizem alguns moradores, foram vendidos para coreanos, saudosos de uma suposta comida caseira. “A gente achava que era pra eles criarem, mas depois disseram que eles fizeram um churrasco com o coitado”, diz Elisabete Santos, que anda desconfiada do carinho repentino que alguns vizinhos desenvolveram pelos cães da rua.


Disponível em: https://tinyurl.com/5n755s2y. Acesso em: 9 maio 2026. 
No trecho “Logo, mais pessoas vieram e o que era uma vila bucólica transformou-se, a partir dos anos 80, num aglomerado de barracos, palafitas e vielas estreitas”, o termo em negrito remete 
Alternativas
Q4193006 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que cada vez mais brasileiros deixam Portugal e recomeçam na Espanha


O brasileiro Paulo Geronimo espera ser beneficiado pelo processo extraordinário de regularização iniciado na Espanha em abril, voltado a imigrantes que já vivem no país. Após sete anos em Portugal, ele se mudou com a família para a Espanha em 2025.

Apesar de ter regularizado sua situação em Portugal, Paulo afirma que passou a perceber maior hostilidade contra brasileiros, além de considerar os salários espanhóis mais atrativos. Com experiência como motorista de caminhão, conseguiu promessa de contrato de trabalho e desenvolve um aplicativo voltado ao setor de transporte.

A Espanha adota um discurso mais favorável à imigração e políticas voltadas à integração dos estrangeiros, diferentemente de Portugal, que abriga a maior comunidade brasileira da Europa. Somado ao crescimento econômico espanhol, esse cenário ajuda a explicar o aumento do interesse de brasileiros pela mudança.

Nos últimos meses, cresceram os grupos virtuais com orientações sobre migração para a Espanha, especialmente em regiões de fronteira. O movimento envolve tanto imigrantes irregulares quanto pessoas já regularizadas.

Uma professora universitária aposentada decidiu deixar o norte de Portugal e mudar-se com a família para a Espanha, relatando aumento da hostilidade contra imigrantes e sobrecarga dos serviços públicos portugueses. Seu marido aguardava havia dois anos a renovação do visto de residência.

Dados oficiais indicam crescimento acelerado da comunidade brasileira na Espanha nos últimos anos, com milhares de novos registros apenas no último trimestre analisado.

Embora a regularização extraordinária beneficie apenas pessoas que já estavam na Espanha até o final de 2025, o interesse pela mudança também decorre do endurecimento das regras migratórias portuguesas e da busca por melhores condições de vida.

Portugal aprovou mudanças legais que restringem mecanismos de regularização, dificultam o reagrupamento familiar e ampliam o tempo necessário para solicitação de cidadania portuguesa. Especialistas observam que o país abandonou um dos modelos migratórios mais flexíveis da Europa.

Além disso, cresceram os registros de discriminação e hostilidade contra imigrantes. Pesquisas apontam aumento da percepção negativa sobre brasileiros, enquanto casos de preconceito ganharam maior visibilidade.

Analistas relacionam as diferenças entre Portugal e Espanha às orientações políticas dos governos atuais. Enquanto a Espanha mantém discurso mais favorável à imigração, Portugal passou a adotar postura mais restritiva.

Outro fator importante é o impacto proporcional da imigração. Embora a Espanha tenha recebido mais imigrantes em números absolutos, o crescimento populacional relativo foi mais intenso em Portugal, pressionando serviços públicos.

Na Espanha, o governo apresenta a imigração como solução para problemas estruturais, como envelhecimento populacional e falta de mão de obra. Especialistas destacam que parte do crescimento econômico espanhol recente está associada à imigração, além de os salários serem superiores aos portugueses.

A regularização extraordinária integra um conjunto de medidas voltadas à integração dos imigrantes, incluindo facilitação do reconhecimento de diplomas e ampliação do acesso à saúde pública.

Especialistas observam que a Espanha possui um mercado informal capaz de absorver trabalhadores estrangeiros, contribuindo para o elevado número de imigrantes irregulares. O novo processo permite acelerar o acesso à residência e ao trabalho formal.

O governo argumenta que a medida atende a uma necessidade social e econômica, enquanto críticos afirmam que ela pode incentivar novas entradas irregulares. Pesquisas sobre regularizações anteriores, porém, indicam aumento do emprego formal e da arrecadação sem crescimento significativo da imigração irregular.

Estudiosos destacam que os fluxos migratórios resultam de fatores diversos, como crises econômicas, violência, oportunidades de trabalho e políticas migratórias internacionais.

Embora exista debate sobre imigração na Espanha, o tema ainda provoca menos polarização do que em Portugal. Pesquisas mostram que a questão não figura entre as principais preocupações da população espanhola.

Especialistas concluem que, apesar das mudanças políticas e das oscilações entre maior abertura ou restrição, a Europa continuará necessitando de trabalhadores estrangeiros para sustentar sua economia. Ainda assim, recomendam que a migração ocorra preferencialmente por vias legais, reduzindo riscos e vulnerabilidades.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyp7k85l1po.adaptado.
Enquanto a Espanha mantém discurso mais favorável à imigração, Portugal passou a adotar postura mais restritiva.

Assinale a alternativa em que a palavra apresentada pode substituir "restritiva", no contexto da frase, por um antônimo adequado.
Alternativas
Q4189099 Português

Na frase:


A prevenção é fundamental para promover a saúde da população.


A palavra; prevenção, pode ser substituída, sem alterar o sentido da frase, por:

Alternativas
Q4189056 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Os países onde as pessoas mais odeiam receber áudios do WhatsApp

Em agosto de 2013, o aplicativo de mensagens WhatsApp (que, hoje, é de propriedade da empresa Meta) fez um anúncio ao público.

Eles apresentaram, com relativamente pouco alarde, as mensagens de voz, uma função que permite enviar um fragmento de áudio para familiares e amigos.

"Sabemos que nada substitui o som da voz de um amigo ou familiar", declarou entusiasmadamente a empresa, naquele comunicado.

Treze anos se passaram e receber um áudio de 10 minutos de um amigo, contando sobre uma complexa disputa familiar ou um drama no trabalho, é uma experiência que algumas pessoas adoram e outras detestam.

Em lugares como a Índia, o México, Hong Kong e os Emirados Árabes Unidos, as mensagens de voz quase se igualam em popularidade às mensagens de texto, como a forma preferida de comunicação eletrônica.

Mas países como o Reino Unido não parecem ter absorvido totalmente a febre das mensagens de voz.

O instituto YouGov divulgou em abril uma pesquisa envolvendo mais de 2,3 mil adultos britânicos.

Ela revelou que as mensagens de voz se popularizaram ligeiramente no último ano, mas apenas 15% dos entrevistados se comunicam por áudio com regularidade (ou seja, várias vezes por semana).

Tanto entre homens quanto mulheres, de todas as faixas etárias, incluindo a geração Z (os nascidos entre 1996 e 2012), as mensagens de voz foram o método de comunicação menos popular entre os britânicos entrevistados.

Anteriormente, o YouGov já havia concluído que o Reino Unido é o país mais reticente em relação às mensagens de voz em um grupo de 17 nações, em sua maioria países ricos.

Dentre os entrevistados, os que preferem enviar mensagens de texto para os seus contatos totalizaram 83%, enquanto apenas 4% se declararam partidários das mensagens de voz.

A pesquisa do YouGov não incluiu o Brasil. Mas, em junho de 2024, o CEO (diretor-executivo) da Meta, Mark Zuckerberg, declarou que "os brasileiros enviam mais figurinhas, participam mais de enquetes e enviam quatro vezes mais mensagens de voz no WhatsApp do que qualquer outro país", segundo o portal G1.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg5p8m5pjyjo
“Treze anos se passaram e receber um áudio de 10 minutos de um amigo, contando sobre uma complexa disputa familiar ou um drama no trabalho, é uma experiência que algumas pessoas adoram e outras detestam.” Considerando o significado das palavras no contexto, analise as assertivas a seguir:

I. Os vocábulos 'adoram' e 'detestam' são antônimos, pois expressam sentimentos opostos em relação à mesma experiência, estabelecendo uma oposição semântica que reforça a ideia de divisão de opiniões sobre o tema.
Il. O verbo 'passar' pode ser substituído, sem alteração do sentido essencial, pelo verbo 'transcorrer, sem alteração significativa de sentido.
III. O vocábulo 'complexa' pode ser substituído, sem alteração de sentido, pelo sinônimo 'intricada', uma vez que ambos compartilham o traço semântico de algo difícil de resolver ou compreender, aplicável ao contexto de disputa familiar descrito no trecho.
IV. As palavras 'disputa' e 'acordo' constituem par de antônimos, pois enquanto 'disputa' remete a conflito e divergência, 'acordo' remete a consenso e convergência, sendo possível substituir disputa por acordo no trecho sem prejuízo gramatical, mas com inversão completa de sentido.

Analise a afirmativa que apresenta as proposições corretas.
Alternativas
Q4188579 Português
Segurança no trânsito é dever de todos.
    Balanços recentes mostram que o que tem acontecido nas estradas brasileiras é sinal de desrespeito e falta de compromisso com a vida. É comum o aumento de acidentes em feriados, pois mais veículos nas ruas significam riscos maiores. No entanto, o aumento no número de mortes, muitas vezes causado por batidas de frente, revela que a imprudência dos motoristas é o principal problema.
    As três multas mais aplicadas pelos agentes são: excesso de velocidade, falta do cinto de segurança e ultrapassagem proibida. Especialistas afirmam que apenas aplicar multas não é suficiente. É preciso investir em educação para sensibilizar as pessoas e criar um ambiente onde todos respeitem as regras por entenderem que isso protege a vida.
    Embora o governo esteja melhorando as estradas e criando facilidades para os condutores, a segurança real depende de quem dirige. O trânsito seguro é um compromisso coletivo.
O texto diz que a fiscalização por multas é um "recorte subestimado" da realidade. Isso significa que: 
Alternativas
Q4187661 Português

Texto para responder à questão


Minha vó foi pega a laço


Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja.


– Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz.


– Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando.


– Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “índia” legítima – ele diz tentando me causar reação.


– Verdade? – ironizo para descontrair.


– Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” selvagem lá por Goiás.


– Eita. Que história interessante – falo arregalando os olhos.


– Pois é. Meu pai disse que meu avô contou que minha avó era muito linda e que olhou bem nos seus olhos antes de correr. Meu avô ficou enfeitiçado por ela. Imediatamente ele tirou o laço do lombo do cavalo em que estava montado e a laçou.


– Que incrível – digo.


– Ela, no começo, esperneou, gritou, chamou pelos outros “índios”, mas ninguém voltou e meu avô a levou para casa e com ela teve nove filhos.


– Uau!


– Meu avô contou para meu pai que vovó era baixinha, tinha cabelos longos bem pretinhos e olhos puxadinhos. Ela ficava horas sentada na frente de casa penteando os cabelos e com os olhos perdidos no horizonte.


– Ela devia estar cantando a saudade de sua casa – disse para quebrar o clima sombrio.


– Meu avô dizia que ela ficou a vida inteira aguardando que sua “tribo” viesse resgatá-la. Nunca ninguém apareceu. Ela, no entanto, foi muito feliz ao lado do meu avô.


Minha atenção se fixou nesta última frase enquanto meu novo amigo se despedia dizendo que tinha sido um prazer me conhecer. Cumprimenta-me, me olha de cima a baixo, vira as costas e vai embora.


Apesar de ser comum esta situação, nunca deixo de pensar nela. Acho esquisito quando alguém se orgulha de ter tido uma avó que foi escravizada por um homem que a usou durante toda uma vida e a obrigou a gestar filhos que provavelmente não queria. Penso que a maioria das pessoas não se dá conta de que esta narrativa é repetida tantas vezes e de forma poética para esconder uma dor que devia morar dentro de todos os brasileiros: somos uma nação parida à força.


Foi assim com os primeiros indígenas forçados a receber uma gente que se impôs pela crueldade e pela ambição; uma gente que tinha olhares lascivos contra os corpos nus – e sagrados – das mulheres nativas. Foi assim com os negros trazidos acorrentados nos porões de navios para serem escravos de pessoas que se sentiam superiores apenas por conta da cor de sua pele; as mulheres eram usadas como domésticas e como amantes, gerando “brasileiros” que eram desqualificados porque cresciam sem pai.


O Brasil foi “inventado” a partir das dores de suas mulheres e é importante não esquecermos esta história para podermos olhar de frente para nosso passado e aprendermos com ele. O Brasil precisa se reconciliar com sua história; aceitar que foi “construído” sobre um cemitério. Apenas dessa forma saberemos lidar com criatividade sobre a verdadeira história de como “minha avó foi pega a laço”.



(Por: Daniel Munduruku. Blog Combate ao Racismo Ambiental. Publicado em: 24/03/2018. Disponível em: https://racismoambiental.net.br/minha-avo-foi-pega-a-laco. Acesso em: maio de 2026.)

Em “– Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz.” (2º§), quanto ao termo destacado, é possível observar o emprego de um recurso linguístico que: 
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Q4187658 Português

Texto para responder à questão


Minha vó foi pega a laço


Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja.


– Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz.


– Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando.


– Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “índia” legítima – ele diz tentando me causar reação.


– Verdade? – ironizo para descontrair.


– Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” selvagem lá por Goiás.


– Eita. Que história interessante – falo arregalando os olhos.


– Pois é. Meu pai disse que meu avô contou que minha avó era muito linda e que olhou bem nos seus olhos antes de correr. Meu avô ficou enfeitiçado por ela. Imediatamente ele tirou o laço do lombo do cavalo em que estava montado e a laçou.


– Que incrível – digo.


– Ela, no começo, esperneou, gritou, chamou pelos outros “índios”, mas ninguém voltou e meu avô a levou para casa e com ela teve nove filhos.


– Uau!


– Meu avô contou para meu pai que vovó era baixinha, tinha cabelos longos bem pretinhos e olhos puxadinhos. Ela ficava horas sentada na frente de casa penteando os cabelos e com os olhos perdidos no horizonte.


– Ela devia estar cantando a saudade de sua casa – disse para quebrar o clima sombrio.


– Meu avô dizia que ela ficou a vida inteira aguardando que sua “tribo” viesse resgatá-la. Nunca ninguém apareceu. Ela, no entanto, foi muito feliz ao lado do meu avô.


Minha atenção se fixou nesta última frase enquanto meu novo amigo se despedia dizendo que tinha sido um prazer me conhecer. Cumprimenta-me, me olha de cima a baixo, vira as costas e vai embora.


Apesar de ser comum esta situação, nunca deixo de pensar nela. Acho esquisito quando alguém se orgulha de ter tido uma avó que foi escravizada por um homem que a usou durante toda uma vida e a obrigou a gestar filhos que provavelmente não queria. Penso que a maioria das pessoas não se dá conta de que esta narrativa é repetida tantas vezes e de forma poética para esconder uma dor que devia morar dentro de todos os brasileiros: somos uma nação parida à força.


Foi assim com os primeiros indígenas forçados a receber uma gente que se impôs pela crueldade e pela ambição; uma gente que tinha olhares lascivos contra os corpos nus – e sagrados – das mulheres nativas. Foi assim com os negros trazidos acorrentados nos porões de navios para serem escravos de pessoas que se sentiam superiores apenas por conta da cor de sua pele; as mulheres eram usadas como domésticas e como amantes, gerando “brasileiros” que eram desqualificados porque cresciam sem pai.


O Brasil foi “inventado” a partir das dores de suas mulheres e é importante não esquecermos esta história para podermos olhar de frente para nosso passado e aprendermos com ele. O Brasil precisa se reconciliar com sua história; aceitar que foi “construído” sobre um cemitério. Apenas dessa forma saberemos lidar com criatividade sobre a verdadeira história de como “minha avó foi pega a laço”.



(Por: Daniel Munduruku. Blog Combate ao Racismo Ambiental. Publicado em: 24/03/2018. Disponível em: https://racismoambiental.net.br/minha-avo-foi-pega-a-laco. Acesso em: maio de 2026.)

Considerando que a significação das palavras no texto relaciona-se ao contexto em que foram empregadas, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4186887 Português
Leia o texto para responder à questão..

Feliz por nada. (Martha Medeiros).


Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou.

Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.

Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.

Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.
De acordo com o texto, pode-se compreender que a expressão “engatou” significa: 
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Q4186651 Português

Matas ciliares

As matas que recobrem as margens dos rios e suas nascentes recebem o nome de matas ciliares. O nome surgiu da comparação entre a proteção que os cílios oferecem aos olhos e o papel protetor dessas matas em relação aos corpos d’água. Elas desempenham um papel fundamental na manutenção dos mananciais, pois protegem as margens, evitando ________, inundações, desmoronamentos e outros problemas.

As matas ciliares também “filtram” o ambiente ao redor dos corpos d’água, evitando ou diminuindo a presença de sedimentos trazidos pela água das chuvas e a poluição por resíduos.

Elas estão presentes em todos os biomas brasileiros: Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Floresta Amazônica, Pantanal e Pampa.

As matas ciliares funcionam como uma esponja, que absorve e retém a água, liberando-a gradativamente tanto para o lençol freático quanto para os corpos d’água.

Essas matas influenciam a quantidade e também melhoram a qualidade da água em uma microbacia, pois retêm os sedimentos e os nutrientes carregados pela água das chuvas, vindos das partes mais altas do terreno. Há estudos que demonstram que as matas ciliares conseguem reter parte da carga de poluentes químicos, como agrotóxicos, evitando a contaminação de rios, ________ e lagos. Elas também contribuem para que menos resíduos sólidos cheguem aos mares e oceanos.

As raízes da vegetação das matas ciliares formam uma espécie de rede que fixa o solo e mantém as margens estáveis, e isso contribui para evitar os riscos de assoreamento dos corpos d’água e de deslizamento de terra.

Fonte: Semil SP – Educação Ambiental. Adaptado.

Pelo contexto do texto, a palavra “mananciais” significa: 
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Q4184809 Português
O filtro embelezador da hipocrisia

Leonardo de Moraes (*)
Publicado em 17/02/2024 às 08:00.

    A expressão “viva sua verdade” se tornou palavra fácil em reality shows, redes sociais e conversas de bar. Estamos vivenciando a era dos egos semi-analisados, em que a suposta autoaceitação de erros e virtudes se tornou pedra fundamental para se expressar culturalmente. Essa tendência é ruim? Não. Ainda que pseudo-libertária, querer “ser você mesmo” segue no sentido correto de evolução do tecido social.
    Cada um de nós, atentos à verdade dos nossos corações, poderemos trazer luz e clareza - ou somente disrupção – à coletividade e, ao menos, estaremos no campo da verdade e da justiça. Talvez seja o início do fim da hipocrisia social, tão presente em cada ditadura, criada por cada suposto salvador da moral e dos costumes, cujas únicas virtudes sempre foram carisma e oratória, quase nunca elevação espiritual.
 Etimologicamente, “hipocrisia” significa a representação de um ator, o fingimento deliberado de uma ficção escondida. Ela reside no ditado “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, presente em boa parte das relações familiares, sociais, profissionais e econômicas da humanidade.
    Identificamos com clareza a hipocrisia dos líderes de uma nação: incitamento a multidões desavisadas, perseguições a novos pensadores, manipulações dos desejos do povo. Com hipocrisia, presidentes da República transformam seus países na sala de estar de seus preconceitos, engomados como valores tradicionais. A hipocrisia é o véu que leva povos à guerra, incitada por egos tortos. Mas ela também está nos filtros que disfarçam imperfeições físicas, no aplauso à luta por Direitos Ambientais, seguidos do consumo de brinquedos de montar feitos de plástico duro. É com hipocrisia que bradamos “aceite sua aparência natural”, mas encapamos dentes saudáveis com lâminas – também – de plástico.
    É com hipocrisia que estofamos nossas relações de mentiras e nossos corpos de plástico, para então bradarmos em reality shows que “vivemos nossa verdade”.
  Humanos, somos contraditórios; mas quando negamos nossas inconsistências, nos tornamos também hipócritas. É apenas graças aos humildes, seguros em suas imperfeições, que se formam as correntes de mudança efetiva no mundo.
   Você pode se orgulhar de “viver sua verdade” quando enfrenta seus desejos obscuros, suas teimosias e invejas, abraçando suas limitações.
    É preciso coragem para aceitar sua própria imagem no espelho e recusar o véu – aliás, o filtro embelezador – da hipocrisia. Só assim as relações sociais poderão ser mais saudáveis, e libertaremos as novas gerações de nossos ciclos de mentiras, competições e guerras.

Mestre em Direito do Estado, professor de Direitos Humanos e tabelião. Nas artes é roteirista, artista visual e autor do romance Tia Beth, sobre as dores e perdas da ditadura militar. https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/o-filtro-embelezador-dahipicrisia-1.1000555
No trecho “engomados como valores tradicionais”, o termo “engomados” contribui para a construção da ideia de que determinados preconceitos são
Alternativas
Q4184730 Português

Para responder à questão, leia o texto.


Após anos de retração, investimento público em ciência e tecnologia avança 30% no País


        O investimento público em ciência e tecnologia (C&T) cresceu 30% no País, de 2021 a 2024. No mesmo período, os recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento (P&D) aumentaram 35%. Os dados fazem parte do levantamento Dispêndio Nacional em C&T e P&D - Setores Governamental e Empresarial 2014- 2024, apresentado nesta terça-feira (16) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no Rio de Janeiro (RJ). 


        A recomposição do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aparece como um dos principais fatores por trás desse crescimento. No intervalo analisado, os recursos do principal instrumento de apoio à ciência e à inovação do PaÍs aumenlaram 216%, ampliando as condições para investimentos.


        A recuperação interrompe uma trajetoria de retração observada de 2015 a 2021 e sinaliza a recomposição da capacidade do Estado de financiar atividades científicas, apoiar o desenvolvimento tecnológico e sustentar políticas públicas de longo prazo. Em 2024, os investimentos governamentais alcançaram R$ BB,7 bilhôes em ciência e tecnologia e R$ 72,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. 


        "O Brasil voltou a investir em ciência, tecnologia e inovação. Essa e uma prova do papel estratégico do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da importância da retomada de políticas voltadas à tecnologia, que trazem efeitos concretos no desenvolvimento do País", afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.


        O levantamento indica que a continuidade do financiamento é um dos fatores que permitem a manutenção de laboratorios, a formação de recursos humanos altamente qualificados e a execução de projetos científicos de longo prazo. 


        Os aportes feitos pelo setor empresarial também cresceram. De 2021 a 2024, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento passaram de R$ 67 bilhões para R$ 72 bilhões. Segundo Luciana Santos, a existência de instrumentos de financiamento, programas estratégicos e políticas de longo prazo ajuda a criar um ambiente mais favorável para decisões empresariais relacionadas à inovação.


        "A recomposição do FNDCT, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e os instrumentos da Finep [Financiamento de Estudos e Projetos] criam um ambiente mais previsível para investimentos de longo ptazo. E, para o setor privado, a previsibilidade é um ativo tão importante quanto o volume de recursos", destacou a ministra.


        Outro aspecto apontado pelos indicadores é a expansão dos investimentos em estados das regiões Norte e Nordeste. Acre (AC), Ceará (CE), Pará (PA), Rondônia (RO), Roraima (RR), Tocantins (TO) registraram algumas das maiores taxas de crescimento em ciência, tecnologia e inovação no período analisado. 


        Embora a concentração de recursos ainda seja elevada nos estados com sistemas de pesquisa mais consolidados, os dados mostram sinais de maior dinamismo em diferentes regiões do País, ampliando a presença das atividades científicas e tecnológicas em novos territórios.


        Os indicadores apresentados mostram que a ciência voltou a ocupar espaço relevante na agenda de investimentos públicos. A recuperação dos recursos destinados _ área fortalece _ capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e criar condições para que _ inovação contribua para o desenvolvimento econômico e social do País.


Fonte: https://www.gov.brlinpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/aposa nos-de- retracao-investimento-publico-em-ciencia-e-tecnologia-avanca-30-no-pais (adaptado).

No texto, determinadas palavras podem ser substituídas por outras de sentido equivalente, desde que se mantenha o contexto em que foram empregadas. Nesse sentido, analise as assertivas a seguir:
I. Em Os aportes feitos pelo setor empresarial também cresceram, a palavra aportes pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por investimentos.
II. Em trazem efeitos concretos no desenvolvimento do País, a palavra concretos pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por reais.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
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Q4184681 Português
Para responder à questão, leia o texto.

Censo Escolar: Brasil reduz índices de reprovação, abandono e atraso

        Os números referentes ao desempenho de estudantes que concluíram o ensino médio na rede pública do país apresentaram melhora entre 2022 e 2025. O índice de reprovação caiu 62%, o de abandono diminuiu 61% e o atraso escolar teve redução de 28%. No mesmo período, a taxa de aprovação subiu 11%. Os novos dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) fazem parte da segunda etapa do Censo Escolar 2025, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (lnep). O levantamento anual permite calcular as taxas de rendimento escolar no país. 

        De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a evolução dos indicadores educacionais no Brasil se deve à implementação, desde 2023, de diversos programas estruturantes como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, além da a criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e de avanços no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

        Os dados também indicam que mais estudantes têm conseguido permanecer no ensino médio. Enlre 2022 e 2025, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28%, o que significa que mais jovens permaneceram em sala de aula de um ano letivo para outro. 

        O presidente do Inep, Manuel Palacios, estima que se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio. "Um número muito grande de jovens, que poderia estar fora da escola, seguiu estudando."

        Entre as iniciativas que contribuíram para a melhoria do ensino médio na rede pública está o programa Pé-de-Meia, diz o MEC. A chamada Poupança do ensino medio já beneficiou 7,2 milhôes de estudantes, desde sua criação em 2024. A iniciativa federal oferece incentivo financeiro para os estudantes que frequentam as aulas, passam de ano, concluem a educação básica e fazem as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.brleduc acao /noticia/2026- 06/censo-escolar-brasil-reduz-reprovacao abandono-e-atrasoestudantil (adaptado)

No segundo parágrafo, ao relatar a melhora nos indicadores, o texto aponta a implementação de diversos programas estruturantes. Nesse contexto, o adjetivo sublinhado indica ações que:
Alternativas
Respostas
481: E
482: B
483: A
484: B
485: A
486: A
487: D
488: D
489: A
490: A
491: B
492: D
493: A
494: D
495: A
496: A
497: D
498: A
499: D
500: A