Questões de Concurso
Sobre redação - reescritura de texto em português
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TEXTO II
RAPIDINHO
Todos nos beneficiamos e nos orgulhamos das conquistas da vida moderna, especialmente da crescente velocidade com que fazemos as coisas acontecerem. Mudanças que antigamente levavam séculos para se efetivarem, agora podem ser realizadas em poucas semanas, ou até em poucos dias.
Nas sociedades tradicionais, as normas de conduta, as leis tinham uma extraordinária capacidade de perdurar. Tudo se modificava, mas sempre muito devagar. Também na utilização dos meios de transporte, o tempo transcorria com lentidão. A partir da metade do século XIX, foram sendo adotados meios de locomoção mais velozes. Na utilização dos meios de comunicação, o que existia foi substituído pelas maravilhas da eletrônica contemporânea. Não somos bobos, tratamos de aproveitar as possibilidades criadas por todos os novos recursos tecnológicos. Para que perder tempo, se podemos fazer depressa o que nossos antepassados só conseguiam fazer devagar, por que não haveríamos de acelerar nossas ações?
Um dos expoentes do espírito pragmático da modernidade, o americano Benjamin Franklin, já ensinava no século XIII: “Tempo é dinheiro”. E explicava: se você desperdiça a possibilidade de ganhar uma moeda, não está perdendo apenas a moeda que deixou de ganhar, mas de fato está se privando das muitas pilhas de moedas que poderia adquirir por meio de bons e oportunos investimentos. Foi para assimilar a lição de Franklin que passamos a necessitar de relógios cada vez mais precisos e aperfeiçoados. Devemos medir rigorosamente o tempo para poder aproveitá-lo com rigor.
Dedicamo-nos, então, a uma frenética corrida contra os ponteiros do relógio. Para sermos eficientes, competitivos, apressamos cada vez mais nossos movimentos. Saímos de casa correndo para o trabalho, somos cobrados para dar conta correndo de nossas tarefas e — habituados à corrida — alimentamo-nos às pressas, para depois voltarmos, correndo para casa. Sabemos que, na nossa sociedade, os mais rápidos são os vitoriosos.
Impõem-se, contudo, algumas perguntas: nas condições em que somos obrigados a viver, não estaremos pagando um preço altíssimo, mesmo se formos bons corredores e nos mostrarmos aptos para vencer? Uma reflexão condenada a desenvolver-se num exíguo prazo predeterminado não será, inevitavelmente, superficial? O pensamento que se formula rapidinho não tende a ser sempre meio oco?
(KONDER,Leandro,in O Globo,29 set.1996. Apud:A palavra:
expressão e criatividade. Gil Carlos Pereira. São Paulo: Moderna.
1997. P. 47. Texto adaptado.).
Leia o texto III para responder à questão.
Texto III
Eloquência singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que…
Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:
– …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
…daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que…
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.
[...]
Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…
– Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada…
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
– Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…
Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.
Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…
E entrava por novos desvios:
– Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…
O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.
(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)


Em relação ao texto, julgue o item a seguir.
O segundo período presente no subtítulo pode
ser corretamente reescrito, sem prejuízo à
correção gramatical e ao sentido original do
texto, como Hospital afirmou que, embora tenha
realizado procedimentos necessários, a morte foi
uma fatalidade.

Acerca de aspectos gerais do texto, julgue o item a seguir.
O trecho “a mulher confirmou a realização da
cirurgia” (linhas 19 e 20) poderia ser reescrito,
mantendo‑se a correção gramatical e o sentido original
do texto, como a mulher confirmou que havia realizado
a cirurgia.
Julgue o item seguinte, relativo a aspectos linguísticos do texto CB4A1-I.
A correção gramatical e o sentido do primeiro período do
terceiro parágrafo seriam preservados se o trecho “há mais
de três décadas” fosse substituído por fazem mais de três
décadas.
Julgue o item seguinte, relativo a aspectos linguísticos do texto CB4A1-I.
Sem prejuízo da correção gramatical do texto, o segmento
‘seriam considerados’ (segundo período do terceiro
parágrafo) poderia ser reescrito como se consideraria.


Estariam mantidos os sentidos originais do texto caso o segmento “tem o potencial de combinar a” (linhas 6 e 7) fosse reescrito como potencializa a combinação da.


É coerente com as ideias do texto e gramaticalmente correta a seguinte proposta de reescrita para o segmento “o governo não tem conseguido suprir sozinho e gerenciar adequadamente essas necessidades” (linhas de 13 a 15): o governo não tem conseguido suprir sozinho essas necessidades nem as gerenciar adequadamente.


Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência do segundo período do segundo parágrafo do texto caso o termo “ambas” (linha 16) fosse substituído por cujas.
Assinale a alternativa que pode substituir a palavra destacada, mantendo a mesma relação semântica estabelecida no texto.
Cocaína em tubarões é só a ponta do iceberg
Por Bernardo Esteves e Allan de Abreu

(Disponível em: piaui.folha.uol.com.br/cocaina-em-tubaroes-e-so-a-ponta-do-iceberg/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).
I. A palavra “ilícita” (l. 02) pode ser substituída por “legítima”, sem alterações de sentido do texto.
II. “Tubarões” (l. 10) e “animais” (l. 10) são termos que, no texto, têm o mesmo referente.
III. Em “A cocaína presente em treze tubarões coletados no Rio de Janeiro por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pode ser apenas a ponta de um iceberg”, há uma metáfora.
Quais estão corretas?
No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.
O segmento “por uma lógica”, em “mas por uma lógica de
fluxo” (sexto período do terceiro parágrafo), poderia ser
suprimido sem prejuízo das relações de coesão e coerência
textuais.
No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.
Estariam preservadas a correção gramatical e a coerência das
ideias do texto caso o segmento “sendo a atenção um recurso
escasso” (sétimo período do terceiro parágrafo) fosse
reescrito da seguinte forma: porquanto ela seja um recurso
escasso.
No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.
Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência das
ideias do texto caso se substituísse o ponto final que encerra
o segundo período do segundo parágrafo pelo sinal de
dois-pontos, feito o devido ajuste de maiúscula e minúscula
no período.
No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.
No primeiro período do texto, a substituição do vocábulo
“como” por quanto preservaria as relações de coesão e
coerência textuais, mas, para a garantia da correção
gramatical, seria necessário o emprego do acento indicativo
de crase no vocábulo “a” que antecede “mudança” —
quanto à mudança.
No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.
Para se evitar a repetição do termo “atenção” no sétimo
período do terceiro parágrafo, seria correto e coerente
reescrever o segmento “dedicada a atenção” da seguinte
forma: tendo-lhe dedicado.
Com relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o item que se segue.
Estariam preservadas a correção gramatical e a coerência das
ideias do último período do primeiro parágrafo caso a oração
“estando sua discussão presente em diferentes países” fosse
reescrita da seguinte maneira: tema cuja discussão está
presente em diferentes países.
Com relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o item que se segue.
Estariam mantidas a correção gramatical do texto e a
coerência de suas ideias caso se reescrevesse o segmento
“(93% das pessoas usam aplicativos de mensagens
instantâneas)” (segundo período do primeiro parágrafo) da
seguinte forma: (93% da população é usuária de
aplicativos de mensagens instantâneas).
Com relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o item que se segue.
O primeiro período do texto poderia ser reescrito, sem
prejuízo da correção gramatical e das relações de sentido
estabelecidas entre as orações que o compõem, da seguinte
forma: Por realizarem a migração dos processos físicos
para o mundo digital, as plataformas de conectividade
são as principais responsáveis pela digitalização da
economia.