Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3988420 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que reflete a posição do texto sobre o papel da inteligência social e institucional no manejo do TDAH. 
Alternativas
Q3988419 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE a relação estabelecida no texto entre gênero e diagnóstico de TDAH.
Alternativas
Q3988418 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Considerando o conjunto do texto, assinale a alternativa que explica o aumento recente nos diagnósticos de TDAH em adultos. 
Alternativas
Q3988417 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE o papel do relato pessoal de Mara na organização argumentativa do texto. 
Alternativas
Q3988376 Português

TEXTO III


Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes


    A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.

        Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

      Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.


Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.

De acordo com o texto III, é CORRETO afirmar que o sistema de mobilidade urbana: 
Alternativas
Q3988375 Português

TEXTO III


Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes


    A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.

        Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

      Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.


Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.

Alinguagem utilizada no texto III caracteriza-se predominantemente como: 
Alternativas
Q3988374 Português

TEXTO III


Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes


    A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.

        Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

      Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.


Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.

No trecho “a necessidade diária de deslocamento das pessoas”, o artigo a exerce a função de: 
Alternativas
Q3988373 Português

TEXTO III


Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes


    A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.

        Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

      Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.


Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.

Assinale a alternativa em que a palavra cidade, presente no Texto III, está escrita de acordo com a norma-padrão em seu correspondente no diminutivo, mantendo valor afetivo ou de tamanho: 
Alternativas
Q3988372 Português

TEXTO III


Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes


    A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.

        Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

      Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.


Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.

Apalavra mobilidade, presente no Texto III, possui: 
Alternativas
Q3988363 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra do Texto I com dígrafo consonantal. 
Alternativas
Q3988362 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Assinale a alternativa CORRETAquanto à palavra privilégio presente no Texto I. 
Alternativas
Q3988361 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
No título do Texto I: “Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz”, o uso de letras minúsculas está CORRETO porque: 
Alternativas
Q3988360 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Observe a palavra tempo, presente no Texto I. Assinale a alternativa CORRETAquanto à classificação de seus fonemas. 
Alternativas
Q3988359 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Ao longo do Texto I, a autora constrói sua visão sobre o tempo a partir de memórias da infância. Esse recurso contribui para: 
Alternativas
Q3988358 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
No trecho final do Texto I, ao afirmar “E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora?”, a autora:
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Q3988357 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
O Texto I constrói uma reflexão sobre o tempo e o envelhecimento. Considerando o desenvolvimento das ideias ao longo do texto, é CORRETO afirmar que se defende:
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Q3987672 Português
Observemos o seguinte relato do paciente, Sr. P, de 67 anos, num hospital:

Essa coisa de WhatsApp é muito boa. Podem dizer o que quiserem, mas, para mim, é excelente. Converso e bato papo sobre bobagens e até me encontro com pessoas. Antes ficava esperando quem me ligasse. Hoje, não. Nada doentio, tudo saudável. Estou mais perto, muito mais, da minha família.

Podemos dizer, segundo o texto, que o Sr. Paulo tem no WhatsApp um dispositivo que o ajuda no monitoramento da sua vida, ou seja, que lhe permite o(a) 

I. planejamento financeiro e previdencial.
II. manutenção de hábitos saudáveis ao longo da vida.
III. estabelecimento de uma rede de apoio social.
IV. adaptação às inovações tecnológicas.
V. educação contínua e flexibilidade.

Podemos constatar, CORRETAMENTE, o alcance dos seguintes objetivos: 
Alternativas
Q3985526 Português
Leia o trecho abaixo, retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

"É, nesse contexto, portanto, que devem ser compreendidos os ____________: por um lado, como aprendizagens indispensáveis ao final de um período; por outro, como referências que permitem - se comparados aos objetivos do ensino e ao conhecimento prévio com que o aluno iniciou a aprendizagem - a análise dos seus avanços ao longo do processo, considerando que as manifestações desses avanços não são lineares, nem idênticas." (BRASIL, 1997, p. 64)
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna no texto acima. 
Alternativas
Q3985523 Português
Quais as duas crenças, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, que “produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico” (BRASIL, 1997, p. 26)?
Alternativas
Q3985520 Português
Leia o trecho abaixo, retirado da BNCC.

“Em tese, a Web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente. Mas se esse espaço é livre e bastante familiar para crianças, adolescentes e jovens de hoje, por que a escola teria que, de alguma forma, considerá-lo?” (BRASIL, 2018, p. 68)
Para a Base Nacional, o papel da área de linguagens frente à Web é:
Alternativas
Respostas
2981: A
2982: B
2983: C
2984: B
2985: D
2986: C
2987: B
2988: B
2989: E
2990: B
2991: A
2992: C
2993: A
2994: E
2995: D
2996: E
2997: D
2998: C
2999: B
3000: B