Questões de Concurso Sobre problemas da língua culta em português

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Q3449867 Português
UM BRINDE AO ANO NOVO REPLETO DE SAÚDE, PAZ E FELICIDADES!





(1º§) O Ano Novo é uma chance de começar de novo. Deixa para trás o que não te serve mais e abraça o futuro com coragem e esperança! O segredo para um novo começo está em deixar ir o velho, desejando que o próximo ano seja repleto de novas aventuras e oportunidades para crescer e aprender.

(2º§) O Ano Novo é uma chance de muitas mudanças! Acredite no poder da transformação que um novo ano traz consigo.

(3º§) O Ano Novo é uma chance de brindar a vida e agradecer por tudo que ocorreu durante o ano anterior, e começar a escrever as páginas em branco de cada dia, sempre almejando uma história incrível para o ano que se inicia. O Ano Novo é como um livro em branco. A caneta está em suas mãos, use-a com garra e determinação! O Ano Novo é uma chance de muitas mudanças!

(4º§) O Ano Novo faz você pensar e repensar nos seus sonhos. Acredite neles e trabalhe para transformá-los em realidade neste novo ano.

(5°§) O Ano Novo traz até você a coragem para perseguir a trilha da felicidade, porque você precisa ser feliz. Vamos comemorar o ano novo!

(6º§) O Ano Novo é uma oportunidade singular para renovar sua atitude, reavivar suas paixões e redescobrir suas ambições. Pense no seu futuro, pois a melhor maneira de prevê-lo centra-se em criá-lo.

(7º§) Que o Ano Novo traga consigo um novo entusiasmo para transformar sonhos em realidade. Não espere por oportunidades, crieas, aproveitando o Ano Novo, que é o momento perfeito para começar e realizar sonhos.

(8º§) O Ano Novo é um de desejar coisas boas, assim sendo, espalhe amor e colha felicidade no ano que se inicia! Seja a mudança que você deseja ver no mundo. Comece consigo mesmo neste novo ano.”

(9º§) O Ano Novo é a oportunidade perfeita para recomeçar, recalibrar metas e seguir em frente com paixão renovada. No ano novo, descubra novas maneiras de brilhar. Crie suas leis de felicidades. Aprecie as estrelas de um céu iluminado e colorido! Você tem as chaves para viver em paz e harmonia com a vida!

(10º§) Nunca é tarde demais para se tornar quem você quer ser. O Ano Novo é a prova disso. A vida é cheia de oportunidades, e um novo ano é apenas mais uma delas. Que o próximo ano seja cheio de momentos preciosos, memórias inesquecíveis e sonhos realizados!

(11º§) Lembre-se de que você tem 365 novas oportunidades para criar a vida dos seus sonhos no ano que se inicia! Comece o Ano Novo com gratidão pelo passado e esperança para o futuro! FELIZ ANO NOVO!


(https://www.tediado.com.br/12/50-frases-motivacionais-para-inspirar-o-ano-novo/) – (Adaptado)
Marque a alternativa que apresenta erro ortográfico quanto ao uso dos “Porquês”.
Alternativas
Q3449788 Português
FELIZ ANO NOVO COM A CERTEZA DE MUITO AMOR


(1º§) Este ano, quero aprender algo mais, algo que ainda nem sei o que é. Quero, em comparação com os anos anteriores, amar e me dedicar bem mais ao outro. Será um ano promissor, fértil e de realizações, mas preciso assumir uma posição, bem rápido, quão mais rápido seja possível.

(2º§) Este ano, quero ser mais, ouvir mais, saber mais, dizer mais vezes a palavra não e pensar mais vezes ao dizer a palavra sim, e vice-versa. Quero decidir minha vida, amar e amar tão intensamente, para, então, me sentir feliz!

(3º§) Este ano, quero prestar mais a atenção ao cheiro das coisas. Preciso ouvir tudo de coração; sentir tocar na minha pele as vibrações positivas, quero abraçar meu próximo e saborear o doce dos pequenos e grandes momentos da vida.

(4º§) Este ano, quero ser uma ave sem precisar me estipular limites. Quero me conhecer mais, olhar para o meu íntimo e ver como realmente sou eu.

(5º§) Este ano, quero tirar as máscaras que ainda restam e sem que as pessoas percebam, o meu eu vá aparecendo e conquistando, agradando, causando sutis escândalos.

(6º§) Este ano, quero continuar atenta a tudo, prestando atenção às cores dos relacionamentos que surgem e desaparecem.

(7º§) Este ano, sei que será diferente dos demais, alguns já não estão mais tão perto e outros estão apenas pensando em se aconchegar.

(8º§) Este ano, eu quero saber diferenciar o ontem do hoje, quero medir o que há de bom ou ruim, o suficiente, o bastante para eu reforçar o amor a alguém, à minha volta. Quero além de sentir o cheiro das coisas, saber lidar com todos os cheiros, enxergar as flores do jardim e tocar na mais linda e perfumada de todas elas.

(9º§) Este ano, a tendência da paixão é certa e a decepção pode ser perigosa e triste. Não que ser peregrina, preciso criar um nexo para minha vida.

(10º§) Este ano está com cara de bossa-nova. Sinto o cheiro da melodia no ar. Suave e harmonioso na minha pele, no meu peito, no meu interior.

(11º§) Este ano, eu estou começando a compor. Será um ano de tentativas e de vitórias!

(12º§) Este ano, sim, serei bela como a vida, ardente de paixão para aumentar o brilho de nossas vidas. Fixe a ideia de que o melhor virá junto com o Ano Novo. Junte suas forças e lute por seu grande amor!

(13º§) Quero sugar o mel das coisas boas da vida e com ele vou me deliciar da doçura dos meus sonhos. Nada de sombra e luzes artificiais. Somente luz natural.

(14º§) O que eu realmente quero para este ano, é morrer de amor! Simplesmente morrer de amor! Entenda agora e venha comigo!


(Por: Cláudia K. da Luz) – (Texto adaptado)


(https://www.pensador.com/textos_de_feliz_ano_novo)
Marque a frase que apresenta desvio / erro no uso do “Porquê”
Alternativas
Q3449463 Português
Assinale a alternativa em que a forma verbal indicada entre parênteses não está empregada de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q3445454 Português

“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”

 

No último mês, fiquei obcecada com o show da Madonna. Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava: Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus amigos, mas a maior parte não acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gêmea, Estela May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo tempo, crescia em mim o sentimento de que não queria estar no show sem a minha mãe.

Teve até um momento em que bateu uma vontade imensa de voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe. Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.

Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar uma foto que prova que meu nome é Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá. Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era importante pra mim.

No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que ela morreu, eu não esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It Feels Like For A Girl, aquela música que ela traduziu no Saia Justa e viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter] como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe quem foi, né” A gente sempre fica procurando sinais da minha mãe. Não sei se peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do ano passado nós estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a tocar Forever Young do Alphaville. Justo a música que minha mãe sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.

Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna, Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática. Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos. Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de café no serviço de quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora” O espaço abria às 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse possível.

Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras. Escutamos comentários desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros.

Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se incomodarem, que se mexam.

Essa é a celebração da Madonna. Fiquei eufórica quando a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então, subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Óbvio que amo músicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo da carreira. A Estela elegeu os álbuns atuais. Apesar de não ter Madonna no nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito especial, porque na minha memória, éramos nós duas no carro com a minha mãe colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light. Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que essa era a música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele momento no show significaria para ela.

Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de “é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. É uma dobradinha de datas não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe? Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.

(...)

 

(Cecília Madonna, Revista Piauí, 11 maio 2024 08h59)

Observe a palavra em destaque e marque a opção em que aparece desvio ortográfico segundo a norma culta.


“Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela” 

Alternativas
Q3443398 Português
Manteria a correção gramatical e o sentido do texto a seguinte reescrita do trecho “É preciso inventar de novo o amor.” (linhas 9-10).
Alternativas
Q3442578 Português
Assinale a alternativa que apresenta uma proposta de reescrita que é gramaticalmente correta e preserva o sentido do seguinte trecho do texto: “mas elas parecem sabê-lo antes de nós” (linhas 59-60). 
Alternativas
Q3437975 Português
O atendimento ao público requer a adoção de um vocabulário apropriado que demonstre a capacidade que o atendente possui de se comunicar bem, tornando as informações mais claras, a partir do correto emprego das concordâncias nominais e verbais. Leia os exemplos a seguir e destaque a única alternativa correta. 
Alternativas
Q3437959 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que se verifica regência nominal incorreta. 
Alternativas
Q3437003 Português
Analise as alternativas a seguir e assinale aquela em que a sentença dada está em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q3435541 Português
Sobre a língua e suas variedades, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.

( ) Gramática internalizada: sistema de regras próprias do idioma que comandam seu funcionamento e determinam se uma construção é ou não linguisticamente válida.
( ) Gramática normativa: conjunto de normas e regras que orientam o emprego da língua (escrita e falada) de acordo com os usos tradicionais do idioma.
( ) Variedade padrão (língua padrão): variedade linguística constituída ao longo do tempo e baseada no “modo de falar e escrever” das classes sociais de maior prestígio cultural, político e econômico; caracteriza-se, principalmente, pelo uso de estruturas frasais mais complexas, pelo vocabulário mais elaborado e pela observância às regras da gramática normativa.
( ) Variedade não padrão (variedade coloquial): caracterizada pela presença de estruturas frasais mais simples, pela não observância às regras da gramática normativa, pelo vocabulário mais “comum” e pelo emprego de frases feitas, expressões populares e termos de gíria.
( ) Adequação linguística: Ajustes que o falante deve fazer em sua forma de se expressar, considerando o interlocutor, o assunto, a situação de comunicação, o efeito pretendido, etc, de maneira a obter mais eficiência no ato de comunicação.
Alternativas
Q3432742 Português

 Leia o texto a seguir para responder à questão.

                                                 


   Dinheiro na mão é vendaval 

                        Notas e moedas sumiram de nossas vidas - e ninguém 2 percebeu. 


Walcyr Carrasco



    Outro dia, eu resolvi ir a um restaurante no Rio de Janeiro, localizado em um bairro da Zona Sul, tradicional e elegante. Vesti uma roupa especial para a ocasião, passei um bom perfume, peguei a carteira com meus cartões, apesar de usar mais os virtuais hoje em dia. Empoderado e bem acompanhado, entrei no local, certo de que faria uma deliciosa refeição. Pedi uma mesa para dois. Quando sentamos, o garçom nos trouxe o menu e perguntou: "Já conhecem o restaurante?". Respondi: "Não, mas já há algum tempo queria conhecer”. Ele disse: “Só quero adiantar que não trabalhamos com cartões." Sorri e disse: "Tudo bem, eu faço um Pix." Aí ele frisou: "Só aceitamos pagamento em cash.” Meu mundo desmoronou. Ele nos acompanhou até a saída. Logo ao lado havia outro restaurante. Entramos. A mesma cena se repetiu. Surpreso, soube que os dois eram do mesmo dono. Questionei como isso era possível nos dias atuais. Há muito tempo não passava por uma situação assim. O segundo garçom explicou que os dois restaurantes eram frequentados por clientes antigos e fiéis, que já conheciam as normas e sempre estavam preparados. Realmente, observei, e o restaurante estava longe de parecer vazio. Corremos para um food truck, e nos resolvemos.

    Refleti que, de fato, eu utilizo cada vez menos dinheiro em papel ou moeda, assim como todos os meus amigos e conhecidos. Antes, eu sempre tinha um trocado. Separava o dinheiro do restaurante, do táxi, da gorjeta. Sempre tinha uma bolsinha para as moedas. Hoje, basicamente, eu preciso do meu celular. Carro é por aplicativo, reservas on-line, restaurantes pagos por aproximação do celular. E a gorjeta? O exército de profissionais que dependia de gorjetas dançou, porque ninguém mais anda com dinheiro vivo. A não ser que se dê a gorjeta também no cartão. Mas o mundo avançou tanto na seara digital que, há pouco tempo, na entrada do Aeroporto Santos Dumont, um senhor me estendeu a mão pedindo uma ajuda. Respondi que não tinha dinheiro em mãos. "Aceito Pix", ele respondeu. Para um amigo que queria um queijo coalho na Praia de Ipanema e estava desprevenido, a vendedora propôs, mostrando um cartão: "Aponta seu celular pra esse QR code que o pagamento vai cair direto na minha conta.” Minha reflexologista anda com uma maquininha de cobrança no próprio celular. Mas dinheiro virou algo simbólico. Obsoleto. Mesmo os grandes bancos se resolvem com cifras digitais. Imagine se todos os correntistas de qualquer banco exigirem, no mesmo dia, retirar tudo em dinheiro. O banco entra em colapso.

    As cédulas coloridas, as moedas desenhadas, o cheirinho da grana, tudo isso tornou-se raro. Uma mala cheia de dinheiro vivo hoje em dia é suspeita. No mínimo, vão achar que é propina de político. Ou algum pagamento questionável, que alguém recebe e não declara. Outro dia vi a clássica imagem de Tio Patinhas nadando em dinheiro. Hoje em dia seria impossível. O próprio Tio Patinhas teria seus apps. A canção de Paulinho da Viola, intitulada Pecado Capital, diz que “dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador.” Foi premonitória. O vendaval já passou. Dinheiro na mão? Ninguém tem mais.

                                                                

 Publicado em VEJA de 1° de margo de 2024, edição nº 2882.  

Dinheiro na mão é vendaval

Notas e moedas sumiram de nossas vidas – e ninguém percebeu.
Walcyr Carrasco


    Outro dia eu resolvi ir a um restaurante no Rio de Janeiro, localizado em um bairro da Zona Sul, tradicional e elegante. Vesti uma roupa especial para a ocasião, passei um bom perfume, peguei a carteira com meus cartões, apesar de usar mais os virtuais hoje em dia. Empoderado e bem acompanhado, entrei no local, certo de que faria uma deliciosa refeição. Pedi uma mesa para dois. Quando sentamos, o garçom nos trouxe o menu. E perguntou: “Já conhecem o restaurante?”. Respondi: "Não, mas já há algum tempo queria conhecer”. Ele disse: “Só quero adiantar que não trabalhamos com cartões.” Sorri e disse: “Tudo bem, eu faço um Pix.” Aí ele frisou: “Só aceitamos pagamento em cash.” Meu mundo desmoronou. Ele nos acompanhou até a saída. Logo ao lado havia outro restaurante. Entramos. A mesma cena se repetiu. Surpreso, soube que os dois eram do mesmo dono. Questionei como isso era possível nos dias atuais. Há muito tempo não passava por uma situação assim. O segundo garçom explicou que os dois restaurantes eram frequentados por clientes antigos e fiéis, que já conheciam as normas e sempre estavam preparados. Realmente, observei e o restaurante estava longe de parecer vazio. Corremos para um food truck, e nos resolvemos.

    Refleti que de fato eu utilizo cada vez menos dinheiro em papel ou moeda, assim como todos os meus amigos e conhecidos. Antes eu sempre tinha um trocado. Separava o dinheiro do restaurante, do táxi, da gorjeta. Sempre tinha uma bolsinha para as moedas. Hoje, basicamente, eu preciso do meu celular. Carro é por aplicativo, reservas on-line, restaurantes pagos por aproximação com o celular. E a gorjeta? O exército de profissionais que dependia de gorjetas dançou, porque ninguém mais anda com dinheiro vivo. A não ser que se dê a gorjeta também no cartão. Mas o mundo avançou tanto na seara digital que, há pouco tempo, na entrada do Aeroporto Santos Dumont, um senhor me estendeu a mão pedindo uma ajuda. Respondi que não tinha dinheiro em mãos. “Aceito Pix", ele respondeu. Para um amigo que queria um queijo coalho na Praia de Ipanema e estava desprevenido, a vendedora propôs, mostrando um cartão: “Aponta seu celular pra esse QR code que o pagamento vai cair direto na minha conta.” Minha reflexologista anda com uma maquininha de cobrança no próprio celular. Mas dinheiro virou algo simbólico. Obsoleto. Mesmo os grandes bancos se resolvem com cifras digitais. Imagine se todos os correntistas de qualquer banco exigirem, no mesmo dia, retirar tudo em dinheiro. O banco entra em colapso.

    As cédulas coloridas, as moedas desenhadas, o cheirinho da grana, tudo isso tornou-se raro. Uma mala cheia de dinheiro vivo hoje em dia é suspeita. No mínimo, vão achar que é propina de político. Ou algum pagamento questionável, que alguém recebe e não declara. Outro dia vi a clássica imagem de Tio Patinhas nadando em dinheiro. Hoje em dia seria impossível. O próprio Tio Patinhas teria seus apps. A canção de Paulinho da Viola intitulada Pecado Capital diz que dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador. Foi premonitória. O vendaval já passou. Dinheiro na mão? Ninguém tem mais.

Publicado em VEJA de 1° de março de 2024, edição n° 2882.


''[..] porque ninguém mais anda com dinheiro vivo." 2º§


A alteração correta da frase acima é:


Alternativas
Q3424162 Português

Leia o texto abaixo e, em seguida, responda:


O inventário


(Rubem Braga)



   Peço a um amigo que me ajude neste transe melancólico; aluguei uma casa mobiliada, e o velho casal de proprietários fez uma lista de seus trecos para eu conferir. A lista é minuciosa e, por isso, imensa; são mil grandes e pequenas coisas, duas marquesas, um quadro a carvão representando São Francisco de Assis (mas o desenho é ruim e o santo está gordo), uma horrível, incomodíssima cômoda de metal, dois choapinos, um espelho quadrado que agora será visitado pela minha cara e talvez por hábito me faça meio parecido com esse velho chileno que sofre do coração.


   Ah, sim, o piano. O velho quer levar o antigo piano alemão; resisto; quero o piano; não sei tocar, mas me agrada ter em casa um piano; não seria possível deixar o piano? Os velhos se consultam; sim, ficará o piano. Em compensação há essa absurda mesa de pôquer que eles insistem em deixar, enorme, horrível, esses quadros a óleo detestáveis que eles elogiam tanto e que eu meterei todos dentro de um armário, um tinteiro de cobre, uma estatueta japonesa, coisas antigas como um violetero onde jamais colocarei violetas, um licoreiro que nunca verá licor, um paraguero que sonha com os guarda-chuvas d’antanho, e essa feia mesita ratona, e essas coisas inúteis de metal e cristal, o relógio de cuco com o passarinho sempre cantando errado, pobre passarinho extraviado no tempo...


   A lista é terrivelmente misteriosa; eu terei de apresentar, ao sair desta casa, tantos ganchos de pendurar roupa e tantos cinzeirinhos de cobre; e já que insisti pelo piano, tenho de me conformar com a presença de um enorme e sinistro mueble musiquero, onde se guardam velhos tangos e valsas.


   Meu amigo confere as coisas, de lista na mão, e a velha vai repetindo os nomes e apontando os objetos, numa ladainha interminável; bocejo no meio de meu reino desordenado e precário; uma a uma terei de entregar um dia todas essas coisas de volta a esses velhos; e para eles são coisas de certo modo sagradas, com o longo contato de seus olhos e de suas mãos, coisas de suas vidas que incorporaram minutos e anos, lembranças, palavras, emoções. Bocejo, depois fumo; nego-me a examinar, como eles gostariam, o detalhe de cada coisa, e minha indiferença parece que vagamente os ofende. Creio que sentem no fundo da alma um ódio deste estranho que vai morar em sua casa, com suas coisas; sou um intruso, o mais antipático dos intrusos, o intruso que paga o direito de ser intruso. E então eles ficam mais minuciosos. Gastam meia hora para acrescentar na lista algumas coisinhas sem importância que tinham omitido, são avaros do que me alugam...


   Partem. Chego à janela, vejo-os que fecham com todo o cuidado o portão. E sorrio. Esses velhos são uns insensatos. Arrolaram centenas de cacarecos inúteis e se esqueceram do mais importante, do que me atraiu a esta casa, dos bens sem preço que um vândalo poderia destruir e, entretanto, não estão no inventário; daqueles bens que, se sumissem, fariam esses dois velhos desfalecer de espanto e dor; o que eles não compraram com dinheiro, mas com o longo amor, o longo, cotidiano carinho: as árvores altas, belas, ainda úmidas da chuva da noite, brilhando, muito verdes, ao sol. 



Braga, Rubem. 150 crônicas escolhidas / Rubem Braga; seleção e prefácio André Seffrin. – 1. ed. – São Paulo: Global Editora, 2023.

Releia o trecho e responda: “e talvez por hábito me faça meio parecido com esse velho chileno que sofre do coração.” Observe a palavra sublinhada e o seu emprego na sentença, que se insere nos apontamentos de concordância nominal. Agora, leia as construções abaixo, nas quais aparece essa palavra, e aponte aquela em que há DESVIO de concordância nominal:
Alternativas
Q3423056 Português
Leia os enunciados e destaque a alternativa que possui um erro de regência nominal.
Alternativas
Q3423055 Português
Qual das alternativas a seguir não apresenta nenhum erro de regência verbal?
Alternativas
Q3422393 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O DIREITO DE NÃO AMAR



Se o homem destrói aquilo que mais ama como afirmava Oscar Wilde, a vontade de destruição se aguça demais quando aquilo está amando um outro. O egoísmo, sem dúvida o traço mais poderoso de qualquer sexo, transborda então intenso e borbulhante como água em pia entupida, artérias e canos congestionados na explosão aguda: "nem comigo nem com ninguém!" Deste raciocínio para o tiro, veneno ou faca, vai um fio.


A segunda porta foi a que escolheu aquele meu colega de Academia quando descobriu que a pior das vinganças é não matar mas deixar o objeto amado viver, viver à vontade, "pois que ela viva!" − decidiu ele na sua fúria vingativa.


Amou-a perdidamente. Acho que nunca vi ninguém amar tanto assim, talvez com a mesma intensidade com que amava o primo, disse isso mesmo numa hora de impaciência, estou apaixonada por outro, quer ter a bondade de desaparecer da minha frente? Mas o meu colega (vinte anos?) acreditava na luta e como ele lutou, meu Deus, como ele lutou! Tentou conquista-la com presentes, era rico. Depois, com intermináveis poemas de amor, era poeta. Na fase final, no auge da cólera − era violento − começou com as ameaças. Ela guardou os presentes, rasgou os poemas, fez a queixa a um tio que era delegado da seção de homicídios e foi cair nos braços do primo sem o recurso das rimas e dos diamantes mas que conseguia fazê-la palpitar mais branca e perfumada do que a açucena do campo.


Meu colega dava murros nas paredes, nos móveis. Puxava os cabelos, "ela não tem o direito de me fazer isso!". Com a débil voz da razão, tentei dizer-lhe que ela bem que tinha esse direito de amar ou não amar, vê se entende essa coisa tão simples! Mas ele era só ilogicidade e desordem: "Vou lá, dou-lhe um tiro no peito e me mato em seguida!" - jurou. Mas a tantos repetiu esse juramento que fiquei mais tranquilizada, com a presença de que a energia canalizada para o ato acabaria se exaurindo nas palavras.


O que aconteceu. Uma noite me procurou todo penteado, todo contido, com um sorrisinho no canto da boca, sorriso meio sinistro, mas lúcido: "Achei uma solução melhor", foi logo dizendo. "Vou ficar quieto, que se case com esse tipo, ótimo que se casem depressa porque é nesse casamento que está minha vingança. No casamento e no tempo. Se nenhum casamento dá certo, por que o deles vai dar? Vai ser infeliz à beça! Pobre, com um filho debiloide, já andei investigando tudo, ele tem retardados na família, ih! O quando ela vai se arrepender, por que não me casei com o outro? Vai ficar gorda, tem propensão para engordar e eu estarei jovem e lépido porque sou esportista e rico, vou me conservar, mas ela, velha, obesa, ô delícia!".


Há ainda uma terceira porta, saída de emergência para os desiludidos do amor, não, nada de matar o objeto da paixão ou esperar com o pensamento negro de ódio que ela vire uma megera jogando moscas na sopa do marido hemiplégico, mas renunciar. Simplesmente renunciar com o coração limpo de mágoa ou rancor, tão limpo que em meio do maior abandono (difícil, hem!) ainda tenha forças para se voltar na direção da amada como um girassol na despedida do crepúsculo. E desejar que ao menos ela seja feliz.


(Lygia Fagundes Telles)
Há desobediência ao padrão formal da Língua em:
Alternativas
Q3421931 Português
Em relação ao uso dos porquês, o erro está na alternativa:
Alternativas
Q3421927 Português
Assinalar a alternativa que apresenta o erro de construção do trecho a seguir:
Com as descobertas que os cientistas vêm realizando, não se pode ter dúvida de que, daqui há alguns anos, será possível clonar seres humanos.
Alternativas
Q3418411 Português
Leia as alternativas com atenção e assinale aquela com erro na regência nominal: 
Alternativas
Q3416126 Português

Por que é importante bocejar?


    Uma pessoa boceja em média de 5 a 10 vezes por dia. O sinal, causado por um reflexo involuntário, acontece quando se está sonolento, entediado ou ansioso, mas a importância do bocejo para o organismo ainda é pouco esclarecida.

    Acreditava-se que uma das finalidades do bocejo seria a de despertar o indivíduo ao fazer ele estirar os músculos e ajudar o sangue a circular. Outra hipótese é que o reflexo funcione para oxigenar o corpo.

    Entretanto, um estudo norte-americano mostrou que o bocejo esfria o cérebro, _______ através da inalação simultânea de ar frio e do alongamento dos músculos ao redor das cavidades orais, o bocejo aumenta o fluxo de sangue mais frio para o cérebro e, portanto, tem uma função termorreguladora.

    Essa função está ligada ao nível de atenção do indivíduo. Isso _______ os cérebros funcionam melhor em uma temperatura ideal, portanto, se a temperatura cerebral aumentar demais por qualquer motivo, ficamos menos alertas e atentos.

    Além dos humanos, estudos também observaram o bocejo em outros vertebrados, como peixes, sapos, cobras, passarinhos, golfinhos, gatos e macacos. A pesquisa apoia a ideia de que o bocejo em animais está ligado com o quanto o cérebro é ativo. A hipótese é que quanto mais ativo, mais resfriamento ele precisa.

    Em conclusão, acredita-se que, por isso, a duração do bocejo entre as espécies aumenta com o tamanho e o número de neurônios no cérebro. Os mamíferos parecem bocejar mais e por mais tempo do que os pássaros, por exemplo.


(Fonte: National Geographic — adaptado.)


Seguindo as regras do uso dos porquês, assinalar a alternativa que preenche as lacunas do texto CORRETAMENTE:
Alternativas
Q3415936 Português
O ensino da gramática normativa reconhece a língua como:
Alternativas
Respostas
961: B
962: A
963: A
964: B
965: B
966: A
967: D
968: E
969: E
970: B
971: A
972: A
973: D
974: D
975: D
976: A
977: C
978: B
979: A
980: A