Questões de Concurso Sobre problemas da língua culta em português

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Q3331768 Português
As sentenças a seguir apresentam lacunas que podem ser preenchidas, a depender do contexto, pelas expressões “afim”, “a fim”, “ao encontro de” e “de encontro a”. Analise-as e assinale a alternativa que preenche suas respectivas lacunas corretamente.

I. Tantas boas realizações confirmam que tudo está indo …… minhas expectativas.
II. O galego é um idioma …… do português.
III. A polícia trabalhou durante a madrugada …… de encontrar novas pistas.
IV. Seu depoimento vai …… tudo que já foi provado, logo, você está mentindo. 
Alternativas
Q3327074 Português
Leia os trechos de música a seguir e complete as lacunas, utilizando adequadamente: “porque”, “porquê”, “por que” ou “por quê”: 

“Pra que tornar as coisas
Tão sombrias
Na hora de partir
_________ não se abrir?”
(“Pedacinhos”, Guilherme Arantes)

“Então, me diga
Se você ainda gosta de mim,
_________ de você eu gosto,
E isso não deve ser assim tão ruim.”
(“Me Diga”, Nando Reis)

“Hoje estou feliz e canto
Só por causa de você
Hoje estou feliz, feliz, e canto
Só _________ amo, amor, você.”
(“Beleza Rara”, Ed Grandão e Nego John)

“Te devoraria a qualquer preço
_________ te ignoro ou te conheço,
Quando chove ou quando faz frio.”
(“Eu te devoro”, Djavan)
“Meu coração, não sei _________,
Bate feliz quando te vê.”
(“Carinhoso”, Pixinguinha e João de Barro)

“Não sei _________ insisto
Tanto em te querer
Se você sempre faz
De mim o que bem quer.”
(“Deslizes”, Michael Sullivan e Paulo Massadas)

“Vem me fazer feliz
_________ eu te amo.
Você deságua em mim
E eu, oceano,
Esqueço que amar
É quase uma dor.”
(“Oceano”, Djavan)

A alternativa que apresenta os usos corretos das formas por que, porque, porquê e por quê nos trechos de música é, respectivamente:
Alternativas
Q3326271 Português
Assinale a alternativa em que o "porquê" está usado como substantivo: 
Alternativas
Q3324075 Português
Leia com atenção as colunas abaixo:

Coluna 01:
(__)Não fui à festa ______ estava cansado.
(__)______ você não veio ao encontro ontem?
(__)Não entendo o ______ de tanta confusão.
(__)Ele estava triste, ______?

Coluna 02:
I.porquê.
II.porque.
III.por quê.
IV.por que.

Correlacione ambas as colunas de acordo com o uso adequado dos porquês. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta: 
Alternativas
Q3324074 Português
Leia com atenção as afirmativas abaixo:

I.Ele teve um mau desempenho na prova de matemática.
II.O cachorro estava com um mau cheiro depois de brincar na lama.
III.Acordei me sentindo mau e decidi não ir ao trabalho. IV.O filme foi tão mau dirigido que ninguém gostou.
V.Eles chegaram muito mau preparados para a apresentação.

Em quais afirmativas lidas o uso do termo "mau" está incorreto? 
Alternativas
Q3324027 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O argumento contra aumentar número de dias de trabalho presencial no escritório


Um motivo frequentemente mencionado para justificar o trabalho presencial é que ele ajuda a incentivar a conexão da equipe.


O número de empregadores que vêm convocando seus funcionários para trabalhar de quatro a cinco dias por semana no escritório está aumentando. O argumento se concentra na importância da colaboração e na sensação de pertencimento − e alguns líderes acreditam que estes atributos só podem ser promovidos em um ambiente físico compartilhado.


Há dados, no entanto, que mostram que a quantidade de dias de comparecimento ao escritório não apresentam correlação direta com esse sentido de conexão.


Existe apenas 1% de diferença entre o número de funcionários que se sentem conectados à sua organização trabalhando presencialmente quatro ou cinco dias por semana e os que trabalham dois ou três dias no escritório, segundo uma pesquisa global analisada pela BBC.


E esta leve diferença foi verificada em favor do último grupo, em que 60% dos entrevistados se sentem conectados à sua organização. A pesquisa envolveu 1.115 empregados e foi realizada pela Leesman − uma empresa com sede em Londres que oferece informações sobre o mercado de trabalho.


"Simplesmente não parece haver muitos ganhos com o número de dias que as pessoas passam no escritório", segundo Allison English, vice-diretora-executiva da Leesman.


"O que importa é a qualidade, não a quantidade do tempo", explica ela. "Na verdade, observamos que, quanto maior o número de dias presenciais, menor a satisfação geral do funcionário com o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Isso prejudica seu engajamento e sua conexão com a organização.


Existem evidências de que uma combinação de autonomia e dois a três dias presenciais por semana incentiva o engajamento dos funcionários e sua conexão com seu empregador.


Dados do instituto Gallup indicam que um em cada cinco trabalhadores norte-americanos pesquisados declarou ter um "melhor amigo" no trabalho. E, em uma meta-análise de mais de 100 mil locais de trabalho em todo o mundo, o Gallup concluiu que estes relacionamentos próximos entre funcionários contribuem para o aumento do desempenho e reduzem a rotatividade.


No entanto, à medida que os índices de ocupação dos escritórios começam a aumentar e mais empresas de alto perfil põem fim ao trabalho à distância, English afirma que os líderes podem passar a exigir cronogramas fixos, por sua relativa simplicidade.


"Os patrões têm milhares de outras preocupações, além de saber se alguém está trabalhando em casa com produtividade", explica ela. "Eles acham mais fácil gerenciar de cima para baixo e liderar presencialmente."


"Em uma economia mais lenta, os líderes não querem perder tempo procurando uma forma de trabalho diferente e mais complexa, até porque muitos deles preferem padrões de tempo integral no escritório, fazendo uso total dos seus imóveis corporativos." . Em muitos casos, os dias presenciais obrigatórios não levam em conta o ritmo natural das semanas de trabalho dos profissionais, segundo English. Por isso, eles criam desconexão entre os líderes e os trabalhadores.


"Às vezes, os funcionários precisam apenas de um tempo de concentração trabalhando em casa e mantêm o escritório como um local para se conectar ocasionalmente com as equipes, sem que o empregador estipule em quais dias deve ser feito o quê", explica ela.


Com cada vez mais patrões exigindo mais dias de trabalho no escritório, os profissionais agora passam boa parte dos seus dias de trabalho presencial na frente das telas de computador, em ambientes de trabalho mal preparados para a era do trabalho híbrido, em vez de realmente se conectarem com os colegas, segundo English.


"Muitos funcionários têm funções que, normalmente, podem ser desempenhadas de forma remota na maior parte do tempo. O aumento dos dias presenciais faz com que o tempo de concentração precise ser cumprido em escritórios movimentados, que não têm cabines de reunião. Os dias de trabalho são ocupados por ligações virtuais, em ambientes muitas vezes piores do que a privacidade das suas casas."


A qualidade do tempo presencial também é prejudicada pela necessidade de "ficar ocupado", diz Tomas Chamorro-Premuzic, professor de Psicologia Corporativa do University College de Londres.


Os funcionários passam dias no escritório parecendo ocupados frente a gerentes desconfiados, que não estão preparados para liderar suas equipes em trabalho híbrido. Eles imaginam que os profissionais são mais produtivos quando estão dentro do seu ângulo de visão.


"O problema é a falta de confiança e a incapacidade de avaliar resultados por parte do gerente", explica Chamorro-Premuzic. "Isso causa falta de engajamento e produtividade do lado do funcionário."


Por outro lado, o funcionário pode se sentir conectado à sua organização comparecendo ao escritório ocasionalmente. Isso porque é mais provável que ele sinta que é de confiança e capaz de passar seus dias presenciais colaborando com a empresa.


"As pessoas tendem a gostar de mais liberdade e flexibilidade", segundo Chamorro-Premuzic. "E, de qualquer forma, a maior parte do trabalho dos profissionais do conhecimento [aqueles que usam principalmente seus conhecimentos, informações e inteligência para desenvolver seus trabalhos] é realizada em frente a uma tela de computador, com a 'cultura' da organização frequentemente transmitida pelos meios digitais, como [as plataformas] Zoom, Slack e por e-mail."


"Por isso, ir ao escritório uma ou duas vezes por semana complementa essa cultura digital com as interações analógicas."


Ao longo do tempo, a menos que os patrões planejem os dias presenciais com mais cuidado, pensamento e coordenação, segundo English, os profissionais podem encontrar outros empregadores mais abertos.


"Se os funcionários forem microgerenciados e tratados como crianças, eles irão enfrentar uma sensação de frustração permanente", afirma ela. "Os melhores irão encontrar novos cargos que sejam mais flexíveis e haverá mais funcionários de nível médio infelizes, cumprindo as rigorosas exigências."


O resultado é que, quanto mais os empregadores exigem a volta dos funcionários ao escritório para criar conexões, mais eles podem acabar criando desconexões.


"O escritório oferece a oportunidade de ser um fator de conexão incrivelmente forte como a manifestação física de uma empresa, uma ferramenta para que todos remem com a mesma cadencia, voltados ao mesmo destino", explica English.


"Mas, sem um pouco de flexibilidade, o risco é que as organizações fiquem com mais pessoas nas margens, satisfeitas em simplesmente ficarem sentadas no barco, acompanhando as ondas."



https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz55dm56vmjo

Em "Existe apenas 1% de diferença entre o número de funcionários que se sentem conectados à sua organização trabalhando presencialmente quatro ou cinco dias por semana e os que trabalham dois ou três dias no escritório, segundo uma pesquisa global analisada pela BBC."


O verbo "existir" está concordando com a expressão "1% por cento". Nas alternativas abaixo identifique a alternativa que NÃO apresenta a concordância com a expressão de porcentagem corretamente.

Alternativas
Q3323487 Português

Leia o texto I para responder à questão.



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Sobre a frase "Dados do último censo escolar divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) apontam que, em 2022, 7,86 milhões de alunos se matricularam no ensino médio.", indique a alternativa correta. 
Alternativas
Q3321565 Português
A concordância verbal está correta em: 
Alternativas
Q3321484 Português
Quanto ao uso adequado dos porquês, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3320737 Português
Leia o  texto a seguir para responder à questão.

Sumido 

        Me dei disseram “Você anda sumido” e me conta de que era verdade. Eu também, fazia tempo que não me via. O que teria acontecido comigo? Não me encontrava nos lugares em que costumava ir. Perguntava por mim e as pessoas diziam que havia tempo não me viam. E faziam  a pergunta: “Que fim você levou?”. Eu não tinha a menor ideia. A última vez que me vira fora, deixa ver... Eu não me lembrava!

      Eu  teria morrido? Impossível, na última vez em que me vira eu estava bem. Não tinha, que eu soubesse, nenhum problema grave de saúde. E, mesmo, eu teria visto o convite para o meu enterro no jornal. O nome fatalmente me chamaria a atenção.

        Eu podia ter mudado de cidade. Era isso. Podia ter ido para outro lugar, podia estar em outro lugar naquele momento. Mas por que iria embora assim, sem dizer nada para ninguém, sem me despedir nem de mim? Sempre fomos muito ligados. 

    No  outro dia fui a um lugar que eu costumava frequentar muito e perguntei se tinham me visto. Não era gente conhecida, precisei me descrever. Não foi difícil porque me usei como modelo. “Eu sou um cara, assim, como eu. Mesma altura, tudo.” Não tinham me visto. Que coisa. Pensei: como é que alguém pode simplesmente desaparecer desse jeito? Foi então que comecei, confesso, a pensar nas vantagens de estar sumido.

       Não me encontrar em lugar algum me dava uma espécie de liberdade. Podia fazer o que bem entendesse, sem o risco de dar comigo e eu dizer “Você, hein?” e eu ser obrigado a me dizer alguma coisa como “Vai ver se eu não estou lá na esquina”. Mudei por completo de comportamento. Me tornei outro! Que maravilha. Agora, mesmo que me encontrasse, eu não me reconheceria. Comecei a fazer coisas que até eu duvidaria, se fosse eu. O que mais gostava de ouvir das pessoas espantadas com a minha mudança era: “Nem parece você”. Claro que não parecia eu. Eu não era eu. Eu era outro! Passei a me exceder, embriagado pela minha nova liberdade.

       A verdade é que estar longe dos meus olhos me deixou fora de mim. Ou fora do outro. E um dia ouvi uma mulher indignada com o meu assédio gritar: “Você não se enxerga, não?.” Foi uma revelação. Claro, era isso. Eu não estava sumido. Eu simplesmente não me enxergava. Como podia me encontrar nos lugares onde me procurava se não me enxergava? 

     Todo aquele tempo eu estivera lá·, presente, embaixo, por assim dizer, do meu nariz, e não me vira. Por um lado, fiquei aliviado. Eu estava vivo e bem, não precisava me preocupar. Por outro lado, foi uma decepção. Concluí que não tem jeito, estamos sempre, irremediavelmente, conosco, mesmo quando pensamos ter nos livrado de nós. A gente não desaparece. A gente às vezes só não se enxerga. 




VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020. 

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, há inadequação da colocação pronominal no excerto: 
Alternativas
Q3319691 Português

A norma-padrão de regência verbal e nominal foi corretamente observada na frase:

Alternativas
Q3315660 Português
Analise a música de aniversário a seguir.

“Parabéns para você
Nessa data querida
Muitas felicidades, muitos anos de vida.”

De acordo com as regras da gramática normativa, os ERROS são:

I. “Parabéns para você” está incorreto, pois deveria ser “Parabéns a você”
II. Muitas felicidades, muitos anos de vida – muitas felicidades e muitos anos de vida.
III. O correto seria apenas utilizar “muitos anos de vida”
IV. “Nessa data querida” está incorreto, pois deveria ser “Nesta data querida”.
V. Não há inadequação apenas na frase “muitas felicidades, muitos anos de vida”.

Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
Alternativas
Q3313488 Português
Assinalar a alternativa em que o uso do porquê está INCORRETO. 
Alternativas
Q3313188 Português
Amenizando riscos

    A história mostra que, desde o início da trajetória humana na Terra, o ser humano buscou formas de amenizar os riscos de suas atividades diárias. Quando se pensa em equipamentos de proteção individual (EPI), o mais comum é associar o seu desenvolvimento à revolução industrial. Porém, os EPI surgiram muito antes disso. Os ancestrais humanos usavam, por exemplo, peles de animais para se proteger do frio e da chuva, bem como objetos de proteção contra predadores, como pedras e lanças.


Disponível em: <https://tstjus br/saude-e-seguranca-do-trabalho> .Acesso em: 3 ago. 2024, com adaptações.

Do ponto de vista dos níveis de formalidade no uso da linguagem, caso o autor julgasse necessário incluir algumas das construções presentes no texto em um relatório de segurança do trabalho,
Alternativas
Q3310347 Português
Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita é apresentar ideias similares em uma forma gramatical idêntica, o que se chama de paralelismo. Assim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a elementos paralelos. Desse modo, assinalar a alternativa em que o paralelismo foi empregado de forma INCORRETA. 
Alternativas
Q3310344 Português
A palavra “pertencer” se originou do latim pertinescere, derivado sufixal de pertinere. Esta forma não sobreviveu em português. Assim, proíbe-se empregar formas inexistentes como “no que pertine ao projeto”. Nesse contexto, em substituição, é recomendável que se utilize todas as expressões a seguir, EXCETO:
Alternativas
Q3310296 Português
Em “Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros”, caso o verbo “aceitar” fosse substituído por “certificar-se”, a redação CORRETA do trecho, mantendo coesão e coerência, seria:
Alternativas
Q3306401 Português

Em relação à oralidade e à escrita, marque com V(verdadeiro) ou F(falso) para as assertivas a seguir:



(__) A linguagem informal não pode ser considerada incorreta, pois os falantes utilizam a informalidade conforme o contexto em que se encontram.


(__) Da mesma forma que na oralidade, o ato de escrever está intimamente relacionado com o contexto em que está inserido


(__) A escrita é uma representação da fala que exige algumas regras próprias, como, por exemplo, os sinais de pontuação.


(__) Ao contrário da oralidade, o ato de escrever está intimamente relacionado com o contexto em que está inserido.



O preenchimento correto dos parênteses é:

Alternativas
Q3296474 Português
A alternativa que apresenta erro de regência em relação ao termo destacado é:
Alternativas
Q3285242 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.

Assinale a alternativa em que a alteração do segmento destacado no período acima tenha sido feita em observância à norma culta. Não leve em conta alterações de sentido.
Alternativas
Respostas
941: C
942: A
943: B
944: A
945: C
946: D
947: A
948: C
949: E
950: E
951: C
952: A
953: D
954: B
955: B
956: A
957: D
958: B
959: A
960: D