Questões de Concurso Sobre paralelismo sintático e semântico em português

Foram encontradas 513 questões

Ano: 2016 Banca: IF-MA Órgão: IF-MA Prova: IF-MA - 2016 - IF-MA - Auditor |
Q2826521 Português

Com base no texto a seguir, responda às questões de 01 a 07


Texto 1


Seu próximo trabalho


Com tantas tendências redefinindo as relações de trabalho, surgem também conceitos de carreira. Identificada ainda nos anos 1970, a "carreira proteana" derruba as tradicionais barreiras para a prestação de serviços, sem limite de lugar físico nem de exclusividade com o cliente. O profissional é remunerado pelo conhecimento transmitido e pelo resultado gerado.

Já a "carreira inteligente" valoriza a forma de atuar de cada indivíduo. Como o conhecimento técnico todo mundo tem, passam a contar mais a experiência de vida de cada um e as competências que desenvolveu em prol da sua carreira. O profissional se torna uma espécie de mentor e é remunerado por isso.

Na "carreira sem fronteiras", por sua vez, os profissionais são completamente independentes e trabalham para diferentes países: os pagamentos são feitos por cartão de crédito. Se a concorrência é globalizada, as oportunidades laborais também são.

[...] a legislação brasileira, ainda muito engessada, não está preparada para esses novos formatos. O que a atual reforma trabalhista propõe aponta nesse sentido, mas ainda deixa questões sem resposta e assusta a concepção mais tradicional de emprego. Além disso, é preciso pensar em um plano de migração para pessoas que estão sendo substituídas por robôs.

[...]


Revista Planeta, out. 2016, p.33-34

Releia o seguinte parágrafo para responder às questões 06 e 07.


"Na 'carreira sem fronteiras', por sua vez, os profissionais são completamente independentes e trabalham para diferentes países: os pagamentos são feitos por cartão de crédito. Se a concorrência é globalizada, as oportunidades laborais também são."


O termo "também" funciona no texto como uma palavra denotadora de

Alternativas
Q2814025 Português

Nossos velhos


Pais heróis e mães rainhas do lar.

Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos. Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá pra implicar com a empregada. O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para ou…tra? Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso. Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.

Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida. É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação.

Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo. Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça? Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis. Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.

Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.


(Martha Medeiros. Disponível em: http://www.viva50.com.br/nossos-velhos-cronica-de-martha-medeiros/. Acesso em: 24/06/2016. Adaptado.)

“É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação.” (3º§) Assinale, a seguir, o antônimo da expressão destacada anteriormente.

Alternativas
Q2813523 Português

LEIA O TEXTO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 01 A 05.


Educação infantil: uma fase importante na aprendizagem

- Maria Celia Montagna Assumpção -


(...)

Durante os cinco primeiros anos de vida, as crianças aprendem o padrão básico do discurso que usarão no decorrer de suas vidas; absorvem naturalmente a linguagem, ouvindo e utilizando a do adulto como referência. Porém, não é só ouvindo e repetindo palavras que serão capazes de construir a linguagem. É principalmente pelo significado, pelas aproximações com a realidade e pela disposição para procurar evidências que as levem a mudanças de hipóteses que são capazes de compreender o mundo e agir sobre ele.

Ouvir, falar, ler e escrever são habilidades que se desenvolvem em total interligação. A linguagem não é aprendida isoladamente, mas integrada a todas as atividades e vivida a cada dia. Ela é a chave do desenvolvimento intelectual e possibilita ao indivíduo expressar seus sentimentos e seus pensamentos.

Desta forma, à medida que as crianças começam a adquirir as habilidades de raciocínio verbal, elas necessitam de uma instrução reflexiva, ou seja, uma aprendizagem mediada por um adulto, que faz com que elas reflitam sobre o próprio pensamento. Dentro dessas perspectivas, a Educação Infantil permite que as crianças sejam pensadores sistêmicos, aprendam a refletir sobre seus modelos mentais, a trabalhar em equipe e a construir visões compartilhadas com outros, e, quanto mais cedo isso acontecer, melhor é para o desenvolvimento da criança.

(...)


(http://www.douradosnews.com.br/especiais/opiniao/educacao-infantil-uma-fase-importante-naaprendizagem, 2013 – Acesso em 2.6.2016)

No trecho: “Porém, não é só ouvindo e repetindo palavras que serão capazes de construir a linguagem.”, a palavra em negrito é utilizada, adequadamente, para

Alternativas
Q2805991 Português

Texto para as questões 10 e 11.


O DEVORADOR DE MUNDOS


No início, havia os deuses.

Uma confraria que existira desde antes do tempo, desde antes do início. Mas, solitários, estavam insatisfeitos.

Forjaram a Criação.

Em conjunto, moldaram a terra, o céu e os mares. Povoaram-nos com criaturas. Era seu mundo, e agora era o mundo dos homens. E, durante muito tempo, os deuses observaram este mundo e sorriram, pois tudo era verde e bom.

Mas toda luz causa sombra. Oculto, atrás da bondade e da pureza da Criação dos deuses, havia o mal.

Os seres que habitavam este mundo usaram seu livre-arbítrio para matar e roubar, para escravizar e oprimir. Descontentes com a Criação perfeita que as divindades lhes ofereciam, os homens corromperamna com suas almas imperfeitas. Voltaram-se uns contra os outros. Ambição, guerra, fome, traição e loucura assolaram as terras como uma mazela indomável.

Olhando o que o mundo havia se tornado, os deuses sentiram repugnância. Desencantaram-se com sua Criação.

Aquilo fora um erro.

Decididos a corrigi-lo, os deuses moldaram uma criatura vasta, de fome insaciável, para que pusesse fim ao mundo doente que eles haviam originado.

O Devorador de Mundos.

O monstro tinha uma couraça impenetrável, feita de rocha vitrificada semelhante ao ônix. Seu sangue era um óleo negro com propriedades mágicas imprevisíveis. Nada que as civilizações dos homens possuíam era capaz de deter a fera. Incontestado, o monstro avançou livre por pradarias, montanhas e florestas. Transformava o que era vivo e verde em uma aridez estéril.

Devorava tudo que era mau...

E tudo que era bom.

Era o fim do mundo.

Mas houve aqueles que resistiram. Porque, assim como existiam deuses, havia também demônios. Criaturas abissais, de maldade inconcebível. Seu poder não se comparava ao dos deuses, mas possuíam magia e capacidades muito além dos meros mortais. Os demônios viviam nas profundezas escuras e se alimentavam do ódio, do medo, da ganância. Sobreviviam às custas dos pecados dos seres vivos. E, se o mundo fosse desfeito, pereceriam à míngua.

Para combater o Devorador de Mundos, os demônios criaram uma horda de dragões. Criaturas poderosas, répteis voadores com presas e garras capazes de dilacerar castelos. Magia rivalizando a de seus próprios mestres. Em seu ventre, fogo capaz de derreter montanhas.

Os dragões enfrentaram o Devorador de Mundos, numa série de batalhas que abalou a Criação. Incontáveis deles morreram. Contudo, mais e mais eram enviados, movidos pelo desespero de seus senhores demoníacos.

Por fim, deixando um rastro de devastação e morte, os dragões venceram. O Devorador de Mundos tombou seu corpanzil gigantesco imóvel como uma cordilheira no deserto que resultou da última luta.

A fúria dos deuses foi sentida em tempestades de relâmpagos e erupções vulcânicas. Em terremotos e inundações. Mas o mundo perseverou, pois o Devorador fora vencido. Mesmo ante o desgosto divino, a terra continuava existindo. Cidades seriam reconstruídas, plantas voltariam a nascer.

O Devorador de Mundos estava adormecido. Enquanto o dia fosse dia e a noite fosse noite, ele dormiria seu sono de morte.

E os mortais viveriam, após serem salvos de seus próprios criadores pelos demônios que se alimentam de toda a maldade.

Leonel Caldela. O Devorador de Mundos. In: A lenda de Ruff Ghanor: O garoto-cabra, v. 1. Curitiba: Nerd Books, 2014.

Assinale a alternativa em que a significação da palavra destacada NÃO se altera de uma frase para a outra:

Alternativas
Ano: 2016 Banca: FCC Órgão: METRÔ-SP Prova: FCC - 2016 - METRÔ-SP - Médico do Trabalho |
Q2803239 Português

Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se ao texto abaixo.


Nascido nos Estados Unidos da América em 30 de abril de 1916, Claude E. Shannon obteve o título de doutor no MIT, em 1937, com trabalho notável em "Álgebra de Boole", propondo circuitos elétricos capazes de executar as principais operações da Lógica clássica.

Quatro anos antes (23 de junho de 1912) de seu nascimento, em Londres, nascera Allan M. Turing, que também se interessou por encontrar meios de realizar operações lógicas e aritméticas, fazendo uso de máquinas. Suas ideias resultaram no importante conceito de "Máquina de Turing", paradigma abstrato para a computação, apresentado durante seus estudos, no King's College, em Cambridge, no ano de 1936. Entre 1936 e 1938, Turing viveu em Princeton-NJ onde realizou seu doutorado estudando problemas relativos à criptografia.

Assim, Shannon e Turing, de maneira independente, trabalhavam, simultaneamente, em comunicações e computação, dois tópicos que, combinados, hoje proporcionam recursos antes inimagináveis para o mundo moderno das artes, da ciência, da medicina, da tecnologia e das interações sociais.

Contemporaneamente à eclosão da Segunda Guerra Mundial, Shannon e Turing gestavam ideias abstratas sofisticadas, tentando associá-las ao mundo concreto das máquinas que, gradativamente, tornavam-se fatores de melhoria da qualidade de vida das populações.

A Segunda Grande Guerra utilizou-se de tecnologias sofisticadas para a destruição. Os bombardeios aéreos causaram muitas mortes e devastaram cidades. Evitá-los e preveni-los eram questões de vida ou morte e, para tanto, ouvir as comunicações dos inimigos e decifrar seus códigos era uma atividade indispensável.

Os países do eixo tinham desenvolvido sofisticadas técnicas de comunicação criptografada utilizada para planejar ataques inesperados às forças aliadas. Shannon e Turing, então, com seu conhecimento sofisticado da matemática da informação deduziram as regras alemãs de codificação, levando os aliados a salvar muitas de suas posições de ataques nazistas.

Pode-se dizer que uma boa parte da inteligência de guerra dos aliados vinha desses dois cérebros privilegiados.

Finda a guerra, Shannon passou a trabalhar nos laboratórios Bell, propondo a "Teoria da Informação", em 1948. Com carreira profícua, notável pela longevidade e muitos trabalhos importantes, deixou sua marca nas origens das comunicações digitais. Faleceu aos 85 anos (em 24 de fevereiro de 2001), deixando grande legado intelectual e tecnológico.

Turing, após o término da guerra, ingressou como pesquisador da Universidade de Manchester, sofrendo ampla perseguição por ser homossexual. Mesmo vivendo na avançada Inglaterra, foi condenado à castração química, em 1952. Essa sequência de dissabores levou-o ao suicídio, em 7 de junho de 1954.

Shannon viu sua teoria transformar o mundo, com o nascimento da internet. Turing, entretanto, não viu sua máquina se transformar em lap-tops e tablets que hoje povoam, até, o imaginário infantil.


(PIQUEIRA, José Roberto Castilho. “Breve contextualização histórica”, In: “Complexidade computacional e medida da informação:

caminhos de Turing e Shannon”, Estudos Avançados, Universidade de São Paulo, v. 30, n. 87, Maio/Agosto 2016, p.340-1)

No contexto, as palavras paradigma (2º parágrafo), criptografada (6º parágrafo) e profícua (8º parágrafo) adquirem, respectivamente, o sentido de:

Alternativas
Q2801559 Português

Parentes ainda resistem em autorizar doação de órgãos


Poucas pessoas sabem, mas o Brasil é destaque no contexto mundial de doação de órgãos e tecidos, principalmente por ter o maior sistema público de transplantes do mundo. Porém, a alta taxa de recusa familiar para doação de órgãos é um problema grave no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 40% da população brasileira não aceita doar órgãos de parentes falecidos com diagnóstico de morte cerebral, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.

Na opinião do médico Leonardo Borges de Barros e Silva, coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), os motivos para a recusa familiar são diversos: desde crenças religiosas até o desconhecimento e não aceitação da morte encefálica, que faz com que muitos familiares acreditem que o fato de o ente querido manter o corpo quente e o coração batendo seja um indicativo de que ele sobreviverá.

Realmente, para a grande maioria das pessoas, é muito difícil diferenciar um corpo em morte cerebral de um corpo em sono profundo na cama de um hospital: em ambos, o abdômen se move normalmente na respiração, os batimentos cardíacos aparecem no monitor e há urina no recipiente plástico. A temperatura também permanece normal.

“O diagnóstico de morte encefálica – conhecida também como morte cerebral – é irreversível, ou seja, o paciente perde todas as funções vitais, como a consciência e capacidade de respirar. O coração permanece batendo e os demais órgãos, funcionando. Com exceção das córneas, pele, ossos, vasos e valvas do coração, é somente nessa situação que os órgãos podem ser utilizados para transplante”, observa o especialista.

O que acontece é que enquanto o coração tem oxigênio, ele pode continuar a bater. O ventilador providencia esse suporte por várias horas. Sem o socorro artificial, o coração deixaria de bater.

O consentimento informado é a forma oficial de manifestação à doação. A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica depende da autorização do cônjuge ou parente maior de idade, obedecida a linha sucessória, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte.

“Evidentemente, a manifestação em vida da pessoa a favor ou contra a doação de seus órgãos e tecidos para transplante pode ou não favorecer o consentimento após a morte, mas, de acordo com a lei, é a vontade da família que deve prevalecer”, explica o médico Leonardo Borges de Barros e Silva.

De acordo com números do Ministério da Saúde, em 2015, mais de 23 mil transplantes foram realizados no Brasil, sendo a córnea o tecido mais transplantado. No ano passado, o transplante de rins foi o mais realizado, seguido pelos de fígado, coração e pulmão. Mas, enquanto algumas famílias ainda têm receio de autorizar a doação dos órgãos de parentes falecidos, cerca de 40 mil pessoas, entre crianças e adultos, estão na fila de espera por um transplante no Brasil.


(CONTE, Juliana. Informações da Agência Ex Libris Comunicação Integrada e Ministério da Saúde. Publicado em: 21/06/2016. Adaptado.)

“Realmente, para a grande maioria das pessoas, é muito difícil diferenciar um corpo em morte cerebral de um corpo em sono profundo na cama de um hospital: (...)” (3º§) Assinale, a seguir, o antônimo do termo destacado anteriormente.

Alternativas
Q2800745 Português

Analise o seguinte trecho da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e responda às questões de 6 a 10.


“Primeira comoção da minha juventude, que doce que me foste! Tal devia ser, na criação bíblica, o efeito do primeiro sol. Imagina tu esse efeito do primeiro sol, a bater de chapa na face de um mundo em flor. Pois foi a mesma coisa, leitor amigo, e se alguma vez contaste dezoito anos, deves lembrar-te que foi assim mesmo”.

Logo no início do texto, o autor emprega a palavra “comoção” para descrever um momento de sua experiência de vida. Assinale a alternativa que indica SOMENTE antônimos dessa palavra.

Alternativas
Q2797919 Português

A casa


Cris Guerra


Noite de terça-feira. A casa iluminada, os jardins floridos de gente. Autoridades, fotógrafos, o prefeito. Fazia tempo que nós cinco não voltávamos juntos àquele lugar. A casa repleta de desconhecidos e vazia dos que lá habitaram. À nossa volta, o público nem sequer desconfiava. Irmãos invisíveis voltando a um lugar-chave de sua linha do tempo. Como administrar a saudade em noite de celebração?

Quando finalmente pudemos entrar, sabíamos de cor onde era a cozinha, a sala de jogos, o mezanino, o quarto dela. De modo que demos um jeito de subir logo até lá, não sem antes notar um detalhe ou outro a nos falar sobre a elegância de nossos avós. Quem sonharia ter seu passado romanceado por arquitetos contadores de histórias?

Os quatro chegaram ao quarto dela minutos antes de mim. Encontrei-os sob o impacto do que ali viram. Do teto, fios transparentes sustentavam retratos antigos: JK, Vovô Joubert, Vovó Juju, Papai, Mamãe, alguns de nós ainda pequenos. A caixinha de música numa redoma de vidro. Cada móvel em seu devido lugar, relatando os movimentos e trajetos dela. Deles. Nossos.

Teremos de voltar muitas vezes para acreditar: nossa infância eternizada num museu da arquitetura modernista dos anos 40 a 60. A nova Casa Kubitschek enriquece a memória do visionário JK. Mas seus móveis restaurados contam muito mais que um modo de morar.

Concluído em 1943 para ser a casa de fim de semana do então prefeito Juscelino, o espaço foi projetado por Niemeyer com jardins de Burle Marx. Serviu a JK por apenas dois anos - logo que pôde, vovô comprou o imóvel. Passaram a ser nossos os domingos ali. Vovó alimentava os peixes e pássaros, dava suco de groselha aos beija-flores, oferecia pão com patê aos gatos. Cobria as mesas com pedaços de feltro, construindo sob os tampos de vidro seus próprios quadros modernistas.

Depois que ele se foi, ela viveu ali por muitos anos, buscando alento nos jardins para as perdas que ainda viria a sofrer. Minha mãe em 1994, meu pai em 2001. “Que absurdo as coisas durarem mais que as pessoas”, ela me disse dias depois da morte dele. E duraram. Mais até do que ela, que nos deixou em 2004. Mas as pessoas, que não são feitas de coisas, cuidaram de fazer do afeto memória.

A Casa abre suas portas de terça a sábado. Aos domingos, a entrada é restrita às nossas lembranças. Vovô lê os jornais na mesa da varanda, Maria prepara um peixe à milanesa, Vicenza me nega o suco de mexerica antes do almoço. Eles jogam bilhar, elas passeiam pelas boas-novas do jardim - a flor que se abriu, a árvore que se encheu de lichias.

Quando for a sua vez de visitar a Casa Kubitschek, respire fundo e aproveite o dia: é um domingo na minha infância.

Disponível em: http://vejabh.abril.com.br/edicoes/casa-cris-guerra-755432.shtml Acesso: maio 2013

As palavras destacadas estão corretamente interpretadas entre parênteses, EXCETO em:

Alternativas
Q2795966 Português

Indique o item em que o antônimo da palavra em destaque NÃO está corretamente apontado.

Alternativas
Q2782159 Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10, considere o texto abaixo.


Criadores e legados


Dando alguns como aceitável que a nossa vida possa ser considerada um absurdo, já que ela existe para culminar na morte, parece-lhes ainda mais absurda quando se considera o caso dos grandes criadores, dos artistas, dos pensadores. Eles empregam tanta energia e tempo para reconhecer, formular e articular linguagens e ideias, tanto esforço para criar ou desafiar teorias e correntes do pensamento, é-lhes sempre tão custoso edificar qualquer coisa a partir da solidez de uma base e com vistas a alguma projeção no espaço e no tempo – que a morte parece surgir como o mais injusto e absurdo desmoronamento para quem justamente mais se aplicou na engenharia de toda uma vida.

Por outro lado, pode-se ponderar melhor: se o legado é grande, e não morre tão cedo, a desaparição de quem o construiu em nada reduz a atualização de sentido do que foi deixado. O criador não testemunhará o desfrute, mas quem recolher seu legado reconhecerá nele a força de um sujeito, de uma autoria confortadora para quantos que se beneficiam da obra deixada, e que dela assim compartilham. Sem sombra de rancor, uma sonata de Beethoven modula-se no dedilhar de uma sucessão de pianistas e por gerações de ouvintes, a cada vez que é interpretada e renovada. Na onda ecoante, no papel, no celuloide, no marfim, no mármore, no barro, no metal, na voz das palavras, é o tempo da vida e da arte, não o da morte, que se celebra no Feito.

O legado teimoso das obras consumadas parece contar com o fundamento mesmo da morte para reafirmar a cada dia o tempo que lhes é próprio. Essa é a sua riqueza e o seu desafio. Sempre alguém poderá dizer, na voz do poeta Manuel Bandeira: “ tenho o fogo das constelações extintas há milênios”, ecoando tanto uma verdade da astrofísica como a poesia imensa do nosso grande lírico.

(Justino de Azevedo, inédito)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de uma expressão do texto em:

Alternativas
Q2781851 Português

O sequestro das palavras


Gregório Duvivier


___Vamos supor que toda palavra tenha uma vocação primeira. A palavra mudança, por exemplo, nasceu filha da transformação e da troca, e desde pequena servia para descrever o processo de mutação de uma coisa em outra coisa que não deixou de ser, na essência, a mesma coisa – quando a coisa é trocada por outra coisa, não é mudança, é substituição. A palavra justiça, por exemplo, brotou do casamento dos direitos com a igualdade (sim, foi um ménage): servia para tornar igual aquilo que tinha o direito de ser igual, mas não estava sendo tratado como tal.

___No entanto as palavras cresceram. E, assim como as pessoas, foram sendo contaminadas pelo mundo à sua volta. As palavras, coitadas, não sabem escolher amizade, não sabem dizer não. A liberdade, por exemplo, é dessas palavras que só dizem sim. Não nasceu de ninguém. Nasceu contra tudo: a prisão, a dependência, o poder, o dinheiro – mas não se espante se você vir a liberdade vendendo absorvente, desodorante, cartão de crédito, empréstimo de banco. A publicidade vive disso: dobrar as melhores palavras sem pagar direito de imagem. Assim, você verá as palavras ecologia e esporte juntarem-se numa só para criar o EcoSport – existe algo menos ecológico ou esportivo que um carro? Pobres palavras. Não têm advogados. Não precisam assinar termos de autorização de imagem. Estão aí, na praça, gratuitas.

___Nem todos aceitam que as palavras sejam sequestradas ao bel prazer do usuário. A política é o campo de guerra onde se disputa a posse das palavras. A "ética", filha do caráter com a moral, transita de um lado para o outro dos conflitos, assim como a Alsácia-Lorena, e não sem guerras sanguinárias. Com um revólver na cabeça, é obrigada a endossar os seres mais amorais e sem caráter. A palavra mudança, que sempre andou com as esquerdas, foi sequestrada pelos setores mais conservadores da sociedade – que fingem querer mudar, quando o que querem é trocar (para que não se mude mais). A Justiça, coitada, foi cooptada por quem atropela direitos e desconhece a igualdade, confundindo-a o tempo todo com seu primo, o justiçamento, filho do preconceito com o ódio.

___Já a palavra impeachment, recém-nascida, filha da democracia com a mudança, está escondida num porão: emprestaram suas roupas à palavra golpe, que desfila por aí usando seu nome e seus documentos. Enquanto isso, a palavra jornalismo, coitada, agoniza na UTI. As palavras não lutam sozinhas. É preciso lutar por elas.


Observação: Após a coluna "O Sequestro das Palavras" ter sido publicada no jornal impresso, na segunda-feira, 21/3 de 2016, o colunista modificou seu texto e pediu para atualizá-lo na versão on-line.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2016/03/1752170-o-sequestro-das-palavras.shtml

palavra

substantivo feminino

1.

unidade da língua escrita, situada entre dois espaços em branco, ou entre espaço em branco e sinal de pontuação.

2.

gram unidade pertencente a uma das grandes classes gramaticais, como substantivo, verbo, adjetivo etc., não levando em conta as modificações que nela ocorrem nas línguas flexionais, e sim, somente, o significado; vocábulo.

www.google.com.br


A definição de palavra do dicionário do Google considera:


I. Somente a modalidade escrita da língua.

II. Os valores semânticos e morfossintáticos das palavras.

III. As questões ortográficas das palavras.


Está CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q2779071 Português

Com relação aos significados e ao emprego de palavras e expressões, marque a alternativa em que há aplicação correta do termo em negrito, de acordo com a linguagem culta formal:

Alternativas
Q2776649 Português

Leia os textos 2, 3 e 4 para responder às questões de 08 a 10.


TEXTO 2


Receita de se olhar no espelho


Roseana Murray


“Se olhe de frente

De lado

De costas

De cabeça para baixo

5 Pinte o espelho

De azul dourado vermelho

Faça caretas ria sorria

Feche os olhos abra os olhos

E se veja sempre surpresa

10 Quem é você?”


Disponível em: <http://poemandopq.pensamentosvalemouro.com.br/2012/02/receita-de-se-olhar-noespelho.html>. Acesso em 11 nov. 2016



TEXTO 3


Quem é você?


Detonautas

[...]

A gente acha como se por um milagre

Deus, no auge da bondade, fosse um

dia interceder

Enquanto esse dia não chega, a

05 gente vai aceitando

E esperando alguma coisa acontecer

Mas

Quem é você?

Quem é você?

10 Me diz

Quem é você?

Quem é você?

O teu avô que trabalhou a vida inteira

Dia e noite, noite e dia, até se

15 aposentar

Recebe agora uma miséria de salário

Fica 10 horas na fila esperando e não

pode reclamar [...]

Disponível em:

<https://www.vagalume.com.br/detonautasroque-clube/quem-e-voce.html>. Acesso em 12

nov. 2016


TEXTO 4


Noite dos Mascarados


Chico Buarque


Quem é você, adivinha se gosta de mim

Hoje os dois mascarados procuram os seus

namorados perguntando assim

Quem é você, diga logo que eu quero saber

05 o seu jogo

Que eu quero morrer no seu bloco, que eu

quero me arder no seu fogo

[...]

Mas é carnaval, não me diga mais quem é

10 você

Amanhã tudo volta ao normal, deixa a festa

acabar, deixa o barco correr

Deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira

que vo...cê me quer

15 O que você pedir eu lhe dou, seja você

quem for

Seja o que Deus quiser


Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/chicobuarque/noite-dos-mascarados.html>. Acesso em: 12 nov. 2016

Analise o conteúdo semântico dos trechos do texto 2.


I: “Se olhe de frente” (linha 1) e “de costas” (linha 3).

II: “feche os olhos abra os olhos” (linha 8).


As palavras destacadas estabelecem, respectivamente, entre si a relação de

Alternativas
Q2776142 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 ao 10.


Irrigação por gotejamento economiza água na Paraíba

Após quase desistir da agricultura por causa da seca, uma família de São José de Piranhas, no Sertão paraibano, aplicou um novo método de irrigação. Trata-se do modelo de irrigação por gotejamento, que economiza água, aumenta o ganho financeiro e abre mais vagas de trabalho para população.
No modelo de irrigação por gotejamento, só é liberada a quantidade de água necessária. A plantação é irrigada duas vezes por dia durante uma hora e meia em cada vez. Além disso, também é usada a técnica de fertirrigação, que é quando o adubo e a água chegam ao mesmo momento na planta, otimizando o processo, uma economia de cerca de 50% de água em relação ao antigo sistema usado.
Além dos donos da propriedade, mais 15 famílias se beneficiam do local com a geração de empregos. "Desde quando a gente começou com esse trabalho de irrigação vem aparecendo serviço. Enquanto tiver água, tem trabalho", comemora o agricultor José Venaldo.

http://g1.globo.com/pb/ 13/01/2016

“Após quase desistir da agricultura por causa da seca....”


O ANTÔNIMO da palavra destacada é:

Alternativas
Q2775814 Português
not valid statement found

E já que estamos tratando de ‘inversões’, marque a alternativa que apresenta um antônimo da palavra em destaque nestes versos do poema:


“vai ter que ser a brusca pedra

onde alguém deixou cair o vidro.”

Alternativas
Ano: 2016 Banca: Quadrix Órgão: CRM - PB Prova: Quadrix - 2016 - CRM - PB - Contador |
Q2773627 Português

Para responder às questões 9 e 10, considere o Manual de Redação da Presidência da República.

Com relação aos fenômenos da homonímia e da paronímia, analise estes pares de palavras abaixo.

I. Governo (ê) - governo (é);

II. Concerto - conserto;

III. Iminente - eminente.

Agora, assinale a alternativa que identifique, correta e respectivamente, as relações que se estabelecem entre as palavras de cada um dos pares acima.

Alternativas
Q2769633 Português

Meu antigo namorada era meio pedante.” O sinônimo do termo grifado é:

Alternativas
Q2766328 Português

AS QUESTÕES 1 A 13 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO BAIXO


TEXTO


TÁ TRANQUILO, TÁ FAVORÁVEL!


1 __ _ _Em 1997, em um show de um grupo chamado movimento Funk Clube, um funkeiro pegou o

2 microfone da mão de um dos integrantes do grupo e, olhando para as dançarinas em cima do palco, gritou:

3 "Há! Eu tô maluco".

4 __ __O grito foi repetido pelos integrantes do grupo e logo sampleado pelos DJs de todos os bailes do

5 Rio e, pouco tempo depois, de todo o Brasil. Logo todos os brasileiros gritavam que estavam malucos, e teve

6 gente gritando até no exterior.

7 __ __Se tratando do funk, eu poderia usar várias histórias como essa aqui, mas esse grito pra mim é o

8 exemplo que eu mais gosto de usar.

9 _ _ __Isso, só uma cultura realmente popular é capaz de fazer: dar o poder ao público na arte, sem

10 deixar de valorizar o artista.

11 ____No início desse ano, Mc Bin Laden "estourou" um vídeo na internet sem muito roteiro, sem muita

12 produção, mas fez tanto sucesso que mesmo com tantos problemas que o Brasil está passando, todo mundo

13 está gritando que "tá tranquilo, tá favorável".

14 ____Mais do que uma música, o Mc Bin Laden estourou uma gíria, pois toda vez que alguém falar que

15 "tá tranquilo", alguém irá, no mínimo, pensar que "tá favorável".

16 ____Mc Bin Laden é o maior fenômeno do funk da atualidade, esconde o quanto ganha, mas dizem que

17 é cerca de R$ 60 mil por dia.

18 ____Certa vez, um repórter perguntou para o Mr. Catra o que era o funk pra ele. Ele então respondeu:

19 "O funk é um presente de Deus para nós, é a válvula de escape para todos nós favelados".

20____ Vendo o que o funk proporcionou na vida dele e de vários outros MCs, inclusive na minha, eu

21 concordo plenamente com a resposta do Mr. Catra.

22 ____Mesmo com tantos problemas que os bailes funk enfrentam para continuar existindo - falo das

23 proibições de todos os órgãos públicos que praticamente perseguem os produtores desses bailes -, mesmo

24 com tanta corrupção nas rádios e televisões - falo dos famosos "jabás" que todos os chamados grandes

25 artistas pagam -, o funk, sem dinheiro e sem espaço, consegue penetrar nas festas de todas as classes e até

26 nos grandes programas de televisão.

27____ Isso tudo acontece por um espaço que ainda pode ser ocupado de maneira democrática e popular:

28 a internet.

29 ____Já ouvi muita gente dizendo que se não fosse a internet o funk não existiria mais. Eu discordo, mas

30 concordo que nesse momento a internet está cumprindo um papel importantíssimo na vida dessa cultura.

31 ____Se mesmo com tanta perseguição e negação de sua existência, o funk consegue ser a cultura

32 musical que mais tem vídeo postado e assistido na internet, imagina o funk sendo tratado da maneira que

33 lhe é de direito?

34 ____Para aqueles que não suportam ouvir funk eu tenho más notícias: o funk ainda vai acontecer.

35 ____Tenho essa certeza porque quando eu era criança não era fácil ouvir música e o funk nem existia.

36 Hoje se tem uma facilidade enorme em ouvir a música que quiser e as crianças já nascem ouvindo funk.

37 ____Que venham novos MCs, que venham novos vídeos e, consequentemente, outros sucessos, pois, na

38 internet, além de ainda estar tranquilo, também está favorável.


MC LEONARDO. TÁ TRANQUILO, TÁ FAVORÁVEL. IN: Caros amigos, p.22, n. 228, Abr. 2016. - MC LEONARDO é cantor, compositor e fundador da APAFUNK.

A alternativa em que há correspondência entre a forma verbal transcrita e a ação por ela expressa é:

Alternativas
Q2764733 Português

Leia a legenda que acompanha a imagem para responder às questões de números 08 e 09.


ACHADO BIZARRO


Cientistas descobrem um sistema planetário com estrela maior que o Sol, duas estrelas ______ e um mundo similar _____ Júpiter.


(www.folha.com.br. 08.07.2016. Adaptado)

No contexto em que está empregado, o termo “bizarro” significa

Alternativas
Q2764345 Português

A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.

– Meu filho? – gritou ela.

– O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.

– Que é que você está carregando aí?

Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido, tentou ainda ganhar tempo.

– Eu? Nada…

– Está sim. Você entrou carregando uma coisa.

Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:

– Olha aí, mamãe: é um filhote…

Seus olhos súplices aguardavam a decisão.

– Um filhote? Onde é que você arranjou isso?

– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?

Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:

– Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.

– Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!

– Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.

– Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa.

Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.

O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado:

A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!

– Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou esperando a reação da mãe.

– Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.

– Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.

– Você não é todo mundo.

– Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais nada.

– Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.

– A senhora é ruim mesmo, não tem coração!

– Sua alma, sua palma.

Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:

– Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.

– Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida.

– E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?

– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.

– Deixa de conversa: obedece sua mãe.

Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa.

– Pronto, mamãe!

E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.

– Eu devia ter pedido cinquenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo.


(Fonte: Sabino, Fernando. O melhor amigo. In: A vitória da infância. São Paulo: Ática, 1995.)

O termo “ressabiado” significa:

Alternativas
Respostas
361: C
362: A
363: A
364: E
365: C
366: B
367: A
368: D
369: E
370: E
371: C
372: A
373: B
374: A
375: E
376: B
377: E
378: C
379: E
380: C