Questões de Concurso
Sobre paralelismo sintático e semântico em português
Foram encontradas 607 questões
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 ao 10.
“Após quase desistir da agricultura por causa da seca....”
O ANTÔNIMO da palavra destacada é:
E já que estamos tratando de ‘inversões’, marque a alternativa que apresenta um antônimo da palavra em destaque nestes versos do poema:
“vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.”
Para responder às questões 9 e 10, considere o Manual de Redação da Presidência da República.
Com relação aos fenômenos da homonímia e da paronímia, analise estes pares de palavras abaixo.
I. Governo (ê) - governo (é);
II. Concerto - conserto;
III. Iminente - eminente.
Agora, assinale a alternativa que identifique, correta e respectivamente, as relações que se estabelecem entre as palavras de cada um dos pares acima.
Meu antigo namorada era meio pedante.” O sinônimo do termo grifado é:
AS QUESTÕES 1 A 13 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO BAIXO
TEXTO
TÁ TRANQUILO, TÁ FAVORÁVEL!
1 __ _ _Em 1997, em um show de um grupo chamado movimento Funk Clube, um funkeiro pegou o
2 microfone da mão de um dos integrantes do grupo e, olhando para as dançarinas em cima do palco, gritou:
3 "Há! Eu tô maluco".
4 __ __O grito foi repetido pelos integrantes do grupo e logo sampleado pelos DJs de todos os bailes do
5 Rio e, pouco tempo depois, de todo o Brasil. Logo todos os brasileiros gritavam que estavam malucos, e teve
6 gente gritando até no exterior.
7 __ __Se tratando do funk, eu poderia usar várias histórias como essa aqui, mas esse grito pra mim é o
8 exemplo que eu mais gosto de usar.
9 _ _ __Isso, só uma cultura realmente popular é capaz de fazer: dar o poder ao público na arte, sem
10 deixar de valorizar o artista.
11 ____No início desse ano, Mc Bin Laden "estourou" um vídeo na internet sem muito roteiro, sem muita
12 produção, mas fez tanto sucesso que mesmo com tantos problemas que o Brasil está passando, todo mundo
13 está gritando que "tá tranquilo, tá favorável".
14 ____Mais do que uma música, o Mc Bin Laden estourou uma gíria, pois toda vez que alguém falar que
15 "tá tranquilo", alguém irá, no mínimo, pensar que "tá favorável".
16 ____Mc Bin Laden é o maior fenômeno do funk da atualidade, esconde o quanto ganha, mas dizem que
17 é cerca de R$ 60 mil por dia.
18 ____Certa vez, um repórter perguntou para o Mr. Catra o que era o funk pra ele. Ele então respondeu:
19 "O funk é um presente de Deus para nós, é a válvula de escape para todos nós favelados".
20____ Vendo o que o funk proporcionou na vida dele e de vários outros MCs, inclusive na minha, eu
21 concordo plenamente com a resposta do Mr. Catra.
22 ____Mesmo com tantos problemas que os bailes funk enfrentam para continuar existindo - falo das
23 proibições de todos os órgãos públicos que praticamente perseguem os produtores desses bailes -, mesmo
24 com tanta corrupção nas rádios e televisões - falo dos famosos "jabás" que todos os chamados grandes
25 artistas pagam -, o funk, sem dinheiro e sem espaço, consegue penetrar nas festas de todas as classes e até
26 nos grandes programas de televisão.
27____ Isso tudo acontece por um espaço que ainda pode ser ocupado de maneira democrática e popular:
28 a internet.
29 ____Já ouvi muita gente dizendo que se não fosse a internet o funk não existiria mais. Eu discordo, mas
30 concordo que nesse momento a internet está cumprindo um papel importantíssimo na vida dessa cultura.
31 ____Se mesmo com tanta perseguição e negação de sua existência, o funk consegue ser a cultura
32 musical que mais tem vídeo postado e assistido na internet, imagina o funk sendo tratado da maneira que
33 lhe é de direito?
34 ____Para aqueles que não suportam ouvir funk eu tenho más notícias: o funk ainda vai acontecer.
35 ____Tenho essa certeza porque quando eu era criança não era fácil ouvir música e o funk nem existia.
36 Hoje se tem uma facilidade enorme em ouvir a música que quiser e as crianças já nascem ouvindo funk.
37 ____Que venham novos MCs, que venham novos vídeos e, consequentemente, outros sucessos, pois, na
38 internet, além de ainda estar tranquilo, também está favorável.
MC LEONARDO. TÁ TRANQUILO, TÁ FAVORÁVEL. IN: Caros amigos, p.22, n. 228, Abr. 2016. - MC LEONARDO é cantor, compositor e fundador da APAFUNK.
A alternativa em que há correspondência entre a forma verbal transcrita e a ação por ela expressa é:
Leia a legenda que acompanha a imagem para responder às questões de números 08 e 09.
ACHADO BIZARRO
Cientistas descobrem um sistema planetário com estrela maior que o Sol, duas estrelas ______ e um mundo similar _____ Júpiter.
(www.folha.com.br. 08.07.2016. Adaptado)
No contexto em que está empregado, o termo “bizarro” significa
A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.
– Meu filho? – gritou ela.
– O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.
– Que é que você está carregando aí?
Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido, tentou ainda ganhar tempo.
– Eu? Nada…
– Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:
– Olha aí, mamãe: é um filhote…
Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
– Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:
– Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.
– Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
– Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.
– Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa.
Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.
O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado:
A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!
– Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou esperando a reação da mãe.
– Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.
– Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
– Você não é todo mundo.
– Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais nada.
– Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.
– A senhora é ruim mesmo, não tem coração!
– Sua alma, sua palma.
Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:
– Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.
– Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida.
– E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?
– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.
– Deixa de conversa: obedece sua mãe.
Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa.
– Pronto, mamãe!
E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.
– Eu devia ter pedido cinquenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo.
(Fonte: Sabino, Fernando. O melhor amigo. In: A vitória da infância. São Paulo: Ática, 1995.)
O termo “ressabiado” significa:
AS QUESTÕES DE 01 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
MENTE SADIA
1 _____ Experimente jogar uma pelada depois de meses sem chegar perto da bola. As
2 dores musculares do dia seguinte são o sinal de que seu corpo está atrofiado. O
3 mesmo vale para a mente.
4 _____ Assim como o resto do corpo, o cérebro também envelhece. Ao longo dos anos,
5 essa massa de 1,4Kg não escapa dos ataques dos radicais livres e de outros danos
6 celulares. Como consequência, os neurônios ficam cada vez mais frágeis, até que
7 começam a morrer. Aos poucos, o cérebro vai encolhendo e perdendo parte de seus
8 86 bilhões de neurônios. De acordo com uma pesquisa recente da University of
9 Western Ontário, no Canadá, depois dos 26 anos o órgão perde 20 gramas por década.
10 Ou seja: depois dos 80 anos, o cérebro já perdeu quase 10% de sua massa – e isso está
11 relacionado a sintomas clássicos do envelhecimento, como a perda de memória de
12 curto prazo.
13 _____ [...] Quando o cérebro está ativo, imerso em atividades intelectuais, a corrosão
14 do órgão, aparentemente, é menor. “Quanto mais os neurônios são usados, mais
15 fortes ficam as conexões entre eles”, explica o neurologista Norberto Frota,
16 presidente da Academia Brasileira de Neurologia. Entre as atividades que ele
17 recomenda estão jogos de tabuleiro, palavras cruzadas, estudar uma língua nova e até
18 mesmo discutir política. E é preciso pegar pesado. “Não basta ler um livro. O ideal é
19 fazer um resumo ou contar a história para alguém. É necessário processar a
20 informação”, afirma.
21 _____ Incorporar desafios mentais na rotina pode, além de prevenir, até mesmo
22 reverter o envelhecimento cerebral que já está em andamento.
Adaptado de DOSSIÊ SUPERINTERESSANTE. FOREVER YOUNG – MENTE SADIA, ed. 359-A, abr. 2016, p.38-39.
Assinale a alternativa em que há equivalência entre o termo destacado e a ideia que ele exprime:
AS QUESTÕES DE 01 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
MENTE SADIA
1 _____ Experimente jogar uma pelada depois de meses sem chegar perto da bola. As
2 dores musculares do dia seguinte são o sinal de que seu corpo está atrofiado. O
3 mesmo vale para a mente.
4 _____ Assim como o resto do corpo, o cérebro também envelhece. Ao longo dos anos,
5 essa massa de 1,4Kg não escapa dos ataques dos radicais livres e de outros danos
6 celulares. Como consequência, os neurônios ficam cada vez mais frágeis, até que
7 começam a morrer. Aos poucos, o cérebro vai encolhendo e perdendo parte de seus
8 86 bilhões de neurônios. De acordo com uma pesquisa recente da University of
9 Western Ontário, no Canadá, depois dos 26 anos o órgão perde 20 gramas por década.
10 Ou seja: depois dos 80 anos, o cérebro já perdeu quase 10% de sua massa – e isso está
11 relacionado a sintomas clássicos do envelhecimento, como a perda de memória de
12 curto prazo.
13 _____ [...] Quando o cérebro está ativo, imerso em atividades intelectuais, a corrosão
14 do órgão, aparentemente, é menor. “Quanto mais os neurônios são usados, mais
15 fortes ficam as conexões entre eles”, explica o neurologista Norberto Frota,
16 presidente da Academia Brasileira de Neurologia. Entre as atividades que ele
17 recomenda estão jogos de tabuleiro, palavras cruzadas, estudar uma língua nova e até
18 mesmo discutir política. E é preciso pegar pesado. “Não basta ler um livro. O ideal é
19 fazer um resumo ou contar a história para alguém. É necessário processar a
20 informação”, afirma.
21 _____ Incorporar desafios mentais na rotina pode, além de prevenir, até mesmo
22 reverter o envelhecimento cerebral que já está em andamento.
Adaptado de DOSSIÊ SUPERINTERESSANTE. FOREVER YOUNG – MENTE SADIA, ed. 359-A, abr. 2016, p.38-39.
A palavra cujo sentido mais se aproxima de “imerso” ( L. 13 ) é:
Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.
Governo economiza R$ 2,38 bi com correção de falhas na administração pública
O Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, antiga Controladoria-Geral da União (CGU), divulgou que as ações de correção de falhas identificadas e de aprimoramento das políticas públicas federais geraram uma economia de R$ 2,38 bilhões em recursos da União, em 2015. O volume foi alcançado por meio das recomendações de controle interno, além da melhoria da qualidade dos serviços públicos.
Entre as ações estão a suspensão de pagamentos continuados indevidos, que resultou na maior economia, mais de R$ 1 bilhão. Os indicadores registram ainda que R$ 428 milhões foram economizados com a redução nos valores de contratos e licitações. O balanço do ministério aponta também que R$ 14 milhões foram poupados com o cancelamento de licitação devido a objeto desnecessário e R$ 46 milhões com a recuperação de valores pagos indevidamente.
Houve, ainda, segundo o ministério, a economia de R$ 6 milhões com a eliminação de desperdícios ou a redução de custos administrativos.
(agenciabrasil.ebc.com.br)
No segundo parágrafo, aparece a palavra "indevidos". Assinale a alternativa que contenha um possível sinônimo para essa palavra, considerando o contexto em que ela aparece no texto.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Casas mais ricas têm mais tipos de insetos, diz estudo
Por Helô D'Angelo
01 __Se você sonha em morar numa mansão com um jardim gigante, naquele bairro nobre da
02 cidade, pense duas vezes. Segundo um estudo da Academia de Ciências da Califórnia, essas casas
03 chiquérrimas têm duas vezes mais espécies de insetos do que as mais simples.
04__Os cientistas investigaram a presença de insetos em 100 casas na Carolina do Norte – 50
05 mansões e 50 lares mais pobres –, em bairros ricos e pobres. Eles descobriram que, nos casarões,
06 havia 100 espécies diferentes – entre elas, aranhas, mosquitos, centopeias e baratas. Já nas
07 casas mais modestas, os caras encontraram menos da metade dessa diversidade.
08__Veja bem: não é que as casas mais ricas tenham mais insetos – a diversidade de espécies
09 só é maior nesses casos. No começo, os cientistas achavam que isso acontecia porque as mansões
10 tinham jardins, mas só essa explicação não dava conta do mistério, já que as residências pobres
11 muitas vezes tinham jardins e hortas do mesmo tamanho ou até maiores do que os das casas
12 ricas.
13__Então, os pesquisadores acreditam que a concentração maior de espécies nos lares chiques
14 aconteça por causa do "efeito de luxo": em bairros nobres, geralmente há mais vegetação,
15 parques e praças, além dos jardins das casas em si, o que torna mais fácil para os insetos – e
16 outras espécies, como pássaros, lagartos e morcegos – se reproduzirem.
17__Com esse estudo, os caras concluíram que a urbanização tem um impacto ainda maior do
18 que se imaginava na biodiversidade das cidades – mas que manter áreas verdes dentro e fora
19 das casas pode ajudar a preservá-la.
(http://super.abril.com.br/ciencia/casas-mais-ricas-tem-mais-tipos-de-insetos-diz-estudo – texto adaptado para essa
prova.)
Analise as seguintes assertivas sobre a palavra “impacto” (l. 17):
I. Encontro de projétil, míssil, bomba ou torpedo, com o alvo; choque.
II. Colisão de dois ou mais corpos.
III. Impressão causada, em alguém ou algo, por fato, ação, etc.
Quais apresentam o sentido que a palavra tem no texto?
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 3.
Empreendedor vende garrafas de ar puro inglês a R$ 450,00 para cidades poluídas na China
O empresário Leo De Watts, de 27 anos, vende ar coletado no interior do Reino Unido e despacha para cidades poluídas da China, onde elites pagam quantias consideráveis por poucos segundos de inalação.
A China enfrenta problemas crônicos de poluição atmosférica. Em 2015, pela primeira vez na história, a capital do país, Pequim, declarou alerta vermelho − o mais grave em uma escala de quatro níveis − por causa da poluição. Escolas permaneceram fechadas e fábricas interromperam a produção.
“Qualquer pessoa que, por exemplo, viva perto de um lago cristalino e comece a engarrafar água e vender pode ser considerada meio maluca, mas é algo incrível para locais que não possuem uma grande oferta dessas coisas, e o ar puro pode ser vendido como item de luxo”, disse Watts à BBC.
Cada garrafa – de 580 mL – de ar exportada por Watts custa 80 libras (cerca de R$ 450,00).
Para oferecer produtos com características distintas, o empresário diz coletar ar de áreas diferentes, como o interior do País de Gales e as regiões de Dorset e Somerset, na Inglaterra. O processo de coleta é feito com jarros acoplados a redes – atividade que Watts define como “agricultura aérea”.
(Adaptado de: “Empreendedor vende garrafas de ar puro inglês a R$ 450,00 para cidades poluídas na China”. Disponível em: www.bbc.com/ portuguese/noticias/2016/02/160209_venda_arpuro_tg)
Um sinônimo para o termo sublinhado está em:
TEXTO II
A árvore e a árvore
Por vezes, caminhando pelas ruas da cidade, tenho a impressão de que as árvores conversam entre si. O diálogo das árvores nem sempre é ouvido pelos ouvidos, por causa do bulício das ruas, do rumor dos veículos e da zoeira das pessoas. E de madrugada, quando os últimos bêbados se recolhem trôpegos fugindo da aurora, e a brisa matinal leva o sono do rosto das operárias que marcham em direção às fábricas; é nesse momento fluido e tênue que pode ser captado o sussurro das árvores, em meio aos pipilos dos pardais alvoroçados.
E lá estavam as duas árvores a conversar:
— Bom dia, dona Magnólia!
— Bom dia, dona Cássia!
— Dormiu bem?
— Mais ou menos. Esta noite o bem-te-vi, meu inquilino, cismou de acordar e ficou discutindo com a bem- te-vi, no meu galho lá em cima.
— Não diga! Discutindo o quê?
— O papo de sempre, ora essa. Estavam reclamando do custo de vida.
— Ué, mas passarinho também tem esse problema? Pensei que essa preocupação fosse apenas manha dos empregados da Prefeitura que vêm cortar nossa copa todos os anos.
— Qual nada! Passarinho voa azucrinado. A própria bem-te-vi se lastima de que o galho onde eles moram quase não tem folhas; de noite ela molha a cabecinha no sereno. Ficou resfriada, a pobrezinha.
— Então por que eles não se mudam?
— Mudar para onde?
— Ali adiante há um ipê-amarelo com vagas para passarinhos.
— Pois sim. A senhora não viu a placa no tronco? Só há um galhinho vago, muito do mixuruco, e mesmo assim só se aceitam casais de passarinhos sem filhotes.
— Sem filhotes?
— Sem filhotes.
— Mas isso é um absurdo!
— Concordo, mas vai- se fazer o quê? Se até casas de tijolo são alugadas apenas para casais sem filhos. Fazem isso com as pessoas, vão ter consideração para com passarinho?
— Escute, e ali na quaresmeira do outro quarteirão?
— Ah, lá o aluguel é caríssimo. Só mora sabiá-de-papo-amarelo e periquito verde.
— Cruz-credo! — Falou bem. Está tudo pela hora da morte pros passarinhos.
— Mas ouvi dizer que alguns têm boa mordomia...
— Ah, os canários-da-terra... Grande vantagem! Têm alpiste importado, ovo cozido, verdurinha fresca todos os dias, mas, em compensação, vivem presos na gaiola.
— Perderam a liberdade.
— Desaprenderam até de voar!
— Não é à toa que o bairro está cheio de chupim.
— Claro, dona Magnólia. Chupim sempre se ajeita. Quem manda tico- tico ser bobo?
— Reparou que ninguém acaba com chupim? Eles estão em tucum, paineira, sibipiruna.
— Tem chupim até no pau-ferro.
— Se adaptam a qualquer lugar. Bichinho aproveitador está ali. Sabe quando vão acabar com os chupins aqui na zona? .
— Quando, dona Magnólia?
— Dia de São Nunca. E enquanto isso, os bem-te- vis que se danem.
— Ainda mais agora, com o aumento dos impostos.
— Vai ser um horror.
— Horror mesmo.
— Não sei como eles não se revoltam.
— Revoltam nada. Bem-te-vi só sabe dizer: "Bem te vi! Bem te vi!". Viu, e daí? Que adianta ver? As árvores também vêem cada uma, mas não adianta reclamar.
— Houve o caso daquela andorinha, está esquecendo?
— A tolinha. Só porque morava em beiral, achava que podia modificar a situação. Uma andorinha só não muda coisa alguma. Bastou chegar aqui o tucano, deitou falação, disse que fazia e aprontava, tudo se amoitou.
— Aquele tucano foi demais. Verde-amarelo, e bom de bico!
— É, dona Magnólia, mas qualquer dia a árvore cai, não cai?
— Sei lá. Ainda bem que a Prefeitura vai mandar plantar mais cem mil árvores na cidade. Só assim para resolver o problema da moradia dos passarinhos.
— Tomara mesmo. Avise o bem-te-vi para ele aguentar a barra mais um pouco. Quem sabe, um dia, a bem-te-vi possa botar os ovinhos em paz.
— Deus a ouça, dona Cássia.
— Amém, dona Magnólia...
(DIAFÉRIA.Lourenço.Em A morte sem colete. 4a ed. São Paulo:
Moderna, 1983.)
Ao realizar uma leitura polissêmica do texto, pode-se compreender que:
Leia o seguinte fragmento:
É fato real: eu gosto de escrever palavras da mesma forma que gosto de ler textos. Isso é comum em várias pessoas de vários países do mundo. O hábito da leitura de textos deveria ser regra geral no mundo, pois existe uma multidão de pessoas que nunca tocaram num livro. Há muitos anos atrás conheci um general do exército que tinha uma filha que toda vez que via um livro abria um sorriso nos lábios, como se a leitura fosse seu habitat natural. Mas recentemente ela morreu logo depois de se casar com seu marido. Eu fui ao enterro para dar meus sentidos pêsames ao viúvo da falecida. Ele então me encarou de frente e eu pude ver labaredas de fogo saindo de seus olhos quando ele gritou alto: Vai....bem...! Depois disso saí pra fora e nunca mais compareci pessoalmente na casa dele.
Christian Gurtner em 03/09/08
Disponível em: http://www.escribacafe.com/
A partir do fragmento acima responda as questões 02 e 03.
Na segunda linha do fragmento textual, o autor destaca a palavra “hábito” que apresenta como significado “mania; ação que se repete com frequência e regularidade; comportamento que alguém aprende e repete frequentemente”.
Neste sentido, assinale o significado correto para o antônimo da palavra hábito:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 ao 10.
O Mirante do Sertão
__Parque ambiental que, segundo dados da Sudema, possui aproximadamente 500 hectares de área composta de espécies de Mata Atlântica e Caatinga, a Serra do Jabre é reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como uma das maiores fontes de pesquisas biológicas do país, pois possui espécies endêmicas que só existem aqui na reserva ecológica e devem ser fruto de estudo para evitar extinção de exemplares raros da fauna e da flora. O Parque possui 1.197 metros de altitude e é um observatório natural que permite que os visitantes contemplem do alto toda cobertura vegetal acompanhada de relevos e fontes de água dos municípios vizinhos. Uma paisagem rica em belezas naturais, que atrai a atenção de turistas brasileiros e estrangeiros.
__(...)
__O Pico do Jabre surpreende por suas belezas, clima agradável e uma visão de encher de entusiasmo e energia positiva qualquer visitante. Com uma panorâmica de 130 km de visão, de onde se pode ver, a olho nu, os Estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco, o Mirante do Sertão, título mais que merecido, é um dos lugares mais belos da Paraíba, com potencialidade para se tornar um dos complexos turísticos mais bem visitados do Estado.
__(...)
__Cenário ideal para os praticantes de esportes radicais, o Pico do Jabre atrai turistas de todas as partes do país, equipados com seus acessórios de segurança. A existência de trilhas fechadas é outro atrativo para os desportistas, incansáveis na busca de aventura.
__O entorno do Parque Estadual do Pico do Jabre abrange cinco municípios com atividades econômicas voltadas para a agricultura. A turística no meio rural é uma das perspectivas para o desenvolvimento desta economia. O Parque Estadual do Pico do Jabre, dentro da malha turística do estado da Paraíba, com roteiros alternativos envolvendo esportes, cultura, gastronomia e lazer, traz benefícios a uma população, com a geração de mais empregos.
__O Parque Ecológico, como atrativo turístico natural desta região, faz surgir novos serviços, tais como mateiros, guias, taxistas, cozinheiros, dentre outros, os quais estão diretamente ligados ao visitante. Os novos empreendimentos que surgirão, vão gerar recursos utilizados para a adequação da infraestrutura local. Assim, surgirão novos horizontes para a região do entorno do Pico do Jabre, contribuindo para permanência de sua população, que não mais migrará em busca de empregos e melhor qualidade de vida. Com a preservação da natureza, que está pronta para despertar uma nova visão desta atividade tão promissora que é o turismo no meio rural.
(http://www.matureia.pb.gov.br)
“Devem ser fruto de estudo para evitar extinção de exemplares raros da fauna e da flora.”
O ANTÔNIMO das palavras destacadas são RESPECTIVAMENTE:
Texto para a questão 4
“[...] A polêmica se arrasta desde 2009, quando dezenas de países começaram a estocar o remédio para o caso de uma pandemia de gripe H1N1. [...]”.
(Folha de S.Paulo, 1º/4/16 – cotidiano B4)
Considerando-se o contexto, a palavra destacada tem o sentido corretamente expresso em:
Atenção: Nesta prova, considera-se uso correta da Língua Portuguesa o que está de acordo com a norma padrão escrita.
Leia o texto a seguir para responder as questões sobre seu conteúdo.
IMPEACHMENT É O MESMO QUE IMPEDIMENTO?
Por Aldo Bizzocchi. Disponível em: http://revistalingua.com.br/textos/blog- abizzocchi/impeachment-e-omesmo- que- impedimento-338123-1.asp Acesso em 21 abr 2016.
Nestes dias em que, diante do mar de lama que ameaça soterrar o governo brasileiro, setores da sociedade já começam a clamar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, muitos cronistas têm empregado o termo vernáculo "impedimento" em substituição ao anglicismo impeachment, o que faz ressurgir a dúvida: impeachment e impedimento são a mesma coisa? Em outras palavras, é lícito traduzir o termo inglês pelo português? Mais ainda, é aconselhável fazer isso?
O impeachment é a figura jurídica surgida no mundo anglo-saxônico que permite ao parlamento cassar o mandato do chefe do Executivo diante de acusações comprovadas de improbidade no exercício do cargo. O substantivo inglês impeachment, assim como o verbo empeach, provêm do antigo francês empêcher, "impedir", e empêchement, "impedimento", por sua vez originários do baixo latim impedicare, derivado de pedica, "ferros que se prendem aos pés do prisioneiro para impedir seu movimento". Daí talvez a tendência de traduzir impeachment como "impedimento". No entanto, o próprio inglês distingue impeach, "fazer acusações contra, acusar de improbidade no exercício de mandato", de impede, "impedir, obstruir, impossibilitar". E a Constituição brasileira prevê o impedimento, temporário ou permanente, de um mandatário como justificativa para que seu suplente ocupe o cargo. Ou seja, uma doença ou viagem ao Exterior são motivos de impedimento do presidente, quando então o vice assume o posto. Esses impedimentos por razões corriqueiras nada têm a ver com o impeachment, que só se aplica em caso de acusação grave, que desautorize moralmente o presidente de permanecer no cargo. Nesse sentido, seria melhor traduzir impeachment por "cassação" do que por "impedimento".
Logo, a tradução de impeachment por "impedimento" é inadequada, embora favorecida por uma certa semelhança sonora e parentesco etimológico. Evidentemente, o presidente cassado por impeachment fica definitivamente impedido de exercer seu mandato, mas, se o impeachment é um caso particular de impedimento, a recíproca não é verdadeira: nem todo impedimento se dá por impeachment.
Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, com pós- doutorado pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP, com pós- doutorado na UERJ. É autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena). www.aldobizzocchi.com.br
Quanto ao emprego das palavras destacadas no primeiro parágrafo do texto, leia com atenção as proposições a seguir. Depois assinale a alternativa que contenha a análise correta sobre as mesmas.
I. A palavra “clamar” remete à ideia de que há rumores contidos das pessoas com relação ao impeachment.
II. “Vernáculo” significa, no contexto, artificial, empregado em um sentido que não é o real.
III. “Anglicismo” foi utilizado para fazer referência às pessoas que falam inglês.
IV. A palavra “lícito” faz referência àquilo que é possível, permitido.
AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
Quando o sentido é subvertido
- O consumismo, isto é, a compra exagerada, a acumulação irrestrita e a substituição precoce
- dos bens de consumo é uma marca da nossa sociedade. A sedução e o efêmero orientam a frenética
- renovação do que existe e a criação de novas necessidades. Entre outros problemas, essa dinâmica
- gera a exploração predatória dos recursos naturais, o sofrimento dos animais não humanos, a
- naturalização do desperdício e a supressão da singularidade do indivíduo.
- Atualmente, a mentalidade consumidora infiltrou-se nos relacionamentos, na espiritualidade,
- na política e até na ordenação do tempo disponível. Assim, de modo geral, as pessoas têm suas vidas
- mercantilizadas, isto é, orientadas pelos princípios e lógica do mercado. Portanto não é de se
- estranhar que elas busquem nos bens de consumo, dentre outras coisas, a resposta às suas questões
- existenciais.
- Uma característica do ethos consumista atual é o que Gilles Lipovetsky denomina consumo
- experiência. Três dos seus aspectos são: 1) a busca por aventuras em locais que prometem o
- inesperado sem abrir mão do conforto e da segurança; 2) a procura por sensações novas nas
- mercadorias; e 3) a conquista da harmonia interior sem esforço e de modo imediato. Entretanto, os
- produtos e serviços que se enquadram nesse tipo de consumo, quando não esvaziam o sentido do que
- é vendido, o subvertem. Para mostrar isso, devemos pensar a razoabilidade destes para além do viés
- empreendedor-consumista. Vejamos alguns exemplos.
- Creio que todos já fizeram ou ouviram falar em piquenique. Pois bem, na cidade de São
- Paulo, um local vende a ideia dessa experiência sem inconvenientes e sem preocupações, que pode
- ser um ambiente com paredes decoradas, um teto feito com guarda-chuvas coloridos, algumas mesas
- de madeira postadas sobre uma grama artificial. A cesta de alimentos é fornecida pela própria casa.
- Mas será que este serviço entrega o que promete?
- Neste espaço, não precisamos planejar nada, não tomaremos uma eventual chuva, estaremos
- mais protegidos de um assalto e sequer nos preocuparemos com formigas que possam nos picar.
- Porém, é fato que isso subverte a experiência do piquenique, na medida em que a empobrece e a
- reduz enormemente. Ora, a graça do piquenique está nas descobertas que um ambiente não
- controlado proporciona, no planejamento do que levar, no pé na terra ou na grama real - enfim, é o
- contato com a natureza. Colocando de outra forma, esse tipo de serviço subverte a aventura real, pois
- o sentido dessa conflita com o que é controlado e seguro. Desse modo, esse piquenique não passa de
- um simulacro.
- O segundo aspecto do consumo experiencial é refletido pela onda gourmetizadora, que
- chegou até à pipoca! A versão gourmet da pipoca tem diversos sabores, vem dentro de latas
- decoradas, é exposta em carrinhos bem acabados e custa, muitas vezes, muito mais que a
- convencional. Na página de uma das marcas desse produto (procure no Google por pipoca gourmet),
- a criadora diz que pensou em proporcionar ao freguês uma experiência diferenciada, não só através
- da pipoca, mas também por meio de uma embalagem que envolve e encanta o cliente.
- Embora especiarias tenham sido adicionadas e a apresentação da pipoca seja diferente, isso
- não é razoável. Primeiramente porque você vai consumir um produto frio e que não é fresco, pois não
- é feito na hora. Ao criar-se uma atmosfera mágica em torno da pipoca, vende-se algo que esta não
- pode entregar, pois os signos e imagens a ela associados excedem as suas qualidades efetivas. Mais
- que isso, a versão gourmet não é superior à convencional, ela é apenas diferente. Desse modo, como
- na maioria dos produtos gourmetizados, o conceito excede o produto.
- O mercado também atende àqueles que querem a solução dos seus conflitos e conforto
- psíquico de modo rápido e fácil. A proliferação dos livros de autoajuda nas livrarias, que lotam as
- prateleiras e têm um lugar de destaque, é um exemplo disso. Em geral, duas são as ideias implícitas
- nos livros de autoajuda: a) receitas de felicidade e sucesso podem ser compradas e; b) seguindo o
- ensinamento destes livros, o sujeito, por meio da sua vontade, vai saber lidar e solucionar os
- problemas que o atingem.
- Talvez os manuais de autoajuda sirvam como paliativos - mas, eles não podem entregar o
- que prometem, pois esquemas prontos não respondem à singularidade do indivíduo. Ao venderem a
- ideia de que a conquista da felicidade só depende do leitor, não se considera que o sujeito está imerso
- num contexto onde existem variáveis que atuam em sua vida e que podem não serem controladas.
- Em parte, o consumo experiencial explica-se como um sintoma de uma sociedade que
- almeja a euforia perpétua, legitima os simulacros publicitários, festeja toda e qualquer novidade
- mercadológica, quer saúde física e mental rapidamente e sem esforço... Enfim, que procura a razão
- do seu existir no mercado. Contudo, esses produtos e serviços não têm razoabilidade, tendo em vista
- que se apropriam de atividades e ideias e as subvertem, espetacularizam o banal, e vendem a falsa
- ideia que a felicidade pode ser comprada. Isso evidencia o empobrecimento subjetivo e a
- heteronomia do sujeito nestas relações mercantis.
Quando o sentido é subvertido, Daniel Borgon. FILOSOFIA, Ciência & Vida, Ano IX, nº 120, p.72.
No primeiro parágrafo, o termo “predatória”, em “essa dinâmica gera a exploração predatória dos recursos naturais,”(L.3/4), significa:
AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
Quando o sentido é subvertido
- O consumismo, isto é, a compra exagerada, a acumulação irrestrita e a substituição precoce
- dos bens de consumo é uma marca da nossa sociedade. A sedução e o efêmero orientam a frenética
- renovação do que existe e a criação de novas necessidades. Entre outros problemas, essa dinâmica
- gera a exploração predatória dos recursos naturais, o sofrimento dos animais não humanos, a
- naturalização do desperdício e a supressão da singularidade do indivíduo.
- Atualmente, a mentalidade consumidora infiltrou-se nos relacionamentos, na espiritualidade,
- na política e até na ordenação do tempo disponível. Assim, de modo geral, as pessoas têm suas vidas
- mercantilizadas, isto é, orientadas pelos princípios e lógica do mercado. Portanto não é de se
- estranhar que elas busquem nos bens de consumo, dentre outras coisas, a resposta às suas questões
- existenciais.
- Uma característica do ethos consumista atual é o que Gilles Lipovetsky denomina consumo
- experiência. Três dos seus aspectos são: 1) a busca por aventuras em locais que prometem o
- inesperado sem abrir mão do conforto e da segurança; 2) a procura por sensações novas nas
- mercadorias; e 3) a conquista da harmonia interior sem esforço e de modo imediato. Entretanto, os
- produtos e serviços que se enquadram nesse tipo de consumo, quando não esvaziam o sentido do que
- é vendido, o subvertem. Para mostrar isso, devemos pensar a razoabilidade destes para além do viés
- empreendedor-consumista. Vejamos alguns exemplos.
- Creio que todos já fizeram ou ouviram falar em piquenique. Pois bem, na cidade de São
- Paulo, um local vende a ideia dessa experiência sem inconvenientes e sem preocupações, que pode
- ser um ambiente com paredes decoradas, um teto feito com guarda-chuvas coloridos, algumas mesas
- de madeira postadas sobre uma grama artificial. A cesta de alimentos é fornecida pela própria casa.
- Mas será que este serviço entrega o que promete?
- Neste espaço, não precisamos planejar nada, não tomaremos uma eventual chuva, estaremos
- mais protegidos de um assalto e sequer nos preocuparemos com formigas que possam nos picar.
- Porém, é fato que isso subverte a experiência do piquenique, na medida em que a empobrece e a
- reduz enormemente. Ora, a graça do piquenique está nas descobertas que um ambiente não
- controlado proporciona, no planejamento do que levar, no pé na terra ou na grama real - enfim, é o
- contato com a natureza. Colocando de outra forma, esse tipo de serviço subverte a aventura real, pois
- o sentido dessa conflita com o que é controlado e seguro. Desse modo, esse piquenique não passa de
- um simulacro.
- O segundo aspecto do consumo experiencial é refletido pela onda gourmetizadora, que
- chegou até à pipoca! A versão gourmet da pipoca tem diversos sabores, vem dentro de latas
- decoradas, é exposta em carrinhos bem acabados e custa, muitas vezes, muito mais que a
- convencional. Na página de uma das marcas desse produto (procure no Google por pipoca gourmet),
- a criadora diz que pensou em proporcionar ao freguês uma experiência diferenciada, não só através
- da pipoca, mas também por meio de uma embalagem que envolve e encanta o cliente.
- Embora especiarias tenham sido adicionadas e a apresentação da pipoca seja diferente, isso
- não é razoável. Primeiramente porque você vai consumir um produto frio e que não é fresco, pois não
- é feito na hora. Ao criar-se uma atmosfera mágica em torno da pipoca, vende-se algo que esta não
- pode entregar, pois os signos e imagens a ela associados excedem as suas qualidades efetivas. Mais
- que isso, a versão gourmet não é superior à convencional, ela é apenas diferente. Desse modo, como
- na maioria dos produtos gourmetizados, o conceito excede o produto.
- O mercado também atende àqueles que querem a solução dos seus conflitos e conforto
- psíquico de modo rápido e fácil. A proliferação dos livros de autoajuda nas livrarias, que lotam as
- prateleiras e têm um lugar de destaque, é um exemplo disso. Em geral, duas são as ideias implícitas
- nos livros de autoajuda: a) receitas de felicidade e sucesso podem ser compradas e; b) seguindo o
- ensinamento destes livros, o sujeito, por meio da sua vontade, vai saber lidar e solucionar os
- problemas que o atingem.
- Talvez os manuais de autoajuda sirvam como paliativos - mas, eles não podem entregar o
- que prometem, pois esquemas prontos não respondem à singularidade do indivíduo. Ao venderem a
- ideia de que a conquista da felicidade só depende do leitor, não se considera que o sujeito está imerso
- num contexto onde existem variáveis que atuam em sua vida e que podem não serem controladas.
- Em parte, o consumo experiencial explica-se como um sintoma de uma sociedade que
- almeja a euforia perpétua, legitima os simulacros publicitários, festeja toda e qualquer novidade
- mercadológica, quer saúde física e mental rapidamente e sem esforço... Enfim, que procura a razão
- do seu existir no mercado. Contudo, esses produtos e serviços não têm razoabilidade, tendo em vista
- que se apropriam de atividades e ideias e as subvertem, espetacularizam o banal, e vendem a falsa
- ideia que a felicidade pode ser comprada. Isso evidencia o empobrecimento subjetivo e a
- heteronomia do sujeito nestas relações mercantis.
Quando o sentido é subvertido, Daniel Borgon. FILOSOFIA, Ciência & Vida, Ano IX, nº 120, p.72.
As expressões “isto é” (L.1) e “enfim” (L.27) denotam, respectivamente,
Setor de tecnologia de SC é destaque em portal dos EUA
O portal americano especializado em tecnologia Nearshore Americas destaca o perfil do setor de tecnologia da informação (TI) de Santa Catarina em reportagem. Afirma que cresceu no Estado 15% ano passado e faturou US$ 3,5 bilhões enquanto, no Brasil, a expansão média ficou em 7,3%. Cita que as empresas estão localizadas principalmente em cinco cidades: Florianópolis, Joinville, Blumenau, Chapecó e Criciúma. A maioria são startups que crescem numa média de 20% ao ano e empregam juntas cerca de 20 mil trabalhadores. Entrevistado pelo Nearshore, o presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), Guilherme Bernard, informou que o setor atrair investimentos do exterior na aquisição de empresas. E o secretário de Desenvolvimento do Estado, Carlos Chiodini, destacou a criação da Invest SC para atrair investimentos internacionais.
Entre as empresas que ilustram a matéria está a Softplan, de Florianópolis, que atua nos segmentos da justiça, gestão pública e construção civil, fundada por Ilson Stabile, Moacir Marafon e Carlos Augusto Matos. Segundo Stabile, diretor executivo, na atual recessão econômica os clientes demandam soluções eficientes que possam aumentar as arrecadações e promover a celeridade nas operações. Fundada em 1990, a empresa tem 1,5 mil funcionários e, no ano passado, alcançou um volume de negócios 10% maior em relação ao ano anterior.
Diário Catarinense – Estela Benetti, 12/02/2016 - 00h35min - Atualizada em 12/02/2016 - 00h40min.
Segundo Stabile, diretor executivo, na atual recessão econômica os clientes demandam soluções eficientes que possam aumentar as arrecadações e promover a celeridade nas operações.
O antônimo do termo sublinhado é: