Questões de Concurso Sobre ortografia em português

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Q3764511 Português
Com relação à ortografia, analise as afirmativas a seguir:

I. Depois dos ditongos au, ei, oi e ou é correto utilizar as letras c e ç, como em “calabouço”.
II. Grafam-se com s substantivos abstratos em - esa, como em “pobresa”.
III. As palavras "náuzea" e "louza" são exemplos de palavras corretamente escritas com a letra z.
IV. As palavras "ameixa" e "desleixo" são corretamente grafadas com x em vez de ch.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3764334 Português
Levando em consideração as regras acerca do uso de crase e as regras atuais, após o último Acordo Ortográfico, identifique as frases grafadas de maneira correta.

1. Luciano acordou paranoico com seus compromissos e foi à universidade.
2. Roncava muito à noite, resultado de ter apnéias.
3. A Coreia atualmente tem apresentado um grande sucesso nas plataformas de exibição de séries.
4. O pêlo havia encravado em um lugar que a incomodava, fazendo ela ir até à médica.
5. Encaminhou o e-mail à auto-escola em nome de toda a turma.

Assinale a alternativa que indica todas as frases corretas.
Alternativas
Q3764259 Português
Assinale a alternativa em que a palavra deveria ter recebido acento gráfico.
Alternativas
Q3764078 Português

Assinale a alternativa que apresenta problemas de ortografia.

Alternativas
Q3764076 Português

Leia a frase abaixo e complete as lacunas com mau ou mal.



Maria está sempre de ..............................humor,................... entra na sala e já reclama. Ela vive.....................-humorada.



Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto na ordem em que elas aparecem na frase.

Alternativas
Q3763715 Português

Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas e acentuadas CORRETAMENTE, de acordo com a norma-padrão.

Alternativas
Q3763567 Português

TEXTO I



        O lixo pode muitas vezes conter materiais perigosos, que oferecem sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente [...].



     O lixo depositado [...] em terrenos baldios atrai ratos, baratas, moscas, mosquitos, formigas e escorpiões, entre outros, podendo transmitir doenças [...].



         (Instituto de Biociências da USP. Disponível em: www.ib.br/coletaseletiva/saudecoletiva/doencas.htm. Adaptado. Acesso em: 17 out.2025.)

Marque a alternativa que apresenta duas palavras escritas com s (com som de z) e entre vogais:


Alternativas
Q3763388 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Morrer cedo é uma transgressão. Dadas as palavras a seguir, escreve-se com SS:
Alternativas
Q3763385 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio. Recebe acentuação pela mesma regra do termo em destaque:
Alternativas
Q3763152 Português
A homonímia, fenômeno semântico que envolve palavras de forma idêntica ou semelhante, mas com significados distintos, exige do usuário da língua uma atenção especial ao contexto para evitar ambiguidades. 

Considere as seguintes passagens:

1. O juiz decidiu cassar o mandato do parlamentar envolvido no escândalo. / Os caçadores saíram ao amanhecer para caçar naquela vasta floresta.
2. O censo demográfico é uma ferramenta fundamental para o planejamento de políticas públicas. / É preciso ter senso de oportunidade para investir no momento certo.

As palavras em destaque são, respectivamente:
Alternativas
Q3763123 Português
Assinale a alternativa correta onde todas as palavras estão acentuadas corretamente.
Alternativas
Q3762925 Português

TEXTO 02


Como e ........... o papagaio fala?


Por Gustavo Abreu





(Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa em que todas as palavras são acentuadas pela mesma regra. 
Alternativas
Q3762675 Português
Por que papagaios têm fama de pet de pirata?


Por Arthur de Souza

Q1_10.png (709×213)

(Disponível em: https://goread.com.br/viewer/superinteressante/dossie-burnout/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando as regras de acentuação e de ortografia, analise o trecho abaixo, adaptado do texto:

O personagem ________ um fundo de verdade, ________ os europeus ________ esses animais como espécies exóticas.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima. 
Alternativas
Q3762672 Português
Por que papagaios têm fama de pet de pirata?


Por Arthur de Souza

Q1_10.png (709×213)

(Disponível em: https://goread.com.br/viewer/superinteressante/dossie-burnout/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra proparoxítona.
Alternativas
Q3762638 Português
Morte


    Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

    Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

    A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

    Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

    Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

    Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


(Pedro Bial. Junho de 2006)
Morrer cedo é uma transgressão. Dadas as palavras a seguir, escreve-se com SS:
Alternativas
Q3762635 Português
Morte


    Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

    Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

    A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

    Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

    Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

    Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


(Pedro Bial. Junho de 2006)
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio. Recebe acentuação pela mesma regra do termo em destaque:
Alternativas
Q3762605 Português
A SOLUÇÃO


    João José, de batismo. Nome todo: João José de Sousa. Nascido no estado da Guanabara, no bairro do Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. Nascido no estado de Guanabara no bairro Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. O pai morreu quando ele ainda era menino, e, por isso, desde cedo aprendeu a trabalhar para ajudar a mãe e duas irmãs menores. Vendeu pastel na estação do Encantado, foi boy de escritório, contínuo de banco - tudo na época em que fazia o curso ginasial de noite.

    Sempre foi um rapazinho esperto e logo percebeu que era preciso estudar para ser alguma coisa na vida. Mas nunca teve ilusões: era preciso trabalhar e estudar ao mesmo tempo. A família era unida e todos se ajudavam mutuamente. A irmã mais velha está noiva de um colega seu, que também é bom rapaz. Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. Era um bom aluno de farmácia, um dos mais aplicados da turma e ia se virando para pagar as anuidades, os livros, tudo o que precisava, enfim, com soldo da Polícia Militar. Bom soldado, também. Antes tinha sido um bom atleta e não foi difícil passar nos exames da PM. Lá, ao menos, comida de graça, tinha farda de graça e ainda o soldo.

    No dia em que foi mais sangrenta a luta entre estudantes e polícia, estava de folga do quartel. Nem soube de nada. Aproveitara o dia para passar a matéria de química. A faculdade estava fechada, todos em greve, uma lástima. João José se dividia em seus afazeres com um zelo raro. Estudou até tarde e acordou tarde também. Foi a mana mais moça que lhe invadiu o quarto com café cheiroso e um sorriso fraternal, chamando-o vagabundo, dizendo que aquilo não era hora para pobre estar na cama. Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho. Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas, enquanto a chamava de bruxa. "Ela conseguiu desvencilhar-se e saiu rindo para o corredor, gritando que" João José está maluco! João José está maluco!"

    Ainda não estava.

    Depois do banho foi beijar a mãe na cozinha e viu o jornal, num canto. Apanhou e pôs-se a ler. Logo no cabeçalho dos noticiários percebeu que seu plano de ir até a faculdade saber das novidades e depois se apresentar no quartel (ia dar plantão) era inexequível. A mãe disse-lhe qualquer coisa que ele não percebeu o que era, porque mergulhou na leitura e foi quase inconscientemente que voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e ficou lendo. Leu tudo de um fôlego, às vezes sem acreditar no que lia, mas tendo que continuar a leitura, tal era a sua curiosidade, tal era a sua estupefação. João José - homem honesto e correto -, depois de ler tudo, olhou para as fotografias, reconheceu policiais, reconheceu vários colegas de faculdade. Começou a ler de novo, correndo a lista de presos, a lista de feridos.

    Já não sabia mais de si mesmo; não sabia se tinha sido direito dormir o sono que, na noite anterior, seu organismo pedia. Se ao menos soubesse antes! Claro que não iria dormir, mas onde teria se apresentado? Ao grupo de colegas que eu havia procurado, na certa, e que só não encontrara porque não tinha o telefone e morava num subúrbio... ou teria ido para o quartel? Lá, certamente, todos sabiam com antecedência que o pau ia comer e aguardavam sua apresentação. Ele não fora e nem dera satisfação. Muitos companheiros deviam ter saído para o centro das hostilidades pensando que talvez o encontrassem do outro lado, atirando pedras, gritando suas reivindicações. Como estudante, sabia que o protesto era justo. Tinha acompanhado assembleias, visto como seus colegas insistiram para ser ouvidos serenamente. Como policial, seu dever era cumprir ordens. Correu os olhos pela lista de presos: o Alfredo, o Carlos, a Luísa - moça tão bonita, como estariam tratando-a aos agentes do Dops? De repente viu a notícia da morte do PM Nelson. Puxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o.

    A mãe passou pelo corredor e viu-o nu da cintura pra cima, mas com as calças que costumava usar quando ia à faculdade: - Você vai à faculdade, meu filho? - e nem estranhou de não ouvir resposta. Estava muito ocupada com o almoço para notar que о filho estava completamente transformado.

    O que devia ter feito, meu Deus? Ficado do lado dos colegas e enfrentar a fúria policial? Juntar-se aos companheiros do quartel, na repressão às manifestações? Ele teria batido? Ele teria apanhado? A ordem de um lado era de não ter medo de apanhar; a ordem do outro era não ter pena de bater.

    Por cima das calças vestiu o dólmã de PM. Quando a irmā entrou no quarto para arrumar, foi que viu. Saiu correndo, chorando, gritando: "João José está louco! Está batendo de sobre nele mesmo..."

    O sangue jorrava do nariz! Da testa!

    Não ter medo de apanhar! Não ter pena de bater!


(Stanislaw Ponte Preta. Febeapá. Companhia das Letras, 2015, p. 416)
Leu tudo de um fôlego. Justifica-se a mesma regra de acentuação da palavra destacada:
Alternativas
Q3762602 Português
A SOLUÇÃO


    João José, de batismo. Nome todo: João José de Sousa. Nascido no estado da Guanabara, no bairro do Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. Nascido no estado de Guanabara no bairro Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. O pai morreu quando ele ainda era menino, e, por isso, desde cedo aprendeu a trabalhar para ajudar a mãe e duas irmãs menores. Vendeu pastel na estação do Encantado, foi boy de escritório, contínuo de banco - tudo na época em que fazia o curso ginasial de noite.

    Sempre foi um rapazinho esperto e logo percebeu que era preciso estudar para ser alguma coisa na vida. Mas nunca teve ilusões: era preciso trabalhar e estudar ao mesmo tempo. A família era unida e todos se ajudavam mutuamente. A irmã mais velha está noiva de um colega seu, que também é bom rapaz. Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. Era um bom aluno de farmácia, um dos mais aplicados da turma e ia se virando para pagar as anuidades, os livros, tudo o que precisava, enfim, com soldo da Polícia Militar. Bom soldado, também. Antes tinha sido um bom atleta e não foi difícil passar nos exames da PM. Lá, ao menos, comida de graça, tinha farda de graça e ainda o soldo.

    No dia em que foi mais sangrenta a luta entre estudantes e polícia, estava de folga do quartel. Nem soube de nada. Aproveitara o dia para passar a matéria de química. A faculdade estava fechada, todos em greve, uma lástima. João José se dividia em seus afazeres com um zelo raro. Estudou até tarde e acordou tarde também. Foi a mana mais moça que lhe invadiu o quarto com café cheiroso e um sorriso fraternal, chamando-o vagabundo, dizendo que aquilo não era hora para pobre estar na cama. Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho. Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas, enquanto a chamava de bruxa. "Ela conseguiu desvencilhar-se e saiu rindo para o corredor, gritando que" João José está maluco! João José está maluco!"

    Ainda não estava.

    Depois do banho foi beijar a mãe na cozinha e viu o jornal, num canto. Apanhou e pôs-se a ler. Logo no cabeçalho dos noticiários percebeu que seu plano de ir até a faculdade saber das novidades e depois se apresentar no quartel (ia dar plantão) era inexequível. A mãe disse-lhe qualquer coisa que ele não percebeu o que era, porque mergulhou na leitura e foi quase inconscientemente que voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e ficou lendo. Leu tudo de um fôlego, às vezes sem acreditar no que lia, mas tendo que continuar a leitura, tal era a sua curiosidade, tal era a sua estupefação. João José - homem honesto e correto -, depois de ler tudo, olhou para as fotografias, reconheceu policiais, reconheceu vários colegas de faculdade. Começou a ler de novo, correndo a lista de presos, a lista de feridos.

    Já não sabia mais de si mesmo; não sabia se tinha sido direito dormir o sono que, na noite anterior, seu organismo pedia. Se ao menos soubesse antes! Claro que não iria dormir, mas onde teria se apresentado? Ao grupo de colegas que eu havia procurado, na certa, e que só não encontrara porque não tinha o telefone e morava num subúrbio... ou teria ido para o quartel? Lá, certamente, todos sabiam com antecedência que o pau ia comer e aguardavam sua apresentação. Ele não fora e nem dera satisfação. Muitos companheiros deviam ter saído para o centro das hostilidades pensando que talvez o encontrassem do outro lado, atirando pedras, gritando suas reivindicações. Como estudante, sabia que o protesto era justo. Tinha acompanhado assembleias, visto como seus colegas insistiram para ser ouvidos serenamente. Como policial, seu dever era cumprir ordens. Correu os olhos pela lista de presos: o Alfredo, o Carlos, a Luísa - moça tão bonita, como estariam tratando-a aos agentes do Dops? De repente viu a notícia da morte do PM Nelson. Puxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o.

    A mãe passou pelo corredor e viu-o nu da cintura pra cima, mas com as calças que costumava usar quando ia à faculdade: - Você vai à faculdade, meu filho? - e nem estranhou de não ouvir resposta. Estava muito ocupada com o almoço para notar que о filho estava completamente transformado.

    O que devia ter feito, meu Deus? Ficado do lado dos colegas e enfrentar a fúria policial? Juntar-se aos companheiros do quartel, na repressão às manifestações? Ele teria batido? Ele teria apanhado? A ordem de um lado era de não ter medo de apanhar; a ordem do outro era não ter pena de bater.

    Por cima das calças vestiu o dólmã de PM. Quando a irmā entrou no quarto para arrumar, foi que viu. Saiu correndo, chorando, gritando: "João José está louco! Está batendo de sobre nele mesmo..."

    O sangue jorrava do nariz! Da testa!

    Não ter medo de apanhar! Não ter pena de bater!


(Stanislaw Ponte Preta. Febeapá. Companhia das Letras, 2015, p. 416)
Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas. A palavra em destaque, assim como muitas outras da Língua Portuguesa, apresenta alguma dificuldade na hora de ser escrita devido a relação de som e grafia. Nas opções a seguir, marque a que apresenta desvio na escrita.
Alternativas
Respostas
2401: E
2402: B
2403: A
2404: B
2405: C
2406: A
2407: E
2408: B
2409: A
2410: A
2411: B
2412: C
2413: E
2414: E
2415: D
2416: E
2417: A
2418: A
2419: D
2420: A