Questões de Concurso Sobre orações subordinadas adverbiais: causal, comparativa, consecutiva, concessiva, condicional... em português

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Q4102528 Português
A questão deve ser respondida com base no texto 2.


Texto 2


A burocracia/3


Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha. No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito. E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.


Fonte: GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: Editora LPM, 2016.
No período: “[...] um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca”, a oração subordinada adverbial inserida por conjunção estabelece ideia de:
Alternativas
Q4050260 Português

Por que insetos são cruciais para vida na Terra



Vivemos em um planeta de insetos. Eles representam cerca de 70% de todas as espécies conhecidas na Terra e sua biomassa combinada é 16 vezes maior que a dos humanos. Há 300 milhões de anos, libélulas gigantes com envergadura de 75 centímetros voavam entre as samambaias arbóreas. Hoje em dia, os insetos são extraordinariamente diversos, com uma enorme variedade de cores, formas e tamanhos. Eles também desempenham um papel crucial na vida na Terra. Eles servem de alimento para muitos animais, incluindo a maioria dos pássaros, morcegos, lagartos, anfíbios e peixes de água doce. Cerca de 80% das espécies de plantas selvagens do mundo também dependem de insetos para polinizá-las, assim como três quartos das plantas que cultivamos para alimentação. Não é exagero dizer que, sem os insetos, muitos de nós morreríamos de fome. Mas muitos tipos de insetos em diferentes partes do mundo estão ameaçados. Embora medir as populações de insetos seja algo complexo, existem sinais preocupantes. Um importante estudo de 2020 estimou que os insetos que vivem na Terra estão a diminuir em cerca de 9% por década em todo o mundo. Um estudo alemão descobriu que a biomassa de insetos voadores nas reservas naturais diminuiu alarmantes 76% entre 1989 e 2016. Nos Estados Unidos, as populações de borboleta-monarca diminuíram 80% neste século. Algumas espécies no Reino Unido, como a borboleta-vírgula e as borboletas-malhadinhas, estão contrariando a tendência. Mas de maneira geral, a distribuição geográfica global das borboletas no Reino Unido diminuiu, em média, 42% desde 1976. As espécies invasoras também estão sofrendo. Ratos se alimentaram da tesourinha de Santa Helena, um tipo de lacraia, até levar a espécie à extinção e quase exterminaram o weta gigante da Nova Zelândia, um tipo de gafanhoto. A poluição luminosa também representa um problema, pois atrai as mariposas e as condena à morte e perturba o ciclo de vida dos insetos. Também desorienta alguns besouros que navegam usando a luz da Via Láctea.



“Guerra contra a natureza”


Além de tudo isso, os insetos têm agora que lidar com as mudanças climáticas. Alguns insetos mais adaptáveis, como os mosquitos, as baratas e as moscas domésticas, se beneficiarão de temperaturas mais altas e de mais chuva. Mas a maioria sofrerá. Zangões estão desaparecendo de seus habitats mais ao sul, superaquecendo em seus corpos peludos à medida que o clima esquenta. Secas, inundações e incêndios florestais também podem devastar as populações já ameaçadas. Em 1962, a bióloga americana Rachel Carson publicou o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa, em tradução literal para o português), alertando que estávamos causando danos terríveis ao nosso planeta. Ela escreveu: "O homem é parte da natureza" e a sua guerra contra a natureza "é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo". Mas a previsão de Carson era apenas o começo. Desde então, os habitats de vida selvagem ricos em insetos foram destruídos em grande escala. Os solos foram degradados e os rios obstruídos com lodo, poluídos ou drenados. A agricultura, tão dependente dos insetos para a polinização, é responsável por grande parte do seu declínio. Estima-se que 4 milhões de toneladas de pesticidas sejam lançadas no meio ambiente todos os anos.



Então, o que podemos fazer se quisermos proteger nossos insetos? A resposta mais simples está em reestruturar jardins e varandas, plantando flores silvestres e arbustos nativos, reduzindo o corte da relva e encontrando alternativas aos pesticidas. Mas as ações individuais não serão suficientes. Imagine cidades verdes repletas de árvores, hortas e lagos, todas livres de pesticidas e cheias de vida. O movimento para uma agricultura sustentável para insetos e toda a natureza está crescendo, mas precisa de muito mais apoio, tanto por parte de governos como de consumidores. Ainda não é tarde demais. A maioria das espécies de insetos ameaçadas ainda não foi extinta e pode se recuperar rapidamente se for protegida. O biólogo americano Paul Ehrlich comparou a perda de espécies ao desprendimento aleatório de rebites da asa de um avião. Remova um ou dois e o avião provavelmente ficará bem. Remova dez, 20 ou 50 e, em algum momento, ocorrerá uma falha catastrófica e o avião cairá do céu. Os insetos são os rebites que mantêm o planeta funcionando. Quantos podem ser removidos com segurança do avião antes que ele caia?


 

BBC News Brasil. Disponível em  <https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedgnv3yvlpo>

Considere o seguinte excerto, retirado do texto: “Embora medir as populações de insetos seja algo complexo, existem sinais preocupantes.” A oração que inicia o período exprime sentido: 
Alternativas
Q3433067 Português
Os sinais de demência que quase ninguém conhece


Demência é um termo abrangente utilizado para descrever um conjunto de sinais e sintomas relacionados à perda progressiva e significativa das funções cognitivas. Ficam prejudicados a memória, a capacidade de raciocínio, o pensamento e a linguagem. O Alzheimer é o tipo mais comum de demência.


Embora o esquecimento frequente seja o sinal mais conhecido, existem outros dos quais poucas pessoas têm ciência. Estes são: preferência por alimentos doces, perda de olfato, convulsões, incontinência urinária, quedas repetidas e desmaios, alucinações visuais, distúrbios do sono, mudanças de humor e comportamento.


De acordo com a Alzheimer’s Association, a preferência por doce acontece porque as papilas gustativas podem diminuir quando a doença se instala.


Os pesquisadores acreditam que o cérebro produz insulina, como o pâncreas, e os níveis de insulina no cérebro podem cair, causando desejos. Isso também pode levar ao ganho de peso e padrões alimentares pouco saudáveis.


Já a perda do olfato pode estar associada à perda de função cognitiva e, portanto, é um sinal relevante para o diagnóstico do Alzheimer e de outras demências.


É importante ressaltar que a presença de um ou mais desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tem demência. Existem muitas causas possíveis para esses sintomas, e eles também podem estar relacionados a outros problemas de saúde. No entanto, conhecer esses sinais ajuda a identificar a hora de procurar um médico para uma avaliação adequada e um diagnóstico preciso.


Disponível em: https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/os-sinais-de-demencia-quequase-ninguem-conhece/. Acesso em: 18 mar. 2024.

No período “Embora o esquecimento frequente seja o sinal mais conhecido, existem outros dos quais poucas pessoas têm ciência”, a classificação correta das duas orações que o compõem é, respectivamente: 
Alternativas
Q3046254 Português
Que animais o homem já enviou ao espaço?

Animais no espaço: até moscas já foram enviadas para fora da Terra. 


Entre os terráqueos, o homem não foi o pioneiro no espaço. Mas foi o responsável por enviar várias espécies de animais antes de Yuri Gagarin e Neil Armstrong. Moscas, peixes, tartarugas, lesmas, minhocas e abelhas já tiveram sua experiência extraterrena. Até mesmo aranhas foram enviadas para testar suas habilidades de tecer uma teia em ambiente de microgravidade.


A viagem de animais ao espaço começou em 1947, quando os americanos enviaram moscas-das-frutas em uma cápsula. A partir de então, Rússia e EUA passaram a mandar animais maiores. Primatas eram os preferidos pelos astronautas (NASA/União Europeia), enquanto os cães eram os escolhidos dos cosmonautas (russos). Já na França, um gato ficou famoso por ser o primeiro, e único, felino escolhido para desbravar o cosmos.


Entre todos os animais que estiveram no espaço, a cadela Laika é a mais famosa. Em 4 de outubro de 1957, a era espacial teve início com o lançamento da Sputnik 1. Um mês depois, a cadela foi enviada ao espaço, a bordo da Sputnik 2, sem chances de retornar com vida. Embora sua morte tenha provocado revolta, Laika e os outros animais que ultrapassaram os limites terrenos abriram caminho para os humanos.


De acordo com Douglas Galante, doutor em Astronomia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), esse pioneirismo animal foi importante para entender os possíveis efeitos que o ambiente espacial poderia provocar nos seres humanos. “Um dos objetivos na época era o de enviar humanos ao espaço. Nesse cenário, as naves espaciais e os sistemas de manutenção de condições vitais no espaço foram testados sucessivamente, com animais maiores e mais complexos (dos insetos aos macacos), até que houvesse uma confiança grande o suficiente para enviar o primeiro astronauta”, argumenta.


Adaptado
https://www.terra.com.br
GHX Comunicação - maio/2013
A viagem de animais ao espaço começou em 1947, quando os americanos enviaram moscas-das-frutas em uma cápsula.” 2º§
A oração sublinhada nessa frase transmite ideia de:
Alternativas
Q3045474 Português
Como se classifica sintaticamente a oração grifada no trecho abaixo, tendo em vista sua relação com a oração indicada entre os colchetes?

“E dá-me vontade de dizer-lhe: — A senhora, D. Camila, [amou tanto a mocidade e a beleza], que atrasou o seu relógio, a fim de ver se podia fixar esses dois minutos de cristal.”

MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Uma senhora. In: Histórias sem data.
Disponível em: http://machado.mec.gov.br/obra-completalista/itemlist/category/24-conto. 
Alternativas
Q3039775 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


8 BILHÕES DE PESSOAS, UMA HUMANIDADE.
Assuntos da ONU
13 nov. 2022

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fala sobre chegada da população mundial a oito bilhões em meados de novembro/22.

A população mundial chegará a oito bilhões em meados de novembro – resultado dos avanços científicos e das melhorias na alimentação, na saúde pública e no saneamento. No entanto, à medida que a nossa família humana cresce, está também cada vez mais dividida.

Bilhões de pessoas estão em dificuldades; centenas de milhões passam fome ou estão até subnutridas. Um número recorde de pessoas procura oportunidades, o alívio de dívidas e de dificuldades, das guerras e dos desastres climáticos.

Se não reduzirmos o enorme fosso entre os que têm e os que não têm, estaremos construindo um mundo de oito bilhões de pessoas repleto de tensões, desconfiança, crises e conflitos.
Os fatos falam por si só. Um pequeno grupo de bilionários possui a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial. Os que estão entre os 1% mais ricos do mundo detêm um quinto do rendimento mundial. As pessoas nos países mais ricos podem viver até 30 anos a mais do que nos países mais pobres. À medida que o mundo se tornou mais rico e saudável nas últimas décadas, essas desigualdades também se agravaram.

Além dessas tendências de longo prazo, a aceleração da crise climática e a recuperação desigual da pandemia de COVID19 aumentam as desigualdades. Estamos na direção de uma catástrofe climática, com as emissões e as temperaturas em contínuo crescimento. Inundações, tempestades e secas estão devastando países que em quase nada contribuíram para o aquecimento global.

A guerra na Ucrânia agrava as atuais crises alimentar, energética e financeira, que atingem mais duramente as economias em desenvolvimento. Estas desigualdades têm um maior impacto nas mulheres e nas meninas e em grupos marginalizados que já são discriminados. Muitos países do sul global enfrentam enormes dívidas, o agravamento da pobreza e da fome e os impactos crescentes da crise climática, tendo poucas oportunidades de investir numa recuperação sustentável da pandemia, na transição para as energias renováveis ou na educação e formação para a era digital. [...]

As divisões tóxicas e a falta de confiança causam atrasos e impasses numa série de questões, do desarmamento nuclear ao terrorismo, passando pela saúde. Devemos frear estas tendências prejudiciais, curar relações e encontrar soluções conjuntas para os nossos desafios comuns.

O primeiro passo passa por reconhecer que essas desigualdades desenfreadas são uma escolha que os países desenvolvidos têm a responsabilidade de reverter – já a partir deste mês na Conferência sobre as Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27), no Egito, e na Cúpula do G20, em Bali. Espero que a COP27 resulte em um Pacto de Solidariedade Climática histórico sob o qual as economias desenvolvidas e emergentes se unam em torno de uma estratégia comum e combinem as suas capacidades e recursos para o benefício da humanidade. Os países mais ricos devem dar apoio financeiro e técnico às principais economias emergentes para a transição dos combustíveis fósseis. Esta é a nossa única esperança para cumprir as nossas metas climáticas.

Também apelo aos líderes da COP27 que cheguem a um acordo sobre um modelo de compensação aos países do sul global pelas perdas e os danos relacionados com o clima que já causam um enorme sofrimento.

A Cúpula do G20, em Bali, será uma oportunidade para abordar a situação dos países em desenvolvimento. Pedi às economias do G20 que adotem um pacote de estímulos que proporcionará aos governos do sul global investimentos e liquidez, e ajudará a aliviar e a reestruturar as suas dívidas. Enquanto pressionamos, para que estas medidas de médio prazo sejam implementadas, estamos também trabalhando sem parar com todas as partes interessadas para impedir a crise mundial de alimentos. [...]

No entanto, entre todos estes sérios desafios, há também algumas boas notícias. O nosso mundo de oito bilhões de pessoas pode gerar enormes oportunidades para alguns dos países mais pobres, onde o crescimento populacional é mais elevado. [...]

Acredito no talento da humanidade e tenho uma enorme fé na solidariedade humana. Nestes tempos difíceis, seria bom lembrarmos as palavras de um dos observadores mais sábios da humanidade, Mahatma Gandhi: “O mundo tem o suficiente para as necessidades de todos – mas não para a ganância de todos”.

Os grandes encontros mundiais deste mês devem ser uma oportunidade para começar a reduzir as divisões e a restaurar a confiança, com base na igualdade de direitos e de liberdades de cada membro desta forte família humana de oito bilhões de pessoas.

Adaptado
https://news.un.org
A ideia expressa pelo articulador sintático sublinhado não corresponde ao que está determinado entre parênteses em: 
Alternativas
Q2762370 Português
1. Existem muitas histórias do seu Justinho.

2. Uma vez o Alaor, que era um grande gozador, recebeu o seu Justinho no escritório, de manhã, com uma pergunta.

3. — Seu Justinho, o senhor abotoa a camisa de cima para baixo ou de baixo para cima?

4. - O seu Justinho pensou um pouco. depois respondeu: .

5. — De baixo para cima, como todo mundo.

6. — Epa - protestou o Simas. — Como todo mundo não. Eu abotõo de cima para baixo.

7. O Alaor propôs um plebiscito no escritório. .

8. — Quantos abotoam a camisa de cima para baixo e quantos abotoam de baixo para cima?

9. Curiosamente, fora o seu Justinho e o Simas, ninguém se lembrava como abotoava a camisa. Alguns começaram a tirar a camisa ali mesmo, para ver como as recolocariam. já que nunca tinham reparado naquilo. Mas o seu Justinho os deteve. Tirar a camisa no escritório, onde já se vira? Todos ao trabalho antes que aparecesse o chefe.

10. Mas durante todo o dia o seu Justinho ficou preocupado. No fim do expediente, dirigiu-se ao Alaor.

11. — Não gostei disso que você começou.

12. — Que foi que eu comecei?

13. — Essa história das camisas.

14. — Por que, seu Justinho?

15. — É desagregadora. Vai criar confusão.

16. E, realmente, no dia seguinte não foram poucos os que se declararam perplexos com a questão. Naquela manhã, pela primeira vez em suas vidas, tinham prestado atenção na forma como abotoavam a camisa. Era uma coisa banal, uma ação cotidiana e corriqueira, e, no entanto, todos tinham vivido até então sem saber se abotoavam a camisa de baixo para cima ou de cima para baixo. Era como se não se conhecessem. Um funcionário, inclusive, não compareceu ao trabalho e no outro dia deu a razão: simplesmente ficara paralisado no momento de aboioar a camisa, sem saber se começava por baixo ou por cima. À mulher até pensara que ele estivesse tendo alguma coisa.

17. — Que foi?

18. — Eu não consigo vestir a minha camisa. Eu não consigo vestir a minha camisa!

19. — Deixa que eu ajudo.

20. — Não! Você não vê? Eu é que tenho que vestir. E não consigo decidir se começo a abotoar por baixo ou por cima!

21. Como ele resolvera o problema, para vir trabalhar um dia depois? Botara uma camisa sem botão.

22. Seu Justinho não estava gostando nada daquilo. E nos dias seguintes passou a gostar ainda menos. Notou que todos estavam abalados com a experiência. De repente, por causa dos botões de suas camisas, estavam todos às voltas com graves indagações existenciais, sobre a gratuidade de todas as coisas, sobre os limites do livre arbitro e o lugar do homem num universo aleatório. E aquilo estava prejudicando o serviço. 

23. — Viu o que você fez? — perguntou o seu Justinho, brabo, para o Alaor.

24, — Mas era só uma brincadeira!

25. A brincadeira deixara todos angustiados. Até que seu Justinho decidiu tomar uma atitude. Como bom burocrata, baixou uma norma, gue mandou afixar no quadro de avisos.

26. “Neste escritório, todos os homens abotoam a camisa de baixo para cima, revogadas as disposições em contrário.”

27. Houve um certo alívio no ambiente, o que seu Justinho tomou como mais um triunfo da burocracia que afinal não passava de um método para pôr ordem no caos, segundo ele.

28. Mal sabia o seu Justinho que, depois de ler a sua determinação no quadro, todos tinham começado a abotoar a camisa de cima para baixo. A questão não era mais a extensão da liberdade humana num universo indiferente, a questão era contrariar o seu Justinho. Quem ele pensava que era, mandando até nas suas camisas?


(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1996)
Estabelece relação de condição o termo sublinhado em:
Alternativas
Q2705668 Português
     Ainda hoje, quando lanço o olhar ao mar, imagino a vida de meus avós como ilhas distantes, cercadas pela vastidão de um oceano de histórias (muitas delas guardadas na linha de um horizonte que não pode mais ser lido). No alto do Morro de São Sebastião, contemplo o sol nascente e me inspiro a iniciar estas linhas. Talvez elas não contenham toda a verdade, talvez haja imprecisões e deslizes históricos, mas foi assim que eu as recebi, pela boca dos que sobreviveram.

    leiri-san inspecionava as conversas dos navios que nasciam no estaleiro que dirigia com disciplina. Há décadas os japoneses iniciaram a colonização da ilha de Taiwan, tomada da China após a guerra sino-japonesa. Para lá a família leiri emigrou para prosperar. Chiyoko, filha do patriarca leiri, cresceu entre finas bonecas de porcelana, tendo os melhores instrutores, tornando-se de pianista a carateca. Sempre ávida por conhecimento, aprendeu com seu tio diversos procedimentos, tais como a realização de partos e, sobretudo, a quiropraxia. Chiyoko se transformou em uma mulher extraordinária, nadando em alto-mar e, apesar de sua compleição esguia, aventurando-se até a praticar sumô. Após aprender tantas coisas, não poderia ter se tomado outra coisa a não ser professora.

      Naquele dia, apesar da triste guerra, Chiyoko estava feliz. Era o dia do aniversário de seu pai. Não importava a ela que seu otosan estivesse em um leito de hospital nem que o medo rondasse cada esquina. Ela tinha conseguido, a grande custo, algumas iguarias que seu pai gostava de comer. Era para comemorar a data, para celebrar a vida. E seus passos eram alegres quando a sirene tocou. E era alegre o dia quando as bombas caíram.

     O hospital em que seu pai estava foi atingido. A vida naufragou. [...] Por ter aprendido tantas coisas com o tio médico, Chiyoko auxiliava os feridos durante a guerra, que estava para ser perdida.



(Adaptado de: KONDO, André. Origens. Editora do Brasil, 2019. Edição Eletrônica)
Por ter aprendido tantas coisas com o tio médico, Chiyoko auxiliava os feridos durante a guerra. (4º parágrafo)

A oração subordinada do trecho acima estabelece ideia de 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: IDIB Órgão: Prefeitura de Trindade - GO
Q2646716 Português

Texto para as questões de 1 a 20.


Drogas e tratamentos


Antônio Carlos Prado


1 Existem três modalidades no campo da institucionalização de dependentes

químicos. A internação compulsória é aquela determinada pela Justiça e ocorre, sobretudo,

quando o usuário de substância psicoativa comete algum grave ato dissocial – homicídio,

por exemplo. Nesse caso, se comprovado cientificamente que o delito aconteceu devido à

5dependência que retirou do autor a capacidade de crítica e _________¹, o juiz pode

considerar o indivíduo irresponsável pelo crime — ou seja, o delito lhe é inimputável.

Em vez de sentença penal condenatória é aplicada, então, medida de segurança

com encaminhamento a hospital de custódia.

Quanto à internação involuntária: o dependente químico, mesmo já colocando em

10risco a sua vida e a de outras pessoas, recusa-se a ser internado. Nesse caso, basta

autorização de um médico e de um parente direto para a institucionalização se consumar.

Finalmente, existe a voluntária: o usuário concorda em ir para uma instituição com

a finalidade de ser tratado e largar definitivamente o uso nocivo e abusivo.

Embora seja a mais discutida no País, a chamada Cracolândia, na cidade de São

15Paulo, onde dependentes químicos se drogam dia e noite a céu aberto, não é a única do

Brasil — o assunto aqui abordado tem, portanto, interesse nacional. Ao que se assiste na

capital paulista, porém, é a Prefeitura tomar atitudes com boas intenções (afinal, quer

salvar vidas), mas que terão poucos resultados. Circulam pela Cracolândia traficantes que

deveriam ser presos — basta uma semana de operações e o tráfico acaba. Seria possível,

20então, cuidar dos dependentes que perambulam perdidos em um mundo no qual não mais

percebem o quanto aceleram o próprio passo para a morte.

A Prefeitura defende a internação involuntária de usuários que usam drogas há mais

de cinco anos – nesse espaço de tempo, em se falando de crack, os pulmões estão

lesados.

25 É sabido, no entanto, que internações involuntárias podem ou não surtirem bons

efeitos, e não devem elas estar fundamentadas somente em doenças pulmonares.

A internação não voluntária, importante repetir, vale em situações em que o usuário

coloca em risco a sua vida ou a de terceiros. Esse aspecto registra-se em não mais que

6% dos cerca de seis mil atendimentos feitos anualmente pela Unifesp.

30 É preciso, isso sim, que se enviem médicos especializados diariamente ao local e

que se prendam os traficantes. São necessárias ações de convencimento para tratamentos

ambulatoriais ou internações voluntárias. O problema é de dificílima solução, a Prefeitura

paulistana está empenhada com seriedade e boa vontade em encontrar soluções, mas o

caminho seguido não é o mais adequado.


Disponível em: https://istoe.com.br/drogas-e-tratamentos/. Acesso em 09/02/2023

No período “A internação compulsória é aquela determinada pela Justiça e ocorre, sobretudo, quando o usuário de substância psicoativa comete algum grave ato dissocial” é correto afirmar sobre a palavra em destaque que ela

Alternativas
Q2575262 Português
Texto para a questão.

IBM e Nasa se aliam para aplicar IA ao estudo do clima



(Salvador Nogueira. Mensageiro Sideral. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/mensageiro-sideral /2023/02/ibm-e-nasa-se-aliam-para-aplicar-ia-ao-estudo-do-clima.shtml. 5.fev.2023)
Como se vê, a inteligência artificial avançada, que durante décadas não passou de uma especulação futurista, está chegando a um ponto em que vai afetar todos os ramos de atividade humana. (linhas 27 e 28)
A conjunção sublinhada no período acima apresenta valor de
Alternativas
Q2575255 Português
Texto para a questão.

IBM e Nasa se aliam para aplicar IA ao estudo do clima



(Salvador Nogueira. Mensageiro Sideral. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/mensageiro-sideral /2023/02/ibm-e-nasa-se-aliam-para-aplicar-ia-ao-estudo-do-clima.shtml. 5.fev.2023)
Não, não será um aplicativo que, ao ser perguntado, dará respostas articuladas e engraçadinhas em texto sobre questões climáticas. (linhas 4 e 5)
O segmento sublinhado no período acima apresenta circunstância 
Alternativas
Q2563927 Português
Texto para a questão.
A Chinela Turca


Considere o seguinte excerto do texto:
“Se achar que não é bom, diga-o sem rebuço”. (linha 41)
O período acima é composto, respectivamente, de
Alternativas
Q2557216 Português

A questão diz respeito ao Texto abaixo. Leia-o atentamente antes de respondê-la.


(Texto)



Analise o período a seguir:

     “[...], uma alimentação rica em minerais e vitaminas é um dos caminhos para garantir o bom funcionamento do cérebro.” (linhas 12 a 14).

Sobre a oração destacada acima, analise:

I- Exerce função sintática de adjunto adverbial;
II- É classificada corretamente como uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo.
III- É classificada como um termo integrante do período.

Dos itens acima:
Alternativas
Q2545337 Português
Texto 2

A escola é responsável pela educação ou pela instrução?

Há quem faça essa divisão entre quem é responsável pela educação e quem é responsável pela instrução. O senso comum costuma entender a educação – no modo como vimos acima – como responsabilidade da família, enquanto fornecer a instrução, seria papel da escola.

Mas o processo ensino-aprendizagem é uma relação indissociável entre instrução e educação. Como dissociar a apropriação dos conhecimentos pela lógica de uma formação embasada em sentimentos, qualidades e atitudes? Como a escola pode limitar-se com a aquisição do conhecimento sem se preocupar com a aquisição de valores que irão transformar crianças e adolescentes em cidadãos responsáveis e comprometidos consigo e com a sociedade?

É por entendermos que a missão da escola é formar não apenas um indivíduo instruído mas, também, um indivíduo educado para exercer seu protagonismo na vida que os três pilares que sustentam o nosso trabalho aqui no Colégio são: educação, instrução e desenvolvimento emocional.

Tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental e no ensino médio, a nossa proposta é promover o desenvolvimento global dos alunos por meio de um ensino de qualidade mas também, de acolhimento e de reconhecimento das individualidades. Nossa atenção está voltada para os aspectos cognitivo, intelectual, sócio emocional e para o aprimoramento dos valores imprescindíveis na formação de cidadãos comprometidos com um mundo em constante desenvolvimento.

https://copavi.com.br acesso em 09/08/23


A questão diz respeito a este texto.
Em “...por entendermos que a missão da escola é...”, há duas orações que classificadas de modo correto são respectivamente
Alternativas
Q2533448 Português

Texto 2


O machismo no ensino médico





MENEGHELI, Ulisses. O machismo na história do ensino
médico. In:______. À sombra do plátano: crônicas de História
da medicina. São Paulo: Editora Unifesp, 2009. pp. 131-132.


Apesar de todas as dificuldades encontradas, algumas mulheres destemidas conseguiram pouco a pouco vencer todos os preconceitos e todas as barreiras.” (Linhas 30-33)

Nesse período, o termo “apesar de todas as dificuldades encontradas” expressa
Alternativas
Q2531435 Português

Leia o texto a seguir:


Nova vacina da dengue chega a clínicas privadas na semana que vem; saiba quanto custará


Produto é o segundo imunizante contra a doença a receber registro no Brasil, mas o primeiro de uso amplo na população independentemente de infecção prévia pelo vírus; eficácia em testes clínicos foi de 80%


Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março, a vacina contra a dengue da farmacêutica japonesa Takeda deve estar disponível nas clínicas privadas de vacinação a partir da semana que vem, ao custo de R$ 350 a R$ 500 por dose, informou a Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC). O imunizante, batizado de Qdenga, teve eficácia de 80% nos estudos clínicos.

É a segunda vacina contra a doença a receber registro no Brasil, mas a primeira de uso amplo na população independentemente de infecção prévia pelo vírus da dengue. Isso porque a primeira, do laboratório francês Sanofi Pasteur e aprovada no País em 2015, só pode ser aplicada em quem já contraiu algum sorotipo da dengue porque aumenta a ocorrência da forma grave da doença em pessoas nunca antes infectadas pelo vírus.

A vacina da Sanofi Pasteur tem ainda como limitação a faixa etária para qual é indicada: 9 aos 45 anos, enquanto a Qdenga pode ser usada por pessoas de 4 a 60 anos. O imunizante da empresa japonesa protege contra os quatro sorotipos do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

Por definição da Anvisa, a vacina deverá ser administrada via subcutânea em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações. Com isso, o preço do esquema completo de vacinação ficará entre R$ 700 e R$ 1 mil no Brasil.

Os preços máximos foram definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e variam de acordo com a carga tributária de cada Estado. Esses valores referem-se ao valor que poderá ser cobrado pelo laboratório farmacêutico ao vender o produto para clínicas privadas. No caso do Estado de São Paulo, o preço definido pela CMED é de R$ 379,40. 

O valor final ao consumidor é acrescido ainda, segundo a ABCVAC, do serviço prestado no estabelecimento: atendimento, triagem, análise da caderneta de vacinação, orientações pré e pós-vacina, entre outros.

O Ministério da Saúde ainda não definiu se a vacina será disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS). Para que isso aconteça, o produto deve passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em processo que costuma levar ao menos seis meses e que avalia não só a eficácia e a segurança do produto, mas também seu custo-benefício.

Histórico

De acordo com a Takeda, os estudos clínicos da Qdenga tiveram 28 mil participantes, com acompanhamento de mais de quatro anos dos voluntários da última fase do estudo. Além da eficácia geral de 80,2%, o imunizante alcançou 90,4% de proteção contra hospitalizações pela doença 18 meses após a vacinação. A Qdenga é feita com vírus vivo atenuado do sorotipo 2 da dengue.

“A demonstração da eficácia da vacina Qdenga tem suporte principalmente nos resultados de um estudo de larga escala, de fase 3, randomizado e controlado por placebo, conduzido em países endêmicos para dengue com o objetivo de avaliar a eficácia, segurança e imunogenicidade da vacina”, justificou a Anvisa ao anunciar a aprovação, em março.

A Takeda entrou com pedido de registro na Anvisa em 2021. O processo, segundo a agência, foi demorado porque foram solicitados dados complementares. A vacina “segue sujeita ao monitoramento de eventos adversos por meio de ações de farmacovigilância sob a responsabilidade da empresa”.

A vacina do Instituto Butantan, única a entrar na fase final de estudos além dos produtos da Sanofi e Takeda, registrou 79,6% de eficácia nos testes de fase 3, conforme dados preliminares, mas só deverá ter sua pesquisa concluída e resultados finais conhecidos em 2024.


Fonte: https://www.estadao.com.br/saude/nova-vacina-da-dengue-chega-a-clinicas-privadas-na-semana-que-vem-dose-custara-de-350-a-500-nprm/. Acesso em 22/06/2023


No trecho “De acordo com a Takeda, os estudos clínicos da Qdenga tiveram 28 mil participantes, com acompanhamento de mais de quatro anos dos voluntários da última fase do estudo” (8º parágrafo), há:
Alternativas
Q2462530 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles



        A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

       Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

       Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

       Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

        Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

       Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

         O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica. 

        Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

           Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

            Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

          Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...




Disponível em: https://www.culturagenial.com. Acesso em: 28 ago.
2023.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.” A conjunção sublinhada só pode ser classificada como:
Alternativas
Q2443679 Português
A vírgula foi usada com a mesma função: indicar a inversão das orações subordinadas adverbiais, EXCETO em
Alternativas
Q2443675 Português
Analise e assinale a alternativa correta, na ordem em que estão, quanto a classificação das seguintes orações.

Segundo o professor, as provas serão mais fáceis neste trimestre”- “Embora eu estivesse doente, trabalhei o dia todo”
“Eles falam tão alto que me deixam tonto”.
Alternativas
Q2436621 Português

Atenção: Para responder às questões de números 11 a 14, leia o texto abaixo.

Quando me separei, deixei a beira-mar e voltei a morar num topo de ladeira, quase no mesmo endereço que dividi anos atrás com a minha primeira mulher. Ela ainda mora naquele prédio de pasfilhas, quatro abaixo do meu, e já deve ter me visto passar sob a sua janela. Talvez pense que ensaio uma reconciliação, embora esfeja cansada de saber que sou adepto de caminhadas peripatéticas*, sobretudo nos dias em que sento para escrever e me sinto amarrado, com a vista saturada de letras. Desço à rua sempre que as letras endurecem no papel, comprimidas entre si como as pequenas pedras em preto e branco do calçamento que piso. Pouco a pouco meus olhos se deixam levar por um automóvel, uma saia, uma folha, uma lagartixa, umas crianças de escola, passarinhos. Mais adiante já não vejo mais que cores, arestas, vultos, halos, e ideias solias me vêm à cabeça, esta boa, esta má, e toca a subir e descer a ladeira debaixo de sol ou chuva, pensando alto, discutindo comigo mesmo, com aqueles tiques e gestos falhos de que fala o poeta, aquelas caretas que fazem os porteiros abanar a cabeça: aê, o esquisitão voltou.

(Adaptado de: BUARQUE, Chico. Essa gente. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, edição eletrônica)

* peripatético: que é exagerado na expressão e nos gestos.

Talvez pense que ensaio uma reconciliação, embora esteja cansada de saber que sou adepto de caminhadas peripatéticas No contexto em que se encontra, o elemento sublinhado expressa ideia de

Alternativas
Respostas
701: B
702: C
703: D
704: C
705: E
706: B
707: D
708: B
709: E
710: D
711: B
712: C
713: C
714: A
715: A
716: A
717: C
718: E
719: B
720: A