Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4087214 Português

Teatro


    Apesar de não existirem registros históricos do surgimento da arte do teatro, algumas hipóteses dão conta de que a arte de representar nasceu da sua própria essência, que é a mímesis (do grego mimésis), que significa imitação. Foi imitando os animais, mostrando os dentes, batendo palmas, que os humanos da Pré-história aprenderam a arte de representar. Acreditamos que assim agiam em adoração aos seus deuses, nos rituais, nas danças para o fogo ou para a chuva. Ou também como demonstração de superioridade pelo macho dominante sobre os machos do grupo, impondo respeito, medo e aceitação.



    A arte do teatro é construída pela fantasia de uma história, pela representação de um ator e pela assistência de uma pla teia. É como num jogo, muito parecido com o mundo real. Essa arte evoluiu com a humanidade. O teatro, como o conhecemos hoje, teve seus primeiros registros na Grécia Antiga.


(BELLO, Paulo. Trilha 2. Teatro. Digital arte: color. Curitiba. Adaptado.)

Os antônimos são expressões ou palavras que têm o significado oposto quando comparadas a outra. Dessa forma, se forem substituídos, causam alteração no sentido inicial, expressando uma ideia contrária à anterior. Em “Apesar de não existirem registros históricos do surgimento da arte do teatro, algumas hipóteses dão conta de que a arte de representar nasceu da sua própria essência, [...]” (1º§), o termo assinalado apresenta como significado oposto: 
Alternativas
Q4087213 Português

Teatro


    Apesar de não existirem registros históricos do surgimento da arte do teatro, algumas hipóteses dão conta de que a arte de representar nasceu da sua própria essência, que é a mímesis (do grego mimésis), que significa imitação. Foi imitando os animais, mostrando os dentes, batendo palmas, que os humanos da Pré-história aprenderam a arte de representar. Acreditamos que assim agiam em adoração aos seus deuses, nos rituais, nas danças para o fogo ou para a chuva. Ou também como demonstração de superioridade pelo macho dominante sobre os machos do grupo, impondo respeito, medo e aceitação.



    A arte do teatro é construída pela fantasia de uma história, pela representação de um ator e pela assistência de uma pla teia. É como num jogo, muito parecido com o mundo real. Essa arte evoluiu com a humanidade. O teatro, como o conhecemos hoje, teve seus primeiros registros na Grécia Antiga.


(BELLO, Paulo. Trilha 2. Teatro. Digital arte: color. Curitiba. Adaptado.)

No trecho “Acreditamos que assim agiam em adoração aos seus deuses, nos rituais, nas danças para o fogo ou para a chuva.” (1º§), o vocábulo “adoração” significa: 
Alternativas
Q4087210 Português

Teatro


    Apesar de não existirem registros históricos do surgimento da arte do teatro, algumas hipóteses dão conta de que a arte de representar nasceu da sua própria essência, que é a mímesis (do grego mimésis), que significa imitação. Foi imitando os animais, mostrando os dentes, batendo palmas, que os humanos da Pré-história aprenderam a arte de representar. Acreditamos que assim agiam em adoração aos seus deuses, nos rituais, nas danças para o fogo ou para a chuva. Ou também como demonstração de superioridade pelo macho dominante sobre os machos do grupo, impondo respeito, medo e aceitação.



    A arte do teatro é construída pela fantasia de uma história, pela representação de um ator e pela assistência de uma pla teia. É como num jogo, muito parecido com o mundo real. Essa arte evoluiu com a humanidade. O teatro, como o conhecemos hoje, teve seus primeiros registros na Grécia Antiga.


(BELLO, Paulo. Trilha 2. Teatro. Digital arte: color. Curitiba. Adaptado.)

Em relação ao teatro, considerando as ideias apresentadas ao longo do texto, é possível afirmar que: 
Alternativas
Q4087209 Português

Teatro


    Apesar de não existirem registros históricos do surgimento da arte do teatro, algumas hipóteses dão conta de que a arte de representar nasceu da sua própria essência, que é a mímesis (do grego mimésis), que significa imitação. Foi imitando os animais, mostrando os dentes, batendo palmas, que os humanos da Pré-história aprenderam a arte de representar. Acreditamos que assim agiam em adoração aos seus deuses, nos rituais, nas danças para o fogo ou para a chuva. Ou também como demonstração de superioridade pelo macho dominante sobre os machos do grupo, impondo respeito, medo e aceitação.



    A arte do teatro é construída pela fantasia de uma história, pela representação de um ator e pela assistência de uma pla teia. É como num jogo, muito parecido com o mundo real. Essa arte evoluiu com a humanidade. O teatro, como o conhecemos hoje, teve seus primeiros registros na Grécia Antiga.


(BELLO, Paulo. Trilha 2. Teatro. Digital arte: color. Curitiba. Adaptado.)

De acordo com as informações textuais, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4087166 Português
Amazônia Legal é uma porção da Floresta Amazônica definida como tal pelo governo brasileiro ainda na década de 1950. É uma definição feita para atender a fins jurídicos; por isso, pode ou não corresponder ao que os outros campos de estudo reconhecem como “floresta amazônica”. Os estados que percorrem a Amazônia Legal são: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
(Disponível em: www.politize.com.br.)

O Conselho da Amazônia é um órgão colegiado, formado pela Vice-Presidência da República e por 14 ministérios. O Decreto nº 10.239/2020 estabelece que este grupo de pessoas se reunirá a cada três meses. Sobre as competências do Conselho da Amazônia, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Preconiza políticas e iniciativas relacionadas à preservação, à proteção e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal.
( ) Apoia a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a inovação.
( ) Gere ações de prevenção, fiscalização e repressão a ilícitos e o intercâmbio de informações.

A sequência está correta em 
Alternativas
Q4087161 Português
Um estudo realizado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, disponível na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), constatou que o número de pessoas com mais de 65 anos que estão trabalhando com carteira assinada aumentou 43% entre 2013 e 2017, saindo de 484 mil para 649,4 mil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem realizando uma série de pesquisas que evidenciaram que o número de pessoas com mais de 65 anos no país teve um grande aumento nos últimos anos, e que essas pessoas se tornarão a grande maioria no futuro. Entre 2012 e 2018 por exemplo, o instituto afirmou que o país sofreu um aumento de 26% no número de idosos, que chegaram a representar 10,5% da população do Brasil em 2018. 

(Disponível em: www.pontotel.com.br.) 

Em relação à população idosa brasileira, analise as afirmativas a seguir.

I. No mercado de trabalho, atualmente, a quantidade vagas para os idosos teve um aumento significativo devido à grande procura de empregos por eles.
II. As empresas que necessitam de atualização que envolvem os avanços tecnológicos buscam pessoas desta faixa etária em virtude da experiência já consolidada.
III. Os idosos, por terem características como o comprometimento e a fidelidade, são grandes atrativos para as empresas, pois resultam na economia advinda da diminuição do turnover e absenteísmo, resultando em uma economia maior.

Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q4087150 Português
Para que ninguém a quisesse


    Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
      Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
        Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
        Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
           Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
         Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina Colasanti. Livro “Um espinho de marfim e outras histórias”. Porto Alegre: L&PM, 1999.)
Considerando o trecho “Mas do desejo inflamado que tivera por ela.” (4º§), é possível deduzir que a ação verbal expressa um fato:
Alternativas
Q4087147 Português
Para que ninguém a quisesse


    Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
      Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
        Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
        Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
           Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
         Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina Colasanti. Livro “Um espinho de marfim e outras histórias”. Porto Alegre: L&PM, 1999.)
É possível afirmar que o título do texto “Para que ninguém a quisesse” demonstra:
Alternativas
Q4087144 Português
Para que ninguém a quisesse


    Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
      Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
        Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
        Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
           Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
         Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina Colasanti. Livro “Um espinho de marfim e outras histórias”. Porto Alegre: L&PM, 1999.)
Considerando os trechos citados no texto, assinale o que exprime circunstância de tempo. 
Alternativas
Q4087141 Português
Para que ninguém a quisesse


    Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
      Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
        Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
        Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
           Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
         Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina Colasanti. Livro “Um espinho de marfim e outras histórias”. Porto Alegre: L&PM, 1999.)
De acordo com o conto, é possível inferir que a mulher: 
Alternativas
Q4087139 Português
Para que ninguém a quisesse


    Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
      Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
        Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
        Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
           Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
         Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina Colasanti. Livro “Um espinho de marfim e outras histórias”. Porto Alegre: L&PM, 1999.)
De acordo com as ideias textuais, é possível depreender que:
Alternativas
Q4087138 Português
Letramento literário pode ser pensado como a condição daquele que não apenas é capaz de ler e compreender gêneros literários, mas aprendeu a gostar de ler literatura e o faz por escolha, pela descoberta de uma experiência de leitura distinta, associada ao prazer estético.

(BARBOSA, Begma Tavares. Letramento literário: sobre a formação escolar do jovem leitor. Educ. foco, Juiz de Fora, v. 6, n. 1, pp. 145-167. Em: 2011. Adaptado.)

O propósito comunicativo desse excerto é:
Alternativas
Q4087137 Português
Texto para responder à questão.


    No ano de 1878, formei-me em medicina pela Universidade de Londres e logo parti para Netley, a fim de seguir o curso exigido aos médicos militares. Terminados os meus estudos, fui designado para o Quinto Regimento de Fuzileiros de Northumberland, como cirurgião assistente. Nessa época, o Quinto estava acantonado na Índia, e antes que eu pudesse me apresentar eclodiu a Segunda Guerra Afegã. Ao desembarcar em Bombaim, soube que o meu regimento já havia atravessado os desfiladeiros e se achava embrenhado em território inimigo. Tomei o mesmo caminho, com muitos outros oficiais que estavam em idêntica situação, e consegui chegar são e salvo a Kandahar, onde encontrei minha unidade e imediatamente assumi minhas novas funções.
    A campanha trouxe honras e promoções para muitos, mas a mim só proporcionou infortúnios e desastres. Fui transferido da minha brigada para as tropas de Berkshire, com as quais tomei parte na fatídica Batalha de Maiwand. Ali, a bala de um mosquete afegão atingiu-me o ombro, fraturando o osso e raspando a artéria subclávia. Teria caído nas mãos dos ferozes ghazis, se não fosse a devoção e a coragem do ordenança Murray, que me pôs num cavalo de carga e conseguiu levar-me são e salvo para as linhas britânicas.
    Combalido pelo sofrimento e pelas contínuas privações que havia suportado, fui removido, numa longa composição de feridos, para o hospital central de Peshawar. Ali fui me restabelecendo, e já tinha melhorado o suficiente para andar um pouco pelas enfermarias, ou estender-me ao sol na varanda, quando apanhei uma gastrenterite, essa praga das nossas possessões indianas. Durante meses, tive a vida por um fio, e quando, finalmente, voltei a mim e entrei em convalescença, estava de tal modo fraco e macilento que uma junta médica foi de parecer que deviam me fazer regressar imediatamente à Inglaterra. Consequentemente, fui recambiado no vapor Orontes e um mês depois desembarquei no cais de Portsmouth, com a saúde irremediavelmente arruinada, mas com a permissão, dada por um governo paternal, de tentar melhorá-la nos nove meses seguintes.
    Não tendo relações nem parentes na Inglaterra, achava-me tão livre como o ar... ou pelo menos tão livre quanto pode ser um homem cujo rendimento não passa de onze xelins e seis pence por dia. Em tais circunstâncias, fui naturalmente atraído por Londres, essa grande fossa a que irresistivelmente vão ter todos os vadios e desocupados do império. Ali fiquei algum tempo, instalado num hotel do Strand, levando uma existência sem conforto nem sentido, e gastando, com mais largueza do que devia, todo o dinheiro que me vinha às mãos. Tão alarmante se tornou o estado das minhas finanças que em breve me vi na contingência de deixar a metrópole e ir viver no campo, ou alterar completamente o meu modo de vida. Escolhendo esta última alternativa, resolvi sair do hotel e alojar-me num domicílio mais barato e menos pretensioso.
    Exatamente no dia em que cheguei a essa conclusão, encontrava-me no Bar Criterion quando alguém me bateu no ombro. Voltando-me, reconheci Stamford, um jovem que fora meu assistente no Barts. Ver um rosto amigo no imenso deserto londrino é coisa deveras agradável para um homem solitário. Nos velhos tempos da universidade, não tínhamos lá grande intimidade, mas cumprimentei-o com entusiasmo, e ele, por sua vez, pareceu feliz de me ver. Na exuberância daquele momento, convidei-o para almoçar comigo no Holborn, e juntos tomamos uma carruagem.
    — Que diabo você tem feito, Watson? — perguntou-me ele, sem esconder o seu espanto, enquanto passávamos pelas ruas apinhadas de Londres. — Vejo-o magro como um sarrafo e escuro como uma castanha.
    Fiz-lhe um breve relato das minhas aventuras e mal o concluíra chegamos ao nosso destino.
    — Coitado! — exclamou ele, condoído pelos infortúnios que acabava de ouvir. — E que faz agora?
    — Procuro alojamento — respondi. — Tento resolver o problema de encontrar quartos confortáveis a preços razoáveis.
    — É curioso — disse o meu companheiro. — Você hoje é a segunda pessoa que fala dessa maneira.
    — E quem foi a primeira? — perguntei.
    —Um sujeito que trabalha no laboratório químico do hospital. Estava se queixando, ainda esta manhã, de não encontrar com quem dividir o aluguel de uns ótimos aposentos que tinha descoberto, mas que eram demasiado caros para a sua bolsa.
    — Magnífico! — exclamei. — Se ele procura alguém para compartilhar dos quartos e das despesas, sou exatamente essa pessoa. Prefiro ter um companheiro a morar sozinho.
      Stamford olhou-me de um modo estranho, por cima do seu copo de vinho.
    — Você ainda não conhece Sherlock Holmes — disse ele. — Não sei se lhe agradará como companheiro permanente.
    — Por quê? Haverá alguma coisa que não o recomende?
    — Oh! Eu não disse isso. Ele é um pouco esquisito... tem paixão por certos ramos da ciência. Que eu saiba, é uma pessoa muito correta.
     — Estudante de medicina?
    — Não. E não tenho a menor ideia a respeito da carreira que pretende seguir. Creio que entende muito de anatomia, e é um químico de primeira ordem. Mas, ao que me consta, nunca fez um curso sistemático de medicina. Estuda sem método, de uma maneira excêntrica, e já acumulou uma série de conhecimentos pouco vulgares que espantariam os seus professores.
     — Nunca lhe perguntou qual o ramo da ciência em que deseja especializar-se?   
    — Não — respondeu Stamford. — Não é dado a confidências, embora seja bastante comunicativo quando lhe dá na telha.
    — Pois eu gostaria de conhecê-lo. Visto que preciso morar com alguém, agrada-me que seja um homem tranquilo e estudioso. Ainda não estou bastante forte para suportar ruídos ou balbúrdias. Já tive muito dessas duas coisas no Afeganistão... e estou provido delas para o resto da existência. Como poderei travar relações com esse seu amigo?
    — Ele deve estar no laboratório — respondeu o meu companheiro. —Às vezes passa semanas inteiras semaparecer, mas noutras ocasiões não sai de lá o dia todo e boa parte da noite. Se quiser, vamos procurá-lo depois do almoço.
    —Combinado —respondi, e a conversação passou a outros assuntos.
    Quando nos dirigíamos para o hospital, ao sairmos do Holborn, Stamford deu-me mais algumas informações sobre o cavalheiro com quem eu me propunha morar.

(DOYLE, Arthur Conan. Um estudo em vermelho. Disponível em: https:// docero.com.br/doc/seces8. Adaptado.)
Em foco narrativo, narrador e personagem, analise as afirmativas a seguir.

I. As observações do narrador relevam um olhar crítico de quem participou como combatente em uma guerra e os desafios enfrentados ao retornar para a vida cotidiana.
II. O narrador, ou seja, a voz escolhida pelo autor para contar os acontecimentos em uma narrativa ficcional, está na terceira pessoa do discurso, já que ele ao mesmo tempo observa e participa dos fatos.
III. Ao informar os leitores sobre o juízo que faz sobre os demais personagens e acontecimentos, o narrador dá ao leitor a consciência de que está tendo contanto com uma história através de um olhar particularizado, ou seja, o olhar dele enquanto narrador.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4087134 Português
O excerto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.

    O tempo constitui um dos aspectos mais importantes – se não o mais importante – da prosa de ficção. Na verdade, é para ele que confluem todos os integrantes da massa ficcional, desde o enredo até a linguagem: dir-se-ia que o fim último, consciente ou não, de qualquer narrador consiste em criar o tempo. A explicação, que demandaria uma série de considerações de ordem literária e filosófica, pode ser sumariada no seguinte: criando o tempo, o homem nutre a sensação de superar a brevidade da existência, e de identificar-se demiurgicamente, com o tempo cósmico, que permanece para sempre, indiferente à finitude da vida humana; gerando o tempo, o ficcionista alimenta a ilusão de imobilizá-lo ou transcendê-lo.


(MOISÉS, Massaud. Guia prático de análise literária. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1973, p. 101.)
A tradução do trecho do excerto que não provoca alteração de sentido está em:
Alternativas
Q4087132 Português
Letramento não é um gancho
em que se pendura cada som enunciado,
não é treinamento repetitivo
de uma habilidade,
nem um martelo
quebrando blocos de gramática.

Letramento é diversão
é leitura à luz de vela
ou lá fora, à luz do sol.

(SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2006, p. 41. Fragmento.)

Nessa concepção de letramento, a leitura 
Alternativas
Q4087131 Português
Texto para responder à questão.

    Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha.
    Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos 1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a “tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha desenhada que deve seu nome a um personagem de David Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
    Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
    Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
    Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.

(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
A finalidade comunicativa desse excerto é
Alternativas
Q4087130 Português
Texto para responder à questão.

    Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha.
    Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos 1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a “tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha desenhada que deve seu nome a um personagem de David Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
    Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
    Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
    Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.

(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
Sobre os elementos de coesão textual responsáveis pelo processo de retomada de informações, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Em “[...] o futuro que ela vê, [...]” (1º§), o pronome pessoal tem como referente a mãe de Mafalda e foi usado a fim de evitar repetições desnecessárias no texto.
( ) Em “Como ela não perceberia isso, [...]” (2º§), há dois elementos de reiteração: os pronomes “ela” e “isso”. Nos dois casos, esses elementos estabelecem relação anafórica com a informação a que fazem referência.
( ) Em “Este talvez seja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político.” (5º§), o pronome demonstrativo “este” estabelece relação catafórica com a informação a que faz referência.
( ) Em “[...] porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a [...]” (5º§), há apenas dois elementos de referenciação. Ambos estão pospostos ao verbo com que se relacionam, em situação de ênclise, já que não há fator de próclise.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4087129 Português
Texto para responder à questão.

    Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres! Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Miguelito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso “Mamãe, o que você gostaria de ser se você vivesse?” – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando através de um bobe de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha.
    Como ela não perceberia isso, se é uma garota dos anos 1960 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a “tendência” é uma metralhadora? Mafalda – essa garotinha desenhada que deve seu nome a um personagem de David Viñas, ou seja, tem origem de esquerda e intelectual – é filha e expoente da classe média argentina no seu apogeu: visto de agora, aquele tempo passado que parece tão melhor.
    Em seu ensaio Mafalda, historia y política, a historiadora Isabella Cosse – citando Gino Germani – conta que naquele momento a classe média representava 39,5% da população. “No começo dos anos 1960, os jovens que haviam protagonizado a expansão da matrícula no Ensino Médio durante a década peronista chegavam à idade adulta, em um processo que continuou nos anos seguintes, com o crescimento dos estudos superiores e universitários”, destaca. O terreno estava preparado para que Mafalda quisesse mais. E também para que lhe parecesse natural se imaginar como universitária e, portanto, questionar sua mãe por ter abandonado “a carreira” e viver de espanador na mão (ou detrás do aspirador de pó, tanto faz, Quino destrói a ideia de libertação por meio dos eletrodomésticos).
    Se a estrutura familiar tinha sido um dos pilares da ascensão social – o expediente respeitável –, a geração bem alimentada dos anos de 1960 a desafiou, e assim, diz a historiadora, abriu “poderosos questionamentos sobre os valores da classe média (...) que explicitamente conectaram o familiar e o político”.
    Este talvezseja o aspecto mais explicitamente feminista de Mafalda: o familiar – o pessoal – é político. Uma máxima velha e poderosa que não tem origem nesta década nem nestes pampas. “Independentemente de todas as leis que emancipam a mulher, ela continua sendo uma escrava, porque o trabalho doméstico a oprime, estrangula-a, degrada-a e a reduz à cozinha e ao cuidado dos filhos, e ela, assim, desperdiça suas forças em trabalhos improdutivos e nada transcendentais, que esgotam seus nervos e a idiotizam”, afirmava Lênin em 1919. A paisagem denuncia a transformação da sociedade e Quino sabe disso. Mafalda se preocupa com a sua mãe, com a cabeça de sua mãe, e se lança contra esse modelo. Mas também a preocupa – sobretudo – o mundo inteiro: o futuro era algo pessoal, por isso Mafalda se propõe concertá-lo sendo uma “boa” intérprete das Nações Unidas.

(QUINO; tradução Monica Stahel. Mafalda: feminino singular. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020, p. 05-06. Fragmento adaptado.)
Os posicionamentos de Mafalda, em conformidade com o excerto, são motivados por 
Alternativas
Q4086976 Português

Texto I


[...] ao construir o Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas, é necessário ter foco sobre o que as instituições têm como intenção de realizar, elencando princípios e métodos que subsidiarão a ação educativa, com vistas a intenções futuras. Nessa perspectiva, o PPP representa uma direção, um rumo a ser tracejado, um compromisso com a mudança educacional enquanto sinônimo de melhoria e qualidade.


(Nascimento; Nascimento; Lima, 2020, p. 124.)



Texto II


Lei nº 9.394/1996:


Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:


I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;


Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:


I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;



Considerando o Projeto Político-Pedagógico (PPP) como uma importante diretriz que deve prever ações para melhorar a aprendizagem, bem como reduzir os problemas identificados pela comunidade escolar, NÃO corresponde aos pressupostos do PPP na escola:

Alternativas
Q4086846 Português
Um pé de milho


         Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.

     Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.

       Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento – e em outra madrugada parecia um galo cantando.

        Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.


(Rubem Braga. 1913-1990. 200 crônicas escolhidas. 31ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. Com adaptações.)
Levando em consideração o fragmento “Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim.” (2º§), é possível depreender que “desdenhar” significa:
Alternativas
Respostas
19601: A
19602: C
19603: C
19604: C
19605: A
19606: B
19607: D
19608: A
19609: B
19610: C
19611: A
19612: A
19613: C
19614: B
19615: D
19616: A
19617: A
19618: C
19619: A
19620: C